Em 15 de julho último, uma polêmica decisão do governo incendiou os corredores da Receita Federal: sob dúbias e variadas justificativas, o ministro da Fazenda Guido Mantega exonerou Lina Maria Vieira do cargo de Secretária da Receita Federal. Os motivos alegados eram uma suposta queda de arrecadação, em meio a uma crise econômica mundial e às desonerações tributárias promovidas pelo próprio governo.
Para tentar elucidar o que esteve por trás de sua queda, o Correio da Cidadania Correio da Cidadania conversou com o auditor fiscal Paulo Gil Holck, presidente da delegacia de Campinas da Unafisco. De acordo com ele, o que claramente provocou a queda da secretária foi a mudança de foco nas cobranças da Receita, trocando o contribuinte comum assalariado por uma fiscalização mais dura sobre as principais pessoas jurídicas, por tabela os grandes sonegadores.
As mudanças de rumo do órgão foram solapadas, de acordo com o auditor, por interesses econômicos de grupos que têm acesso à República. Com uma categoria quase 100% sindicalizada, Paulo Gil desqualifica, ademais, o argumento de que a secretária tenha sido corporativista, lembrando que isso não passa de preconceito alimentado pela mídia, ‘esquecendo’ da origem do próprio presidente.
Em suma, a demissão de Lina Vieira configura mais uma situação reveladora da correlação de força do país, onde quem sonega mais tem laços políticos fortes o bastante para alterar a arrecadação do país, até mesmo em tempos de crise. Nesse sentido, aliás, Gil assevera que focar nos grandes contribuintes (que perfazem 70% da arrecadação) criaria uma tendência de crescimento nos valores recolhidos pelo órgão.
Leia a entrevista em Mudanças na Receita configuram a capitulação do Estado frente aos sonegadores (Por Gabriel Brito, do Correio da Cidadania).
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009
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