O pedido de informação tem como base as mudanças realizadas pelo atual governo interino na estrutura e funcionamento de Ministérios
A pedido da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao ministro interino da Casa Civil, Eliseu Padilha, pedido de informações acerca da atual estrutura, condições de funcionamento e continuidade de políticas, programas e ações relativas à reforma agrária, à delimitação das terras dos remanescentes das comunidades dos quilombos e determinação de suas demarcações, e à promoção do desenvolvimento sustentável dos agricultores rurais familiares.
O pedido de informação tem como base as mudanças realizadas pelo atual governo interino na estrutura e funcionamento de Ministérios e políticas públicas. A medida integra um conjunto de deliberações conduzidas no âmbito do Fórum por Direitos e Combate à Violência no Campo - colegiado recém-instalado composto por organizações da sociedade civil, a PFDC e a Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal. O Fórum tem como agenda central a articulação para atuação diante das ameaças de retrocessos das políticas de direitos humanos e do aumento da violência no campo. Saiba mais aqui.
Fonte: Assessoria de Comunicação e Informação – ACI - Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão - PFDC/MPF
A Procuradora
Fabiana KeyllaSchneider (foto) recebeu o Prêmio República de Valorização do Ministério Público
Federal, iniciativa da Associação Nacional dos Procuradores da República
(ANPR), na categoria Meio Ambiente e Patrimônio Cultural.
O
Prêmio República foi criado em 2013 com o intuito de valorizar iniciativas de
membros do MPF e já foram premiadas 23 iniciativas de membros do MPF, duas da
sociedade civil, com a categoria Responsabilidade Social, e quatro da imprensa
brasileira. É a primeira vez que um representante do MPF em Santarém é
reconhecido com a premiação que se encontra na sua quarta edição. Saiba mais sobre o prêmio AQUI.
O trabalho
meticuloso da procuradora da República Fabiana Keylla Schneider desarticulou
uma organização criminosa no Pará voltada à extração e ao comércio ilegal de
madeira. Estavam envolvidos no esquema agentes públicos do Instituto Nacional
de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e das Secretarias de Meio Ambiente e
Sustentabilidade (Semas) e da Fazenda (Sefaz) do Estado. O prejuízo mínimo
estimado ao patrimônio público foi de R$ 31,5 milhões.
As
investigações da chamada Operação Madeira Limpa começaram em 2014. O Ministério
Público Federal propôs ação penal contra 30 pessoas e quatro empresas acusadas
de participar da organização criminosa. A quadrilha atuava em vários municípios
do Pará, em Manaus (AM) e Florianópolis (SC).
De
acordo com Fabiana, foram alcançados três núcleos da cadeia criminosa: o intermediador
empresarial, um operacional centralizado no Incra e outro relacionado às
fraudes em órgãos ambientais. O primeiro era composto pelos negociantes de
créditos florestais fictícios, conhecidos como papeleiros, e empresas que
recebiam a madeira extraída ilegalmente. O segundo atuava no desmatamento com a
permissão de servidores do Incra. Já o terceiro ficava com a mercantilização de
informações privilegiadas sobre fiscalizações realizadas pelos órgãos
ambientais e pela liberação de empresas com pendências nessas unidades.
O
grupo foi denunciado por crimes de estelionato, falsidade ideológica,
receptação ilegal, corrupção passiva e ativa, apresentação de documentos
falsos, violação de sigilo profissional, advocacia administrativa e crimes
ambientais. Os integrantes foram acusados de coagir trabalhadores rurais a
aceitarem a exploração ilegal de madeira dos assentamentos, localizados no oeste
do Pará, em troca da manutenção de direitos básicos, como o acesso a créditos e
a programas sociais.
Fabiana
revela que, para chegar a esse nível da investigação, foi montado um verdadeiro
quebra-cabeças. “O primeiro pedido de interceptação era para descobrir um
esquema de tráfico de drogas. No meio das interceptações descobrimos a história
da madeira ilegal”, lembrou. Nessas ligações foram surgindo nomes que antes
apareciam em investigações isoladas, até que a procuradora viu que tudo estava
interligado. Em poucos meses, ela constatou a participação de vários agentes
públicos na organização criminosa.
A
procuradora da República afirma que não se surpreendeu com o que foi descoberto
na Operação. “A gente sabe que esses crimes só acontecem porque há corrupção
dentro dos órgãos públicos. Se não tiver um agente que permita que a coisa toda
aconteça, que formalize isso, esses crimes poderiam acontecer numa escala muito
menor”, avaliou. De acordo com ela, era excessivo o número de problemas relacionados
à madeira ilegal na Procuradoria da República no Município de Santarém. “Quando
vi que a maioria deles decorria da ação dessa organização criminosa, tive uma
vontade maior de chegar até o Incra, que estava no meio dessa articulação”,
disse.
Resultados
Fabiana contou que esse grupo
criminoso impedia a concretização de muitos direitos de pessoas que dependiam
do Incra e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama). “Pessoas simples, sem poder aquisitivo e que sequer sabem
seus direitos. Uma operação como essa não se concentra na esfera criminal, mas
na social, na tutela coletiva e no meio ambiente”, destacou.
O
então superintendente do Incra, Luiz Bacelar Guerreiro Júnior, foi exonerado.
Este foi, segundo a procuradora da República, o principal feito da ação. Isso
porque a nomeação de uma nova pessoa para o cargo, mais comprometida com a
instituição, fez com que as demandas de regularização fundiária começaram a
fluíssem com maior agilidade, planejamento e licitude. “Houve redução dos
índices de ameaças na região, afastando madeireiros que agiam por meio de
capangas”, garantiu. Por estar preso, Bacelar, que era candidato a prefeito do
município de Oriximiná, foi impedido de concorrer ao cargo.
O
Ibama precisou rever os critérios adotados para alterar o coeficiente de rendimento
volumétrico relacionado à madeira serrada. “Vários projetos parados começaram a
andar, não só de assentamento, mas reconhecimento de território Quilombola,
análise de vista de valores por hectare, entre outros, que atrasavam processos
administrativos e judiciais”, relatou.
Prêmio
Aprovada no 27º Concurso para
procurador da República, Fabiana Keylla Schneider se surpreendeu ao receber o
IV Prêmio República. “Quando cheguei na Procuradoria, me vi em meio a centenas
de procedimentos, todos muito pulverizados, relacionados a desmatamento,
irregularidades em assentamentos e informações nunca formalizadas sobre
corrupção”, lembrou. O desafio foi, segundo ela, reunir todas as peças e
descobrir uma grande organização criminosa.
Para
ela, o Prêmio é uma forma de reconhecer todo esse trabalho e socializá-lo com
os colegas. “Nem sempre temos a possibilidade de estabelecer esse contato,
essas relações com os demais membros da carreira. E é bom quando isso ocorre
num momento de confraternização e valorização dos nossos esforços”, concluiu.
O
Instiuto Socioambiental publicou uma série de matérias com balanços da política
territorial do governo Dilma, nos últimos seis anos. As análises tratam das Terras Indígenas, Unidades de Conservação do
meio ambiente, Territórios Quilombolas e Assentamentos de Reforma Agrária.
O
governo da presidente afastada Dilma Rousseff é frequentemente criticado por
ser um dos que menos fez nestas áreas. Os números confirmam essa realidade. A
paralisação na criação e reconhecimento, segundo os especialistas, guarda relação
direta com os acordos firmados por Dilma com sua base parlamentar fortemente
ruralista.
O balanço
negativo nestas áreas pode ser conferido a seguir:
Os
dados não deixam dúvidas: no governo de Dilma Rousseff, apenas 21 TIs foram
homologadas, 25 TIs foram declaradas e 44 TIs foram identificadas e delimitadas
– segundo dados monitorados pelo ISA. O processo de demarcação de TIs é
complexo e demorado, envolvendo várias etapas e órgãos, desde a Fundação
Nacional do Índio (Funai), até a Presidência de República, passando pelo
Ministério da Justiça.
Quando
o assunto é homologações, a última etapa da demarcação de TIs, os atos da
presidente Dilma Rousseff ficaram restritos à região em que estão 98% das TIs
já demarcadas, a Amazônia Legal. Das 21 TIs homologadas só uma está no
centro-sul do país, onde os conflitos são mais intensos: a TI Piaçaguera, do
povo Guarani Ñandeva, com 2,7 mil hectares, no litoral sul do estado de São
Paulo. A caneta de Dilma trabalhou mais nos anos de 2012 e 2015, que tiveram um
total de sete decretos de homologação cada. Em 2014, ano de reeleição, nenhum
decreto foi assinado.
Em
seis anos de governo Dilma, foram criadas 15 UCs federais: seis na Mata
Atlântica, sendo cinco de proteção integral e uma de uso sustentável; e nove na
Amazônia Legal, sendo três de proteção integral e seis de uso sustentável. As
UCs criadas na Amazônia, no período, somam 3,5 milhões de hectares ou 95% da
extensão total das áreas formalizadas por Dilma. Ela também oficializou uma
Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) em Minas Gerais.
Biomas
como a Caatinga, historicamente desfavorecidos e menos representados no Sistema
Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), seguiram com pouca ou nenhuma
porção de seu território destinada à conservação no dois mandatos de Dilma. Na
Caatinga, embora legalmente na jurisdição Mata Atlântica segundo a Lei Federal
nº 11.428 (2006) foi criado o Parque Nacional de Furna Feia, com cerca de 8,5
mil hectares. Já a Resex Marinha Mestre Lucindo tem 44% de sua extensão
localizados no Bioma zona costeira e marítima.
Em
quase cinco anos e meio, o governo Dilma titulou 16 territórios quilombolas, o
equivalente a 11,7 mil hectares. Em oito anos, Lula titulou 12 áreas, somando
quase 40 mil hectares. Dilma assinou 40 decretos de desapropriação, abrangendo 115,3
mil hectares, e Lula editou número semelhante de decretos, 43, mas
desapropriando 465 mil hectares. Portanto, em pouco mais de um mandato, Dilma
titulou e desapropriou aproximadamente metade da média de Lula em duas gestões
em termos de área reconhecida. Os dados são da Comissão Pró-Índio de São Paulo
(CPI-SP). Um hectare mede mais ou menos um campo de futebol.
A
titulação é a última fase do complexoprocesso de
regularização dos quilombos,implicando o
reconhecimento pleno do território, após a retirada de ocupantes não
quilombolas. A desapropriação é a penúltima etapa, efetivada por decreto
presidencial, quando há necessidade de pagar por propriedade privadas
sobrepostas. As extensões abrangidas em cada fase do processo não devem ser
somadas – áreas desapropriadas serão depois tituladas, por exemplo. Cada etapa
requer diferentes esforços e custos políticos, financeiros e administrativos.
Os
números não deixam dúvida sobre a redução drástica na distribuição de terras para
reforma agrária no período, processo semelhante ao ocorrido com TIs, UCs e
territórios quilombolas, como já mostrado pelo ISA nas reportagens anteriores
da série – o que sugere uma tendência geral de declínio na destinação de áreas
de interesse coletivo.
Entre
2011 e 2015, a administração Dilma teria fixado 133,6 mil famílias em
assentamentos. No 1º mandato de Lula, teriam sido assentadas 232,6 mil famílias
e, no 2º mandato, mais 381,4 mil famílias. A média de Lula é de 76,7 mil
famílias por ano, contra uma média em torno de 25 mil famílias sob Dilma. Os
dados são do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
“A
política agrária do governo de Dilma conseguiu ser a pior de todos os governos
desde a Ditadura Civil-Militar, incluindo esta”, critica Rubem Siqueira, da
coordenação da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Ele acredita que, enquanto o
governo Lula ainda fez um esforço para conciliar reforma agrária, agricultura
familiar e agronegócio, a gestão de Dilma teria abandonado a ideia de distribuir
terras.
Os servidores da Superintendência Regional do
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária em Santarém realizarão
eleição interna para escolha do novo Superintendente Regional. A decisão foi
aprovada em assembleia geral convocada pelos dois sindicatos que representam os
servidores do INCRA: o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público no Estado
do Pará (SINTSEP) e o Sindicato Nacional dos Peritos Federais Agrários
(SindPFA).
Em 1999, um decreto presidencial (n° 3.135)
determinou que os Superintendentes Regionais do INCRA fossem prioritariamente
escolhidos entre os servidores efetivos do quadro de pessoal da autarquia,
cujos nomes constem de lista tríplice aprovada pelo Conselho Diretor do órgão
em Brasília. Somente excepcionalmente, o decreto estabelece o preenchimento do
cargo por pessoa sem vínculo com a Administração
Pública, ainda assim com “ilibada reputação e comprovada experiência técnica e
administrativa”.
No último dia 10, a Medida Provisória n° 731 da Presidência da República determinou que cargos de confiança
pertencentes ao Grupo-Direção e Assessoramento Superiores (DAS) de níveis 1 a 4
deverão ser extintos e transformados em funções gratificadas, que deverão ser
preenchidas obrigatoriamente por servidores públicos.
A Superintendência do INCRA de
Santarém possui um longo histórico de instabilidade administrativa gerada por
indicações políticas. Criada em 2005, inúmeros foram aqueles sucessivamente
indicados e logo em seguida afastados, seja pela conveniência política do
momento, seja por condutas irregulares e até criminosas.
Em 24 de agosto de 2015, o então
superintendente Luiz Bacelar Guerreiro Júnior foi preso pela Polícia Federal
durante a operação “Madeira Limpa”, acusado de corrupção e de favorecer a
entrada de madeireiras em projetos de assentamentos de reforma agrária. Barcelar
era indicação política do deputado federal, José Priante (PMDB).
Em 15 de setembro, o servidor do Incra,
Claudinei Chalito, assumiu a Superintendência, sendo exonerado em 29 de março
de 2016, para acomodar um indicado político do deputado Federal Chapadinha (PTN),
Adaías Cardoso Gonçalves. Este, por sua vez, foi exonerado logo após a “mudança
de lado” do deputado que o indicou, durante o processo de afastamento da
presidente Dilma Rousseff. Desde então, a SR30 encontra-se sem titular, sendo
comandada interinamente pela servidora de carreira e Superintendente
Substituta, Elita Beltrão.
Neste cenário de grande instabilidade política e
sentindo a necessidade de definir os rumos do INCRA em Santarém, os servidores
discutiram que não é hora de deixar esta história se repetir mais uma vez e
decidiram, por unanimidade, desencadear o processo para escolha do novo
Superintendente Regional entre os seus pares.
A Superintendência Regional do Incra de Santarém
atua em 19 municípios do Oeste do Pará, em 156 projetos de assentamentos criados
ou reconhecidos.
Veja abaixo como será o processo:
O que é?
– Eleição para formação de lista com três
servidores de carreira para escolha do novo Superintendente Regional do Incra
de Santarém.
Condução do processo:
– Comissão
eleitoral com 3 membros, escolhidos em assembleia geral dos servidores.
Como funcionará:
- O edital publicado no dia 20 de junho determinou
que as inscrições de candidatos ocorram até o dia 23 de junho e as eleições no
dia 30 de junho. Poderão se candidatar e votar servidores do Incra lotado na
sede da Superintendência em Santarém e nas unidades avançadas situadas em
Rurópolis, Monte Alegre e Itaituba, que não possuam condenação ou investigação
em processos disciplinares. Os votos serão secretos e depositados em urnas na
sede em Santarém e nas unidades avançadas. Cada servidor poderá votar
em até três candidatos. Os três candidatos mais votados irão compor uma lista a
ser encaminhada para o Incra em Brasília, para escolha do novo Superintendente
Regional.
Eloy e Márcio
Vaccaro, André Suleiman e a empresa Polpas do Baixo Amazonas Ltda. são acusados
de formar quadrilha de comércio ilegal de madeira e terão que pagar
reflorestamento
A Justiça Federal em
Santarém determinou a indisponibilidade dos bens dos madeireiros Márcio
Vaccaro, Eloy Vaccaro, André Suleiman e da empresa Polpas do Baixo Amazonas
Ltda, por danos ambientais. Eles são acusados de formar organização criminosa
que fraudou o sistema de controle ambiental para esquentar madeira extraída
ilegalmente de assentamentos de reforma agrária. A quadrilha foi desmontada em
agosto de 2015, na operação Madeira Limpa, do Ministério Público Federal (MPF) e
da Polícia Federal.
Todos os 30 acusados já respondem a
processo penal na Justiça e o MPF ajuizou ainda ações civis públicas para
exigir a reparação dos danos ambientais causados. O juiz Érico Freitas Pinheiro
foi o primeiro a decretar indisponibilidade de bens, no valor de R$ 2,8
milhões, contra os Vaccaro, Suleiman e a Polpas Ltda. O bloqueio objetiva
assegurar o pagamento do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas que os
acusados terão que apresentar no prazo de 90 dias para aprovação do Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente (Ibama)
Caso Madeira Limpa “Todos os
elementos reunidos desvendaram uma verdadeira organização criminosa,
estruturalmente ordenada, com divisão – ainda que informalmente – de tarefas,
cujas atividades são espraiadas por toda a cadeia da exploração madeireira
ilegal até a sua ‘legalização’ a partir de créditos florestais fraudulentos,
passando pela corrupção de servidores públicos do Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Secretaria de Meio
Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará (Semas), de Secretarias
municipais de meio ambiente (Semmas), Secretaria da Fazenda do Estado do Pará
(Sefa) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra)”, destaca
o MPF/PA.
A quadrilha é acusada de coagir
trabalhadores rurais a aceitarem a exploração ilegal de madeira dos
assentamentos do oeste paraense em troca da manutenção de direitos básicos,
como o acesso a créditos e a programas sociais. O prejuízo mínimo estimado ao
patrimônio público é de R$ 31,5 milhões.
Segundo as investigações do MPF/PA,
iniciadas em 2014, o grupo atuava em três frentes interligadas: um núcleo
intermediador e empresarial, um núcleo operacional centralizado no Incra e um
núcleo relacionado às fraudes em órgãos ambientais.
Enquanto o primeiro núcleo
concentrava os negociantes de créditos florestais fictícios (esses negociantes
são conhecidos como “papeleiros”) e empresas que recebiam a madeira extraída
ilegalmente, o segundo núcleo atuava diretamente com o desmatamento, sob a
permissão de servidores do Incra, e o terceiro núcleo era responsável pela
mercantilização de informações privilegiadas sobre fiscalizações realizadas por
órgãos ambientais e pela liberação irregular de empresas com pendências nessas
instituições.
Íntegra da liminar
Fonte: Ministério Público Federal no Pará - Assessoria de Comunicação
Empresa pública que planejou o porto sem
consulta às comunidades afetadas recorreu da suspensão, mas teve o pedido
negado em Brasília
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1)
negou o pedido da Embraps (Empresa Brasileira de Portos de Santarém) para
retomar o projeto de um porto no lago de Maicá, na margem direita do rio
Amazonas, em Santarém. Com a negativa, fica mantida a decisão da Justiça
Federal de 1a instância de suspender o empreendimento, até que os responsáveis
pelo porto comprovem a realização da consulta prévia, livre e informada dos
povos e comunidades afetados pelo empreendimento, conforme prevê a Convenção
169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é
signatário.
Além da consulta prévia, a decisão, do desembargador federal Antônio Souza
Prudente também confirmou a necessidade de que o licenciamento do porto de
Maicá seja feita na esfera federal, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
(Ibama), por se tratar de empreendimento no rio Amazonas, o maior rio federal
do país. Em seu recurso, a Embraps alegou que está cumprindo todas as
exigências do órgão licenciador, no caso a Secretaria Estadual de Meio Ambiente
e Sustentabilidade do Pará (Semas) e entre as exigências não está a realização
da consulta prévia, que seria apenas uma condicionante para as fases
posteriores.
Para o desembargador, ao fazer essa afirmação, a Embraps confessou que está
descumprindo a Convenção 169 da OIT. “Em se tratando de consulta prévia a sua
realização haverá de preceder o próprio ato de autorização do empreendimento”,
diz o desembargador na decisão, acrescentando que “não se pode admitir a sua
inclusão como mera condicionante a ser cumprida durante o licenciamento”.
Para o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do
Pará (MP/PA), autores do processo judicial, nas manifestações de defesa de
todos os réus no caso – Semas, Antaq (Agência Nacional de Transportes
Aquáticos) e Embraps - demonstraram desconhecer a Convenção 169 da Organização
Internacional do Trabalho, que determina a consulta sempre que atos
administrativos ou empreendimentos econômicos possam comprometer a permanência
de modos de vida tradicionais.
Existem sete comunidades quilombolas que sofrerão impacto direto ou indireto do
porto da Embraps reconhecidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra), pela Fundação Palmares, pela Justiça Federal e até pela
prefeitura de Santarém (PA), mas foram ignoradas até o momento no processo de
instalação. MPF e MP temem mais um conflito agrário na região. A Embraps
já vem espalhando placas no Lago do Maicá, onde pretende fazer a obra, marcando
a região, cheia de famílias quilombolas e ribeirinhas, como propriedade
particular (foto).
“A falta de consulta prévia pode gerar, por isso, grave conflito agrário, dado
que a informação veiculada pela empresa Embraps fere direitos ocupacionais das
populações tradicionais que historicamente ocupam as áreas de várzea e que são
de domínio da União, de acordo com a Secretaria de Patrimônio da União. Não
podem, assim, as áreas serem consideradas de propriedade da Embraps”, diz a
ação judicial.
Pequeno grupo de comunidades
tradicionais do Pará conseguiu suspender licenciamento até que moradores locais
sejam escutados sobre impactos da obra
Por Piero Locatelli*
Mais de quatrocentas famílias
quilombolas eram invisíveis para os produtores de soja que pretendem construir
um porto nas margens do Rio Amazonas, no trecho em que suas águas banham o
estado do Pará. Os estudos ambientais do Porto do Maicá, em Santarém, afirmavam
“não existir nenhum território quilombola na área diretamente afetada do
empreendimento”. Mas, a menos de cinco quilômetros do local previsto para o
porto, sete comunidades quilombolas dependem do rio para sobreviver.
Até então ignoradas, essas comunidades
conseguiram obrigar o empreendimento a enxerga-las. O licenciamento da obra foi
suspenso até que quilombolas e outras populações tradicionais da região do lago
do Maicá sejam ouvidos pelo governo e pela empresa construtora do porto, a
Embraps (Empresa Brasileira de Portos de Santarém). Eles foram obrigados a
fazer o processo de consulta às comunidades da região, conforme estabelece a
Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.
Quilombolas vivem da pesca no rio Amazonas, onde deve ser construído o porto. Foto: Mikaell Carvalho/Repórter Brasil
Os quilombolas de Maicá formam um
grupo pequeno, mas conseguiram um feito grande. Apesar de ter sido assinada
pelo Brasil há quatorze anos, a aplicação da convenção ainda é uma novidade, e
pode mudar a forma como todas as comunidades são tratadas por empreendedores no
país inteiro. O documento determina que comunidades tradicionais sejam
consultadas “cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou
administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente”.
João Lira, um dos líderes da
comunidade Murumuru, explica o que a letra fria da convenção significa para os
quilombolas: “Eles [empresários] acham que ainda está no tempo de empurrar tudo
goela a baixo, que a gente tem que aceitar calado. Mas nós sabemos que eles
precisam nos ouvir, nos respeitar, e nos consultar.”
Depois de serem ignoradas pelos
estudos de impacto do empreendimento, as comunidades reivindicaram o direito de
serem consultadas ao Ministério Público Federal. Pedindo a suspensão do
licenciamento enquanto não houvesse a consulta, duas procuradoras entraram com
uma Ação Civil Pública contra o estado do Pará, a empresa, a Fundação Palmares
e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).
[NOTA BLOG: A Ação Civil Pública citada é movida pelo Ministério Público Federal e Ministério Público do Estado do Pará, assinada pela Procuradora Fabiana Keylla Schneider e pela Promotora Ione Missae da Silva Nakamura, contra a Embraps - Empresa Brasileira de Portos de Santarém; a Antaq- Agência Nacional de Transporte Aquaviários; o Estado do Pará e a União. O INCRA e a Fundação Palmares não fazem parte da Ação.]
As procuradoras questionam se a
empresa ignorou os quilombolas por “mera incompetência” ou vontade de deixá-los
invisíveis. Na ação, consta que “informações apresentadas pela Embraps
demonstram o completo desconhecimento da temática […] e discurso carregado de
uma visão colonialista e ultrapassada.” Um juiz federal aceitou o pedido em 12
de abril de 2016, e o processo da obra está parado desde então.
Os quilombolas do Maicá só conseguiram
ser consultados graças a um processo que começou há mais de uma década, quando
os descendentes de escravos dessa região começaram a reivindicar as suas
origens e, consequentemente, os seus direitos.
Desde a Constituição de 1988, os
“remanescentes das comunidades dos quilombos” têm direito à propriedade
definitiva das suas terras. Mas foi só no começo da década passada que as
comunidades do Maicá começaram a ter conhecimento dos seus direitos. João Lira
diz que, antes disso, eles possuíam vergonha do seu passado, e se reconheciam
somente como ribeirinhos. “No passado, a sociedade tentava colocar na nossa
cabeça que nós tínhamos que esquecer o sofrimento do nosso povo. Com o surgimento
do movimento quilombola, resgatar o passado se tornou um [motivo de] orgulho,”
diz João Lira.
As comunidades começaram a ser
reconhecidas pelo Estado graças à sua organização. Desde o final da década de
1990, eles formaram associações de moradores e começaram um diálogo maior com
comunidades de outras regiões. Entre 2003 e 2007, sete delas foram certificadas
pela Fundação Palmares, órgão do Governo Federal. Dentre elas, duas já foram
delimitadas pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e
aguardam o decreto que desapropria os terrenos de fazendeiros e outros
posseiros que se encontram nas suas terras.
O movimento de resgatar a identidade
quilombola não é restrito ao local, mas representa uma dinâmica de diversas
comunidades no país, intensificado desde 2003, quando foi regulamentado o
processo de demarcação das terras quilombolas pelo governo federal. Um
movimento que costuma provocar uma pergunta polêmica: por que, afinal, um grupo
se considera quilombola?
Para Mário Pantoja, os quilombolas começaram a viver a “cultura de terceiros” ao longo do tempo. Foto: Mikaell Carvalho / Repórter Brasil
O simples fato da pergunta ser feita
já incomoda Mário Pantoja de Souza, líder da associação da comunidade Murumuru.
Ele explica: “se você é negro, você é olhado com preconceito. Se você é moreno
ou claro, então você não é quilombola, porque você não é negro”. As casas onde
eles moram, muitas vez de alvenaria e com luz elétrica, e a música mais ouvida
no local, o arrocha, tampouco se encaixam em um estereótipo ligado à escravidão
do passado. “Ao longo do tempo, nós
aprendemos a viver a cultura de terceiros,” diz Mário. Ele conta que, hoje, a
sua comunidade educa os mais jovens, para que eles tenham orgulho de serem
quilombolas.
Em sua maioria, as comunidades foram
formadas por escravos que fugiram de fazendas de cacau e se estabeleceram nas
margens do rio Amazonas. Hoje, os quilombolas que moram naqueles mesmos lugares
vivem principalmente da subsistência, complementada por programas sociais e a
venda do peixe, açaí e farinha. Esse modo de vida, que é distinto dos
habitantes das cidades, é o que buscam proteger se opondo ao projeto do porto.
O desenvolvimento dos outros
O modo de vida dessas comunidades está
em risco por um desejo alheio às necessidades delas: a busca por um caminho
mais curto para a soja brasileira sair do país. Com a construção do porto,
seria possível diminuir em cerca de 800 quilômetros o trajeto feito por terra
pelos grãos que saem do Mato Grosso e, atualmente, necessitam passar pelo Porto
de Santos. A alternativa de passar pelo Porto do Maicá, em Santarém, encurtaria
em sete dias o tempo que os barcos levam para chegar à Europa. “Isso
significa muito para o produtor e para o país, para a redução do custo Brasil.
Você acaba investindo esse dinheiro em outra coisa, e vai gerar renda,
emprego”, argumenta Pedro Riva, produtor de soja e dono de 75% da empresa que
pretende construir o porto. Riva estima que serão gerados 700 empregos diretos
na construção, e outros 70 posteriormente.
Caminho que será feito pela soja antes de ser exportada. Foto: Reprodução/Embraps
O porto é parte de uma série de
projetos com o mesmo objetivo: escoar a produção agrícola brasileira para o
mercado internacional. Duas empresas estrangeiras já mostraram interesse em
construir outros terminais em Santarém, o que complementaria outras rotas
abertas na região. Uma delas é a construção de uma ferrovia paralela à BR-163,
que permitiria levar a soja por trilhos do Mato Grosso até a cidade de
Itaituba, noroeste do Pará. A outra seria uma hidrovia pelo rio Tapajós, que
permitira transportar os grãos mato-grossenses pelo rio até Santarém, de onde
podem ir direto para outros continentes.
As promessas de renda e emprego para a
população local, que acompanham todas essas obras, são vistas de forma cética
pelos quilombolas da região. “O que a gente reivindica é que o empreendedor
venha não somente mostrar as coisas boas. Nós queremos saber as coisas ruins
que vão acontecer com a construção desse e de outros portos” diz Mário.
“Coisas ruins”
Boa parte das ‘coisas ruins’ ficaram
de fora do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Embraps, onde os impactos já
deveriam ter sido detalhados. Advogada da ONG Terra de Direitos, que presta assessoria
jurídica às comunidades, Layza Queiroz afirma que os quilombolas navegam hoje
um “mar de incertezas” sobre o projeto, mas algumas das consequências da
construção já são previsíveis.
Um deles seria o impacto sobre a
pesca. O estudo não afirma que medidas serão tomadas para a preservação dos
peixes, responsáveis pela sustentação diária das comunidades. A empresa se
resume a dizer que serão tomadas medidas de proteção às espécies em risco de
extinção no rio Amazonas, ou seja, somente duas das mais de 150 que vivem ali.
Os quilombolas ainda temem que a área
aterrada pelo porto possa afetar a reprodução dos peixes, já que o lago
funciona como um berçário. “A preocupação não é agora, é daqui a dez anos: como
é que vamos alimentar nossos filhos, nossos netos?”, pergunta João Lira. O
advogado da empresa, Andrew Raseira, afirma que as obras “não devem assorear” o
terreno e impactar a reprodução dos peixes.
O estudo da empresa também não
fala sobre como a obra afetará a navegação dos quilombolas. Zé Maria, morador
da comunidade de São José do Itaqui, só possui acesso à sua casa pelo rio. Com
a construção, ele teme não conseguir chegar mais à cidade pelo seu caminho
diário. “Assim como a gente vai levar alimentos, a gente também vai buscar,”
diz o líder da comunidade, preocupado. Ele receia que o porto o faça desviar
pelo braço mais forte do rio Amazonas, um caminho mais longo e perigoso para
pequenas embarcações. O advogado da empresa afirma que, como as esteiras serão
suspensas, e as embarcações poderão passar por baixo dela, a obra não deve
afetar a navegação dos quilombolas.
Outra preocupação é com a estrada que
será aberta pela prefeitura para levar uma grande quantidade de caminhões ao
local. Quilombolas entrevistados pela reportagem temem que o tráfico de
caminhões tenha consequências para as comunidades, como poluição ambiental e
sonora. Somente o pátio de triagem tem capacidade de receber 938 caminhões por
dia.
Pedro Martins, advogado da Terra de Direitos, afirma que a falta de titulação agrava os outros problemas dos quilombolas. Foto: Mikaell Carvalho/Repórter Brasil
Os estudos da empresa afirmam que a
estrada não provocará “impactos significativos nas populações residentes do
entorno da área do empreendimento.” Eles também argumentam que “todos os
equipamentos com alta capacidade de emissão de ruídos serão alvo de isolamento
acústico”.
A promessa é vista com ceticismo. João
Lira acredita que o projeto não irá trazer “nenhum benefício” para as
comunidades da região. Ele faz um paralelo com o porto da empresa multinacional
Cargil, construído em 2003. “Foram empregos só no início das obras. Depois,
eles trazem a mão-de-obra especializada, gente de outros estados, de outras
regiões ou até de outros países. Aí a
gente só vai ficar com o desemprego e com as mazelas que o projeto vai trazer.”
A construção do porto também deve agravar outro problema no local: a falta de
titulação das terras das comunidades. Com a construção, a expectativa é
de que o preço da terra suba na região. Isso tornaria mais difícil a retirada
de fazendas que estão dentro de áreas quilombolas. De acordo com o processo de
titulação, essas fazendas ainda devem ser indenizadas pelo poder público a
valores de mercado, explica o advogado Pedro Martins, da Terra de Direitos.
Depois que o porto for construído, essa indenização deve ficar ainda mais cara,
e portanto, improvável de ser quitada pelo governo federal.
Como será a consulta?
Todos esses problemas jamais foram
apresentados às comunidades, e a aplicação da Convenção 169 surge justamente
como uma garantia de que a população local tenha conhecimento detalhado dos
impactos, possam opinar sobre a obra, contribuindo com seu conhecimento do
local,além de reivindicar compensações para quem for afetado por elas , propor
mudanças fundamentais no projeto e até mostrar uma posição contrária à
construção.
Quilombolas tem forma de organização própria que deve ser respeitada na consulta. Foto: Mikaell Carvalho/Repórter Brasil
Mas, dependendo da forma como ela for
feita, a consulta pode se tonar inócua. A decisão judicial não estabelece
detalhes sobre o processo, resume-se a afirmar que o licenciamento deve ser
suspenso “até que seja demonstrada a efetiva realização do procedimento de
consulta livre, prévia e informada às populações quilombolas e tradicionais
situadas na sua área de influência direta”.
Para a procuradora Fabiana
Schneider, responsável pelo caso, são as próprias comunidades que devem dizer
como a consulta deve ser feita. Segundo ela, só assim a forma de se organizar
de cada uma delas será respeitada. Para isso, deve ser elaborado um protocolo
de consulta: documento com detalhes sobre como, onde e de que forma eles devem
ser ouvidos. “Cada comunidade vai ter uma forma de decisão. Uma decisão
coletiva, ou uma forma de decisão centrada na sua liderança, seja um cacique,
seja uma liderança quilombola, então essa é a forma que não é dita por nós. Não
somos nós que vamos decidir por eles,” diz a procuradora. Atualmente, a
Federação das Organizações Quilombolas de Santarém já elaboram um protocolo
de consulta.
Já a Embraps se adianta à elaboração
das regras pelas comunidades. Pedro Riva afirma já ter contratado uma empresa
para a consulta. Sem detalhar como ela será feita, ele conta que os trabalhos
“já foram iniciados”, e somente aguarda uma autorização da Fundação Palmares. “Está
tudo prontinho. Aí espero que o Ministério Público nos libere para marcar essa
audiência pública e fazer acontecer,” diz o produtor de soja.
Presidente da Federação das
Organizações Quilombolas de Santarém, Dileudo Guimarães não acredita que a
consulta proposta por Riva possa funcionar. Assim como a maioria dos
quilombolas ouvidos pela reportagem, ele vê o processo como uma oportunidade de
descobrir e mostrar porque eles serão prejudicados pela obra.
O maior desafio da consulta é
equilibrar, na mesma balança, forças díspares. De um lado, um dos maiores
setores econômicos do país com o argumento do desenvolvimento. De outro,
comunidades que vivem de modo sustentável e que, devido aos impactos do
empreendimento, seriam obrigadas a deixar o local onde vivem para engrossar as
periferias das cidades.
A decisão passa por um elemento
delicado que as populações das cidades costumam ter dificuldade em entender: a
sobrevivência de um modo de vida. Mesmo assim, Mário explica e espera ser
ouvido: “se a gente perder isso aqui, é praticamente perder a nossa vida”.
*Fonte: Repórter Brasil - Colaborou Mikaell Carvalho
Esta publicação foi realizada com o apoio da Fundação Rosa Luxemburgo com
fundos do Ministério Federal para a Cooperação Econômica e de Desenvolvimento
da Alemanha (BMZ). Leia
também:Desconfiança de investidores adiou leilões portuários, diz Moreira Franco(Agência Brasil)
Em
carta aberta, datada de 11 de junho, 12 organizações quilombolas dos municípios
de Óbidos, Oriximiná e Monte Alegre (no Pará) manifestam preocupação com
as mudanças promovidas pelo presidente interino Michel Temer na política de
regularização dos territórios quilombolas, hoje vinculada à Casa Civil, feitas
sem diálogo ou consulta aos quilombolas.
Apontam
que a indefinição atinge também sua região onde o Incra encontra-se sem
Superintendente. Reivindicam que o próximo Superintendente da SR 30/Incra em
Santarém "seja escolhido por suas qualificações
e compromisso com a luta dos quilombolas e dos trabalhos rurais, e não mais
como moeda de troca política". E demandam a permanência da atual equipe do
Serviço Quilombola da Superintendência em Santarém.
Dez dos 23 acusados de formar um dos maiores esquemas de
desmatamento voltaram e ser denunciados por crimes ambientais e outras
ilegalidades
Integrantes de um grupo denunciado em 2014 sob a acusação de
ter criado um dos maiores esquemas de desmatamento da Amazônia continuam a ser
denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por crimes ambientais e
outras ilegalidades.
Desde que a denúncia relativa à operação Castanheira foi
ajuizada, em setembro de 2014, dez dos 23 denunciados voltaram a ser acusados
em 14 novas ações ajuizadas pelo MPF em unidades da Justiça Federal de Itaituba
e Altamira, no Pará.
A denúncia mais recente foi encaminhada à Justiça Federal em
Itaituba na semana passada. Edvaldo Dalla Riva, o Paraguaio ou Paraguai, foi
acusado pela destruição de 177 hectares de floresta em gleba federal localizada
no município.
Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama), o desmatamento foi feito em continuidade a um
desmate anterior, em área embargada. O crime foi feito de forma a evitar a
identificação por satélite, cortando árvores mais baixas e mantendo as árvores
mais altas.
Caso condenado pelo desmatamento, a pena pode chegar a quatro
anos de reclusão e multa. Pela tentativa de dificultar a fiscalização, a pena
pode chegar a detenção de até três anos, e multa.
Recordistas
O denunciado no caso Castanheira Giovany
Marcelino Pascoal é o recordista em novas ações. De setembro de 2014 ao final
de maio de 2016 ele figurou em quatro novos processos por crimes ambientais
abertos a partir de ações do MPF.
Apontado como líder do esquema desmontado pela operação
Castanheira, Ezequiel Antônio Castanha já voltou a ser processado pelo MPF por
três vezes após a denúncia relativa à operação pela qual ele foi preso.
Com um novo processo cada um, os demais denunciados no caso
Castanheira que voltaram a ser acusados em ações do MPF são: Boleslau Pendloski
Filho, Edson Barbosa da Mata, Alanda Aparecida da Rocha, Ismael Wathier
Martins, Leonardo Minotto Luize, Freud Fraga dos Santos e Luiz Losano Gomes da
Silva.
Sentenças
Em agosto de 2015 a Justiça Federal condenou Luiz
Losano Gomes da Silva pelo desmatamento ilegal de aproximadamente 1.190
hectares de vegetação na Floresta Nacional do Jamanxim, em Novo Progresso. Ele
foi obrigado a reflorestar a área e foi submetido a multa diária de R$ 5 mil
caso novos desmatamentos forem detectatos.
Por um processo anterior à operação Castanheira, em maio de
2015 Edivaldo Dalla Riva foi condenado ao pagamento de R$ 2,6 milhões em danos
materiais e morais pelo desmatamento ilegal de 559 hectares da gleba Curuá,
área federal sob domínio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra) em Novo Progresso.
Operação – A operação Castanheira foi deflagrada em agosto de
2014 pela Polícia Federal, Ibama, Receita Federal e MPF contra quadrilha de
desmatadores e grileiros considerada pela organização da operação como uma das
que causaram mais danos na Amazônia nos últimos anos.
No mês seguinte o MPF pediu à Justiça a condenação dos 23
denunciados a um total de 1.077 anos de cadeia pela prática de 17 tipos de
crimes. O processo aguarda sentença.
O levantamento de novas ações contra os denunciados,
ajuizadas após a denúncia do caso Castanheira, não incluiu processos sigilosos
ou processos abertos a partir do desmembramento da denúncia de setembro de
2014.
Fonte: Ministério Público Federal no Pará - Assessoria de
Comunicação