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terça-feira, 21 de junho de 2016

Sacrifício de onça exibida em passagem da tocha por Manaus revela drama de espécie ameaçada


A morte de Juma, a onça que participou de uma cerimônia com a tocha olímpica em Manaus na segunda-feira, revela o drama de uma espécie ameaçada de extinção e gera questionamentos sobre a manutenção de animais selvagens em centros do Exército na Amazônia.
A onça Juma foi abatida com um tiro de pistola no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) logo após ser exibida no evento olímpico. Como outra onça, apelidada de Simba, ela havia sido acorrentada e apresentada ao público durante a cerimônia.
O Exército mantém várias onças em cativeiro na Amazônia. Os felinos – bem como animais de outras espécies – costumam ser adotados pelo órgão ao serem encontrados em cativeiro ou em poder de caçadores.
Muitas onças, como Juma, se tornam mascotes dos batalhões e passam por sessões de treinamento. Em Manaus, os felinos são presença frequente em desfiles militares, prática condenada por biólogos e veterinários.
Em 2014, durante gravação de um documentário em Manaus, militares do Cigs mostraram Juma, a mascote do centro, à BBC Brasil. Na época, explicaram que a onça havia sido resgatada com ferimentos após sua mãe ter sido morta. Foi levada para o centro e ali cresceu sob os cuidados de tratadores.
O destino trágico de Juma chama a atenção para a situação cada mais precária da espécie, listada como ameaçada no Brasil pelo Ibama em 2003.
É um animal que exige extensas áreas preservadas para sobreviver, caçando espécies como capivaras e até jacarés. Ela vem sendo ameaçada pelo desmatamento, não apenas na Amazônia como também no Pantanal e no Cerrado, para abrir espaço para a expansão da atividade agropecuária.
Tiro de pistola
Em nota enviada ao site da agência local de notícias Amazônia Real, o Comando Militar da Amazônia (CMA) diz que, após a solenidade olímpica na segunda, Juma escapou dentro do zoológico do centro do Exército. O órgão afirma que um grupo de veterinários e militares tentou recapturá-la com tranquilizantes, mas que, mesmo atingido, o animal avançou sobre um soldado.
“Como procedimento de segurança, visando a proteger a integridade física do militar e da equipe de tratadores, foi realizado um tiro de pistola no animal, que veio a falecer”, diz o órgão.
Segundo o Amazônia Real, dois militares seguravam a corrente presa a Juma durante todo o evento. O site diz que muitas pessoas tiraram fotos com a onça na cerimônia. Ela teria fugido logo após a exibição, quando militares tentavam colocá-la numa caminhonete.
O Exército diz que abriu um processo administrativo para investigar a morte do felino. Segundo o Amazônia Real, o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) não havia autorizado a participação de Juma no evento e poderá multar a corporação.
Indomesticável
Para João Paulo Castro, biólogo com mestrado em comportamento animal pela Universidade de Brasília, Juma pode ter fugido após se estressar durante o evento.
“Não é saudável nem recomendável submeter um animal a uma situação como essas, com barulho e muitas pessoas em volta”, ele diz à BBC Brasil.
“Muitas vezes a onça já vive numa situação precária e estressante no cativeiro, o que é agravado num cenário de agitação.”
Castro diz que muitos batalhões do Exército na Amazônia mantém onças em cativeiro. Ele afirma ter visitado um centro que mantinha um felino em Cruzeiro do Sul (AC) em condições “bem toscas”.
Segundo Castro, é um erro tratar onças como animais domesticáveis. Ele afirma que são necessárias várias gerações em cativeiro para que uma espécie se acostume a conviver com humanos.
O biólogo diz que, idealmente, onças apreendidas devem ser devolvidas à natureza ou levadas a refúgios, onde possam ficar soltas em amplos espaços.
Segundo ele, a soltura de felinos é um processo complexo, mas há casos bem sucedidos pelo mundo – como o de tigres devolvidos a florestas na Ásia.
Horas antes da morte de Juma, a BBC Brasil pediu ao Exército detalhes sobre a manutenção de animais selvagens em dependências do órgão na Amazônia. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Um veterinário de Manaus que já trabalhou com o Exército e pediu para não ser identificado defendeu o órgão das críticas. Segundo ele, ao cuidar de animais resgatados, a corporação assume uma função que deveria ser de outros órgãos públicos.
Ele diz que os militares são muito cuidadosos com os animais e que a burocracia impede que muitos sejam devolvidos à natureza.
O veterinário afirma ainda que grande parte das onças resgatadas chegam ao órgão ainda filhotes e se tornam dependentes dos cuidadores, o que torna difícil sua soltura.
Fonte: BBC

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Frases


Aqui tem uma bola que eu acho que é um exemplo. É extremamente leve. Eu testei, fiz meia embaixadinha. Acho que a importância da bola é essa. Um símbolo da capacidade que nos distingue. Somos aqueles que têm a capacidade de jogar.

Esta bola é o símbolo da nossa evolução porque nós nos transformamos em homo sapiens ou mulheres sapiens.

(....)

“É um momento histórico. Mais de 2 mil atletas indígenas vão participar. Eu, de fato, não tenho a menor condição de participar de uma corrida da tora. Mas acho que o prefeito de Palmas tem que participar”.

(...)

“Nós estamos comungando a mandioca com o milho. Estou saudando a mandioca. Acho uma das maiores conquistas do Brasil”.

Trechos do discurso improvisado da presidente Dilma Rousseff durante a cerimônia de lançamento do Jogos Mundiais dos Povos Indígenas ocorrido no último dia 23, em Brasília.

O discurso na íntegra pode ser ouvido AQUI.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Projeto de Lei quer punir ''terroristas'' e grevistas na Copa


“É a ditadura transitória da FIFA” diz presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, sobre projeto que corre no Senado

Andrea Dip*

Enquanto as atenções estão voltadas para o projeto de Lei Geral da Copa (2.330/11) que deve ser votado na Câmara na próxima terça-feira (28), os senadores Marcelo Crivella (PRB-RJ), Ana Amélia (PP-RS) e Walter Pinheiro (PTB-BA) correm com outro Projeto de Lei no Senado, conhecido pelos movimentos sociais como “AI-5 da Copa” por, dentre outras coisas, proibir greves durante o período dos jogos e incluir o “terrorismo” no rol de crimes com punições duras e penas altas para quem “provocar terror ou pânico generalizado”.

O PL 728/2011, apresentado no Senado em dezembro de 2011, ainda aguarda voto do relator Álvaro Dias (PSDB-PR) na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado. Se for aprovado, vai criar oito novos tipos penais que não constam do nosso Código Penal como “terrorismo”, “violação de sistema de informática” e “revenda ilegal de ingressos”, determinando penas específicas para eles. Essa lei – transitória – valeria apenas durante os jogos da FIFA.

Na justificativa da proposta, os senadores alegam que a Lei Geral da Copa deixa de fora a tipificação de uma série de delitos, necessária para “garantir a segurança durante os jogos”.

O projeto prevê ainda que quem “cometer crimes contra a integridade da delegação, árbitros, voluntários ou autoridades públicas esportivas com o fim de intimidar ou influenciar o resultado da partida de futebol poderá pegar entre dois e cinco anos de prisão”.

Para quem “violar, bloquear ou dificultar o acesso a páginas da internet, sistema de informática ou banco de dados utilizado pela organização dos eventos” a pena seria de um a quatro anos de prisão, além de multa. E para deixar a aplicação das penas ainda mais eficaz, o projeto prevê a instauração de um “incidente de celeridade processual” (art. 15), um regime de urgência em que a comunicação do delito poderia se dar por mensagem eletrônica ou ligação telefônica e funcionaria também nos finais de semana e feriados.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de São Paulo Martim Sampaio considera o projeto um “atentado contra o Estado Democrático de Direito”. “É um projeto de lei absurdo que quer sobrepor os interesses de mercado à soberania popular. Uma lei para proteger a FIFA e não os cidadãos e que, além de tudo, abre precedentes para injustiças por suas definições vagas”, diz o advogado.

Para Thiago Hoshino, assessor jurídico da organização de direitos humanos Terra de Direitos e integrante do Comitê Popular da Copa de Curitiba, a questão é ainda mais complicada. Ele acredita que a junção de tantos assuntos em um mesmo projeto é uma tentativa de aprovar leis antigas que endurecem principalmente a legislação penal: “É um bloco perigoso que viola garantias básicas da Constituição. E há sempre o risco de estas leis transitórias se tornarem permanentes. A legislação da Copa é, na verdade, um grande laboratório de inovações jurídicas. Depois o que for proveitoso pode permanecer. É mais fácil tornar uma lei transitória permanente do que criar e aprovar uma nova” explica.

Terrorismo
O que chama a atenção logo de cara no projeto de lei é a tipificação de “terrorismo”, que até hoje não existe no nosso código penal. No PL, ele é definido como “o ato de provocar terror ou pânico generalizado mediante ofensa à integridade física ou privação da liberdade de pessoa, por motivo ideológico, religioso, político ou de preconceito racial, étnico ou xenófobo” com pena de no mínimo 15 e no máximo 30 anos de reclusão. Martim Sampaio diz que este é o artigo mais perigoso por não dar definições exatas sobre o termo: “Da maneira como está na lei, qualquer manifestação, passeata, protesto, ato individual ou coletivo pode ser entendido como terrorismo. Isso é um cheque em branco na mão da FIFA e do Estado”.

Documentos revelados pelo WikiLeaks revelaram a pressão americana para que o Brasil criasse uma lei para o “terrorismo”, principalmente para assegurar os megaeventos. No relatório de Lisa Kubiske, conselheira da Embaixada americana em Brasília, enviado para os EUA em 24 de dezembro de 2010, a diplomata mostra-se preocupada com as declarações de Vera Alvarez, chefe da Coordenação-Geral de Intercâmbio e Cooperação Esportiva do Itamaraty porque a brasileira “admite que terroristas podem atacar o Brasil por conta das Olimpíadas, uma declaração pouco comum de um governo que acredita que não haja terrorismo no País”.

Os banqueiros também pressionam o Estado a criar uma lei antiterrorismo há algum tempo. Também em 2010, a falta de uma legislação específica sobre terrorismo foi o principal foco em um congresso sobre lavagem de dinheiro e financiamento de grupos extremistas organizado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em São Paulo. A questão poderia custar ao Brasil a exclusão do Grupo de Ação Financeira Internacional (Gafi), órgão multinacional que atua na prevenção desses crimes.

Greves
O projeto de lei também mira reduzir o direito à greve, prevendo a ampliação dos serviços essenciais à população durante a Copa – como a manutenção de portos e aeroportos, serviços de hotelaria e vigilância – e restringe a legalidade da greve de trabalhadores destes setores, incluindo os que trabalham nas obras da Copa, de três meses antes dos eventos até o fim dos jogos. Se aprovado, os sindicatos que decidirem fazer uma paralisação terão de avisar com 15 dias de antecedência e manter ao menos 70% dos trabalhadores em atividade. O governo ainda estará autorizado a contratar trabalhadores substitutos para manter o atendimento, o que é proibido pela lei 7.283/1989 em vigor no país, que estabelece 72 horas de antecedência para o aviso de greve e não determina um percentual mínimo de empregados em atividade durante as paralisações.

Eli Alves, presidente da Comissão de Direito Trabalhista da OAB-SP, lembra que o direito à greve também é garantido na Constituição Federal e diz que a sensação que fica é a de que “o Brasil está sendo alugado para a FIFA, flexibilizando suas próprias regras para fazer a Copa no país”. Martim Sampaio lembra que as greves foram proibidas durante a ditadura militar: “A gente conquistou este direito com o fim da ditadura, muitas vidas foram perdidas neste processo. Não é possível que agora criemos uma ditadura transitória da FIFA”. E convoca: “O único jeito de não deixar esta lei ser aprovada é por pressão popular. A gente tem bons exemplos de que isso funciona como a da lei da ficha limpa. É preciso conquistar a democracia todos os dias”.

Fonte: Agência Pública via Diário Liberdade

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Privataria petista: BNDES financiará em 80 % privatização dos aeroportos brasileiros


Como se não bastasse a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) exigir a presença de operadores estrangeiros nos consórcios que aspiram participar do leilão de "concessão" dos aeroportos internacionais de Brasília (DF), Campinas (SP) e Guarulhos (SP) – os maiores e mais lucrativos do país -, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou dia 19 de janeiro, que financiará até 80% do investimento total das empresas contempladas pelo martelo privatista.

Marcado para o dia 6 de fevereiro, o leilão entregará ao capital privado – nacional e transnacional – o controle de três terminais que, juntos, respondem por 30% do fluxo de passageiros e 57% da carga movimentada no país.

Com informações do jornal Brasil de Fato.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Dossiê revela violações a direitos a partir dos Megaeventos esportivos no Brasil


O clipe que propagandeia a Copa do Mundo de 2014, que será no Brasil, mostra uma mesa de reuniões de um escritório em Nova York. Um grito de gol ecoa de um lugar longinquo e um americano engravatado diz (em inglês): “Você ouviu isso?”.
O vídeo segue mostrando as nossas belezas naturais como as lindas praias do Rio de Janeiro e as cataratas de Foz de Iguaçu. O locutor termina: “O Brasil está te chamando. Celebre a vida aqui”.
Aqui no Brasil, porém, o clamor das ruas parece mais protesto do que comemoração. Apaixonados por futebol, os torcedores dizem ter sua cidadania ameaçada por acordos de gabinete e seus direitos roubados pelas exigências da FIFA e pelas obras faraônicas que rasgam as cidades.
É o que se lê no dossiê “Mega-eventos e violações de Direitos Humanos no Brasil”, preparado pela Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa e das Olimpíadas, e lançado nesta segunda-feira (12) de forma simultânea pela Pública e em atos de Comitês Populares por todo o país.
O lançamento do documento acontece pouco depois da Articulação lançar um site próprio (http://www.portalpopulardacopa.org) que deve acompanhar a situação dos torcedores na contagem dos dias para a Copa do Mundo.
Tanto o site quanto o relatório foram produzidos conjuntamente por comitês populares, que são agremiações de organizações sociais e pessoas que serão atingidas pelas obras em Belo Horizonte, Brasilia, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
Além de denúncias de violações de direitos, o documento traz um quadro completo de acompanhamento das obras para a Copa do Mundo, incluindo custos previstos, valores licitados e como está o andamento até o momento.
Com informações da Agência Pública

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ato no Rio denuncia remoções causadas em decorrência da Copa de 2014


A manifestação “Você Pensa que a Copa é Nossa?” reuniu mais de 600 pessoas no último sábado (30/07). Com faixas e bandeiras, denunciando as remoções causadas em decorrência das obras para a Copa e Olimpíadas, os manifestantes seguiram em passeata do Largo do Machado até a Marina da Glória, local onde ocorria o sorteio dos grupos das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014.

O ato, organizado pela Frente Nacional de Torcedores em conjunto com a CSP-Conlutas e diversas outras entidades, teve reforço dos professores estaduais do Rio em greve há mais de 50 dias.

As palavras de ordem que embalaram a manifestação se dirigiam contrárias ao governador do Rio, Sérgio Cabral, e ao prefeito da cidade, Eduardo Paes. Os manifestantes denunciavam o esbanjamento do dinheiro público, por parte desses governantes, gasto com empreiteiras para a construção de estádios, enquanto categorias em greve, como os professores do Rio, são submetidas a baixos salários e as péssimas condições de trabalho.

Além disso, o protesto condenou a elitização do evento que é feito “para gringo vê” e não poderá, devido ao alto custo, ser apreciado por grande parte da população brasileira.

Os manifestantes entregaram às autoridades do governo, presentes na solenidade da Copa, uma carta com as reivindicações do movimento que luta por uma copa que seja verdadeiramente do povo!

Fonte: CSP-Conlutas

terça-feira, 26 de abril de 2011

Frases

"Estou particularmente preocupada com o que parece ser um padrão de atuação, de falta de transparência e de consulta, de falta de diálogo, de falta de negociação justa e de participação das comunidades afetadas em processos de desalojamentos executados ou planejados em conexão com a Copa e os Jogos Olímpicos", avaliou a relatora especial da ONU para a Moradia Adequada, Raquel Rolnik, em documento que acusou autoridades brasileiras de praticar desalojamentos e deslocamentos forçados que poderiam constituir violações dos direitos humanos em várias cidades-sede da Copa do Mundo (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Natal e Fortaleza) e do Rio de Janeiro, que receberá as Olimpíadas.

Saiba mais AQUI!

domingo, 14 de novembro de 2010

A morte anunciada de um quilombola maranhense: outros quarenta estão jurados

Por Hertz Dias

Até quando o verde e amarelo vai ser manchado com o vermelho do nosso povo/ até quando o sol vai nascer para poucos e não para todos/ latifundiário pra mim é porco, é corvo/ jagunço... é gente como a gente que atira no seu próprio povo/ desses vermes eu sinto nojo/
(Barraco de Pau, Gíria Vermelha, CD 20 Anos de MST )

Em um de seus programas eleitorais a governadora Roseana Sarney disse que no Maranhão não existiam mais conflitos agrários. No dia 20 de julho, como resultado de um acordo entre o PT e o DEM, é aprovado o Estatuto da Igualdade Racial, completamente esvaziado de conteúdo, especialmente no artigo 31, que trata da garantia de titulação das terras de remanescentes de quilombos. Durante o segundo turno das eleições de 2010 o Movimento Negro Unificado (MNU), uma das mais antigas e importantes entidades do movimento negro brasileiro, lança um manifesto de apoio a Dilma e de exaltação do famigerado Estatuto da Igualdade Racial. Dia 30 de outubro: o quilombola Flaviano Pinto Neto é executado na comunidade de Charco, no município de São Vicente de Ferrer, Maranhão. Diante desses fatos, segue a velha pergunta de Lênin, o que fazer?

Poderíamos começar respondendo a essa pergunta com o apelo feito por Manoel Santana Costa, 35 anos, Delegado Sindical, amigo de Flaviano, e que também está jurado por pistoleiros: “Não adianta só falar, mais importante é fazer algo contra tudo isso” (fala proferida no dia 04 de novembro na Praça Lagoa Amarela, no centro histórico de São Luís).

Flaviano Pinto Neto, 45 anos, pai de 5 filhos, presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado Charco, município de São Vicente Ferrer - MA, foi executado com 7 tiros de pistola calibre 38, disparados contra sua cabeça por um pistoleiro que se evadiu do local em uma moto. A execução ocorreu no momento em que os conflitos na localidade se asseveraram, opondo de um lado 70 famílias que vivem há mais de 60 anos na localidade e de outro, o fazendeiro Gentil Gomes e seus filhos, proprietários de extensas áreas na região da Baixada, responsáveis também por diversos despejos forçados nessa região do Maranhão.

A execução de Flaviano Pinto Neto foi uma morte anunciada. O conflito foi denunciado diversas vezes pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) ao Incra, Iterma, órgãos de segurança pública e de justiça do Estado do Maranhão. Contudo, nada foi feito para impedir a execução brutal de um pai de família que deixa órfãos os filhos e a Terra. Mais de quarenta quilombolas estão marcados para morrer.

Flaviano e todas as demais lideranças quilombolas e camponesas juradas de morte ou as que já desfaleceram em razão desses conflitos são vítimas de uma política racista e pró-latifúndio que na atualidade envolve uma teia quadrilheira tecida na aliança do governo Lula com as oligarquias, o agronegócio e o capital nacional e trans-nacional.

Na questão agrária o governo Lula conseguiu ser mais trágico do que o famigerado governo FHC. Logo em seu primeiro ano de governo, em 2003, Lula prometeu assentar 60 mil famílias, 20 mil a mais do que a média anual do governo FHC. O MST exigiu que 120 mil famílias fossem assentadas, o dobro do que o governo propunha. Lula, com o bonezinho do MST na cabeça, assentou apenas 10 mil. Nesse mesmo período 9.330 famílias camponesas perderam suas terras por força de ordens judiciais. O saldo pífio dessa política foi em torno de apenas 700 famílias assentadas, menos de 1% do que o MST exigiu. Um número simplesmente vergonhoso.

Mais grave ainda foi a aprovação da Medida Provisória 422, transformada em 2008 na Lei nº 11.763,que coloca a última pá de cal do latifúndio sobre a lei constitucional que tratava da questão da reforma agrária. É isso mesmo, no Brasil de Lula não existe mais reforma agrária, e sim regularização fundiária. O tamanho das terras beneficiadas foi ampliado de 100 para 1500 hectares. Tudo isso para transformar grileiros em posseiros ou em sem terra, e essas regularizações estão acontecendo especialmente em regiões onde prevalece o latifúndio. Em suma, quando Lula chamou os usineiros de heróis nacionais, não foi por lapso, mas por uma clara opção de classe.

É no mínimo cômico considerar o governo Lula como se fosse de nossa classe ou de nossa raça. Trata-se de um governo de frente popular, pois atua em favor dos ricos contando com o apoio popular, especialmente por que tem o aval das direções sindicais e populares cooptadas e completamente atreladas ao regime. Na dúvida, as crises econômicas são o melhor termômetro para identificar o caráter de classe desses governos.

Durante a crise de 2008 Lula transferiu bilhões de reais para o latifúndio enquanto cortou quase pela metade o orçamento voltado para a reforma agrária. A conseqüência trágica dessa política foi o desemprego de aproximadamente 360 mil trabalhadores rurais. Nesse governo, assim como nos dois de FHC, a penetração do grande capital no campo se deu sem restrições. Enquanto isso, nos grandes centros urbanos, local para onde migram muitos desses trabalhadores expulsos do campo, o PT adota ou apóia a política da “ditadura das armas” sobre a população pobre e negra. Os morros do Rio de Janeiro seguem ocupados e criminalizados. O maior cabo eleitoral de Dilma naquele estado, o governador Sergio Cabral, disse que útero de mulher do morro, leia-se negra, é “fabrica de bandidos”. Na Bahia, o governador Jacques Wagner do PT caracterizou o MNU como “organização criminosa”, por que estes denunciaram a situação caótica do sistema carcerário daquele estado.

Para a realização da Copa de 2014 e as olimpíadas de 2016, as pessoas pobres que moram em bairros próximos aos estádios onde os jogos serão realizados estão sendo violentamente removidas, a maiorias são afro-descendentes. O braço policial e etnocida do governo Lula se estende para além de nossas fronteiras, suas armas estão também apontadas para as cabeças dos nossos irmãos negros do Haiti, a mando dos Estados Unidos. Lá as empresas do filho do vice-presidente José de Alencar exploram força de trabalho semi-escrava nas conhecidíssimas “maquiladoras”. Definitivamente esse governo não é nosso, seja enquanto classe, seja enquanto raça.

ESGOTAMENTO E DESMORALIZAÇÃO DA POLITICA DOS GABINETES
Para o líder sul-africano, Steve Biko, assassinado pelo regime do aparthaid, a cor da pele tinha deixado de ser o parâmetro para determinar a consciência negra; a ação política era mais confiável, segundo ele. Em razão disso, se dizia favorável a redefinição do conceito de negritude. Temos acordo com Biko, bem como tudo aquilo que disse o camarada Rosenverck Santos dias atrás em seu belíssimo e contundente artigo intitulado DILMA, O GOVERNO LULA E A LUTA DA POPULAÇÃO NEGRA: entre o gabinete e a rua, o que fazer?

De fato o conceito de negritude precisa ser redefinido, algo que aponte para além da identidade epidérmica, algo que não desconsidere a questão de classe. As secretarias raciais dos governos neoliberais, como os de Lula e Roseana Sarney, já demonstraram sua completa ineficácia em atender minimamente as nossas reivindicações históricas. Esses não passaram de gabinetes simbólicos de legitimidade dos ataques desses governos à classe trabalhadora. De conquistas de nossas lutas passaram a ser entraves contra as nossas lutas.

Em seu segundo mandato, o presidente Bill Clinton adotou a mesma tática nos Estados Unidos para calar os movimentos sociais, criando secretárias de negros, latinos e mulheres, ao mesmo tempo em que destruía conquistas históricas desses grupos sociais. No Haiti o duvalierismo (ditaduras sangrentas de “Papa Doc” e “Baby Doc” de 1957 a 1986) se utilizou do essencialismo racial ou “etnicismo caolho” para escamotear problemas de classe ou da dominação imperialista norte-americana, da qual seu governo estava a serviço. Na África do Sul, Steve Biko exigia aos brancos que se diziam solidários à causa dos negros que abandonassem os cargos governamentais e se unissem de fato ao povo em suas lutas.

Sabemos que no Brasil a questão de raça não perdeu de modo algum sua centralidade, e não perderá enquanto o racismo e capitalismo existirem. No entanto, dissociar a questão de raça da de classe não passa de um erro gravíssimo. A raça sem a classe é um conceito completamente oco. E foi com base no esvaziamento desses conceitos que Dilma teve a ousadia de igualar Princesa Izabel a Luiza Maín, em um dos seus programas eleitorais que foi ao ar no dia internacional das mulheres.

Qualquer organização negra que encare uma comparação dessas com naturalidade não terá muita dificuldade em aceitar Lula dizer que os Sarney são políticos honestos, compromissados e preocupados com o bem estar do povo pobre do Maranhão, muito menos para se calar diante dos crimes cometidos pelo governo de Roseana Sarney contra trabalhadores negros no campo e na cidade. O Maranhão já ultrapassou o Estado do Pará em números de conflitos fundiários. Hoje são 196 envolvendo milhares de famílias camponesas e quilombolas. Na região metropolitana de São Luís, a governadora Roseana Sarney e o prefeito João Castelo dão carta branca para que políticos e empresários quadrilheiros do setor imobiliário organizem milícias para expulsar antigos moradores de suas terras visando à construção de empreendimentos luxuosos.

Para nós, a morte de Flaviano é apenas a ponta do iceberg de tudo aquilo que esses governos reservam para nosso povo. Qualquer movimento social tem todo o direito de tomar posições ou adotar as táticas que julgam ser as mais adequadas, no entanto ninguém tem o direito de mentir ou omitir o que esses governos praticam contra a classe trabalhadora. Dezenas de lideranças estão marcadas para morrer no Maranhão, e outras centenas pelo Brasil afora, tudo isso com a conivência de Lula, Dilma, Roseana Sarney e João Castelo. Para nós, em meio a essa guerra de classe e de raça, só dá para escolher uma das trincheiras: a dos gabinetes ou a das ruas.

Nós da Central Sindical Popular CONLUTAS escolhemos as ruas.

* Militante do movimento negro e da CSP-Conlutas.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Frases

"Chicago mandou Oprah (Winfrey, popular apresentadora de TV) e Michelle (Obama, primeira-dama dos Estados Unidos). Já o Brasil enviou 50 strippers e meio quilo de cocaína", disse em entrevista o ator e comediante Robin Williams, sobre os motivos do Rio ter ganho a disputa contra Chicago, Tóquio e Madri para sediar a Olimpíada de 2016.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Olimpíada, e não olimpíadas.

Em tempos de esporte não repita o que a Globo vem chamando de Olimpíadas de Pequim. Como olimpíada é um substantivo coletivo, deve ser pronunciado no singular, significando jogos olímpicos. Assim, diga: Olimpíada de Pequim (ou Beijing , o outro nome da capital chinesa).

O termo olimpíadas deve ser utilizado quando se referir aos vários eventos já ocorridos, numa idéia de conjunto. Exemplo: As últimas olimpíadas foram realizadas em Atenas e Sidnei.