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domingo, 13 de março de 2016

Salve a Internet


A diversidade da internet está morrendo, aniquilada pelos monopólios gestados na nova economia do Vale do Silício. A rede está se tornando linear, passiva, programada e ensimesmada – como a TV. Por que ninguém está impedindo sua destruição?

Há alguns meses, eu me sentei na pequena mesa da cozinha do meu apartamento, no último andar de um prédio em um bairro vibrante de Teerã, e fiz uma coisa que já tinha feito milhares de vezes antes: abri meu laptop e postei no meu novo blog. Aquela, por outro lado, era a primeira vez em seis anos. E quase partiu meu coração.

Algumas semanas antes, eu havia sido abruptamente perdoado e libertado da prisão de Evin, no norte de Teerã. Eu esperava passar um bom tempo do resto da minha vida naquelas celas: em novembro de 2008, fui sentenciado a quase 20 anos de prisão por causa das coisas que eu escrevia no meu blog.

A chegada desse momento foi inesperada. Eu tinha acabado de fumar um cigarro na cozinha com um dos meus companheiros de prisão, e voltei à cela que eu dividia com uma dúzia de outros homens. Estávamos tomando chá quando a voz ao microfone que fazia os anúncios do andar – outro prisioneiro – preencheu as celas e os corredores. Em tom monótono, ele anunciou, em persa: “Queridos prisioneiros, o pássaro da sorte mais uma vez pousou sobre os ombros de um de nossos companheiros. Senhor Hossein Derakhshan, você está livre a partir de agora”.

Naquela noite, eu saí como um homem livre pela primeira vez. Tudo parecia novo: a brisa fresca do outono, o barulho do trânsito vindo de uma ponte próxima, o cheiro, as cores da cidade onde eu tinha vivido a maior parte da minha vida. À minha volta, eu percebia uma Teerã bem diferente daquela à qual eu pensava estar acostumado. Condomínios novos, desavergonhadamente luxuosos, substituíam as pequenas e encantadoras casas antes tão familiares. Havia novas vias, estradas, e hordas invasivas de SUVs. 

Imensos outdoors anunciavam relógios feitos na Suíça e TVs importadas da Coréia. Mulheres usavam echarpes e casacos coloridos, homens tinham cabelos e barbas pintadas, e centenas de cafés charmosos tocavam música ocidental descolada, com atendentes mulheres. Eram dessas mudanças que vão sendo absorvidas aos poucos pelas pessoas; do tipo que você só percebe mesmo quando é removido da vida normal.

Duas semanas depois, eu comecei a escrever de novo, depois que alguns amigos concordaram em me deixar começar um blog que comporia sua revista de arte. Se seis anos tinham sido um bom tempo de prisão, para a internet, foram uma era inteira. O ato de escrever na internet, em si, não havia mudado, mas a leitura – ou, pelo menos, fazer com que as coisas fossem lidas – mudara drasticamente. Já tinham me contado sobre como as redes sociais haviam se tornado essenciais enquanto eu estive fora, e eu sabia que, se quisesse fazer com que a minha escrita atingisse as pessoas, teria que usá-las a partir de agora.

Então eu tentei postar um link para um artigo meu no Facebook. Descobri que o Facebook não dava a mínima, e o meu artigo acabou parecendo mais um anúncio chato de classificados: sem descrição, sem imagem, sem nada. Três curtidas. Três! Só isso. Naquele momento, ficou claro para mim que as coisas tinham mesmo mudado. Eu não estava equipado para jogar o novo jogo – todos os meus esforços anteriores já não serviam de nada. Eu fiquei devastado.

Blogs valiam ouro e blogueiros eram como estrelas de rock quando eu fui preso em 2008. Naquele momento, embora o Estado bloqueasse o acesso ao meu blog dentro do Irã, eu tinha uma audiência de cerca de 20 mil pessoas por dia. Todo mundo que eu “linkava” nos meus textos passava por um salto repentino e considerável de tráfego no próprio blog: eu podia empoderar ou envergonhar quem eu quisesse.

As pessoas costumavam ler meus posts e deixar comentários relevantes, e até aqueles que discordavam completamente de mim ainda visitavam e liam o blog constantemente. Outros blogs se conectavam ao meu para discutir o que eu dizia. Eu me sentia um rei.

O iPhone tinha pouco mais de um ano naquela época, mas os smartphones ainda eram mais usados para fazer ligações e mandar mensagens, checar e-mails, e navegar pela internet. Não havia ainda os apps como os de hoje. Não havia Instagram, SnapChat, Viber ou WhatsApp. No lugar deles, havia a web e, na web, havia os blogs: os melhores lugares para encontrar pensamentos alternativos, notícias e análises. A web era a minha vida.

Tudo começou com o 11 de setembro. Eu estava em Toronto e meu pai tinha acabado de chegar de Teerã para uma visita. Estávamos tomando café da manhã quando o segundo avião colidiu com o World Trade Center. Perplexo e confuso, eu buscava explicações e acabei chegando aos blogs. Depois de ler alguns, eu pensei: “É isso! Vou começar um blog e encorajar outros iranianos a fazer o mesmo”. E então, usando o Notepad do Windows, eu comecei a experimentar. Logo eu estava escrevendo no hoder.com, usando a plataforma de publicação Blogger, antes de sua compra pela Google.

No dia 5 de novembro de 2001, publiquei um passo a passo sobre como começar um blog. Aquilo disparou algo que depois chegou a ser chamado de revolução do blog: em pouco tempo, centenas de milhares de iranianos fizeram do Irã uma das cinco nações com maior número de blogs, e o meu papel nessa história sem precedentes da democratização da escrita no país me deixava orgulhoso.

Naquela época, eu mantinha uma lista pública de todos os blogs em persa e, por um tempo, eu era a primeira pessoa que qualquer blogueiro iniciante no Irã procurava, para aparecer na lista também. Chamavam-me de blogfather (uma piada com godfather, que significa padrinho em inglês) quando eu não passava dos meus vinte e poucos – um apelido um tanto bobo, mas que dava pistas de como aquilo tudo era importante para mim.
Todas as manhãs, do meu pequeno apartamento no centro de Toronto, eu abria meu computador e cuidava dos novos blogs, ajudando-os a ganhar exposição e audiência. 

Tratava-se de um grupo diverso – de autores e jornalistas exilados, passando por mulheres que escreviam diários, experts em tecnologia, a jornalistas locais, políticos, clérigos e veteranos de guerra – e eu me sentia cada vez mais motivado. Convidava mais e mais gente, homens e mulheres, de dentro do Irã, a participar e começar a escrever.

Naquele tempo, a abrangência do que estava disponível impressionava todos nós. E era parte do motivo pelo qual eu promovia blogueiros com tanto afinco. Eu havia deixado o Irã no final de 2000 para experimentar uma vida no Ocidente e tinha medo de estar perdendo todas as tendências que emergiam no meu país de origem. Ler blogs iranianos em Toronto era a experiência mais próxima que eu poderia ter de sentar em um táxi compartilhado em Teerã e escutar as conversas entre um motorista falante e passageiros aleatórios.

Há uma história no Corão sobre a qual pensei muito durante meus primeiros oito meses de confinamento solitário. Nela, um grupo de cristãos perseguidos encontra refúgio em uma caverna. Junto de um cão que os acompanhava, entram num sono profundo e acordam com a impressão de que tinham tirado apenas um cochilo. Na verdade, haviam se passado 300 anos. Uma versão da história narra o momento em que um deles sai para comprar comida – é de se esperar que estejam famintos depois de 300 anos – e percebe que sua moeda é obsoleta, que se tornou um item de museu. É assim que descobrem que estiveram ausentes por tanto tempo.

O hyperlink era minha moeda há seis anos. Oriundo da ideia de hipertexto, o hyperlink promoveu a diversidade e a descentralização que faltavam no mundo real. O hyperlink representava o espírito aberto e interconectado da world wide web – uma visão que teve início com seu inventor, Tim Berners-Lee. Era um modo de abandonar a centralização – os links, linhas e hierarquias – e substituí-la por algo mais distribuído, um sistema de nós e redes.

Os blogs deram forma a esse espírito de descentralização: eles eram janelas para vidas das quais pouco sabíamos, pontes que conectavam diferentes existências umas às outras e, portanto, as transformavam. Blogs eram cafés nos quais as pessoas trocavam ideias diversas sobre qualquer assunto possível. Eram uma versão agigantada dos táxis compartilhados de Teerã. No entanto, desde que saí da prisão, percebi o quanto o hyperlink fora desvalorizado, se tornando quase obsoleto.

Quase todas as redes sociais tratam os links como qualquer outro objeto – como uma foto ou um texto –, ao invés de enxergá-los como uma forma de enriquecer o texto em que se encontram. Somos estimulados a postar apenas um hyperlink e expô-lo a um processo que consiste em receber “curtidas”, sinais de adição ou coraçõezinhos, e é bem comum que não seja sequer permitido adicionar muitos links a um único texto. Os hyperlinks foram objetivados, isolados e despidos de seu poder.

Ao mesmo tempo, essas mesmas redes sociais tendem a tratar textos e imagens nativos, ou seja, diretamente publicados em suas plataformas, com muito mais respeito do que aqueles hospedados em páginas externas. Um amigo fotógrafo me explicou que suas imagens publicadas diretamente no Facebook recebem um grande número de “curtidas”, o que significa que elas aparecem mais para outros usuários. Por outro lado, quando posta um link para uma mesma imagem hospedada fora do Facebook – em seu enferrujadoblog, por exemplo – ela é muito menos visível no Facebook e recebe um número muito menor de “curtidas”. O ciclo reforça a si mesmo.

Algumas redes, como o Twitter, por exemplo, tratam os hyperlinks de maneira um pouco melhor. Outras são muito mais paranoicas. O Instagram, propriedade do Facebook, não permite que sua audiência saia do aplicativo. Você pode até colocar um endereço na descrição de suas fotos, mas aquele link não o levará a lugar algum. Muitas pessoas começam sua rotina diária online nessas redes sociais sem saída, e suas jornadas também terminam ali. Muitos nem percebem que estão usando a infraestrutura da internet quando curtem uma foto no Instagram ou deixam um comentário no vídeo de um amigo no Facebook. É só um aplicativo.

Mas os hyperlinks não são apenas o esqueleto da internet: são seus olhos, um caminho até sua alma. Uma página web cega, ou semhyperlinks, não pode olhar para outras páginas – e isso tem consequências sérias nas dinâmicas de poder na web. Muitos teóricos pensam a relação entre olhar e poder, e a maioria em um sentido negativo: o observador desnuda o observado e o transforma em um objeto sem poder, destituído de inteligência ou ação. Mas no mundo das páginas web, o olhar funciona de um modo diferente: ele traz empoderamento. Quando um site poderoso, como o Google ou o Facebook, lança seu olhar ou cria um link para outras páginas, ele não só se conecta a elas, mas confere existência a elas. Metaforicamente, sem esse olhar empoderador, sua página não respira. 

Não importa quantos links você tenha colocado numa página: até que alguém olhe para ela, ela está morta e cega e, portanto, incapaz de transferir poder a outras páginas web. Por outro lado, as páginas mais poderosas são aquelas que têm muitos olhos sobre elas. Como celebridades – que estabelecem um tipo de poder graças aos milhares de olhos humanos que as observam o tempo todo –, páginas web podem capturar e distribuir seu poder a partir de hyperlinks.

No entanto, aplicativos como Instagram são cegos, ou quase cegos. Seu olhar não leva a lugar nenhum, exceto para dentro de si mesmos, relutante em transferir seus vastos poderes a outros. A consequência disso é que as páginas web fora das redes sociais estão morrendo.

Antes mesmo da minha prisão, os poderes do hyperlink já estavam sendo constrangidos. Seu maior inimigo era uma filosofia que combinava dois dos mais dominantes e superestimados valores de nossos tempos: novidade e popularidade, refletidos na dominação, no mundo real, das celebridades jovens. Essa filosofia é o Stream. O Stream domina a maneira por meio da qual as pessoas recebem informação na web. Poucos usuários checam diretamente as páginas na internet; em vez disso, são alimentados por um fluxo infinito de informações que são selecionadas e exibidas por algoritmos complexos – e secretos.

O Stream significa que você não precisa mais abrir tantos sites e abas. Você não precisa sequer de um navegador. Você abre o Twitter ou o Facebook em seu celular e ali mergulha profundamente. A montanha chega até você – os algoritmos já escolheram tudo para você. De acordo com o que você ou seus amigos já leram ou viram, eles preveem aquilo que você poderia gostar de ver. É bom sentir que não estamos gastando tempo procurando coisas interessantes na internet. Mas o que estamos perdendo com isso? O que estamos trocando por essa eficiência toda?

Em muitos aplicativos, os juízos que lançamos – as “curtidas”, os “mais”, as estrelas, os corações – estão mais ligados a ícones fofos, fotos de perfil bonitas e ao status de gente famosa do que à substância daquilo que foi publicado. Um parágrafo brilhante de uma pessoa ordinária pode ser deixado de fora do Stream, enquanto qualquer texto bobo de uma pessoa famosa ganha presença virtual instantânea.

Os algoritmos por trás do Stream não só equiparam novidade e popularidade à importância; eles também tendem a nos mostrar mais daquilo que já curtimos. Esses serviços leem cuidadosamente nosso comportamento e desenham nosso feed de notícias com os posts, fotos e vídeos que acham que gostaríamos de ver.

A popularidade não é algo ruim em si, mas tem seus efeitos colaterais. Em uma economia de livre mercado, produtos de baixa qualidade com os preços errados estão supostamente fadados ao fracasso. Ninguém se sente triste quando um café que serve bebidas ruins e tem garçons mal-humorados vai à falência. Mas opiniões não são como produtos e serviços materiais. Elas não somem se forem ruins. Na verdade, a história vem provando que a maior parte das grandes ideias (muitas delas, más ideias) não foi popular por muito tempo e seu status marginal só serviu para fortalecê-las. Pontos de vista minoritários são radicalizados quando não podem ser expressos e reconhecidos.

Hoje, o Stream é a forma dominante de organização da informação nas mídias digitais. Ele está em toda rede social e aplicativo de celular. Desde que ganhei liberdade, vejo o Stream em todos os lugares. Imagino que não vai demorar até que vejamos novos sitesorganizando seu conteúdo inteiro com base nos mesmos princípios. A predominância do Stream hoje não só prejudica a qualidade de um bom pedaço da internet, como também contraria a diversidade que a word wide web visionou originalmente.

Não tenho dúvidas de que a diversidade de temas e opiniões na internet é menor hoje do que no passado. Ideias novas, diferentes e desafiadoras são suprimidas pelas redes sociais porque suas estratégias de ranking priorizam o popular e a mesmice – não é à toa que a Apple está contratando editores humanos para seu aplicativo de notícias. Mas a diversidade está também sendo reduzida de outras formas, por outras razões.

Uma delas é visual. Sim, é verdade que meus posts no Twitter e no Facebook se parecem com um blog pessoal: são coletados numa ordem cronológica reversa, em uma página específica, com um endereço web direto para cada publicação. Mas eu tenho muito pouco controle sobre sua aparência e não posso personalizar nada. Minha página deve seguir a aparência uniforme que os designers daquela rede social escolheram para mim.

A centralização da informação também me preocupa, porque acaba fazendo as coisas desaparecerem. Depois que fui preso, meu serviço de hospedagem online fechou a minha conta, porque eu não conseguia mais pagar sua taxa mensal. Pelo menos eu tinha obackup de todos os meus posts no banco de dados do servidor (a maioria das plataformas de blog costumava permitir que você transferisse seus posts e arquivos para seu próprio espaço web, o que já não é mais permitido por muitas plataformas). Mas o que acontece se a minha conta no Facebook ou no Twitter for deletada por alguma razão? É possível que esses serviços ainda demorem a morrer, mas não é muito difícil imaginar serviços americanos fechando, um dia, as contas de qualquer cidadão do Irã, por exemplo, como resultado de um regime de sanções. Se isso acontecesse, pode até ser que eu conseguisse baixar meus posts de alguma dessas plataformas. Mas e o endereço único para meu perfil na rede social? Será que eu poderia tê-lo de volta?

Entretanto, o resultado mais sério da centralização da informação nos tempos de mídia social é ainda outro: estamos nos tornando muito menos poderosos em relação a governos e corporações. A vigilância nos vai sendo imposta cada vez mais e parece que a única maneira de ficar longe desse vasto aparato é ir para uma caverna e dormir. Ser observado é algo a que teremos que nos acostumar em algum momento e, infelizmente, não tem nada a ver com o país em que residimos. Ironicamente, os Estados que cooperam com o Facebook e o Twitter sabem muito mais sobre seus cidadãos do que aqueles, como o Irã, em que o governo controla a internet, mas não tem acesso legal às empresas de mídias sociais.

O que é ainda mais assustador do que ser vigiado, no entanto, é ser controlado. Quando o Facebook nos conhece melhor do que nossos pais com apenas 150 curtidas, e melhor que nossos parceiros com 300 curtidas, o mundo se torna muito previsível, tanto para os governos quanto para os negócios. E essa previsibilidade significa controle.

A sociedade parece cada vez mais obcecada por novas tendências. Utilidade e qualidade, usualmente, vêm em segundo lugar. No começo dos anos 2000, escrever blogs fazia de uma pessoa alguém descolado. Então, por volta de 2008, surgiu o Facebook. Depois veio o Twitter. Desde 2014, a moda é o Instagram, e ninguém sabe o que virá a seguir. Mas talvez as minhas preocupações estejam mal endereçadas. Talvez eu esteja preocupado com a coisa errada. Talvez a questão não seja exatamente a morte do hyperlink ou a centralização.

Talvez o texto em si esteja desaparecendo. Afinal de contas, os primeiros visitantes da web passavam seu tempo lendo revistas online. Depois vieram os blogs, e depois o Facebook e o Twitter. Agora é com os vídeos do Facebook, o Instagram e o SnapChat que as pessoas gastam seu tempo. Temos cada vez menos textos disponíveis para leitura nas redes sociais e mais e mais vídeos para assistir e imagens para olhar. Será que estamos presenciando o declínio da leitura na internet em nome do assistir e do escutar?

Será que essa tendência resulta de mudanças de hábitos das pessoas, ou será que as pessoas estão simplesmente seguindo novas regras impostas pelas redes sociais? Eu não sei e deixo para os pesquisadores essas questões, mas me parece que estamos revivendo velhas guerras culturais. Afinal, a web começou imitando livros e, por muitos anos, foi extremamente dominada por textos e hipertextos. Os mecanismos de busca colocaram um grande valor nesses objetos e empresas inteiras foram construídas a partir disso. Mas à medida que o número de scanners, fotos digitais e câmeras de vídeo crescem exponencialmente, isso parece estar mudando. As ferramentas de busca estão começando a incorporar algoritmos avançados de reconhecimento de imagem; e dinheiro de propaganda está flutuando por lá.

O Stream, os aplicativos de celular e as imagens em movimento, todos eles apontam para uma mudança fundamental: de uma internet-livro para uma internet-televisão. 

Aparentemente saímos de um modo não linear de comunicação – nós, redes e links – para uma situação linear, com centralizações e hierarquias. Quando foi inventada, a web não foi vislumbrada como uma forma de televisão. Mas, querendo ou não, está rapidamente imitando a TV: linear, passiva, programada e ensimesmada.

Assim que entro no Facebook, começa minha televisão pessoal. Tudo que tenho para fazer é rolar a página para baixo e ver as novas fotos de perfil dos amigos, pequenos trechos de opinião, links para novos textos com legendas curtas, publicidade e, obviamente, vídeos que tocam automaticamente. Às vezes, curto ou compartilho alguma coisa, leio os comentários das pessoas, ou abro algum artigo. Mas continuo dentro do Facebook, e ele continua a me mostrar aquilo que sabe que eu posso gostar. Essa não era a web que eu conhecia quando fui para a prisão. Esse não é o futuro da web, isso é televisão.

Às vezes penso que estou me tornando muito ranzinza com a idade e que talvez essa seja mesmo a evolução natural da tecnologia. Mas não dá para ignorar o que está acontecendo: a perda da diversidade intelectual e tecnológica, e do grande potencial que poderiam ter em tempos tão turbulentos. No passado, a internet era poderosa e séria o suficiente para me levar à cadeia. Hoje, ela não passa de uma ferramenta de entretenimento. Tanto é que o Irã nem considera algumas plataformas, como o Instagram, sérias o suficiente para que sejam alvo de bloqueio.

Sinto falta do tempo em que as pessoas buscavam opiniões diferentes e se preocupavam em ler mais de um parágrafo ou 140 caracteres. Sinto falta dos dias em que eu podia escrever alguma coisa no meu blog pessoal e publicar no meu domínio sem ter que gastar o dobro do tempo promovendo o texto em várias redes sociais; quando ninguém ligava para “curtidas” ou compartilhamentos.

Essa é a internet da qual eu me lembro antes da prisão. Essa é a internet que nós temos que salvar.

*Escritor, blogueiro e ativista da internet iraniano-canadense. Foi libertado da prisão de Evin, no Irã, depois de seis anos, em novembro de 2014.

sábado, 13 de dezembro de 2014

TI Maró: Indígenas protestam contra sentença e ação missionária

Foto de Rayanna Castro

Decisão que considerou indígenas “falsos” é alvo de protestos na Amazônia que visam, também, denunciar atuação de antropólogo missionário

Por Felipe Milanez*

A sentença de um juiz federal em Santarém que disse que indígenas do baixo rio Tapajós eram “falsos” e que a terra indígena em processo de demarcação pela Funai era “inexistente”, tem sido alvo de intensos protestos na cidade. Assim que souberam do conteúdo da decisão de Airton Portela, os povos do Baixo Tapajós e Arapiuns desceram os rios e ocuparam o Fórum. Diversos movimentos sociais da região se uniram aos indígenas, assim como a diocese de Santarém, a Comissão Pastoral da Terra, a Terra de Direitos, entre outras entidades que assinam o manifesto reproduzido ao final deste post.

A Justiça Federal fechou as portas e negou-se a receber os manifestantes, que pularam o muro e acamparam dentro das instalações. Um #Occupy na Justiça Federal. Durante a noite, foi feita uma cerimônia ritual. Ou uma “suposta” cerimônia ritual, como diria o juiz de acordo com os termos que ele utilizou na sentença para se referir aos “supostos indígenas”. Nos cartazes, chamam a Justiça de racista.

Nesse protesto chamou a atenção um cartaz inesperado: dois indígenas portam um cartaz culpando a Mormaii por financiar o “falso antropólogo” Edward Luz . Luz foi contratado pela associação Acutarm, lado oposto aos indígenas no conflito, e elaborou um laudo contra a demarcação da terra indígena. Ele se vangloriou no Twitter por ter produzido os principais argumentos acatados pelo juiz Portela contra os direitos indígenas – mesmo sem ter sido citado na sentença. Os indígenas denunciaram que a Mormaii patrocina uma ação “humanitária” na região em que ONGs ligadas a Luz são beneficiadas, e que isso estaria acirrando ainda mais os conflitos entre as comunidades, e isso repercutiu nas redes sociais.
A missão proselitista e os conflitos internos.

Em seu website, a Mormaii diz que “Só uma marca como a Mormaii com espírito de aventura, arrojada e que vence obstáculos, busca atingir aqueles que precisam de ajuda, mas que dificilmente a receberiam devido às distâncias e barreiras naturais”. Essa “aventura” da Mormaii é o patrocínio do projeto “Águas da Amazônia”, coordenado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o desenvolvimento dos Povos e Comunidades tradicionais (NEP-DPTC) do Centro Universitário de Anápolis, do qual Luz faz parte. Foi Luz quem teria sugerido à Mormaii trabalhar nessa região de conflito através de uma parceria com a missão evangélica Asas do Socorro. Segundo ele, o Baixo Tapajós seria uma “região necessitada”.

Assim que a denúncia dos indígenas começou a circular, Luz apressou-se nas redes sociais a defender a Mormaii e atacar os indígenas que protestavam: “não tem nenhum "indigena" nesta foto, mas mestiços militantes q querem ser reconhecidos como tal.#AquiNãoMermão”. 

Luz costuma ser bastante ofensivo e agressivo nas redes contra quem pensa diferente de sua maneira: “please, não deixem esse militonto @felipedjeguaka denegrir vosso trabalho incrível no PA. Façam esse irresponsável responder”. E também: “sorte sua q eu não tenho os advogados da @mormaiioficial senão já tinha te assado na justiça” – escreveu ele, com a intenção de incitar a Mormaii a me processar judicialmente para intimidar este trabalho jornalístico, o que, além de tudo, ainda ameaça a liberdade de imprensa e de expressão.

Uma grande confusão no burburinho das redes sociais é a razão dessa aliança. Os indígenas especulam que Luz tenha procurado o investimento da Mormaii para agir em meio ao conflito de que ele mesmo é parte como antropólogo que advoga para um lado. Ao menos, a atuação das missões financiadas pela empresa de surf pode ter tido, até que o caso seja mais esclarecido, um impacto na fomentação dos conflitos e atuação racista na área. É o que informam as lideranças do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA), como Dinael Cardoso.

A parceria organizada por Luz que envolve financiamento da Mormaii, a ONG holandesa Terre des Hommes, dona do barco de saúde Abaré, e a missão Asas do Socorro. O contexto da atuação das missões proselitistas na Amazônia, como a Asas do Socorro e da missão do pai de Luz, New Tribes Mission, e a busca por almas para evangelizar, foi objeto de uma longa investigação que publiquei na revista RollingStone.

Aventura na selva
Os anos de 2010 a 2012 foram bastante tensos na região da Gleba Nova Olinda, no alto rio Arapiuns. As comunidades contrárias a exploração madeireira, muitas das quais se identificam como indígenas, haviam queimado duas balsas lotadas de madeira em protesto. Queriam o fim da exploração madeireira predatória na região. E o barco de saúde Abaré, que era utilizado pelo Projeto Saúde e Alegria, que trabalha desde os anos 1980 na região, estava em disputa. Foi nesse contexto que surgiu a expedição idealizada por Luz para uma região “necessitada”. E essa ação de saúde bucal que ele trouxe para a área, de cunho “humanitário”, pode não apenas ter sido o estopim para acirrar conflitos sociais, como para a prática de proselitismo religioso.

Lideranças do CITA, como Dinael Cardoso e João Tapajós, além de outros comunitários entrevistados, disseram que o barco, enquanto funcionou com as missões evangélicas e com a Mormaii, apenas atracava em comunidades evangélicas na Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns, como a Prainha do Maró e a Nova Canaã. Teriam se recusado, inclusive, a atracar em comunidades não evangélicas. Essas ações também teriam sido discriminatórias, atendendo apenas àqueles que não se identificavam como indígenas, o que teria provocado mal estar — de acordo com as lideranças do CITA.

Procurei a Mormaii para ouvir da empresa a sua versão sobre essas denúncias. Liguei diversas vezes, falei com diferentes atendentes, e enviei e-mails solicitando informações. Eu já havia procurado a Mormaii em 2012, quando fui informado, pela primeira vez, pelos indígenas da região, e ouvi dois representantes da empresa que haviam se mostrado “surpresos” e se recusaram a conceder uma entrevista ou enviar um comunicado – apenas divulguei em minha conta pessoal no Twitter a relação da Mormaii com a missão Asas do Socorro.

Desta vez, após a sentença e o protesto dos indígenas, procurei, novamente, a Mormaii, e fui atendido por Sacha Juanuk, gerente comercial, que antes de começar a responder perguntas  pediu o meu endereço pessoal — o que não é usual na relação entre jornalistas e entrevistados— para “enviar informativos”. Em seguida, pediu 48 horas para se pronunciar, e logo depois passou a responder parcialmente as questões, mostrando-se estar surpreso pela situação de conflito no rio Arapiuns e que envolve a ação da empresa.

“Temos hoje todo um release de um material onde deixa muito claro onde a Mormaii participa, chega e o ônus nesse projeto”, afirmou Juanuk. Pedi para ele enviar o material por e-mail para apresentar nesse texto, o que foi recusado. Algumas informações do projeto podem ser acessadas no website da Mormaii, como na página http://www.mormaii.com.br/sem-categoria/2012/05/projeto-social-aguas-da-amazonia-em-nova-missao/

Juanuk disse que não sabia que a área de atuação do projeto social era uma área de conflito na Amazônia. “Nossa filosofia de trabalho é levar qualidade de vida e elevar o nível de consciência dos evolvidos”, disse. E disse duvidar “que a Mormaii tenha envolvimento que possa afetar qualquer ser humano. A Mormaii, pela instituição, pela dimensão, afeta o meio ambiente. Mas não é isso, a nossa atividade principal é outra. A Mormaii não tem conhecimento de que essa é uma área de conflito”, insistiu Sacha Juanuk, não antes sem tecer para mim elogios do “seu bom trabalho de jornalista” através do qual, segundo ele, teria ficado sabendo do protesto dos indígenas. Juanuk afirmou que iria buscar mais informações internamente para responder as questões que fiz, porém ele não atendeu mais as ligações.

A Missão
A Asas do Socorro, parceira da empresa de surf, já foi expulsa da Venezuela e do Suriname, entre outros países, acusada de praticar proselitismo religioso. No Brasil, o proselitismo entre povos indígenas também é proibido — e as agencias missionárias desse cunho foram expulsas, em 1991, de todas as terras indígenas, durante a gestão do sertanista Sydney Possuelo como presidente da Funai. Um dos fatos que levaram à decisão da Funai foi justamente a atuação da missão evangélica presidida pelo pai de Edward Mantonelli Luz (o antropólogo contratado pela Acutarm), que se chama Edward Gomes Luz e é o presidente da New Tribes Mission no Brasil (NTMB), junto dos Zo’é, indígenas que vivem na Calha Norte do Pará e cujo acesso aéreo se dá a partir de Santarém.

A sede da New Tribes no Brasil fica na cidade de Anápolis (GO), onde também se localiza a Unievangélica, o  NEP-DPTC  — de Luz filho — e a Asas do Socorro. O contexto dessas organizações missionárias, que integram o guarda chuva da Associação das Missões Transculturais Brasileiras (AMTB) cujas ações são descritas pela Procuradoria Geral da Republica da 6ª Câmara e pela Funai como proselitista, está na reportagem O Mercado de Almas Selvagens.

A expulsão da família Luz e a NMTB dos Zo’é foi um duro golpe na vida dos missionários, que nunca desistiram de tentar retornar para a área. Luz filho nunca esqueceu desse trauma, como me disse pelo twitter: “eu morei em STM (Santarém) minha infância e adolescência? Conheço a carência da região faz muito tempo e quero ajudar!”

A Funai tem denunciado as investidas da missão New Tribes para tentar retornar para a área indígena e recomeçar o proselitismo entre os Zo’é, como em um programa de Luciano Huck na TV Globo. Os Zo'é são considerados um povo “de recente contato” pela Funai. Uma base forte em Santarém poderia ser uma estratégia geopolítica de atuação. É possível, dessa maneira, que trama politica e econômica em torno da região da Gleba Nova Olinda, no rio Arapiuns, envolva além de problemas de identificação indígena, exploração madeireira, e a sentença do juiz Portela, mas inclusive relação com a expulsão da New Tribes Mission dos Zo’é, em 1991.

Outro fato relacionado a este conflito é que, em 1991, o Projeto Saúde e Alegria havia feito uma parceria com a Funai para cuidar da saúde dos Zo’é após a expulsão da New Tribes. A situação era de emergência em razão da intensa mortandade e alta contaminação por gripe e malária que estava dizimando os índios. A missão New Tribes chegou inclusive a ser acusada de genocídio, e o descaso com a saúde dos indígenas era a principal acusação formal da Funai.

Vinte anos mais tarde, nas expedições realizadas pelo rio Arapiuns e que podem ter fomentado ainda mais o rivalidade entre as comunidades, foi utilizado o mesmo barco que o PSA sempre utilizou, o Abaré, um barco bastante conhecido na região. Porém, dessa vez, nas mãos do projeto Águas da Amazônia da parceria da Mormaii, Asas do Socorro e NEP-DPCT. Ao contrário de seus usos anteriores, no Abaré, durante essas expedições, novamente de acordo com as lideranças do CITA, a saúde teria sido promovida seletivamente, apenas para pessoas  de uma certa categoria étnica, ou seja, que não se identificavam como indígenas.

A sentença de Portela, que segue o argumento de Luz, pode ter colocado mais gasolina nessa disputa que aparentemente vai além de terra e de madeira – mas também de almas. Dada Borari, uma das principais lideranças indígenas da região, é ameaçado de morte e tem sido vítima constante de difamação, seja pelo trabalho do antropólogo contratado por seus inimigos, seja até pela já citada matéria da revista Veja que expunha Dadá, ou mesmo agora, por um juiz federal. Há um temor na região de que a sentença venha a desencadear mais violência física nesse conflito e resultar em mortes.

Antes de terminar este texto liguei novamente para a Mormaii, na tarde da quinta-feira 11 de dezembro, para ouvir a versão da empresa sobre essa acusação de lideranças do CITA de que o projeto Águas da Amazônia teria discriminado as pessoas indígenas, mas Juanuk limitou-se a dizer que a “Mormaii vai publicar um comunicado no site” e desligou o telefone.

Abaixo, uma carta dos movimentos sociais de Santarém

CARTA CIRCULAR DOS POVOS IN DÍGENAS DO BAIXO TAPAJÓS

Nós, povos indígenas de diversas etnias como: Arapiun, Arara-vermelha, Apiaká, Borari, Cumaruara, Jaraky, Maytapú, Munduruku, Munduruku-cara-preta, Tapajó, Tapuia, Tupinambá e Tupaiú, localizados na Região do Baixo Tapajós, dos Municípios de Santarém, Belterra e Aveiro, no Oeste do Pará, além de contarmos com o apoio de etnias de outras Regiões,  COMUNICAMOS à sociedade em geral que, desde hoje (09/12/2014) estamos OCUPANDO o prédio da JUSTIÇA FEDERAL, localizada no Município de Santarem, por prazo indeterminado, como uma forma de protestar contra SENTENÇA JUDICIAL proferida pelo juiz da 2ª VARA FEDERAL, o senhor José Airton Portela, que declara “a inexistência da terra indígena Maró”,localizada na chamada Gleba Nova Olinda. O juiz declara em 106 laudas que os indígenas da T.I Maró seriam uma farsa.

Por conta dessa sentença judicial discriminatória, nós, povos indígenas acima mencionados, REAFIRMAMOS nossas identidades indígenas, não aceitamos no decorrer da História e não aceitaremos jamais a violência do branco colonizador, a recusa de nossas crenças, de nossa cultura e de nossos valores. Sabemos que as leis de forma geral não nos favorecem, porém não há lei que possa nos exterminar. Temos clareza que a política implementada pelos governos é anti-indigena e anti-ambiental.

Existimos sim, e sobreviveremos a mais um ataque preconceituoso e racista da elite branca santarena, da imprensa vendida, dos setores do agronegócio, e de políticos ruralistas. Resistimos a todas as adversidades no curso de nossa História com muita luta e dessa vez não será diferente.

Estamos com apoio de vários movimentos e entidades, na certeza que essa batalha será de longa duração. Por fim, tal sentença esta sintonizada com a escalada de violência na qual o nosso povo é submetido por todo o Brasil, assim queremos responsabilizar o Juiz  Airton Portela por toda e qualquer violência cometida contra os nossos direitos, territórios e principalmente contra as nossas vidas.

Santarém, 09 de dezembro de 2014.

Conselho Indígena Tapajós Arapiuns – CITA
Conselho Indígena Intercomunitário Arapiun/Borari
Grupo Consciência Indígena
Comissão Pastoral da Terra – Santarém
Terra de Direitos
Diretório Central dos Estudantes – UFOPA
União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém – UES
Coletivo Juntos
Coletivo Feminista Rosas de Liberdade
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadores Rurais de Santarém

sábado, 15 de novembro de 2014

No twitter...

O sociólogo petista Emir Sader reclama das prisões pela Polícia Federal dos donos, executivos e diretores das maiores empreiteiras do país (Camargo Correia, Iesa Óleo e Gás, UTC, Queiroz Galvão, Odebrecht, Mendes Júnior, OAS, Engevix) por denúncias de corrupção na Petrobras.


Print: Carlos Eduardo Daniel

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Agricultura: Kátia Abreu é cotada para ser ministra da Dilma

A senadora Kátia Abreu e a presidente Dilma durante encontro de cúpula Brasil-União Européia, que aconteceu em Bruxelas,em fevereiro desse ano. O evento foi organizado pela senadora. Foto: Blog do Luiz Armando Costa
Só se fala disso em Brasília: da reforma ministerial. Com a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no domingo, o segundo mandato começa com as especulações em torno do nomes que ocuparão os 39 ministérios. Um dos nomes cotados é o da senadora Kátia Abreu (PMDB), que pode assumir a pasta do Ministério da Agricultura, de acordo com o jornal O Globo. A senadora é líder dos ruralistas e também presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Não é a primeira vez que o nome da senadora entra na lista de ministériáveis. Em 2012, em plena luta para destravar a Medida Provisória do Código Florestal, Kátia Abreu surgiu como nome provável na barganha para aprovar a lei no Congresso. Porém, a nomeação não aconteceu.
Mesmo assim, a lealdade de Kátia Abreu à presidente Dilma Rousseff se manteve. Esse ano, a senadora se engajou pessoalmente na campanha de reeleição da Dilma e elas apareceram juntas na propaganda eleitoral de Dilma na TV. O apoio político foi recíproco: Dilma também apoiou a senadora e chegou a gravar um vídeo pedindo votos para ela. Kátia Abreu conseguiu ser reeleita, com 41.64% dos votos válidos (282.052 votos).
Em episódio recente, ela respondeu à provocação de Rodrigo Constantino, colunista da Veja, que a questionou por votar na Dilma.
“Votei e voto de novo na Dilma. Não sou hipócrita nem ingrata. Afirma, numa sequência de tuites. “Sr Rodrigo Constantino xiita de extrema direita. Patrulheiro arrogante e reacionário. Não lhe devo satisfação pois não lhe devo nada”, respondeu.
A aproximação de Kátia e Dilma aconteceu há pelo menos 4 anos. Porém, foi durante a divulgação do Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013, em junho de 2012, que as duas apareceram trocando elogios em público. Em um discurso de 16 minutos, a senadora elogiou a Presidente Dilma e a Ministra Izabella Teixeira por permitirem costurar uma lei, o Código Florestal, que tirou os produtores rurais da ilegalidade. “Viu o discurso dela de ministra?”, comentou um membro do gabinete de Dilma, na ocasião, cuja frase foi registrada pelo jornal Folha de S. Paulo.
Fonte: O ((eco))

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

PT faz campanha “Vai ter Copa” enquanto governo tenta cooptar e reprimir movimentos de protesto

Contrapondo-se a hastag #NaoVaiTerCopa e ao protesto marcado para o próximo dia 25 de janeiro puxado por vários ativistas pelas principais redes sociais, petistas criaram na semana passada a campanha #VaiTerCopa. 

A página do PT no Facebook publicou no último dia 12 a mensagem: "Tá combinado. Uma boa semana para todos que torcem pelo Brasil. #VaiTerCopa". Já na página oficial da presidente Dilma Rousseff, que é administrada pelo partido, a mensagem afirmava: "LÍQUIDO E CERTO. Uma boa semana para todos que torcem pelo Brasil. #VaiTerCopa." .



Alguns governistas, mais empolgados, já criaram até a Campanha “Vai ter Copa, não vai ter é segundo turno”, mostrando que a preocupação com possíveis protestos se dá não só pela Copa do Mundo, mas principalmente por 2014 ser também ano eleitoral.

Além da estratégia virtual nas redes sociais, a presidente Dilma Rousseff publicou no Diário Oficial da União de 10 de janeiro um decreto que destinou dois novos funcionários para a Secretaria-Geral da Presidência para promover "diálogo com os movimentos e segmentos sociais por ocasião da Copa do Mundo Fifa 2014". Já uma Portaria Normativa do Ministério da Defesa de 19 de dezembro de 2013 aprovou o documento “Garantia da Lei e da Ordem”, documento que detalha o “planejamento e o emprego das Forças Armadas” contra movimentos sociais.

“(...) deve ser previsto o emprego das FA de forma independente dos Órgãos Públicos destinados à segurança pública, quando o esgotamento deles decorrer de movimentos contestatórios”, afirma trecho do documento aprovado pelo ministro Celso Amorim.

Em certo trecho, são citados “movimento e organizações” como “forças oponentes”, passíveis de “atenção e acompanhamento”.

Entre as “ações a serem enfrentadas” pelas forças armadas estão “bloqueio de vias públicas de circulação”, “distúrbios urbanos”, “invasão de propriedades e instalações rurais ou urbanas, públicas ou privadas”, “paralisação de atividades produtivas”; paralisação de serviços críticos ou essenciais à população ou a setores produtivos do País” e “sabotagem nos locais de grandes eventos”.

Veja o documento na íntegra AQUI.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

No twitter...


Convidada por um personagem fictício (fake) do Incra no twitter, a senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB-TO) aceitou que seu nome vá para um projeto de assentamento de Reforma Agrária a ser criado por um dos 100 decretos anunciados pela presidente Dilma Rousseff na semana passada. A senadora condicionou, para aceitar o convite, a inexistência de impedimentos legais.

Após a repercussão e piadas nas redes sociais, a senadora apagou a resposta de sua conta.

sábado, 20 de julho de 2013

Deputado relator do PLP227 afirma que críticas ao projeto são “abobrinhas”


O deputado federal Moreira Mendes (PSD-RO), relator do Projeto de Lei Complementar 227/2012 na Comissão de Agricultura da Câmara, subiu à tribuna no último dia 17 de julho para criticar aqueles a quem denominou de “agourentos de plantão”. Mendes afirmou que recebera críticas por meio de redes sociais contra o projeto.

Na tarde da última terça-feira (16 de julho), um tuitaço com o assunto #GolpePLP227Não chegou ao segundo lugar entre os assuntos mais comentados na rede social em todo o mundo. O deputado, que participa do twitter com o perfil @moreiramendes55, foi extremamente criticado por defender o projeto que ameaça os direitos territoriais dos indígenas. 

Saiba mais sobre o PLP 227/2012 AQUI.

Em seu discurso, Mendes atribuiu à manifestação à pessoas que desconhecem o assunto e a “agourentos de plantão”. “Os comentários feitos nas redes sociais estão completamente desprovidos de conteúdo. Esses ongueiros, essa quadrilha de antropólogos, como já foram denunciados inúmeras vezes por aí, não têm interesse nenhum em regularizar a terra indígena. Querem, na verdade, usar o índio como massa de manobra para os seus interesses escusos”, disse o deputado que afirmou ainda que as críticas não passam de “abobrinhas”.

Além do pronunciamento em plenário, a assessoria de imprensa do deputado produziu uma matéria na página do parlamentar repercutindo o assunto.

“Nós da bancada ruralista defendemos sim as comunidades indígenas. Os conflitos estão sendo gerados por conta dessa irracionalidade de algumas pessoas da Funai, que é permeada por esse ranço ideológico, vencido e ultrapassado que não existe mais”, disse o deputado em fala destacada pela matéria.

Trabalho degradante
Além de repercutir o tuitaço contra o PLP 227, Mendes criticou o artigo do professor Vladimir Safatle, publicado no jornal Folha de São Paulo, edição de 16/07, no qual aponta a revolta de operários da usina hidrelétrica de Jirau ocorrida em 2011 como um ensaio geral para as manifestações de junho que tomaram conta do país. No artigo, o professor da USP aponta as “condições degradantes de trabalho” como causa daquela revolta.


Mas, segundo o parlamentar, trata-se de um exemplo inadequado e inaceitável.

“Quero lembrar que duas das três maiores obras em construção no País estão em Rondônia: hidrelétricas de Santo Antônio e de Jirau. Perdoe-me o Sr. Vladimir, mas o senhor não conhece a realidade. Lá não há e nunca houve nada de trabalho degradante, ao contrário, os trabalhadores dessas duas grandes obras seguramente são os mais bem pagos do setor no País, e os que têm as melhores condições de trabalho, a ponto de terem, todos eles, dormitório até com ar-condicionado”, afirmou o deputado.

Folha corrida
Em 13 de dezembro de 2012, o deputado Moreira Mendes foi condenado por improbidade administrativa por desvio de recursos do Poder Legislativo Estadual.

Para o Tribunal de Justiça de Rondônia, a ausência de observância de procedimentos legais na contratação e as ilegalidades cometidas no fornecimento de passagens aéreas (cancelamento de passagens pagas e reembolso ao titular do bilhete; venda de bilhetes em duplicidade; divergência de valores na emissão do bilhetes e das faturas; cobrança de passagens sem emissão de bilhetes) são atos suficientes para configurarem atos de improbidade na forma prevista na Lei n. 8.429/92.

terça-feira, 16 de julho de 2013

PLP 227: Henrique Alves desiste de urgência

Twitter
Márcio Santilli*

Em vista de forte repercussão negativa, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), retirou da pauta da sessão de hoje a apreciação do requerimento de urgência para votar o projeto de lei complementar 227/2012, que permite legalizar latifúndios, assentamentos rurais, cidades, estradas, hidrelétricas e projetos de mineração em terras indígenas (saiba mais). Ao mesmo tempo, criou uma comissão especial para dar parecer ao projeto. Líderes dos partidos deverão indicar os seus representantes na nova comissão, que deverá funcionar a partir do início de agosto.

O recuo de Alves é uma importante vitória da indignação imediata da opinião pública, num momento em que os políticos estão temerosos diante do clima de descontentamento e das manifestações públicas que sacudiram o país. Esse recuo permitirá que os índios, distantes dos centros de decisão, possam se articular para enfrentar a dura batalha que virá em agosto.
Um das imagens que circulou pelo Facebook.

A criação da comissão indica que Alves não desistiu de prejudicar os direitos dos índios, apenas reviu o método. Comissão especial foi o mesmo instrumento utilizado pelos ruralistas para detonar o Código Florestal e, mais recentemente, para autorizar a abertura de estrada cortando o Parque Nacional do Iguaçu (PR). O expediente evita a passagem do projeto por comissões especializadas, como a de Meio Ambiente ou de Minorias, que poderiam rejeitar o projeto.


Fonte: ISA (figura não estão incluídas na matéria original)

Tuitaço hoje as 15h: #GolpePLP227Não

segunda-feira, 17 de junho de 2013

No twitter...

Os assuntos mais comentados no twitter nos últimos dias refletem a onda de protestos que tomam às ruas contra o aumento de tarifas nos transportes, contra os gastos da Copa e por liberdade de manifestação:

Sexta, 14 de junho: Repercussão da repressão da Polícia Militar de São Paulo contra ato na Avenida Paulista:


Sábado, 15 de junho: Vaias à presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa das Confederações e protesto na entrada do estádio Mané Garrincha



Domingo, 16 de junho: Protesto no Rio de Janeiro no entorno do Maracanã



Segunda, 17 de junho: Protesto em Belo Horizonte onde manifestações de rua foram proibidas durante a Copa das Confederações, grane ato em São Paulo e várias outras cidades e críticas a Rede Globo



quinta-feira, 13 de junho de 2013

No twitter...

Em discurso em plenário nesta terça-feira, 11 de junho, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) falou sobre a violência praticada contra indígenas no Brasil: “Matar índios faz parte dos usos e costumes nacionais desde que Cabral aqui aportou. Era de se esperar que, com o passar dos tempos, com a civilização e refinamento de nossas elites fazendeiras, [...] o velho costume de matar índios fosse superado.”

Em resposta, a senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Kátia Abreu, foi ao twitter para dizer que ia enviar o discurso do colega para os "produtores do Paraná". O texto dela e a resposta de Requião se encontram logo abaixo.