terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Projeto de Lei quer punir ''terroristas'' e grevistas na Copa
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Governo brasileiro acuado faz segredo sobre resposta à OEA
Não adiantou se fazer de vítima, de agressão estrangeira, nem se fazer de ofendido em sua soberania nacional. O Governo brasileiro teve que se curvar ao compromisso com a Organização dos Estados Americanos, da qual é sócio fundador e com o acordo internacional de respeito aos direitos dos povos indígenas.
A violência aos direitos humanos no projeto da usina de Belo Monte está evidente. Não apenas aos 15 povos indígenas que serão impactados pela faraônica hidrelétrica, caso seja ela construída. Além deles, os ribeirinhos e habitantes de Altamira e cidades próximas ao grande rio Xingu, terão seus direitos violados. O governo federal, apoiado pelo governo do Estado do Pará e prefeituras próximas da futura obra, está obcecado em realizar esse desastre bilionário, a serviço do grande capital e recusa escutar os clamores dos povos ameaçados, entre os quais os 15 povos indígenas do Xingu.
Quem ouviu esses clamores foi a OEA que exigiu então, que o governo brasileiro respeitasse os tratados internacionais, parasse as obras de Belo Monte e antes faça as oitivas aos povos indígenas. Este esperneou, mas finalmente ontem, enviou uma carta secreta respondendo às demandas exigidas.
Curiosamente, fez segredo ao povo brasileiro. Não se sabe aqui o que o Itamarati deu como resposta. Certamente, pediu desculpas pela arrogância anterior e deve ter fantasiado alguma justificativa para a violação dos direitos dos povos indígenas.
O Consórcio Norte Energia, empresa responsável pela obra e de olho nos bilhões de reais de lucro, afirma coisas que não são verdadeiras. Diz que os povos indígenas tiveram amplo e livre acesso ao projeto Belo Monte. Já o Ministério Público Federal explica que a lei brasileira exige que o governo, antes de iniciar a obra, teria que escutar (oitiva) cada um dos 15 povos indígenas ameaçados pelas inundações que venham a ocorrer e se aceitam ou não correr os riscos. Caso não aceitem a usina não poderá ser construída, pois sua soberania territorial é garantida pela constituição. Isso não ocorreu.E é isso, que deixa o governo brasileiro acuado diante da OEA. Daí o segredo da carta enviada ontem, último prazo para responder.
O que terá dito a presidente Dilma e seus assessores? Pediu perdão e implorou para esquecerem o erro e permitirem a continuação da obra? Mostrou mais arrogância e disse que quem manda aqui neste país soberano é a ilustre presidente? Terá rompido aliança com o organismo internacional, trampolim para sua aspiração de fazer parte do Conselho permanente da ONU?
Quem sabe? Um dia o segredo da carta chegará à luz do dia, caso caia nas mãos do WikiLeaks!
*Pároco diocesano e Coordenador da Rádio Rural AM de Santarém. Editoriald e 27 de abril de 2011.
sexta-feira, 4 de março de 2011
O falante Greenhalgh: Lula como refém de Dilma e Heloísa Helena controlando o MST
Um deles é o advogado e ex-deputado petista, Eduardo Greenhalgh que ficou conhecido ao atuar na defesa de vários presos políticos durante o regime militar (inclusive de Lula) e mais recentemente, como advogado do banqueiro Daniel Dantas, inclusive com denúncias de lobby junto ao governo do Pará, feito pela então governadora Ana Júlia Carepa (Veja em Carta Capital que trás "denúncias" de Ana Júlia).
O blog da jornalista Natalia Viana publicou esta semana que documentos de conversas em 2006 de Greenhalgh com representantes do governo dos EUA no Brasil.
Chama atenção, além da desenvoltura do petista com os americanos, as teorias do mesmo em relação ao papel de Dilma junto ao governo Lula durante a crise do mensalão; uma suposta influência do PSOL nos atos mais radicalizados do MST; a banalização do caixa dois nas eleições e a tese do crime comum no caso Celso Daniel.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
WikiLeaks revela pressão dos EUA sobre França e Espanha em favor dos transgênicos. Vaticano também foi alvo
sábado, 1 de janeiro de 2011
'O Globo' distorce Wikileaks para atacar Reforma Agrária
O professor Clifford Andrew Welch, do curso de história da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi citado como fonte das informações de telegramas remetidos por diplomatas estadunidenses no Brasil aos Estados Unidos, divulgados pelo Wikileaks.
O jornal O Globo publicou uma reportagem sobre esses telegramas, no domingo passado (19/12), dando destaque a existência de espiões do MST dentro do Incra e sobre uma suposta prática dos assentados “de alugar a terra de novo ao agronegócio”. (Leia aqui no blog:WikiLeaks: diplomatas americanos relatam "espiões do MST" no Incra e cooptação do movimento pelo governo).
Em relação ao aluguel de áreas de assentados ao agronegócio, o professor da Unifesp destaca que a coordenação nacional do MST é declaradamente contra a prática e que a declaração aparece sem contextualização.
Wikileaks, a imprensa, o MST e eu
Por Clifford Andrew Welch
Prof. Dr. Ajunto do Curso de História da Universidade Federal de São Paulo
Fora de contexto, assim como apresentado no despacho diplomático, o aluguel dos lotes parece ser de fato “cínico e irônico.”
domingo, 19 de dezembro de 2010
WikiLeaks: diplomatas americanos relatam "espiões do MST" no Incra e cooptação do movimento pelo governo
No conteúdo dos documentos, uma conclusão: O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) usa informantes dentro do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para ocupar as terras que serão desapropriadas pelo governo.
Os diplomatas acusam ainda os sem-terra de alugarem lotes dos assentamentos para o agronegócio no Pontal do Paranapanema (SP). Um dos documentos ironiza o fato do movimento reivindicar terras férteis e depois repassá-las ao agronegócio: "A prática do MST de distribuir lotes de terra fértil a seus fiéis e de alugar a terra de novo ao agronegócio é irônica, para dizer o mínimo. O presidente Lula tem sido flagramente silencioso com suas promessas de campanha de apoiar o MST por uma boa razão: uma organização que ganha terra em nome dos sem-terra e depois as aluga para as mesmas pesssoas de quem tirou tem um sério problema de credibilidade", escreve o cônsul geral de São Paulo, Thomas White, em 29 de maio do ano passado. O comentário foi feito após o diplomata ouvir um relatório de seu assessor econômico, que conversara com empresários de Presidente Prudente (contrários ao movimento) e com o historiador americano Cliffor Welch que integra o Nera (Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos em Reforma Agrária), apresentado como "pró-MST".
O pesquisador teria sido a fonte da informação de que o MST usa seus contatos dentro do Incra para decidir as áreas a serem ocupadas e posteriormente desapropriadas.
As situação de esvaziamento do MST e a sua relação com o governo Lula é tema de um telegrama em 2006 do então cônsul em São Paulo, Christopher McMullen:
"Estão enfrentando uma significativa mudança em sua organização. O número de integrantes cai lentamente, assim como o número de invasões que realiza. Alguns observadores citam o programa de transferência de renda para os probres, o Bolsa Família, como declínio das atividades do MST. Além disso, o MST espera por maior vontade política do governo Lula na redistribuição de terras. Uma aparente indisposição de parte do governo em fazer isso pode estar desgastando o MST e levando-o a procurar a acomodação em vez do confronto".
Em outro telegrama do Consulado em São Paulo, em 2008, afirma:-se
"Esperavam mais suporte do presidente Lula, mas não podem criticá-lo porque ele é muito popular com seu eleitorado graças ao Bolsa Família. Então, o jogo tem de ser feito nos bastidores. As invasões são moedas de troca, daí alguns créditos ou subvenções para os parceiros do movimento que garantam a paz".
Leia tudo em MST teria espiões no Incra para orientar invasões, revelam telegramas vazados pelo WikiLeaks
No blog da Natália Viana/WikiLeaks:
- Consulado dos EUA acusa MST de “alienar os locais”
- Embaixada vê MST em declínio
- Terra americana
- Abril vermelho
Na Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária:
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
WikiLeaks: Embaixador dos Estados Unidos apóia destruição do Código Florestal
Cidade de Novo Progresso, no Pará, é citada em telegrama. Os “esforços pela regularização fundiária” do governo Lula são elogiados.
O Código Florestal foi tema de um telegrama escrito pelo embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, em fevereiro deste ano.
Shannon transmite uma visão favorável à redução da Reserva Legal - uma das principais propostas do projeto de lei de autoria de Aldo Rebelo.
O PL prevê reduzir a proporção de propriedade que deve manter a vegetação nativa (por exemplo, na Amazônia ela cairia de 80% para 50% da propriedade), além de extinguir a sua exigência para pequenas propriedades. O projeto também anistia quem não preservou e ocupou indevidamente encostas e beiras de rios.
rA bancada ruralista no Congresso pressiona pela votação do projeto ainda este ano. O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT/SP) colocou o pedido de urgência na tramitação em votação, mas garantiu que a votação do projeto em si só sai no próximo ano.
O telegrama enviado por Shannon às 19h01 do dia 10 de fevereiro deste ano começa com um apanhado histórico sobre a legislação para depois entrar em detalhes sobre a questão da reserva legal.
Segundo Shannon, se justifica a decisão do governo Lula de postergar a aplicação da lei - que prevê multas e sanções para os fazendeiros que não respeitarem a Reserva Legal.
"Não é nenhuma surpresa que o governo tenha evitado transformar milhões de fazendeiros em criminosos que poderiam perder suas terras; especialmente em face das eleições de outubro de 2010".
Ele duvida que o governo consiga efetivamente aplicar a lei. "Se o governo quiser com seriedade penalizar um grande número de donos de terra em violação ao Código Florestal, pode esperar uma dura oposição e possivelmente até um combate violento como aqueles que aconteceram na cidade de Tailândia no ano passado, depois que o governo fiscalizou madeireiras ilegais em Novo Progresso, onde mesmo pesquisadores brasileiros vistos como 'xeretas' foram expulsos".
Shannon se reuniu com um representante da Confederação Nacional da Agricultura, que ele não cita o nome, e comenta que as propostas para reduzir para 50% a Reserva Legal "possibilitariam que uma grande quantidade de fazendeiros que não conseguem se sustentar economicamente respeitando a reserva de 80% possam seguir a lei".
Para ele, é uma "infelicidade" que projetos como o Zoneamento Ecológico-Econômico, que autoriza a redução de até 50% da área para fins de recomposição de reserva legal, não possam ser adotados mais amplamente.
O diplomata reconhece o progresso do governo no combate ao desmatamento e elogia ações no sentido de regularizar a situação fundiária da região norte.
"Nunca tendo sido implementada, (a Reserva Legal) serviu principalmente como ponto de disputa entre os fazendeiros e ambientalistas, enquanto outras políticas menos controversas têm sido eficazes em reduzir as taxas de desmatamento na Amazônia", conclui Shannon.
"Se as taxas de continuarem a cair, então o movimento ambientalista pode mostrar mais flexibilidade sobre um compromisso mais pragmático em relação ao Código Florestal quando o tema voltar á pauta em 2011", aposta o embaixador dos EUA.
Fonte: WikiLeaks
WikiLeaks: "Discretamente", FBI investigou morte de Dorothy Stang
Uma série de telegramas que serão publicados hoje pelo WikiLeaks mostram como a embaixada americana em Brasília acompanhou de perto as investigações sobre a morte da missionária Dorothy Mae Stang, preocupados com a corrupção dos policiais – e como o FBI atuou no caso.
“Devido à natureza política e à extensiva cobertura midiática do caso, o FBI vai se manter extremamente discreto”, diz um telegrama.
O FBI participou na primeira fase da investigação, ao lado da polícia brasileira, reunindo provas para um processo contra Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista nos EUA. A policia federal americana chegou a entrevistar os acusados enquanto estavam sob custódia brasileira.
Os dois foram condenados por um tribunal do júri em Washington em junho de 2005. No Brasil, o último acusado, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, só foi condenado definitivamente em abril deste ano.
O FBI mantém um escritório em Brasília para atuar em solo nacional.
A americana Dorothy Stang foi assassinada em 12 de fevereiro de 2005 em Anapu, Pará, por defender famílias sem-terra que ocupavam um projeto de desenvolvimento sustentável em uma região marcada pela violência conduzida por grileiros de terra.
O FBI, discreto
Um telegrama de 18 de fevereiro de 2005 revela que pouco depois da morte o embaixador americano John Danilovich se encontrou com o subsecretário do Itamaraty Ruy Nunes Pinto Nogueira para mostrar o interesse dos EUA no caso. Ouviu que o governo ia fazer o maior esforço para punir os culpados.
Pouco depois da morte, o advogado-geral dos EUA estudou os fatos do caso e decidiu que queria processar os assassinos nos Esatdos Unidos.
Isso porque, segundo o FBI, o crime foi uma violação à lei americana que estabelece a culpabilidade de assassinos de cidadãos americanos, mesmo em outro país. O crime tem que ser uma “coação, ou retaliação, contra o governo ou a população civil”.
A unidade extraterritorial do FBI, sediada em Miami, decidiu enviar dois agentes ao Brasil para auxiliar na investigação na semana do dia 21 de fevereiro. Segudo o telegrana, o time legal da embaixada estava consultando policiais brasileiros a esse respeito.
“Devido à natureza política e à extensiva cobertura midiática do caso, o FBI vai se manter extremamente discreto”, explica Danilovich.
Policiais corruptos
A embaixada acompanhou de perto o desenrolar das investigações e conversou com testemunhas-chave sobre o andamento dos processos.
John Danilovich transmite com preocupação, em um telegrama de 22 de fevereiro, o medo de um oficial envolvido na investigação – cujo nome será preservado conforme as regras de segurança do WikiLeaks – de que a corrupção policial prejudicasse o andamento do caso.
A descrição é dramática.
“Aparentemente a investigação está correndo bem, mas há sérias preocupações de que a polícia pode estar comprometida por ligações impróprias com grandes donos de terra na região que estão envolvidos em apropriação ilegal de terra e desmatamento”, diz o telegrama.
“Um oficial se disse ‘profundamente preocupado’ com a possibilidade de que a investigação seja manipulada pelas autoridades. Acredita-se que autoridades estatais corruptas tenham permitido a grilagem de terra em larga escala e o desmatamento durante anos”, descreve o embaixador.
Essa mesma fonte diz a ele que Dorothy era “uma pedra no sapato” dos fazendeiros e policiais.
“(o oficial) não teve papas na língua, ele nos disse que os policiais nas zonas rurais estão proximamente ligados a grandes fazendeiros e são contratados como pistoleiros para intencionalmente obstruir investigações”.
Essa fonte afirmou que estar “muito preocupada com a direção da investigação, a rapidez com que a polícia encontrou os quatro suspeitos e a segurança dos que estão sob custódia”, afirmando que eles podiam ser “apagados” na prisão. Rayfran Neves teria sido ameaçado e coagido pela PM.
Outra fonte, um político, corrobora esse alerta.
“Em razão das preocupações de longa data sobre a eficiência, corrupção e baixa moral da PM em todo o Brasil, além de preocupações especificas sobre a atuação da PM do Pará na investigação sobre Stang, vamos monitorar proximamente o caso para ver se o caso será federalizado” – conclui o telegrama.
Em outras comunicações, o embaixador mantém a preocupação com o andamento ds investigações e transmite uma visão favorável à federalização do caso.
FBI interroga no Brasil
A embaixada também foi bastante atuante ao acompanhar a visita do irmão de Dorothy, David Stang, ao Brasil.
Pouco depois da visita de David, em 3 de março, Danilovich envia outro telegrama no qual reclama do então ministro da Justiça Márcio Thomas Bastos.
“Estamos meio confusos com a relutância de Bastos de federalizar o caso devido ao alto envolvimento federal e a oportunidade do caso ser teste para a nova lei da federalização”, comenta ele.
No mesmo telegrama o embaixador explica que três investigadores do FBI - sendo que um deles trabalha permanentemente no Brasil – viajaram até a cena no crime e “colheram testemunhos, fotos e vídeo das autoridades policiais brasileiras”.
“Os investigadores do FBI também interrogaram os três suspeitos atualmente sob custódia brasileira”, prossegue o telegrama. “Um deles se recusou a falar e os outros reconheceram sua participação no assassinato”.
Com base nessa visita, o advogado-geral dos EUA iria apresentar caso perante o tribunal do júri.
Imprensa critica Irmã Dorothy
Em 2 de maio, outro telegrama interessante. Nele, Danilovich descreve o que vê como uma clara tentativa da mídia local de desmerecer Dorothy Stang.
“Recentemente tem havido um esforço concertado em alguns veículos do Pará de desmerecer a Irmã Dorothy. Uma revista chamada “Hoje” publicada na última semana na cidade de Altamira fez críticas ácidas à freira e aos integrantes do PT”, diz o documento.
“O superintendente da PF José Sales também dividiu conosco sua opinião pessoal que a Stang foi muito longe: ela uma vez procurou Sales e pediu que ele ‘retirasse os grileiros a qualquer custo’. Quando Sales respondeu que isso teria que ser feito pelos meios legais, ela respondeu que faria ‘da sua própria maneira’” descreve.
Plantados no Chão
Clique aqui para baixar o livro sobre assassinatos de militantes sociais acontecidos durante o governo Lula – incluindo o de Dorothy Stang.
Fonte: Wikileaks
Observação: Apesar do WikiLeaks ter revelado esse documento, o fato já era conhecido, sendo inclusive tratado no documentário Mataram Irmã Dorothy (dowloand)
WikiLeaks: Embaixada dos EUA faz lobby contra lei do pré-sal e conta com colaboração do PSDB
Como ele, outros cinco telegramas a serem publicados pelo WikiLeaks mostram como a missão americana no Brasil tem acompanhado desde os primeiros rumores até a elaboração das regras para a exploração do pré-sal – e como fazem lobby pelos interesses das petroleiras.
Os documentos revelam a insatisfação das petroleiras com a lei de exploração aprovada pelo Congresso – em especial, com o fato de que a Petrobras será a única operadora – e como elas atuaram fortemente no Senado para mudar a lei.
Pouco depois das primeiras propostas para a regulação do pré-sal, o consulado do Rio de Janeiro enviou um telegrama confidencial reunindo as impressões de executivos das petroleiras.
Essa mesma postura teria sido transmitida pelo pré-candidtao do PSDB a presidência José Serra, segundo outro telegrama enviado a Washington em 2 de dezembro de 2009.Patrícia Padral teria reclamado da apatia da oposição: “O PSDB não apareceu neste debate”.
Fonte: CartaCapital/
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Wikileaks, Lula e os EUA
Vazamento de documentos mostra tom conciliador de Lula diante do impérioquarta-feira, 8 de dezembro de 2010
WikiLeaks: sites da Mastercard e Visa fora do ar
A ação seria promovida por hackers devido à perseguição à Julian Assenge, criador do WikiLeaks, preso ontem na Inglaterra.
Ontem a Mastercard e a Visa suspenderam todos os pagamentos feitos ao WikiLeaks:http://migre.me/2MrMx
Curiosamente, a Mastercard e a Visa continuam recebendo as contribuições para a Ku Klux Klan:http://migre.me/2MrOr
Informações do Blog do Nassif
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
WikiLeaks revela como EUA manipulou o acordo climático em Copenhague
Oculta por trás da retórica das negociações de "salvar o mundo da mudança climática" está a "realpolitik" suja: o dinheiro e as ameaças de comprar o apoio político, a espionagem e a guerra cibernética dedicadas à imposição da posição dos Estados Unidos. Os cabos da diplomacia norte-americana revelam como os EUA semearam informação daninha sobre as nações que se opõem à posição estadunidense sobre a luta contra o aquecimento global, como utilizam a ajuda financeira a certos países para obter apoio político, como as negociações estão marcadas pela desconfiança, as promessas rompidas e a contabilidade criativa. E como os EUA montaram uma ofensiva diplomática mundial secreta para esmagar a oposição ao controverso "Acordo de Copenhague", o documento não oficial que surgiu das ruínas da Cúpula sobre Mudança Climática de Copenhague em 2009.
A negociação de um tratado sobre o clima é um jogo de alto risco, não simplesmente pelo perigo que lhe traz o esquentamento à civilização, como também pela reconstrução da economia mundial para um modelo de baixa emissão de carbonos que resultaria em que um fluxo de milhares de milhões de dólares sejam redirigidos.
Buscando fichas para negociar, o Departamento de Estado dos EUA. enviou um cabo secreto a 31 de julho de 2009 pedindo informação sobre os diplomatas das Nações Unidas e uma série de temas, incluído a mudança climática. A solicitação originou-se na CIA. Além de quais eram as posições dos países negociadores de Copenhague, pediram aos diplomatas que buscassem evidência da ONU sobre aqueles que esquivaban as posições dos EUA frente ao tratado do meio ambiente e os acordos entre as nações.
Mas a inteligência não é de só uma via. A 19 de junho de 2009, o Departamento de Estado enviou um cabo onde detalha um ataque "spear phishing" ao escritório do enviado dos EUA para a mudança climática, Todd Stern, enquanto andavam as conversas com a China sobre as emissões em Beijing. Cinco pessoas receberam mensagens por correio eletrônico. Estavam personalizadas para parecer que vieram do diário National Journal. Um arquivo anexo continha um código malicioso que lhe dava o controle total do computador do destinatario a um hacker. Ainda que o ataque não tivesse tido sucesso, a Divisão de Análise do Departamento de Ameaças Cibernéticas assinalou: "É provável que tentativas de intrussão deste tipo se manterão".
As conversas de Beijing não resultaram num acordo global em Copenhague. No entanto, EUA, o maior contaminador do mundo histórico e de longo historial de isolamento como um pária climático, tinha algo ao qual se agarrar. O acordo de Copenhague, negociado nas últimas horas, mas não incorporado ao processo da ONU, tinha como propósito resolver muitos dos problemas dos Estados Unidos.
O acordo põe de pernas para o ar o processo vertical da ONU, com cada nação livre para assinalar seus próprios objetivos apetecíveis para cortar a emissão de gás de efeito de estufa. Apresenta uma forma bem mais fácil para ligar na China e os outros países de rápido crescimento que o processo da ONU. Mas o acordo não pode garantir os cortes dos gases de efeito de estufa necessários para evitar o esquentamento perigoso. Ao invés, ameaça com obstaculizar as negociações da ONU sobre a ampliação do protocolo de Kyoto, no qual as nações ricas têm obrigações. Estas objeçõe levaram muitos países - especialmente os mais pobres e mais vulneráveis - a se oporem com veemência ao acordo.
Conseguir que tantos países se associassem com o acordo fortemente serve os interesses dos EUA, porque aumentam a probabilidade de que fosse adotado oficialmente. Puseram ofensiva diplomática em marcha. Muitos cabos diplomáticos cruzaram-se entre o final de Copenhague em dezembro de 2009 e finais de fevereiro de 2010.
Alguns países não precisavam que os persuadissem. O acordo prometeu $ 30 mil milhões em ajuda para as nações mais pobres afetadas pelo esquentamento global que eles não tinham causado. Depois de duas semanas de Copenhague, o ministro de relações estrangeiras de Maldivas, Ahmed Shaheed, escreveu à secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, expressando seu desejo de aderir ao acordo.
A 23 de fevereiro de 2010, o embaixador designado dos EUA às Maldivas, Mohamed Abdul Ghafoor, disse ao deputado de EUA para a mudança climática, Jonathan Pershing, que seu país queria "ajuda tangível", e assim outras nações, comprovariam "as vantagens que podem se obter por cumprir com o acordo".
Produziu-se um baile diplomático. "Ghafoor faz referência a vários projetos de um custo aproximado de $ 50m. Pershing encorajou-o para dar exemplos concretos e os custos com o fim de aumentar a probabilidade de assistência bilateral."
As Maldivas eram inusuais entre os países em desenvolvimento em adotar o acordo de todo coração, mas outras pequenas nações insulares eram vistas em segredo como vulneráveis à pressão financeira. Qualquer vinculação dos milhares de milhões de dólares de ajuda para apoiar a política é muito controversa. As nações mais ameaçadas pela mudança climática vêem a ajuda como um direito, não uma recompensa, e esse vínculo como herético. Mas o 11 de fevereiro, Pershing reuniu-se com o comissário de ação climática da UE, Connie Hedegaard, em Bruxelas, onde ela lhe disse, segundo um cabo "a AOSIS [Aliança dos Pequenos Estados Insulares] dos países poderiam ser nossos melhores aliados dada sua necessidade para o financiamento".
Ambos estavam preocupado com como os $ 30 mil milhões iam ser arrecadados e Hedegaard propôs mais tema tóxico: se a ajuda dos EUA seria tudo em dinheiro. Ela perguntou se os EUA teriam que fazer alguma "contabilidade criativa", assinalando que alguns países como o Japão e o Reino Unido queriam garantias de empréstimos, não só subsídios, incluídos. Uma táctica à qual se opôs. Pershing disse que "os dadores têm que equilibrar a necessidade política de proporcionar financiamento real com as limitações práticas de orçamentos ajustados", informou o cabo.
Junto com as finanças, o outro tema traiçoeiro na negociações sobre o clima mundial, algo que atualmente continua em Cancún, México, é a confiança que os países cumpram com sua palavra. Hedegaard pergunta por que os EUA não estiveram de acordo com a China e a Índia no que ela viu como medidas aceitáveis para monitorear as reduções de emissões no futuro. "A pergunta é se vão cumprir com as palavras," o cabo de Pershing cita o diário.
A confiança é escassa em ambos lados da fenda entre as nações desenvolvidos e em desenvolvimento. A 2 de fevereiro de 2009, um cabo de Addis Ababa informa de uma reunião entre o subsecretário de Estado de EUA, María Otero, e o ministro de Etiópia principal, Meles Zenawi, quem dirige as negociações da União Africana sobre a mudança climática.
O cabo confidencial registra uma contundente ameaça dos EUA a Zenawi: assina o acordo ou a discussão acaba agora. Zenawi responde que a Etiópia apoiará o acordo, mas tem uma preocupação: que uma garantia pessoal de Barack Obama na entrega do financiamento da ajuda prometida não se está cumprindo.
O empenho dos EUA de buscar aliados para contrarrestar seus adversários mais poderosos: os gigantes econômicos emergentes de Brasil, África do Sul, Índia, China, estabelece-se no outro cabo desde Bruxelas o 17 de fevereiro. É um relatório de uma reunião entre o assessor anexo de segurança nacional, Michael Froman, Hedegaard, e outros servidores públicos da UE.
Froman disse que a UE tinha que aprender da habilidade básica de obstaculizar as iniciativas de EUA e a UE e jogar uns contra eles a fim de "manejar melhor o obstrucionismo de terceiros países e evitar futuros choques de trens sobre o tema do clima".
Hedegaard está disposta a assegurar a Froman o apoio da UE, que revela uma diferença entre as declarações públicas e privadas. "Esperava que os EUA tomassem nota de que a UE silenciava sua crítica dos EUA para ser construtiva", disse o cabo. Hedegaard e Froman discutem a necessidade de "neutralizar, cooptar ou marginalizar os países que não ajudam, como a Venezuela e a Bolívia", dantes de Hedegaard novamente vincula a ajuda financeira como condição de apoio ao acordo, assinalando que "a ironía de que a UE é um dador importante para estes países". Mais tarde, em abril, EUA corta sua ajuda à Bolívia e ao Equador, citando a oposição desses países ao acordo.
O presidente boliviano, Evo Morales, faz caso omiso à ironía, segundo um cabo de 9 de fevereiro de La Paz. O embaixador dinamarquês na Bolívia, Morten Elkjaer, disse a um diplomata dos EUA que, na Cúpula de Copenhague "o premiê dinamarquês Rasmussen, passou uns desagradáveis 30 minutos com Morales, durante os quais Morales lhe agradeceu a [os $ 30 milhões ano em] ajuda bilateral, mas se negou a participar nas qüestões da mudança climática."
Após a cimeira de Copenhague, aparece novamente a vinculação do financiamento e a ajuda com o apoio político. Servidores públicos holandeses, ao princípio recusam as proposições dos EUA para apoiar o acordo, e fazem uma declaração surpreendente, a 25 de janeiro. De acordo com um cabo, o negociador holandês do clima, Sanne Kaasjager, "redigiu mensagens para as embaixadas nas capitais que recebem assistência holandesa para o desenvolvimento e solicita apoio ao acordo. Trata-se de uma medida sem precedentes para o governo holandês, que tradicionalmente recusa qualquer sugestão de utilizar o dinheiro como alavanca política". Mais tarde, no entanto, Kaasjager rectifica um pouco, e diz: "os Países Baixos têm dificuldades para vincular o acordo de associação com a condição de receber financiamento sobre o clima."
Talvez o uso mais audaz dos fundos que se revela nos cabos seja o da Arábia Saudita, o segundo produtor mundial de petróleo e um dos 25 países mais ricos do mundo. Um cabo secreto enviado a 12 de fevereiro registra uma reunião entre servidores públicos da embaixada dos EUA e o negociador da mudança climática Mohammad Ao Sabban. "O reino precisa tempo para diversificar sua economia além do petróleo, [Sabban] disse, assinalando aos EUA o compromisso de ajudar a Arábia Saudita em seus esforços de diversificação econômica que "levantariam a pressão às negociações sobre a mudança climática".
Os sauditas não gostavam do acordo, mas estavam preocupados com que tinha falhado em algo. O assistente do ministro de petróleo, o príncipe Abdulaziz bin Salman, disse-lhe aos servidores públicos de EUA que lhe tinha dito a seu ministro, Ali a o-Naimi, de que a Arábia Saudita tinha "perdido uma oportunidade real de apresentar algo inteligente", como a Índia ou a China, que não era legalmente vinculativo, mas que indicava alguma boa vontade para o processo sem comprometer seus interesses econômicos mais importantes".
Os cabos obtidos por WikiLeaks acabam no final de fevereiro de 2010. Na atualidade, 116 países associaram-se com o acordo. Outros 26 disseram que têm a intenção de se associar. Esse total, de 140, encontra-se no extremo superior da meta100-150 revelada por Pershing em sua reunião com Hedegaard, a 11 de fevereiro.
Os 140 países representam quase 75% dos 193 países que são partes da Convenção sobre a mudança climática da ONU e, os partidários de acordo assinalam, são responsáveis a mais de 80% das atuais emissões globais de gases de efeito de estufa.
No ponto médio das grandes negociações da ONU em Cancún, México sobre a mudança climática, já se produziram mostras sobre como entregar o financiamento para a adaptação do clima. A maior surpresa foi o anúncio do Japão de que não apoiará uma ampliação do tratado de Kyoto sobre o clima. Isso lhe dá um grande impulso ao acordo. As negociações diplomáticas de EUA ao que parece estão já dando fruto.
Fonte: The Guardian / Cubadebate/Tradução: Diário Liberdade
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