Língua Ferina, de Santarém-PA

Afiando as notícias da classe trabalhadora.

Santarém-PA

sábado, 21 de novembro de 2009

Frases

"Já disse para ele que pare com a greve de fome, porque eu já fiz greve de fome e sei que é um ato de desespero ou de ignorância, eu jamais faria outra vez. Isso não ajuda a ele. Nós não estamos mais no momento de ficar recebendo esse tipo de pressão”, disse o Presidente Lula sobre a greve de fome de Cesare Battisti.

Mais uma vez, quem te viu, quem te vê!


Essa foto abaixo é manifestantes do "Movimento pela Libertação de Cesare Battisti" que acamparam em frente ao Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória da Presidência da República, na tentativa de uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o italiano permaneça no país.


Foto: Renato Araújo/ABr

Hidrelétricas no Tapajós: mais uma tragédia anunciada

Cinco hidrelétricas fazem parte de um projeto para o rio Tapajós na região do Pará. Cerca de 80% da região atingida pelas obras desse complexo hidrelétrico fazem parte de uma área de preservação ambiental. Lá vivem pescadores, ribeirinhos e povos indígenas. Todos, certamente, terão seu dia-a-dia mudado para sempre se a obra for empreendida. Conforme nos contou Jesielita Gomes, a Lita, uma das moradoras que luta contra a construção dessas hidrelétricas, os povos que vivem na cidade de Itaituba não sabem por que não podem desmatar, por exemplo. “Antes, o governo dizia que ele só tinha crédito se desmatasse, hoje ele não tem crédito porque desmatou. O governo traz o sofrimento porque depois vai embora, e a gente que fica pagando por isso. Alguém tem que se unir a nós e dizer o que está certo e o que está errado”, explicou ela durante a entrevista que deu à IHU On-Line por telefone.

Jesielita Gomes é coordenadora do Movimento Tapajós Vivo e do Movimento de Mulheres da região. Ela conta que só soube do projeto das hidrelétricas no rio Tapajós porque participou de um evento na cidade de Altamira e lá conheceu o jornalista, e historiador, Glenn Switkes, que representa a International Rivers na América Latina. “O Glenn nos perguntou se sabíamos da construção das hidrelétricas na bacia do Tapajós. Então, falei que não sabíamos de nada. E, quando voltamos, fui pesquisar o assunto na Internet e descobri todo o projeto. Com isso, fizemos um seminário em janeiro deste ano, chamamos as lideranças comunitárias, principalmente dos locais atingidos”, contou.

Confira a entrevista em Hidrelétricas no Tapajós: 'Nós dependemos da Amazônia para sobreviver, como é que vamos estragar tudo?' (Amazonia.org)

A Questão Agrária no Pará e o desvirtuamento da verdade.

Nota da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos - SDDH e Movimento Nacional de Direitos Humanos - MNDH


Tem sido surpreendente a postura adotada pelos que, de responsáveis pelas tragédias no campo paraense, passam a se auto-afirmar como defensores do estado democrático de direito. Referimos-nos aos últimos acontecimentos no Brasil e no Pará envolvendo a questão agrária.


Já era de conhecimento de todos e todas, que nosso Estado tem, como fruto do modelo de desenvolvimento instaurado há décadas na região, uma das concentrações fundiárias mais perversas do Planeta. Mais que isso, essa concentração veio e persiste convivendo com violações atrozes dos direitos humanos como expulsão de pequenos agricultores, trabalho escravo, destruição de florestas para dar lugar a pastos, degradação ambiental fruto da mineração, ameaças e assassinatos de lideranças, chacinas como as da fazenda Ubá, Pastoriza, Princesa e Eldorados dos Carajás entre outras.


Para ilustrar esse quadro, os números oficiais do Governo Federal e Estadual dão conta que no Pará mais de 850 pessoas foram assassinadas pelo Latifúndio nos últimos trinta anos. A Defensoria pública já recebeu até a presente data uma listagem de 207 defensores de direitos humanos pessoas ameaçadas de morte; neste mesmo período 60 defensores de direitos humanos foram assassinados, e de todos estes crimes não existe praticamente ninguém punido.


Ora, deveria ser o Judiciário, cujas liminares de reintegração de posse são expedidas de forma célere, o principal responsável por assegurar o combate à impunidade dos crimes decorrentes de conflitos agrários. Mas não é isso que se vê. Ressalvadas poucas e honrosas exceções, a regra é a justiça responder de morosa e ineficaz aos diferentes interesses que lhe são colocados, principalmente quando envolve a questão da violência agrária.


È o próprio judiciário quem deveria ter fiscalizado os cartórios que emitiram títulos fraudulentos que, somados alcançam um território 4 (quatro) vezes maior que a área do Estado do Pará, e isso quem fala é própria comissão de combate à grilagem instituída pelo TJE-PA.


Então temos uma situação surreal e contraditória: “Muitos Fazendeiros grilam terras públicas, acionam o poder judiciário com títulos muitas vezes falsos, obtêm liminares e depois pressionam o Governo Estadual para realizar despejos de dezenas de milhares de famílias, que tem ficado na miséria, jogadas nas beiras das estradas, sem perspectivas de terra, trabalho ou renda.


Até pedido de intervenção federal, as organizações que representam os latifundiários brasileiros e paraenses, tiveram a ousadia de fazer. O Tribunal de Justiça do Estado por sua vez, numa decisão equivocada, que fere o princípio republicano e democrático a nosso ver, atendeu a estes pedidos absurdos, sem considerar sequer a posição das ouvidorias agrárias instituídas para a prevenção e solucionamento de conflitos.


Um desvio para evitar estas verdades tem sido feito para culpar outros atores sociais pelas mazelas do campo, pelos descumprimentos de nossas leis e da própria Constituição. Os verdadeiros responsáveis por essa situação passam a se auto-proclamar vítimas e os movimentos sociais passam a ser criminalizados.


Não se tem notícias de que Entidades como a Confederação Nacional da Agricultura ou FAEPA tenham pedido intervenção ou providência contra a destruição das florestas brasileiras ou contra a grilagem de terras, muito pelo contrário.


Da mesma forma a Polícia, regra geral, não tem pedido prisões preventivas de falsificadores de títulos de propriedade, dos responsáveis pelo trabalho escravo e até mesmo dos que matam e mandam matar em nosso Estado e em nosso País.


Os fazendeiros que deram ordens para as 14 chacinas em nosso Estado não foram presos e alguns jamais serão julgados. As ameaças continuam impunes e a grande maioria sequer é investigada pela polícia. A ação de pistoleiros a serviços da grilagem e do latifúndio ainda é uma constante.


Ressaltamos tudo isso, pois o esforço político, policial, judicial e legislativo utilizados contra as reivindicações sociais e a luta pela terra é absolutamente desproporcional em nosso Estado e no Brasil.


Perguntamos: Por que o PAC (Plano de Aceleração econômica) não destina um único tostão para a reforma agrária? Por que o PRONASCI não contém ações contra a rede criminosa de Grilagem e violência agrária. Por que o TJE-PA não cancela administrativamente os títulos de terra já que ele mesmo já constatou que os mesmos existem? Por que ordenar prisão de Lideranças do MST, do MAB, de Sindicatos Rurais sem necessidade e ao arrepio da legislação processual penal brasileira.


Conhecemos Charles Trocate e Maria Raimunda do MST como militantes sérios e dedicados a uma vida melhor para os camponeses paraenses. O pedido e o decreto de suas prisões é baseado num perigoso "achismo" que não tem lugar no nosso ordenamento jurídico.


Da mesma forma repudiamos a forma como o Advogado da CPT José Batista e o Defensor Público Agrário Rossivagner foram empurrados e ameaçados de prisão pela polícia quando tentaram intervir para evitar o agravamento da situação em recente protesto no Sudeste do Pará.


É chegada a hora de repensar o modelo de desenvolvimento, as práticas judiciais e as ações do aparato de segurança pública envolvidos nestes conflitos.


O que o campo paraense precisa é de políticas públicas e não de ausências. Precisamos de processos em que os camponeses sejam ouvidos e não ignorados. De afirmação de direitos e não de criminalização gratuita para as lideranças de movimentos sociais.

Exigimos:

- O fim da criminalização de movimentos sociais e suas lideranças.

- A retomada da reforma agrária no Estado do Pará.

- O cancelamento de todas as terras griladas no Pará.

- A suspensão de todas as ações de despejo.

- Garantia de acesso à Justiça para lavradores terra ameaçados de despejo.

- Não à intervenção antidemocrática e anti-republicana no Estado do Pará.

- O julgamento e punição de todos os responsáveis pelos assassinatos de lavradores e suas lideranças.

Que país é esse?

Por Edilberto Sena*

Até onde vai a desonesta imposição da ELETROBRÁS sobre a sociedade sem que surja uma reação explosiva? A subserviência do Ministério das Minas e Energia aos interesses das construtoras e das empresas mineradoras chega ao ponto de seus responsáveis declararem que o leilão para construir a usina de Belo Monte tem que ser feito no dia 21 de dezembro próximo. Para que essa decisão aconteça, eles devem declarar até o próximo sábado o edital do leilão, mesmo que até lá o Ibama não tenha liberado a licença prévia, como manda a lei constitucional.

Como a pressão dos interessados na construção da hidrelétrica de Belo Monte é grande e poderosa, o governo eleito democraticamente joga no lixo as leis e os argumentos dos estudiosos que garantem ser aquela usina de Belo Monte, um desastre social, ambiental e econômico.

Todos os truques e farsas são utilizados pelo governo para impor seu
plano de construir a usina. Até os recentes apagões elétricos geram suspeita de que foram intencionais para levar a sociedade a querer novas hidrelétricas na Amazônia. Inclusive, há poucos dias a Eletronorte levou os vereadores de Itaituba com passagem e hospedagem grátis até Foz do Iguaçu, para eles verem a grande usina de Itaipu, porque a Eletronorte precisa o apoio dos políticos para construir outro desastre, que serão as cinco usinas na bacia do rio Tapajós.

Isto é, todos os meios são utilizados pelo Ministério das Minas e Energia para atender os interesses das empreiteiras e o grande negócio. Tudo pelo plano de aceleração do crescimento, o PAC.

Só resta aos povos da Amazônia, que compreendem os desastres, unirem
forças e partir para o enfrentamento como propõem os índios Kaiapós, no Xingu e os Mundurucus, no Tapajós. Se o demônio se apossou do Ministro também é preciso a sociedade exorcizá-lo de um jeito ou de outro.

*Pároco diocesano e Coordenador da Rural AM de Santarém. Editorial de 18 de novembro de 2009.

É realmente triste...


Charge: Sinfrônio (Diário do Nordeste, 21 de novembro de 2009).

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Carta CPT de Santarém sobre invasão de Grileiros Gleba Nova Olinda

Nos últimos anos a CPT Santarém, vem acompanhando os conflitos provocados com a chegada de grileiros na Gleba Nova Olinda, município de Santarém. Fizemos inúmeras denuncias sobre a situação às autoridades estaduais e federais alertando sobre o continuo processo de violência contra o povo daquela região, chegando a ameaças e atentado contra a vida do segundo cacique Odair José.

A CPT, juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém, Associações e comunidades do conjunto de Glebas Mamuru/Arapiuns (área em que se encontra a Gleba Nova Olinda), elaborou e encaminhou ao Governo do Estado uma proposta de destinação das Glebas, como forma de garantir aos moradores nativos suas terras. O Governo do Estado não aceitou a proposta e permitiu que grileiros, associados em cooperativas, permanecessem na Gleba para a exploração madeireira.

A exploração madeireira na Gleba chegou a um nível vergonhoso de irregularidades e desrespeito aos filhos nativos de toda região do Arapiuns. Indignados e cansados com o descaso do governo decidiram fazer uma manifestação em uma das comunidades do Rio Arapiuns, para chamar a atenção das autoridades para os crimes cometidos contra aquele povo.

A manifestação contou com populações indígenas, não indígenas, assentados do PAE Curuai e Resex Tapajós Arapiuns. Formaram então o “Movimento em Defesa da Vida e da Cultura do Arapiuns”. O movimento decidiu impedir a passagem de balsas carregadas com madeiras vindas da Gleba Nova Olinda e solicitou a presença de representantes do Governo do Estado e outras autoridades para tratar do assunto.

O governo do Estado nunca admitiu nenhuma irregularidade na retirada da madeira e tão pouco se propôs a encontrar uma saída a partir da pauta dos moradores do Arapiuns.

A mídia tratou a manifestação como vandalismo e outras acusações contra o “Movimento em Defesa da Vida e da Cultura do Arapiuns”. Para reforçar este discurso, os principais meios de comunicação da região têm usado alguns comentários de um assessor de um Deputado Federal da Região, que se intitula pesquisador sobre mudanças climáticas que, infundadamente, apresenta informações de que não existem indígenas na região do Arapiuns. O “pesquisador” ignora, ou desconhece a Constituição Federal Brasileira e a Convenção 169 da OIT assinada pelo governo Brasileiro em 2004, que tratam do assunto.

O assessor político, que tem feito este discurso, também tenta difamar padres da Igreja de serem responsáveis pelo processo de “inventar” a existência de índios na região. O ato desesperador é uma tentativa clara de intimidar o serviço da Igreja junto a estas populações e, mais, de propagar um discurso contra os direitos dos povos nativos da Amazônia, e ainda, de criminalizar a luta dos povos nativos, tudo em defesa da política nefasta do agronegócio defendida principalmente pelo Deputado Federal de quem o tal pesquisador é assessor.

A extração de madeira e a presença de grileiros com histórico na plantação de soja na Gleba Nova Olinda é uma ameaça à vida e cultura dos moradores do Rio Arapiuns. O Governo do Estado do Pará tem sido benevolente com a atuação desses grupos trazendo graves conseqüências ao povo local. “O Movimento em Defesa da Vida e Cultura do Arapiuns” é formado por mais de 40 comunidades e demonstra estar decidido a lutar pelos seus direitos, e a CPT apoiará qualquer luta em defesa da vida e cultura do povo.

Santarém, 18 de Novembro de 2009.CPT Santarém - Diocese de Santarém.

Outros Zumbis ainda virão...


Frases

O capitalismo costumava ser como uma águia, mas agora se parece mais com um urubu, sugando o sangue dos povos. Não é possível haver capitalismo sem racismo”. Disse certa vez Malcom X, militante radical do movimento negro americano, símbolo da luta contra o racismo e da necessidade de compreendê-la integrada à luta anticapitalista.

Em boa parte da vida, Malcolm, apesar de ver o “sistema” como principal inimigo, não compreendeu a necessidade da unidade classista também na luta anti-racista, vendo praticamente todos os brancos como inimigos em potencial. Apesar disso, diferentemente de muitos líderes da época, jamais acreditou na possibilidade de reformar o sistema e muito menos de derrotá-lo por vias pacíficas, como acreditava Marther Luther King, por exemplo.

Defendendo que a luta contra o racismo deveria se dar “de qualquer forma que fosse necessária”, Malcolm foi, aos poucos, adquirindo uma consciência mais internacionalista e classista. Não só saudou a luta pela independência na África, como apontou a Revolução Cubana como parte da “rebelião dos oprimidos contra os opressores”. Aderiu ao islamismo ao mesmo tempo em que se tornou socialista. Malcom foi assassinado em 1965 aos 39 anos, mas é até hoje um símbolo do movimento negro indepedente, de luta e socialista.

Belo Monte: MPF promoverá audiências

A 4ª e 6ª Câmaras de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal realizam Audiência Pública com o objetivo específico de avaliar os efeitos da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte nas comunidades que serão atingidas pelo futuro empreendimento.

A Audiência Pública se dará no dia 1º de dezembro de 2009, no auditório Juscelino Kubitscheck da Procuradoria Geral da República, às 14 horas, em Belém-PA.

Foram convidados representantes do Ministério de Minas e Energia, do Ministério do Meio Ambiente, da Funai, do Ibama, do Instituto Chico Mendes, da Casa Civil e da Assessoria Especial do Gabinete Adjunto de Gestão e Atendimento da Presidência da República, além de representantes de ONGs, movimentos sociais e grupos impactados pelo projeto, em especial povos indígenas e outras populações tradicionais.

Para maiores informações: (61) 3105-6056

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Frases

"O governo tende a vetar mudanças que prejudicam as contas públicas. O governo está sempre preocupado com gastos". Frases proveridas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que já declara que o governo vetará o fim do fator previdenciário, caso seja aprovado definitivamente pelo Congresso Nacional. Sobre os gastos de bilhões para banqueiros e especuladores, não há nenhuma preocupação.

A declaração está no sítio do jornal "O Globo", em Se Congresso aprovar fator previdenciário, Lula poderá vetá-lo

Incra: ações no meio rural justificam gasto de R$ 30 mi com diárias

Saulo Cruz*

O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, justificou, em audiência pública nesta terça-feira na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, o volume de gastos do órgão com diárias pagas aos servidores. De acordo com dados do portal SigaBrasil publicados pelo jornal Correio Braziliense, só neste ano o Incra já gastou mais de R$ 30 milhões com diárias de funcionários.

Segundo Rolf Hackbart, esse gasto se deve à natureza do trabalho e, portanto, não é abusivo. "De forma alguma. Eles estão de acordo com a lei, com a norma. O trabalho do Incra é de campo: vistoria; assistência técnica; construção de casas; construção de estradas; educação... E o trabalho não é na capital; é no meio rural. Tem assentamentos a mais de mil quilômetros de distância da sede mais próxima do órgão, como no estado do Amazonas", ressaltou.

O presidente do Incra acrescentou que, desde 2003, o valor gasto com diárias manteve-se sempre entre 14% e 15% da dotação orçamentária do órgão, acompanhando a evolução do orçamento do instituto. Ainda segundo ele, por determinação do Ministério do Planejamento, o valor das diárias, que era muito baixo, foi reajustado.

Inoperância
No entanto, para o autor do requerimento da audiência, deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), os argumentos não justificam os gastos com diárias. "Isso demonstra mais uma vez que há uma enorme inoperância e uma enorme ineficiência por parte do governo em realizar o processo da reforma agrária. Ou seja: é mais fácil deixar essas pessoas nas cidades, alugar uma casa para elas e pagar um benefício, em vez de ficar gastando tanto dinheiro dessa forma. Quer dizer: há alguma coisa errada", destacou.

De acordo com Duarte Nogueira, dados do próprio Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) mostram que a soma de gastos com passagens e diárias no Incra já ultrapassam R$ 50 milhões neste ano, deixando o instituto como o órgão federal que mais gasta por servidor com esse tipo de despesa.

Assentamentos
O deputado do PSDB também questionou o presidente do Incra sobre a pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Agricultura ao Ibope que apontou que 72% dos assentados não produzem o suficiente para gerar renda.

Rolf Hackbart contestou a metodologia do estudo. "A amostra está mal feita. Escolheram 9 entre 3.300 assentamentos e o próprio Ibope disse 'me mandaram essa amostra', com conceito de assentamento antecipado, um conceito antigo, de governos anteriores. A amostra está viciada. Os assentamentos produzem, a agricultura familiar produz", afirmou.

Sem-terra
Ainda durante a audiência, o coordenador da Frente Parlamentar da Agricultura, deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), defendeu a realização de um cadastro nacional dos sem-terra. Mas o presidente do Incra respondeu que, além de não estar prevista em lei, essa medida seria discriminatória, já que todas as classes sociais têm o direito de se mobilizar.

Hackbart também se disse contrário à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada em outubro para investigar os repasses de recursos públicos para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). "Está tudo claro, tudo demonstrado no Siafi, no Orçamento Geral da União, a sociedade conhece [os gastos federais]. Eu não vejo necessidade nenhuma de uma CPI", disse.

Fonte: Agência Câmara

Frases


"A Senhora denunciou também fortemente, seja como Senadora, seja como Governadora a concentração de terras. Depende hoje da senhora que boa parte dos 500.000 hectares de terras adquiridos ilegalmente por Daniel Dantas do Estado e com fortes indícios de lavagem de dinheiro, sejam destinados ao Programa de Reforma Agrária. Depende da Governadora que as Polícias do Pará, no lugar de criminalizar o MST, criminalizem as empresas de segurança, como a “Marca”, denunciada há anos pela CPT do Sul do Pará por sua atuação irregular e criminosa, hoje ao serviço de Daniel Dantas.", diz trechos da carta enviada pelo Frei Henri des Roziers à governadora do Pará Ana Júlia Carepa (PT) e que está publicada em Denúncia sobre os conflitos no Pará

Desmonte do Código Florestal caminha a passos largos!


Organizações da sociedade civil divulgam carta aberta ao ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, contra acordo com o Ministério da Agricultura para modificar o Código Florestal por meio de uma Medida Provisória (MP), que pode ser publicada esta semana. Segundo as 14 organizações que assinam o documento, entre os pontos que podem ser modificados com a MP estão a compensação de reservas legais em locais distantes, embora no mesmo bioma, e a recuperação com espécies exóticas.

Leia a íntegra da carta em:
ONGs repudiam acordo entre Minc e Stephanes sobre Código Florestal (Instituto Socio-Ambiental)

Vale a leitura

Em um excelente texto publicado no sítio da "Repórter Brasil", Maurício Reimberg demonstra que mesmo com o erro no cálculo do índice de Gini pelo IBGE, no 10º Censo Agropecuário 2006, o grau de concentração de terras no país está praticamente inalterado desde 1985.

Leia em:
Reparo em dado do IBGE não esconde concentração de terras

Frases

"A aproximação entre Marina e Heloísa demonstra estar além da reconhecida amizade pessoal entre ambas ou de mera conjuntura eleitoral. Mais que isso, o diálogo é fruto da relação direta entre a crise ambiental global e a crise econômica mundial. É resultado da postura coerente do PSOL e da ruptura de Marina com o lulismo." disse o sociólogo e assessor da Bancada do PSOL na Câmara dos Deputados, Kenzo Jucá, sob uma aliança entre Heloísa Helena e Marina Silva nas eleições de 2010. A frase está no artigo Marina Silva e Heloísa Helena: duas contra três em 2010 publicado na página eletrônica do Correio da Cidadania.

Clima: acordo China-EUA nos desenhos do Latuff



Fonte: Latuff

População desconhece trabalhos da CPI da Dívida, denuncia Auditoria Cidadã

Por Najla Passos*


A população brasileira desconhece o fato que, neste momento, uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI, instalada no âmbito da Câmara dos Deputados desde 19/8, a custa de muita pressão de movimentos sindicais e sociais combativos, investiga a verdadeira natureza da dívida pública brasileira, que chega a consumir até 47% do orçamento que o país poderia direcionar para educação, saúde e outros investimentos.


A afirmação é da coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fatorelli, uma das palestrantes do 15º Curso Anual do Núcleo Piratininga de Comunicação – NPC, realizado de 11 a 15/11, no Rio de Janeiro. Após consulta ao auditório, ela demonstrou que poucos sabiam da existência da CPI da Dívida, mesmo em um fórum privilegiado como aquele, formado por jornalistas, acadêmicos, intelectuais e lideranças dos movimentos sindicais e populares.

Segundo ela, o silêncio sobre a CPI imposto à mídia convencional e mesmo a alguns setores do movimento sindical e popular tem um propósito bastante claro: reforçar o mote publicitário alardeado pelo governo Lula de que o Brasil acabou com sua dívida externa e “é até capaz de emprestar dinheiro ao fundo Monetário Internacional – FMI”.


Entretanto, garante ela, “a dívida externa brasileira não acabou”. Em julho passado, alcançou U$S 267 bilhões, ao mesmo tempo em que a dívida interna atingiu R$ 1,8 trilhão. Em 2008, o Brasil queimou R$ 282 bilhões em pagamentos de juros e amortizações da dívida, sem contar os prejuízos decorrentes da rolagem.


Assalto aos cofres públicos

Dados já contabilizados pela CPI demonstram que o Brasil gasta com a dívida pública sete vezes mais do que investe em saúde, 13 vezes mais do que repassa à Educação e 192 vezes mais do que direciona à Reforma Agrária. “O pagamento da dívida pública está no centro e na origem de todos os problemas sociais que entravam o desenvolvimento do país, impondo muitos sacrifícios aos brasileiros, especialmente à população mais pobre. É inaceitável que no nosso país, com tamanha riqueza produzida, ainda exista tanta miséria, tanto sofrimento humano”, desabafa.


Para a coordenadora da Auditoria Cidadã, é preciso reorganizar urgentemente os movimentos sociais e populares para que cobrem resultados concretos desta CPI, a exemplo do que vêm fazendo a Conlutas, o ANDES-SN e a Federação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social – FENAFISP. “O ANDES-SN, inclusive, vai analisar os documentos relativos à Educação, prestando um importante trabalho à sociedade brasileira”, ilustra.


Maria Lúcia Fatorelli ressalta que a Constituição de 1988 já prevê uma auditoria da dívida. Entretanto, a medida nunca foi viabilizada pelos governos. “A instalação da CPI é um primeiro passo para a efetivação da auditoria da dívida, prevista constitucionalmente, porque incorpora o tema ao debate nacional. Entretanto, será necessário furar o bloqueio imposto à mídia convencional pelo governo e seus aliados reaglutinando os setores comprometidos com a verdade dos fatos e com a dignidade do povo brasileiro”, reforça.


Ataque especulativo e crise mundial

A opção do governo em priorizar o pagamento da dívida coloca o Brasil a mercê de um forte ataque especulativo. O país pratica das taxas de juros mais altas do mundo. Enquanto os demais países desenvolvidos ou em desenvolvimento reduziram os juros para enfrentar a crise internacional, o Brasil aumentou. A taxa Selic está fixada em 8,75. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa de juros foi reduzido ao menor nível histórico: cerca de 0,25%. Na Europa, gira em torno de 2,5%. Na China, 5,5% e na Índia, 7,5%.


Como se não bastasse, o governo aceita pagar ágeis muito elevados pelos títulos da dívida pública, que se encontram em mãos estrangeiras. Isso faz com que operações de compra de títulos da dívida rendam até 30% em épocas de crise. “Em julho, o governo pagou juros de 13% pelos títulos da dívida. Para os especuladores, foi, certamente, um dos negócios mais rentáveis do mundo”, complementa Fatorelli.


Essa compra de títulos a altos juros acarretou, só no primeiro semestre deste ano, prejuízos da ordem de R$ 96 bilhões ao Banco Central. Dinheiro que equivale ao dobro do orçamento anual da saúde. “No Brasil, não existe controle de capitais. Qualquer estrangeiro pode entrar aqui e comprar títulos da dívida interna, que o governo vende a juros bem menores do que o da Taxa Selic e depois compra com ágil maior”.


E mais: enquanto a Lei de Responsabilidade Fiscal brasileira impõe limites aos gastos com pessoal e com educação, dentre outros, os prejuízos ocasionados pelo Banco Central são absorvidos pelo Tesouro sem limites. Ao mesmo tempo, se o BC der lucro, todo o dinheiro tem que ser direcionado ao pagamento da dívida.


Luz no fim do túnel

Em 2007, o presidente do Equador, Rafael Correa, assinou um decreto nomeando uma comissão para promover a auditoria da dívida pública daquele país. Maria Lúcia Fatorelli foi uma das estrangeiras a fazer parte desta comissão. Os resultados foram impressionantes. Em decorrência disso, o Paraguai já iniciou sua própria auditoria e a Venezuela e Bolívia anunciaram a intenção de fazê-lo.


A auditoria equatoriana descobriu, por exemplo, que em 30 anos houve uma sangria de U$S 7,13 bilhões do tesouro daquele país para pagar irregularidades referentes às dívidas. O presidente Rafael Correa propôs, portanto, reconhecer e honrar apenas 30% do valor total da dívida e 95% dos credores concordaram. Com isso, o Equador pode aumentar em 70% os investimentos em saúde e educação.


“O Brasil é o 75º no ranking de má distribuição de renda, possui 14,2 milhões de analfabetos, 14% de desempregados, 46,2 milhões de pobres e 10 milhões de famintos. Não podemos deixar que a dívida pública continue a consumir toda a riqueza do país”, concluiu ela.

Para saber mais sobre a CPI da Dívida, visite: http://www.divida-auditoriacidada.org.br/


*Fonte: ANDES-SN


Comissão na Câmara aprova o fim do Fator Previdenciário

Aposentados em Brasília pressionam deputados e saem vitoriosos

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara de Deputados aprova por unanimidade o PL 3299/08 que acaba com o Fator Previdenciário (um redutor do valor das aposentadorias). Nesta terça-feira, cerca de 400 trabalhadores e aposentados organizados pela Cobap, Conlutas e Nova Central dos Trabalhadores, acompanharam a votação da comissão com faixas e bandeiras. Até o PT foi obrigado a votar contra o Fator Previdenciário, apesar de defender um redutor, o chamado Fator 85/95.

Para um dos dirigentes da Conlutas, Atnágoras Lopes, esta foi uma vitória dos trabalhadores aposentados. "É preciso aumentar a mobilização nos Estados com atos e manifestações”, diz ele.

Agora a proposta vai para o plenário, e se for aprovada, irá para a sanção do presidente que já prometeu vetá-la.

Depois de lotar a sala de comissão, os aposentados se dirigiram ao plenário da Câmara para pressionar a aprovação de um novo projeto que garanta o reajuste do salário mínimo a todas as aposentadorias. No caminho eles foram impedidos de chegar até o plenário, por seguranças da casa, os aposentados fizeram protesto e deitaram no chão contra a truculência.

Abaixo o acordão da CUT FS e CGTB
Estas mobilizações que estão ocorrendo são uma demonstração da insatisfação com a política de arrocho das aposentadorias do governo Lula e também a falta de legitimidade do acordo fechado entre as centrais e o governo Lula, que o governo quer transformar em medida provisória.

A Conlutas chama as centrais a romper com o este acordo, e se somar a luta dos trabalhadores e aposentados.
- Pelo Fim do Fator Previdenciário!
- Reajuste de todas as aposentadorias igual ao reajuste do salário mínimo!
- Recuperação das perdas dos benefícios aos aposentados!

Fonte:Coordenação Nacional de Luta

STF extradita Battisti, mas dá última palavra ao presidente

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, votou ontem pela concessão do pedido de Extradição do italiano Cesare Battisti. Ele foi o quinto ministro a votar favoravelmente à extradição do ativista de esquerda para a Itália. Com isso, Mendes desempatou a análise sobre o pedido feito pelo governo italiano.

Mas a decisão do Supremo não significa que Battisti será levado automaticamente para a Itália. Isso porque, ainda ontem, logo após o voto de Mendes, a Corte decidiu que a competência para a concessão de refúgio político é exclusivamente do Executivo, e não do Judiciário. Por 5 a 4, os ministros decidiram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é quem tem autonomia para deliberar sobre o caso.

"O Judiciário aparece como um rito de passagem, uma passagem necessária como um rito. O processo extraditório começa e termina no Executivo", disse Carlos Ayres Britto. Mas tudo indica que Lula vai seguir o proferido pelo STF. Isso porque no último dia 16 ele sinalizou que deve seguir o que o Supremo decidir.

Fonte: De Olho na Notícia

Aneel fará audiência para analisar edital de Belo Monte mesmo sem aval do Ibama

O governo partiu para o tudo ou nada na tentativa de cumprir o cronograma e realizar o leilão da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA) no dia 21 de dezembro. Mesmo sem o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) ter liberado, ainda, a licença ambiental prévia do projeto, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) marcou para amanhã, às 11 horas, reunião extraordinária para votar o edital da licitação da usina.

Aprovado o projeto, haverá tempo hábil, pelo menos em relação ao edital, para que o leilão seja feito na data programada. O edital tem de ser lançado no mínimo um mês antes do leilão. Se o lançamento do documento ficasse para a semana que vem, por exemplo, o leilão poderia ficar ameaçada, já que estaria próxima demais das festas de fim de ano.

A Aneel não costuma aprovar o edital de grandes usinas sem ter na mão licença ambiental. O fato de a agência ter marcado reunião para amanhã pode significar que a licença esteja para sair ou que o governo já tem certeza de que será concedida no curto prazo. Pelas regras do setor, uma usina só pode ir a leilão se já tiver licença ambiental prévia, mas o edital pode ser colocado na praça sem o documento do Ibama.

O presidente do Ibama, Roberto Messias, disse à Agência Estado que há, pelo menos, cinco pendências para a liberação da licença ambiental prévia. Entre as questões que têm de ser esclarecidas, segundo ele, está a eficácia das medidas socioeconômicas que serão tomadas pelo futuro empreendedor para abrandar os impactos na região. Também faltam, segundo Messias, esclarecimentos sobre a eficácia das medidas mitigatórias para o impacto da redução da vazão de água na chamada Volta Grande do Xingu

Ontem à noite, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que não há data para a liberação da licença, mas afirmou que sai nos próximos dias.


Fonte: O Estado de S. Paulo - 18/11/2009

Indígenas denunciam quadrilha de desmatamento

Aproveitando os sete dias de realizações da décima edição dos jogos dos Povos Indígenas, madeireiros clandestinos invadiram terras indígenas da etnia Tembé, em Paragominas, sudeste do estado [do Pará]. Segundo o cacique Sergio Tembé, os índios como de tradição saíram para caçar, e perceberam a derrubada de árvores dentro da reserva indígena. Aproximadamente doze índios apreenderam toda madeira derrubada, além de tratores, motosserras, e mantiveram trabalhadores sobre custódia até que a polícia fosse ao local do crime.

Uma força conjunta, que envolveu homens do 19º Batalhão de Polícia Militar, Superintendência Regional da Zona Guajarina e 13ª Seccional de Paragominas, se deslocou para o local.
Indo em direção à tribo indígena, à cerca de 190 km do perímetro urbano da cidade, os sinais eram de devastações e destruições por toda parte, com várias árvores já derrubadas.

Ao chegar a um local à cerca de 20 km da sede da aldeia foram encontrados nove homens, que diziam ser apenas trabalhadores, e que seriam contratados por um senhor de prenome Robson. Ao serem abordados sobre outros trabalhadores que estariam na área, eles se mantiveram calados. Onde foi feito um ponto base pelas polícias. A cada hora, chegavam homens que diziam apenas prestar serviços a terceiros.

Até o amanhecer de ontem, vinte e cinco homens foram presos. Entre eles, Robson Ferreira dos Santos, ex presidente da Câmara de Vereadores de Nova Esperança do Piriá, além de Eli Ribeiro dos Santos, que seriam donos dos caminhões que transportavam a madeira ilegal. Além de serem os responsáveis pela contratação dos braçais.


Fonte: Diário do Pará

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Eu recomendo...


Será no próximo dia 23 o lançamento do livro Amazônia: o que será do amanhã?, de autoria do padre e coordenador da Rádio Rural AM de Santarém, Edilberto Sena.

A obra é uma compilação de seus editoriais levados ao ar na emissora santarena, alguns me repassados por ele e publicados aqui no Língua Ferina. São textos de alguém que é, conhece e defende a região amazônica como poucos.

O lançamento ocorre na noite de abertura do 2º Salão do Livro do Oeste do Pará, a partir das 20h, no Parque da Cidade, em Santarém-PA. Estarei lá para confirir no meu retorno às terras mocorongas.

Trabalhadores rurais ocupam sede do Incra em Belém

Um grupo de mais de 700 trabalhadores rurais, ligados à Fetraf (Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar), ocupa a sede do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em Belém. Eles reivindicam terras na região do Baixo-Amazonas.

A ocupação começou com 350 trabalhadores rurais e teve reforço com a chegada de oito ônibus no final da manhã desta segunda-feira (16). Mais 400 trabalhadores trouxeram alimento e se juntaram aos acampados.

O grupo é originário de municípios como Moju, Barcarena, Igarapé-miri e Tailândia, onde a justiça autorizou a reintegração de posse em 15 fazendas na semana passada. Algumas áreas já estavam ocupadas há mais de três anos.

O movimento é pacífico, mas os funcionários foram impedidos de entrar e aguardam um posicionamento do lado de fora da sede do orgão.

Fonte: Portal ORM

Governo cogita leiloar ‘Belo Monte’ mesmo sem Licença Prévia

Esta semana é decisiva para os planos do governo de levar à leilão a construção da hidrelétrica de Belo Monte. A Licença Prévia e o Edital do Leilão estão previstos para esses dias.

Por pressão direta da Presidência da República e do Ministério de Minas e Energia, o IBAMA deveria emitir a Licença Prévia (LP) ontem, segunda-feira, coisa que não aconteceu.

O atraso poderia significar que o leilão não ocorreria no dia 21 de dezembro, data também apontada pelo governo.


Poderia, pois já se cogita a publicação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) do edital do leilão antes da emissão da LP. Afinal, as regras foram feitas para ser descumpridas, não é mesmo?

Fontes: O Globo e Reuters.

Esquerda em 2010: Teresinha

O PV vai de Marina em 2010. Heloísa Helena do PSOL, não quer ir em 2010. Heloísa Helena e parte do PSOL querem ir de Marina e PV. Outra parte do PSOL não quer Marina e quer ir com PSTU e PCB, com Plínio de Arruda Sampaio. O PSTU quer ir de Heloísa Helena, com PSOL e PCB, mas se não der, vai de Zé Maria, nem que seja sozinho. O PV não quer o PSOL, pois “acrescenta pouco tempo na TV”.

Leia:
O Globlo:
PSOL fará consultas sobre união com Marina Silva

Folha Online - Brasil - Aliança PV-PSOL inviabilizará "frente de esquerda", diz PSTU - 11/11/2009

Folha Online - Brasil - PSOL pró-Plínio se reúne para discutir candidatura própria à Presidência - 13/11/2009

Nota da CPT Pará sobre os conflitos fundiários no Estado

“Ai daqueles que juntam casa com casa e emendam campo a campo, até que não sobre mais espaço e sejam os únicos a habitarem no meio do país”(Is. 5,8).

Nas últimas semanas temos acompanhado o agravamento dos conflitos no campo em várias regiões do Estado do Pará. Analisando o que ocorre em cada uma das regiões, percebemos que, na origem desses conflitos estão: o avanço criminoso de várias frentes (madeira, minério, pecuária e produção de energia) do poder econômico sobre as riquezas regionais e a rearticulação do setor ruralista chefiado pela CNA, aliado aos principais meios de comunicação do Estado e a maioria conservadora do poder Judiciário. O objetivo é desestabilizar o atual governo e desarticular os movimentos sociais que fazem o enfrentamento com esses setores. A opção política dos Governos Federal e Estadual, infelizmente, tem contribuído para reforçar esses grupos, que sempre dominaram a política e a economia paraense, e fragilizar a atuação dos movimentos sociais.

No Sul e Sudeste do Pará.
Presenciamos a expansão indiscriminada da mineração e da pecuária. Os gigantescos projetos já implantados pela VALE já expulsou de seus lotes, cerca de 150 famílias de assentamentos de reforma agrária e a implantação de novos projetos na região, ameaça expulsar mais de 500 famílias também de assentamentos.

A nova ofensiva da pecuária na região é protagonizada pelo banqueiro Daniel Dantas, que nos três últimos anos comprou mais de 50 fazendas, acumulando uma área de 600 mil hectares de terras. Um patrimônio construído, segundo a justiça, a custa de lavagem de dinheiro. Essa frente pecuária no Sul e Sudeste do Pará tem causado não só graves danos ambientais como a destruição da floresta nativa, mas também, submetido milhares de trabalhadores a escravidão. Entre 1996 e 2008, foram libertados 11.193 trabalhadores pelo Ministério do Trabalho, sendo que, quase totalidade dos casos ocorreu nessas duas regiões.

A migração crescente para a região atraída pela propaganda enganosa dos grandes projetos agrava os problemas sociais. Como esses migrantes não são absorvidos por estes projetos não resta alternativa a não ser a terra para sobreviver. Nos últimos três anos, 66 fazendas foram ocupadas por 10.599 famílias sem terra no sul e sudeste; 101 trabalhadores e lideranças foram ameaçados de morte; 23 trabalhadores foram feridos a bala por pistoleiros e seguranças de fazendas; 17 trabalhadores foram assassinados na luta pela terra e 128 foram presos pela polícia. Os conflitos das últimas semanas que resultaram em depredações de patrimônio e interdição de estradas é conseqüência dessa violência desenfreada e impune contra os trabalhadores rurais.

Por outro lado, a resposta do governo a essa situação tem sido desastrosa: Reforma Agrária engessada, recursos públicos canalizados para atender o interesse dos grupos econômicos, negativa em defender os projetos dos Movimentos Sociais e negociar suas pautas de reivindicações, incapacidade de dialogar na solução dos conflitos e insistência na alternativa policial para resolver problema social.

Exemplo dessa política equivocada se deu no sul do Pará na penúltima semana, 5 delegados foram escalados para indiciar e prender as lideranças do MST, 10 mandados de prisão já foram decretados e três foram presos. 200 policiais da tropa de choque foram liberados para despejar mais de 2 mil famílias. O despreparo é tamanho que no penúltimo final de semana quase ocorre uma nova tragédia na Curva do “S” em razão de uma ação violenta e truculenta do Delegado Geral da Polícia Civil do Pará Raimundo Benassuly e do sub-comandante da PM, Coronel Leitão.

Algo muito grave não aconteceu devido à presença, no local, do advogado da CPT e de dois defensores públicos agrários. Se a ação do delegado foi desastrosa, pior ainda foi sua reação através de nota escrita, comprovando seu despreparo, sua má fé ao falsear os fatos na tentativa desesperada de justificar sua ação. Acusou, levianamente, o advogado da CPT de rasgar o Estatuto da Criança e do Adolescente, mas, será que o delegado pensa que a sociedade já esqueceu de seu comportamento frente ao caso da adolescente de Abaetetuba? É lamentável que o governo, que se diz popular, escale esse delegado, já conhecido nacionalmente por seu despreparo para “resolver” os conflitos e falar em nome do Estado.

No Oeste do Pará.
A situação é cada vez mais tensa, em conseqüência da intransigência do Governo em construir a qualquer custo a Hidrelétrica de Belo Monte. O governo ignora a inviabilidade social, ambiental e financeira do projeto. Territórios indígenas demarcados e homologados e áreas de preservação ambiental serão atingidos. Não se sabe quantas famílias serão retiradas de suas moradias. A população a ser atingida está sendo subestimada. A região da Volta Grande do Xingu ficará praticamente seca com a construção da usina ocasionando sério desastre ambiental. Os migrantes que chegarão aos milhares para a região a procura de um emprego que, em sua grande maioria, não encontrarão, terão que enfrentar a violência, o descaso e a pobreza.

Mesmo frente a esses e muitos outros problemas que as populações do Xingu tem denunciado, o governo tem ignorado e se negado a rediscutir o projeto. O autoritarismo presente nas audiências públicas realizadas é um exemplo da intransigência do governo. Frente a essa situação a tensão é crescente entre as comunidades a ser atingidas, podendo desembocar em conflitos de graves proporções.

No Baixo Amazonas.
Há várias semanas que centenas de famílias da Gleba Nova Olinda, apreenderam algumas balsas carregadas de madeira no rio Arapiuns, como forma de protesto contra o desmatamento de seus territórios e falta de regularização fundiária. As famílias exigem a suspensão de todos os planos de manejo existentes na área, a regularização e demarcação pela FUNAI, das terras indígenas Maró; a retirada dos grileiros e madeireiros da Gleba; a ampliação do projeto de assentamento agroextrativista de Vista Alegre, etc.

A morosidade e omissão do governo em solucionar o problema provocou a insatisfação das famílias que incendiaram, no ultimo dia 10, duas balsas carregadas de madeiras que estavam bloqueadas desde o dia 17 de outubro. Paciência tem limites! Os moradores acusam a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Pará de permitir manejo irregular no território que reivindicam como posse das comunidades tradicionais.

Encurralado pelos ruralistas e pelos principais meios de comunicação do Estado, que nada mais são que empresas de comunicação a serviço dos interesses dos grandes grupos econômicos cujo papel é criminalizar as lutas sociais, o Governo tem assumido uma postura de distanciamento dos principais movimentos que fazem a luta no campo. Ao invés de fortalecer as políticas voltadas para a população camponesa, o governo tem se curvado às pressões do setor ruralista e viabilizado seus interesses. A negociação do TAC dos latifundiários infratores processados pelo MPF, a mudança na legislação fundiária estadual que permite a regularização de terras públicas até 2.450 hectares para os ocupantes ilegais, as concessões em favor da implantação da siderúrgica da VALE em Marabá, a prisão de 18 integrantes do MAB em Tucuruí, o pedido de prisão das principais lideranças do MST no sudeste, são alguns dos tantos exemplos desta equivocada política do Governo Estadual.

Frente a esse quadro a Comissão Pastoral da Terra (CPT) reafirma seu apoio:

· A todos os trabalhadores vítimas de criminalização por lutarem pela defesa de seus direitos;
· A luta dos quilombolas e indígenas em favor do respeito e demarcação de seus territórios e contra os grandes projetos que impactam suas terras;
· A revogação imediata dos mandados de prisão decretados contra lideranças do MST e liberdade para os trabalhadores presos;
· A luta pelo fim da impunidade dos crimes cometidos contra trabalhadores rurais e lideranças a mando de fazendeiros e madeireiros;
· Ao trabalho da defensoria agrária nas mediações dos conflitos.
· A defesa da Reforma Agrária, do meio ambiente e da agricultura familiar/camponesa
.
Belém, 13 de novembro de 2009.Comissão Pastoral da Terra – Regional Pará

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sem Terra ocupam sede do Incra no Ceará

Desde a manhã desta segunda-feira (16/11), 400 trabalhadores Sem Terra ocupam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Fortaleza, no Ceará. Os trabalhadores reivindicam a atualização dos índices de produtividade pelo governo federal, a renegociação das dívidas dos pequenos agricultores e assentados, bem como mais infra-estrutura para assentamentos do estado.

Com a ocupação, os trabalhadores também protestam contra a criminalização dos movimentos sociais. Os Sem Terra garantem que continuarão na sede até que as autoridades se apresentem para negociar as reivindicações.


Fonte: MST
Foto: CMI

Governo brasileiro aluga florestas a madeireiros dizendo que é a melhor solução

Por Edilberto Sena*

O discurso oficial é bonito e conta vantagens. Uma hora diz que construir hidrelétricas na Amazônia é gerar energia limpa; outra hora afirma que o petróleo achado no fundo do mar, o pré-sal, vai tornar o Brasil o maior exportador de petróleo do mundo, nos próximos 20 anos. E assim vai a propaganda oficial, nem sempre verdadeira.

Agora, mais um anúncio para impressionar platéias desavisadas. Diz a notícia: “empresas do setor madeireiro já podem alugar florestas nacionais na Amazônia”. O edital do governo disponibiliza três unidades do Oeste do Pará, uma com 91 mil 600 hectares; outra, com 30 mil hectares; e uma terceira com 18 mil e 700 hectares, na Floresta Nacional de Saracá Taquera, entre Oriximiná, Terra Santa e Faro. Aí está o governo que diz zelar pela Amazônia, entregando florestas a quem desejar pagar um aluguel por 40 anos de uso.

A notícia não especifica quanto será o preço do aluguel de cada floresta e nem se será por mês ou por ano. Mas esclarece que o arrendatário pode retirar toda a madeira que puder, com plano de manejo e outros produtos da floresta, menos castanha, açaí e palmito. Dessa forma, diz o pessoal do governo, se acaba com o roubo de madeira e grilagem de terra na Amazônia.
Mal comprado, é como a estória do granjeiro que sentindo desaparecer suas galinhas, decidiu convidar a raposa para vigiar a porta do galinheiro e foi dormir tranqüilo.

Até onde chega nosso país, que dentro de mais algumas semanas estará em Copenhagen, garantindo ao mundo que cuida e protege a Amazônia.

Nunca antes neste país, se chegou a entregar florestas graciosamente a quem tiver dinheiro para explorar suas riquezas. E a sociedade local fica indiferente, ou até aplaude. Quem contesta é considerado atrasado e anti-desenvolvimento. Hoje se alugam florestas, amanhã alugarão os rios e lagos. Quanto aos povos da região, bem isso são detalhes pequenos. Pois é...


*Padre diocesano e coordenador da Rádio Rural AM de Santarém. Editorial de 13.11.009

Censura no Yahoo!

O fiel leitor Arnaldo Santa Cruz tentou enviar por email a postagem Por que difamam o Hamas? e seu correio eletrônico foi bloqueado. Em tempo, seu provedor é o Yahoo.

domingo, 15 de novembro de 2009

O que é vandalismo?

Em seu blog, o Greenpeace surpreendentemente chama o ato de manifestantes de incendiar balsas carregadas de madeira no rio Arapinuns, no Pará, de “vandalismo”.

Diz trecho da postagem Moradores incendeiam balsas com madeira no Pará :
“Greenpeace condena vandalismo na Gleba Nova Olinda, em Santarém, no oeste do estado


Manaus (AM), 12 de novembro de 2009 - Moradores da Gleba Nova Olinda atearam fogo, nesta semana, em duas balsas de madeira mantidas retidas há quase um mês na comunidade São Pedro, na região de Santarém, no oeste do Pará. As balsas, transportando cerca de 1,5 mil metros cúbicos de madeira, foram retidas durante o bloqueio do rio Arapiuns pelas comunidades, iniciado no dia 12 de outubro, como forma de chamar a atenção do governo do Pará para o caos fundiário e a intensa atividade de exploração de madeira na Gleba que, segundo relatos locais, é ilegal.

'Como organização pacifista, o Greenpeace desaprova este tipo de manifestação e está muito preocupado com o clima de violência que se instalou na região', disse Raquel de Carvalho, da campanha Amazônia.”

Acostumados a promover ações espetaculosas e com poucos militantes, o Greenpeace parece que errou na dose ao condenar o incêndio, criminalizando o movimento como não-pacífico. Talvez tal condenação parta de uma concepção pré-concebida de luta, com roteiros e personagens pré-estabelecidos. Ou mesmo ignore quem realmente são os violentos nesta história e a classe social de cada um. Há inclusive um poema de Brechet que é bem ilustrativo: "diz-se violento o rio que tudo arrasta. Mas não se diz que são violentas as margens que comprimem o rio?".


Aliás, muitas pessoas não envolvidas diretamente no conflito, compreenderam a ação como um ato de desespero ou de denúncia, mas não de vandalismo (Vê as postagens no blog do Jeso Carneiro: Resistência legítima; Uma defesa desesperada da floresta e Fogo em defesa da floresta.)

O mais curioso nisto tudo é que madeireiros e grileiros instalados na região denunciam a todo o momento, como estratégia para desmoralizar os movimentos sociais locais, que os mesmos seriam insuflados e financiados pelo Greenpeace, que desejaria a "internacionalização da Amazônia." É espantoso que a Ong use o mesmo termo tantas vezes usado contra ela mesma.

Mas, o que seria vandalismo? A origem da palavra diz muito. Há um bom artigo na página do Brasil de Fato chamado Os vândalos já estão aqui, da professora Silvia Beatriz Adoueque que vale a leitura tanto do Greenpeace como de outras pessoas que só olham para o rio e se esquecem de suas margens.

Leilão de Belo Monte provoca tensão no Pará

Renée Pereira *

A proximidade do leilão da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, marcado para 21 de dezembro, tem mexido com os ânimos da população do Oeste do Pará. Nas últimas semanas, movimentos contrários e a favor da usina - maior empreendimento do setor elétrico do Brasil, equivalente à construção do Canal do Panamá, em termos de escavações - reforçaram os protestos pelas ruas da tumultuada Altamira, no interior do Pará. Por lá, os moradores - sejam crianças, jovens ou idosos - "respiram" Belo Monte 24 horas por dia, numa polêmica nem sempre amistosa.

A partir de amanhã, o clima deve esquentar ainda mais, com a expectativa de liberação da licença prévia para o início da obra. Ambientalistas e povos indígenas prometem não se curvar à decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). "Não vamos desistir agora dos nossos direitos", afirma o cacique da tribo Arara, José Carlos Arara, que teme os impactos da construção da usina em sua aldeia.


Do outro lado, empresários se unem para reforçar o coro a favor do governo para, enfim, tirar do papel o projeto que desde a década de 70 promete desenvolvimento à região. As manifestações começaram na sexta-feira passada, numa caminhada pela cidade. Nos próximos 37 dias, até a licitação da hidrelétrica, os dois grupos vão fazer barulho, com atos que ultrapassam as divisas do Pará.

Além de possíveis protestos na
Conferência do Clima, em Copenhague, a oposição cogita um ato público durante o show do cantor Sting, esta semana, em São Paulo. No passado, o inglês fez parte do movimento que ajudou a engavetar a antiga versão do projeto de Belo Monte, cujos estudos tiveram início em 1975. Ele participou do 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em 1989, em Altamira.

Desde aquela época, a usina já era o empreendimento mais emblemático dentro da nova fronteira hidrelétrica do País na Região Amazônica, que opõe meio ambiente e desenvolvimento econômico e social. A energia de Belo Monte é vista como essencial para sustentar uma taxa de crescimento do País na casa de 5% ao ano na próxima década. De acordo com o
Plano Decenal de Energia 2008-2017, nesse período, o Brasil terá de acrescentar 27 mil megawatts médios (MW) de energia ao sistema.

O governo conta com Belo Monte para fechar a conta e evitar o estrangulamento do sistema. A expectativa é de que a usina, de 11.233 MW de potência (ou 4.600 MW médios), comece a entrar em operação por volta de 2015, a tempo de suprir as necessidades da Olimpíada de 2016, no Rio. O volume total de investimentos será de R$ 16 bilhões (US$ 9,2 bilhões) , bem distante dos US$ 3 bilhões previstos no fim da década de 90.

Para chegar ao desenho atual, Belo Monte passou por inúmeras remodelações. Nasceu como Hidrelétrica de Kararaô, dentro de um complexo de seis usinas e, mais tarde, foi rebatizada como Belo Monte. Na última reestruturação, para diminuir os impactos ambientais e atender às reivindicações da oposição, a área alagada da usina foi reduzida de 1.200 para 516 quilômetros quadrados (km²), o que deverá evitar uma série de contratempos.

O novo desenho será um dos maiores desafios para a engenharia brasileira, que acumula anos de know-how na construção de hidrelétricas em todo o mundo. Ao contrário das demais usinas do País, Belo Monte será construída em três áreas diferentes. A primeira obra, que inclui o vertedouro principal e a casa de força complementar, ficará a 40 quilômetros de Altamira e terá capacidade de 233 MW, com 9 turbinas.

A partir desse local, serão construídos dois canais - cujas escavações serão semelhantes às do Canal do Panamá, considerado uma das sete maravilhas do mundo moderno - que vão desviar parte da água do Rio Xingu para o reservatório. O nível do lago será controlado por uma barragem complementar. Seguindo rio abaixo, será instalada a casa de força principal, com 20 turbinas, com capacidade para gerar 11 mil MW.

"Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo e a segunda maior do Brasil. Se for desconsiderada Itaipu, que é binacional, a usina será a maior do País", diz o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. O executivo lembra que, seguindo uma tendência nacional para evitar impactos ambientais, Belo Monte será a fio d"água, ou seja, não terá um grande reservatório e vai gerar conforme a vazão do rio.

Essa é uma das críticas dos ambientalistas. Eles argumentam que a usina não será totalmente eficiente nem terá uma grande contribuição no abastecimento do País. Durante o verão, o fluxo de água do Rio Xingu cai de forma drástica, o que reduzirá a capacidade de produção da usina, segundo Marcelo Salazar, do Instituto Socioambiental (Isa).

Embora Belo Monte tenha potência de 11 mil MW, a unidade produzirá apenas 4,6 mil MW médios. Ele diz ainda que a migração de pessoas poderá trazer o caos para a região, que não tem infraestrutura.

De acordo com os estudos, a construção da hidrelétrica criará 18 mil empregos diretos e 80 mil indiretos. Mas Salazar acredita que esses números serão maiores, considerando que haverá necessidade de pavimentar as estradas e melhorar outros serviços públicos.

Apesar da resistência, Tolmasquim afirma que o governo não voltará atrás na estratégia de explorar a nova fronteira energética. "Seria uma insensatez abrir mão dessa capacidade. Mais de 60% do potencial hidrelétrico do País está na região amazônica."


*Fonte: O Estado de São Paulo, 15.nov.2009

Luta: trabalhadores de Anapu (PA) se mobilizam, resistem e denuciam extração ilegal de madeira

Apesar de ter acontecido a quase dois meses, divulgo só agora o processo de luta de trabalhadores em Anapu, texto retirado na íntegra do blog do Comitê Dorothy:

O POVO DE ANAPU RESISTE, LUTA E DENUNCIA.
MOBILIZAÇÃO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS


Cerca de 350 trabalhadores e trabalhadoras rurais de Anapu promoveram uma grande mobilização, nos dias 20, 21 e 22 de setembro em defesa da floresta, de suas estradas vicinais e de suas terras. A mobilização começou por volta das 18 horas do domingo, numa vicinal, a 6 km de Anapu.

Os manifestantes interditaram a estrada de Santana e, logo, coibiram a passagem de cinco caminhões carregados de madeira ilegal. Estima-se que diariamente passam por essa estrada de trinta a quarenta caminhões transportando madeira. Esta é a ação predatória dos madeireiros da região, inclusive do vice-prefeito de Anapu Délio Fernandes, destruindo uma das maiores reservas florestais da Amazônia.

Por volta das 23 horas, o prefeito, o vice-prefeito e outros representantes da prefeitura chegaram para negociar a liberação dos caminhões, extremamente preocupados, pois sabiam que se tratava de madeira ilegal, tiradas de áreas fora do manejo florestal.

Na segunda feira, dia 21 de setembro, o chefe do IBAMA, Roberto Scapari, acompanhado pela polícia federal; depois de ser avisado sobre a situação da apreensão dos caminhões; chegou ao local no final da tarde, constatando que a madeira apreendida não era de área de manejo tomando, a partir daí, as providências necessárias. Na ocasião, parabenizou o povo pela ação cidadã, pacífica e efetiva contra a ilegalidade e em defesa da floresta.´

Embora, a mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras rurais tenha ocorrido de forma pacífica, sendo parabenizada pelo chefe do IBAMA, não faltou a tentativa de “criminalizar”, de alguma maneira, as ações dos manifestantes, como a que partiu da Secretária de Educação da cidade Elenilda, que registrou um boletim de ocorrência, devido ao fato das portas da escola da comunidade terem sido abertas por uma professora para que os manifestantes pudessem comer e dormir no local.

As principais demandas da ação dos trabalhadores e trabalhadoras rurais foram: regularização fundiária; estradas vicinais de qualidade; educação de qualidade para todas as crianças; atendimento de saúde com qualidade para todas/os; estruturação e ampliação do corpo técnico do INCRA em Anapu; assistência técnica de qualidade e NÃO a barragem de Belo Monte.



Saiba mais sobre o prefeito de Anapu, Chiquinho do PT .

Luta: pescadores de Icapauí (CE) aprendem e queimam barcos com pesca predatória

A cena se repete no litoral Leste com apreensão de mais um barco de pesca em Icapuí feito pelos pescadores da comunidade de Redonda. O barco foi capturado às 5 horas da manhã de ontem. Os quatro tripulantes da embarcação pescavam predatoriamente lagosta com compressor. Eles possuiam licença somente para pesca de peixes ornamentais.

A comunidade decice não queimar a embarcação (como geralmente é feito), e, sim, colocar em cima do morro, para servir como exemplo, para o resto da população. "Com esse, já somam dez barcos, que pegamos pescando ilegalmente". A contagem começou em, junho deste ano quando iniciaram protestos que chegaram a parar a rodovia.

"A decisão de fiscalizarmos é porque o Ibama, além de não conhecer os barcos que pescam ilegalmente, só os prendem se houver o flagrante", diz um pescador. Ele explica ainda que a cada dia a captura do marisco fica mais escassa, por conta da pesca predatória e, quando vão puxar os manzuás, muitos deles vêm com animais mortos dentro de sacos plásticos.

Conflito antigo

Em 8 de julho deste ano, os pescadores de redonda atearam fogo a uma embarcação que pescava ilegalmente no litoral, o ato foi uma forma de protesto contra a pesca predatória que se intensifica na região. A decisão se baseia nos problemas que a comunidade de pescadores artesanais têm enfrentado devido à concorrência desleal da pesca com o uso de redes de arrasto, compressores e marambaias.


Além da apreensão de barcos, os pescadores artesanais bloquearam a rodovia de acesso à praia.

Protesto na rodovia: em 8 de julho, os pescadores artesanais de Redonda, em Icapuí, chegaram a queimar um barco durante uma manifestação contra a pesca predatória Foto: Melquíades Júnior


*Com informações do jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Frases

"Espero com isso impedir, num último ato de desespero, esta extradição, que para mim equivale a uma pena de morte. Sempre lutei pela vida, mas se é para morrer, eu estou pronto, mas, nunca pela mão dos meus carrascos. Aqui neste país, no Brasil, continuarei a minha luta até o fim, e, embora cansado, jamais vou desistir de lutar pela verdade. A verdade que alguns insistem em não querer ver, e este é o pior dos cegos, aquele que não quer ver". disse Cesare Battisti em trecho encaminhado ao Presidente Lula, anunciando que iniciou nesta sexta-feira greve de fome, na penitenciária da Papuda (DF).

Leia mais em
BATTISTI ANUNCIA GREVE DE FOME E ENTREGA SUA VIDA NAS MÃOS DE LULA
Celso Lungaretti (Blog Defesa do Trabalhador)

sábado, 14 de novembro de 2009

Frases

"Nossa decisão na extradição, se positiva quanto ao pedido do governo requerente, é simplesmente declaratória. Nós declaramos a legitimidade do pedido para o presidente da República aí decidir se entrega ou não”, disse em entrevista o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é obrigado a entregar para a Itália o ex-ativista Cesare Battisti, mesmo que a corte autorize sua extradição.
Saiba mais em ”Quem conduz a política internacional não é o STF”
entrevista com o Ministro Marco Aurélio de Mello (Blog do Nassif).

Depois da sexta-feira 13...

Shimon Peres e os 40 empresários

Por George Bourdoukan*

Shimon Peres está realizando grandes negócios no Brasil.

Ao ministro Jobim, ofereceu armamento no valor de 350 milhões de dólares.

Ao governador de São Paulo José Serra ofereceu armamento no valor de 180 milhões de dólares.

Ao governador do Rio Sergio Cabral ofereceu armamento e tecnologia para construir muros, cercas e paredões para isolar as favelas.

Os valores são oficiais, não incluindo os barani.

Uma pena que este senhor venha ao Brasil em nome da morte. Mas o que se pode esperar de alguém cuja história está umbilicalmente ligada à violência e à brutalidade?

O que se pode esperar de alguém que desde a usurpação da Palestina jamais ofereceu um ramo de oliveira?

O sr.Peres, que é presidente de Israel, veio ao Brasil acompanhado de 40 empresários, em sua totalidade ligados à indústria bélica.

Vieram oferecer aquilo que melhor conhecem: violência.

Lamentável.

*Publicado originalmente no blog do Bourdoukan

Dadá Borari:Indígena ameaçado no Pará tem caso relatado à ONU

O caso do indígena Odair J. B., cacique da aldeia de Novo Lugar, na terra indígena Maró, em Santarém, foi levado à Alta Comissária da ONU para assuntos de Direitos Humanos, Navamethem Pillay, que participou de um evento sobre defensores de direitos humanos.

O cacique Borari, ou Dadá, como é conhecido na região, defende a área habitada por comunidades indígenas e ribeirinhas na gleba Nova Olinda, onde há mais de 30 dias a comunidade se mobiliza para denunciar a extração ilegal de madeira e a demora para a demarcação de terras indígenas. Apesar das constantes ameaças e dos dois atentados que já sofreu, Dadá espera há meses por proteção do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.

O caso de Dadá foi narrado à Alta Comissária da ONU pela ex-diretora do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Maria I. B. dos S., também ameaçada na região. Emocionada, Maria relatou que 'a situação de Dadá é muito grave e ele realmente corre o risco de ser morto'. A Alta Comissária demonstrou preocupação com o caso e se afirmou que irá acompanhar a situação de perto.

As ameaças sofridas pelo cacique Borari também foram constatadas pelo Relator do Direito Humano à Terra, Território e Alimentação, Sérgio Sauer, que esteve na região na semana passada. Para o relator, é urgente que as autoridades federais e estaduais atendam às demandas feitas pela comunidade quanto a fiscalização e o controle da extração ilegal de madeira na região.

O Pará tem sido um estado emblemático em ameaça aos defensores de direitos humanos. De acordo com o Comitê Brasileiro de Defensores de Direitos Humanos, 34% das pessoas ameaçadas de morte hoje no país estão no interior do Pará.



Fonte: Portal ORM

Iterpa e Incra poderão titular projetos de assentamentos

Áreas públicas estaduais ou federais cujo direito de propriedade é questionado poderão ser transformadas em projetos de assentamentos. Uma Instrução Normativa nesse sentido foi publicada no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (13).

A medida regulamenta a criação e titulação conjunta de Projetos de Assentamentos Sustentáveis e Projetos de Assentamentos Agroextrativistas implementados pelo Instituto de Terras do Pará (Iterpa) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em áreas onde há dúvida quanto ao domínio, ou ainda quando o imóvel a ser regularizado estiver em terra pública.

A Instrução Normativa conjunta nº 001/2009 estabelece os procedimentos legais para a criação dos projetos de assentamento, por meio de mecanismos comuns entre os dois órgãos voltados à identificação das áreas de interesse social destinadas à reforma agrária e formalização dos processos administrativos. A Instrução foi assinada pelos superintendentes do Incra no Pará, Elielson Silva, Raimundo Oliveira e Luciano Brunet, e pelo presidente do Iterpa, José Heder Benatti.

O Iterpa também publicou nesta sexta-feira mais um edital de interesse de áreas quilombolas, identificando o processo de regularização fundiária que está sendo feito na Comunidade Remanescente de Quilombos do Livramento, localizada nos municípios de Igarapé-Açu e Nova Timboteua, com cerca de 178 hectares.

Fonte: Agência Pará

(In)justiça infinita

No Maranhão, o Tribunal de Justiça do Estado rejeitou denúncia contra o juiz Marcelo Testa Baldochi flagrado com 25 escravos em sua fazenda em setembro de 2007. Baldochi também foi acusado de comandar pessoalmente uma truculenta reintegração de posse e a invasão de um assentamento vizinho à sua fazenda.

Nesta semana, o Tribunal do Justiça do Pará pediu intervenção federal no Estado para realizar reintegração de posses de fazendas ocupadas por movimentos sociais.
Ao mesmo tempo, uma liminar expedida pelo juiz Cosme Ferreira Neto de Santarém, decide que os manifestantes no rio Arapiuns liberem as balsas retidas com madeira. A liminar chegou com atraso, e mesmo dia em que foi concedida os manifestantes que estavam retendo as balsas carregadas atearam fogo em mais de 3 mil metros cúbicos de madeira em um legítimo protesto.

É o Judiciário brasileiro caminhando de vento em popa. Jà a Justiça, naufraga...

Entenda os três casos lendo:
MTE promove juiz que mantinha trabalhadores em situação escrava

Frases

Juízes acima de tudo

O Pará precisa passar por uma intervenção urgente

Conservadorismo sem fim...

Conflito: Clima em Nova Olinda é tenso

No rio Arapiuns: Indígenas incendeiam balsas com toras de madeira

Gleba Nova Olinda: MPF quer reunião entre comunitários e governo