quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Brasil: Republiqueta de banana


Por Edilberto Sena*

Alguns anos atrás, quando pequenos países da América Central eram governados por ditadores e sua base econômica era basicamente a produção de banana e ainda mais, nas mãos de empresas norte-americanas, eram depreciativamente apelidados de repúblicas de banana. O Estado brasileiro hoje, por motivos diferentes, está se auto-afirmando republiqueta de banana.

Quem justifica tal apelido ao gigante da América do sul? Os três poderes da República. O executivo, porque se comporta de forma ditatorial em relação à Amazônia e aos projetos do PAC; o legislativo, porque está lotado de parlamentares fichas-sujas, defensores do latifúndio (o novo Código Florestal, um exemplo) e que fazem leis em seu próprio interesse; por fim, o judiciário, com sentenças imorais e inexplicáveis. Um desses exemplos escandalosos acaba de dar o Supremo Tribunal Federal.

O réu contumaz senador, acusado de ficha mais que suja, que já foi algemado pela Polícia Federal, acusado de vários crimes do colarinho branco, que renunciou ao mandato de senador para não ser cassado. Para este caso, os juízes, dez ministros do chamado Supremo Tribunal Federal deram um tratamento muito especial. Por duas vezes os dez supremos juízes empataram seus votos, cinco deles, compreendendo a gravidade dos crimes, votaram pela condenação dele. Os outros cinco, supremamente bem remunerados no cargo mais alto da corte brasileira, votaram pela inocência do réu.

Nesta segunda vez de julgamento deveriam aguardar o voto de desempate de uma nova ministra que deve assumir o cargo próximo ano. Misteriosamente, o presidente do tão supremo e sábio Tribunal Federal utilizou seu poder de minerva, que não quis usar na primeira votação, desta vez votou duas  vezes, inocentando o até hoje réu de peculato e desvio de dinheiro público, fugitivo de mandato anterior para não ser punido por seus colegas.

Eis aí a trágica comédia da nova republiqueta de banana chamada Brasil. O inocente, tornado assim pelos ministros do STF, volta triunfante à sua cadeira no Senado Federal, que ao tempo dos romanos era lugar para pessoas de alta moral no império. Certamente hoje, o novo senador está rindo de todos os eleitores da ficha limpa, agora enlameada. Quem poderá lavar tanta lama?

*Padre diocesano e Coordenador da Rádio Rural AM de Santarém. Editorial de 15 de dezembro de 2011.
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