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sábado, 7 de maio de 2016

Dois sem terra são assassinados em Buritis (RO)


Os irmãos Nivaldo Batista Cordeiro e Jesser Batista Cordeiro, membros do Acampamento 10 de Maio, de Alto Paraíso do Oeste, Rondônia, desapareceram no dia 24 de abril. Dois dias depois eles foram encontrados mortos no Rio Candeias.
Depois de ter localizado a moto deles nas proximidades do rio, no Km 25 da Linha C-50, os dois corpos foram encontrados com diversos disparos. O local faz parte do município de Buritis, Rondônia, que forma parte do chamado Vale do Jamari, uma das regiões que desde 2015 concentra o maior número de casos de violência por conflitos em disputas de terras públicas de todo o Brasil.
No dia 28 de abril a Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental (LCP) divulgou Nota em que denuncia o assassinato dos dois irmãos, Nivaldo e Jesser, que, segundo a Liga, eram camponeses do Acampamento 10 de Maio. Nivaldo deixou a esposa e quatro filhos pequenos.
Conforme a Liga dos Camponeses, os irmãos foram covardemente assassinados no dia 24 de abril, e já haviam recebido ameaças de morte do fazendeiro Caubi Moreira Quito. O fazendeiro, que tinha posse da Fazenda Formosa, disputa com o Acampamento 10 de Maio, vinculado à LCP, o controle da área, que é terra pública grilada dentro da Gleba 06 de Julho/São Sebastião. No local, no início deste ano, a Justiça Federal suspendeu uma reintegração de posse contra os acampados (14/03/16) a pedido do Ministério Público Federal (MPF), pois a área ocupada pela fazenda é terra pública que já havia sido desapropriada pelo INCRA para reforma agrária.
Há alguns anos o local é palco de uma acirrada e violenta disputa. Após uma reintegração de posse da Justiça Estadual, sofrida pelos acampados em setembro de 2013, o fazendeiro denunciou ter sido atacado em seu carro. Mais tarde, um peão da fazenda teria sido atingido por disparos e a sede da fazenda, em outubro, foi totalmente destruída.
Em 25 de janeiro de 2015, após os acampados resistirem e conseguirem suspender uma nova reintegração de posse da Justiça Estadual, José Dória dos Santos, antigo integrante do acampamento, foi assassinado com vários disparos. Já em 11 de maio de 2015, duas pessoas mortas foram encontradas nas imediações do acampamento. Em abril deste ano, foi encontrada uma ossada humana (ainda não identificada) na mesma fazenda, que pode ser de Valdecy Padilha, camponês do Acampamento 10 de Maio desaparecido desde a manhã do dia 11 de novembro de 2015.
Por outro lado, a LCP acusa o fazendeiro de ter afirmado em várias ocasiões “que iria matar todos os sem terra antigos do Acampamento”. Ainda segundo a Liga, policiais militares de Buritis fizeram diversas tentativas de reintegração de posse na área do 10 de Maio sem ordem judicial. E consta, segundo a Liga, em depoimento do próprio Caubi Moreira Quito, realizado na Polícia Civil de Ariquemes em 29 de dezembro de 2014, que ele mesmo havia contratado 10 policiais militares para fazerem a segurança privada de sua fazenda em troca de terras.
Em relação à morte dos dois irmãos do Acampamento 10 de Maio, a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), na Nota do dia 28 de abril, levanta pesadas acusações contra a Polícia Militar de Ji-Paraná, que estaria realizando patrulhas de carro nas estradas e de helicóptero na área do acampamento. “Esse crime tem todas as características dos crimes praticados por policiais. Os camponeses saíram de casa no domingo cedo, à luz do dia, em uma estrada muito movimentada. Foram assassinados em um lugar e seus corpos encontrados em outro. Pistoleiros não teriam como fazer tal operação sem chamar a atenção”, denuncia a Nota da LCP.

Fonte: CPT de Rondônia

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Presidente de associação rural é assassinado em Rondônia

O presidente da Associação Vladimir Lênin, Paulo Justino Pereira, de 51 anos, foi assassinado nesta última sexta-feira (1º). Um dia antes de ser morto, Paulo havia participado de reunião com representantes de órgãos agrários para denunciar os conflitos sofridos pelas famílias do Acampamento Rio Pardo. 
Paulo Justino Pereira, de 51 anos, presidente da Associação Vladimir Lênin, no Distrito de Rio Pardo, município de Buritis, em Rondônia, foi assassinado na noite de sexta-feira (1º). A associação representa camponeses e camponesas da região. De acordo com informações da Liga Operária em Rondônia, a liderança foi atingida com vários tiros na cabeça.
“Paulo Justino nasceu em Pernambuco, morou no Rio de Janeiro e veio para Rondônia para ajudar a luta camponesa, causa tão perigosa, mas tão urgente e justa. Ele deixou três filhos e três netos, e será enterrado em Maceió (AL), na manhã do dia 6 de maio”, informou Nota da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental (LCP).
A região onde Paulo atuava é marcada por inúmeros conflitos por terra. Por conta disso, entre os dias 28 e 30 de abril aconteceu uma série de reuniões, na sede do INCRA de Porto velho, com o ouvidor agrário nacional, desembargador Gercino José da Silva, representantes da Defensoria Pública do Estado (DPE-RO), João Verde e lcemara Sesquim Lopes, e camponeses de áreas em conflito.
Com uma pauta extensa, no dia 29 de abril uma reunião discutiu a destinação da fazenda Guerin, situada no município de Buritis, cuja área é reivindicada pelos trabalhadores rurais do Acampamento Rio Pardo. Paulo Justino participou dessa reunião, onde, conforme a Liga Operária, houve “discussões acirradas sobre a situação conflituosa em Rio Pardo”.
Conforme a LCP, durante a reunião, que se estendeu até o dia 30, Paulo denunciou a situação das famílias de Rio Pardo. Abaixo um trecho da denúncia no boletim da Associação:
“Já fazem dois anos da desocupação violenta da Flona pelas forças armadas da presidente Dilma e do Governador Confúcio Moura. Durante esse período, nenhum tipo de assistência foi dado às famílias residentes no Rio Pardo. Das trezentas que foram desalojadas, apenas 34 foram assentadas, e de forma equivocada, em outras terras conflitosas, de propriedade do fazendeiro ‘Zoinho’. Com a morosidade do Governo Estadual em resolver o problema, as famílias já se preparam para o retorno à reserva, ‘dessa vez para ficar’”.

Na reunião, segundo a Liga Operária, o presidente da associação falou que as famílias do Acampamento Rio Pardo estavam preparadas para retomar as suas terras. E o ouvidor agrário então retrucou: “O senhor quer dizer que as famílias irão descumprir uma ordem?”. Paulo respondeu: “As famílias estão esperando a resposta de vocês, que nunca chega”. Então a reunião terminou sem acordo.
Reuniões
Apesar das várias reuniões já realizadas, a Liga Operária destaca que casos como o de Paulo Justino tem se repetido em Rondônia, pois os trabalhadores e trabalhadoras se reúnem com representantes do Estado, denunciam os crimes e os conflitos que tem sofrido, porém não há resolução dos casos. “Repete-se o já mil vezes denunciado “ROTEIRO DA MORTE”, em que os camponeses vão aos representantes do Estado – entre os quais está quase que invariavelmente presente o desembargador Gercino José da Silva Filho – denunciam as ameaças, cobram a regularização de suas posses, e depois são assassinados vítimas de tocaias”.
O movimento informa ainda que nesse caso de Rio Pardo, por exemplo, “os camponeses da região já haviam denunciado as ameaças que vinham sofrendo por parte do latifundiário João Neuto Saul (proprietário da fazenda reivindicada)”.
Região de conflitos
A região onde Paulo Justino foi assassinado é marcada por conflitos agrários, com mortes, ameaças, ações de pistolagem, e outros. A LCP lembra que a liderança camponesa Renato Nathan Gonçalves Pereira, 28 anos, foi assassinada após levar três tiros na cabeça, no Distrito de Jacinópolis, município de Nova Mamoré, em abril de 2012. Renato era professor e também realizava serviços de topografia em sítios da região.
Já Luís Carlos da Silva, de 38 anos, morador do Acampamento Élcio Machado, localizado na BR-421, no município de Monte Negro, está desaparecido desde novembro do ano passado. Ele saiu de casa pela manhã para serrar algumas tábuas para colocar em sua casa, mas desde então não foi mais visto. O local onde o acampado foi procurar as tábuas fica próximo de algumas fazendas, envolvidas em conflitos por terra com os acampados. As buscas por Luís foram encerradas pelo Exército em dezembro do ano passado.
Esse ano, no dia 27 de janeiro, foi assassinado José Antônio dos Santos, ex-morador do Acampamento 10 de Maio, também na região. O crime ainda está sendo investigado.

*Fonte: CPT. Com informações da Liga Operária e LCP.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Camponês é morto em acampamento em interior de Alagoas

O trabalhador Elias Francisco Santos da Silva foi assassinado brutalmente a tiros de espingarda nesta quarta-feira(8) na zona rural de Messias - AL.

Elias era casado, pai de seis filhos e membro da Liga dos Camponeses Pobres - LCP, atualmente dirigia uma ocupação em uma área pertencente a Usina Utinga Leão, região conhecida popularmente como Lageiro.

A LCP denuncia que o crime aconteceu a mando de latifundiários da usina a qual Elias coordenava a ocupação. O delegado Ivanildo de Brito, da delegacia de Messias começou as investigações nesta quinta-feira ouvindo a esposa da vítima.

"Elias foi covardemente assassinado. Há tempos que a Liga dos Camponeses Pobres e outros movimentos camponeses vinham denunciando os abusos por parte dos “vigilantes” da usina Utinga Leão, de jogarem pedras nos barracos dos camponeses, de insultá-los e de realizar constantes ameaças de morte. Tudo acontecia e acontece orquestrado pelos latifundiários donos da Utinga Leão, fazem isto para intimidar as dezenas de famílias que hoje habitam e produzem nas terras que a Usina não consegue mais produzir." disse o representante da LCP.

Após o depoimento da esposa da vítima, o delegado regional de Messias também terá essa outra linha de investigação.


Fonte: Correio do Povo (AL)/Blog Militante do Campo

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Dirigentes da LCP são seqüestrados e torturadas até a morte em Rondônia


Acima, Élcio Machado em manifestação de solidariedade ao povo palestino, à direita Gilson Gonçalves dá depoimento para Associação Internacional dos Advogados do Povo. Nos destaques, os corpos dos dirigentes da LCP com sinais de tortura.

Saiba mais:
Terror no campo tem aval de Luiz Inácio
Jornal “A Nova Democracia”

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Os palestinos da Amazônia

Cansados de esperar por uma reforma agrária que nunca chega, camponeses fazem a "revolução agrária" na Amazônia.

Por Latuff *

A convite do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO), passei uma semana na companhia de lavradores nos acampamentos da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), no interior do estado de Rondônia. Nestes meus dias ao lado dos aldeões, tive a honra de comer de sua comida, participar de suas conversas, de sua rotina, tomar conhecimento de suas necessidades, de suas demandas e seus sonhos. Povo forte, que sofre o diabo, mas que não tem medo dele.

Por duas vezes passei a noite numa cabana de palha, onde vivem seu Abel e sua esposa Zilda. Reservaram uma cama pra mim, me receberam com todo carinho e gentileza. Mesmo na simplicidade daquela choupana, havia uma extrema preocupação em me agradar, na melhor tradição de hospitalidade do homem do campo. Acordava-se bem cedo, ainda escuro. "Bom dia, dormiu bem?". Escova de dentes na mão, rumo ao rio que beira a cabana. No moedor a manivela, os grãos de café eram preparados para o desjejum. O leite fervia no fogão a lenha. A mesa posta, os copos, os talheres, o silêncio era discretamente interrompido tanto por mim quanto pelos pássaros. Daqui a pouco seu Abel já estava seguindo para a roça, pra cortar lenha, pra capinar a terra, irrigar as mudas, trabalho árduo para transformar seu pequeno pedaço de selva em lar. Os lavradores humildes precisam de bem pouco para viver uma vida digna, e nem mesmo isso lhes é permitido. Com o argumento do combate ao desmatamento, o IBAMA persegue e aplica multas altas aos que vivem da agricultura de subsistência, usam da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança e mesmo tropas do Exército para sufocar as comunidades, como no caso de Rio Pardo, onde barreiras foram erguidas nas entradas e saídas, pessoas e veículos revistados, postos de combustível do acampamento removidos, um rigor que não tem sido aplicado aos latifundiários, que transformam vastas extensões de floresta nativa em pasto ou monocultura.


Leia tudo: Opinião: Os palestinos da Amazônia (Andes-SN)

*Latuff é cartunista.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Na Agência Amazônia

Três mortos em tocaia na Amazônia

Epaminondas Henk, de Porto Velho

A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) denunciou nesta quarta-feira que três camponeses foram assassinados a tiros, numa emboscada, quinta-feira, dia 20, em União Bandeirantes, a 175 quilômetros de Porto Velho. Evandro Dutra Pinto, Edmilson Gomes de Oliveira e Adauto da Silva Filho teriam sido mortos supostamente por pistoleiros a serviço de latifundiários da região.

Segundo a LCP, testemunhas afirmam ter visto uma caminhonete Frontier preta rondando, à noite, a linha onde ocorreu a tocaia. No carro estariam Adailton Martins e na carroceria havia homens escondidos, relata um militante do movimento. “Eles pararam num restaurante em frente à rodoviária de União Bandeirantes poucas horas antes dos crimes. Adailton é conhecido por agenciar pistoleiros e agir em conjunto com policiais na expulsão dos camponeses do acampamento Nova Conquista e de outras tomadas de terra na região”, diz a fonte.

O camponês conhecido por Zé Vêncio, preso no mesmo dia em sua casa, num sítio próximo ao local do crime, foi levado para o presídio Urso Branco. Ele teme ser assassinado. "Responsabilizamos o Incra e a Ouvidoria Agrária pelo que está acontecendo na região; mesmo sabendo que a terra pertence à União e que Luiz da Dipar é grileiro, nada fazem para retirá-lo das terras, encorajando desta forma esses assassinatos”, diz a LCP.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Acampados denunciam violência em Rondônia

LCP denuncia envolvimento de policiais com jagunços em reintegração de posse no acampamento Nova Conquista.

PORTO VELHO, RO – Policiais militares e jagunços armados são novamente acusados de molestar famílias do acampamento de Nova Conquista, em União Bandeirantes, Rondônia. Em nota, a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) denunciou que no dia nove deste mês cerca de 30 policiais militares de União Bandeirantes, Jaci-Paraná e Porto Velho chegaram ao acampamento disparando suas armas e gritando “vagabundos”. As famílias haviam retomado a área na madrugada anterior.

Quatro homens e três mulheres foram levados presos. Um dos camponeses resistiu, foi agredido e caiu com o rosto no chão, sofrendo sangramento na boca e no nariz.

Os fazendeiros obtiveram na Justiça a reintegração de posse da área. De acordo com a nota, os camponeses foram rendidos, obrigados a sentar no chão com armas apontadas para a cabeça. “Um dos policiais tirou fotos de todos e os que resistiam eram espancados com tapas no ouvido e empurrões. Um dos acampados perguntou aos policiais se tinham ordens para agirem daquela forma, e eles responderam que faziam do jeito deles e que todos que estavam ali eram bandidos”.
A LCP afirma ter informações de que o fazendeiro Luiz Carlos Garcia, “Luiz da Dipar”, e Odailton Martins, a quem atribui a “chefia da pistolagem”, passaram cerca de 450 alqueires de terras para um sargento da PM em Jaci-Paraná, a fim de que retirasse as famílias da área ocupada.

“Uma das provas que atestam isso é que o cabo PM Isaac, vulgo Manchinha, também de Jaci-Paraná, falou que estava disposto a fazer um massacre para defender o fazendeiro”, diz a nota.

Pertences confiscados
Ainda conforme o movimento, os policiais teriam levado do acampamento roupas, remédios, receitas, bolsas, máquina fotográfica, uma moto, um motoserra e até bíblias.
“Todos foram humilhados com palavrões, principalmente após terem sido levados algemados ao camburão.

Policiais ameaçavam o tempo todo, dizendo que eles iriam para o inferno”. Eles levaram os camponeses para a sede da Fazenda Mutum e só depois para o presídio Urso Branco, em Porto Velho. “Os camponeses foram ilegal e covardemente atacados para que os policiais reintegrassem na posse do latifúndio o grileiro que reclamava a área.
Uma decisão da Justiça Federal comprovou que a terra é pública, e que quem não poderia de forma nenhuma reclamar ou utilizar as terras era o latifundiário. A Justiça Federal deu imissão de posse para o Incra!”.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Em Rondônia surge nova UDR.

A criação da “União das Vitimas da Reforma Agrária e do Meio Ambiente” (Univram), uma contra-ofensiva à Liga Camponesa Pobre (LCP) e outros movimentos sociais, foi anunciada nesta quarta-feira (6), pelo deputado Ernandes Amorim (PTB), durante discurso na tribuna da Câmara Federal.

A Univram, segundo o parlamentar, foi criada por um grupo de Rondônia, para, segundo eles “defenderem seus legítimos interesses, cansados de serem expulsos de suas terras por esses denominados movimentos sociais”.

Para o deputado, a entidade surge em resposta a ação predatória do Incra e Ibama, órgãos governamentais que têm estimulado a invasão, criado áreas de conservação sem o menor critério técnico e social, e reconhecida incompetência quando se trata de regularização fundiária, gerando o caos e todos os vícios, como a corrupção e a violência no campo.

“Em Rondônia prospera a má gestão desses importantes órgãos do Governo Federal, que não tenho duvida em dar lhes o crédito pela existência de movimentos de pessoas que se intitulam “sem terra” para promoverem invasões e destruições em propriedades privadas, a exemplo da tal ‘Liga dos Camponeses Pobres’ que pregam a violência e a luta armada, que já foi objeto de denúncia das autoridades do Poder Judiciário e do Executivo do meu Estado”, pontuou Amorim.

Fonte: O Observador

sábado, 2 de agosto de 2008

Justiça liberta seis camponeses no Sudoeste do Pará, mas dois outros são assassinados.

A Defensoria Pública de Conceição do Araguaia garantiu esta semana o direito de seis camponeses responderem em liberdade ao processo movido por fazendeiros durante a ocupação da Fazenda Cinzeiro, naquele município do Sudoeste do Pará, a 1.010 quilômetros de Belém. Até o próximo dia dez de agosto a Justiça vai ouvi-los em audiência. Todos são acusados de "incendiar a fazenda, saqueá-la e de portarem de armas de fogo".Os camponeses estavam presos desde o dia 28 de maio e foram libertados provisoriamente, segunda-feira, às 11h30. Dos seis, apenas um, José Cláudio Alves Bezerra, não foi solto porque estava em liberdade provisória por conta de outro suposto delito cometido antes dessa prisão. As prisões ocorreram na chamada “Operação Paz no Campo”, promovida ano passado pelo Governo do Pará.

Relatório do Núcleo dos Advogados Povo (NAP), entidade que apóia camponeses, quando ocorreram as prisões dos seis, o fazendeiro Genuíno chegou ao local num carro particular, acompanhado de três policiais militares, dos quais os camponeses reconheceram dois: sargento Wilson e soldado Almir. “Entraram nas casas arrombando as portas, atirando e batendo nos moradores. Durante toda a ação o latifundiário permaneceu armado, intimidando os camponeses e dando ordens diretas aos policiais", denuncia o NAP.

O clima de violência na região continua. Edivaldo Sousa do Nascimento, 39 anos camponês e moto-taxista conhecido pelo apelido de “Bagaceira”, foi morto no dia 24 de julho com seis tiros de revólver. No ano passado, ele era um dos acampados na Fazenda Forkilha, em Santa Maria das Barreiras (PA). Coincidência ou não, outro camponês conhecido por “Foguinho” também fora assassinado com seis disparos. Dias antes de ser executado, Edivaldo contou aos companheiros que dois homens em motos tipo Bross cor preta o perseguiram. “Sonhava e lutava pela terra. Deixou viúva e filhos”, lembra nota da LCP (Liga dos Camponeses Pobres).

A nota atribui à governadora Ana Júlia Carepa (PT) a responsabilidade pela situação de violência na região. “Ela conseguiu ser mais violenta contra o movimento camponês que o responsável pela chacina de Eldorado dos Carajás, (governador) Almir Gabriel”.

Fonte: Agência Amazônia.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

LCP denuncia massacre de camponeses em Rondônia

Na manhã de hoje, dia 09 de abril, mais de 100 jagunços fortemente armados e encapuzados invadiram o acampamento Conquista da União localizado na BR-42, Km140, municipio de Campo Novo de Rôndonia.

Os jagunços e policiais cercaram o acampamento e foram atirando em todos que ali se encontravam. Segundo informações passadas por um camponês que conseguiu escapar, cerca de 15 pessoas incluindo uma mulher grávida, foram assassinadas brutalmente e outras apanhadas como reféns. Vinte motos e todos pertences dos acampados foram queimados.

A Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia (LCP) - vinha denunciando há várias semanas a preparação de um massacre de camponeses sem-terra naquela região do estado.Toda a campanha orquestrada pela grande imprensa de Rondônia e do país,em especial o jornal Folha de Rondônia e a revista Isto È, em que acusava a LCP e os camponeses daquela região de ser “guerrilheiros”, “ligados as FARC”, sendo esses mesmos órgãos de imprensa apresentavam os pistoleiros dos latifundiários como “trabalhadores”.

Tudo isso era para tentar justificar este massacre que estava em adiantada preparação conforme denunciamos inúmeras vezes. Esta imprensa é culpada pelo sangue derramado destes camponeses.

Tão logo ocorreu o massacre ligamos para a Policia Federal que disse apenas que isso não era de sua jurisdição e não podia fazer nada.O secretário de segurança pública César Pizzano disse que para ir no local onde estavam os mortos “precisava de um boletim de ocorrência primeiro”?!!. Isso mostra a cumplicidade destes órgãos neste massacre sendo que os mesmos há pouco também acusavam os camponeses de “guerrilheiros”.

A liga dos camponeses não descansará enquanto os responsáveis por este massacre não forem punidos e a terra destes camponeses não for cortada.

Fonte: Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia.