quinta-feira, 7 de abril de 2011

Na Coluna Nhenhenhém, do jornal “O Globo*”

Empreiteiras, governo e centrais X operários
O país vive uma das maiores rebeliões de trabalhadores da História e a mais grave porque é um movimento praticamente sem controle, nascido à revelia das centrais sindicais. É uma coisa tão louca que houve trocas de tiros entre trabalhadores e seus representantes, em Pernambuco.

É o governo do PT provando do próprio veneno: corrompeu centrais sindicais, que funcionam como apêndices seu, e estas, em troca, deixaram órfãos seus filiados.

Fugiram dos canteiros das obras do PAC, onde operários da construção pesada alegam viverem em condições subjugadas. As centrais governistas trataram as empreiteiras como aliadas, e essa promiscuidade leva ao que estamos assistindo. As empreiteiras estão na ponta corruptora da engrenagem, que tem o governo no meio. Elas financiaram as campanhas presidenciais e as do atual Congresso e Assembleias.

As empreiteiras também terceirizaram as obras que ganharam. Resultado é o que se viu, na prática, dias desses, entre dois operários que trabalhavam na mesma chapa de aço —- o de uma ponta, contratado de uma terceirizada, ganhava um salário diferente do da outra ponta, que era contratado direto da empresa responsável pela obra. A CUT e a Força Sindical tentam recuperar agora os canteiros que abandonaram.

Um E.T. no PAC
É de onde não se espera, do movimento Conlutas, ligado ao PSTU, que surge a voz do bom-senso:

— O movimento é trabalhista. Associá-lo a uma abstinência sexual e, nesse sentido, colocar a mulher como objeto de consumo, é mais que um desrespeito, é um crime, uma violência contra as mulheres.

Eu tinha que ir atrás desse sindicalista de nome esquisito: Atnágoras Lopes, até agora único brasileiro que faz oposição a Dilma.

E conversei com esse E.T...

Romântico
Atnágoras é irmão de Albino Lutiani e da Aila, mas também do Roberto e do Douglas.

Sua mãe, religiosa e interessada na cultura universal, deu os lindos nomes aos filhos.

Atnágoras, o líder dos trabalhadores da construção pesada, é também poeta, no estilo romântico. Adora Chico e é fascinado pela música "As atrizes". E faz greve.

Elegância
Pode ser que, ainda hoje, surja alguém para me informar que Atnágoras não é essa coisa toda que uma admiração à primeira vista me leva a acreditar que seja.
Não importa!

Para mim, no momento em que assisto a tantas agressões e violências contra as mulheres, Atnágoras é meu herói.

Um operário da força bruta deixa o inferno dos canteiros de obras para exigir dos engravatados de Brasília mais respeito às mulheres não acontece todo dia não!

Saiba, Preta Gil: para cada Bolsonaro, surge um Atnágoras. Nem tudo está perdido!

*Assinada por Jorge Bastos Moreno em 02 de abril de 2011.

Frases

“Como é que bota na selva amazônica centenas de homens sem mulher? Era preciso ter bordéis nos canteiros de obras”. Paulinho da Força Sindical, deputado federal (PDT), mostrando ao mesmo tempo o seu machismo contra as mulheres e o seu preconceito contra os grevistas do rio Madeira. 

Para ele, os problemas nas obras do PAC são  a falta de bordéis  para os trabalhadores fazerem sacanagem, talvez um pouco diferente daquela que ele e sua central fazem com os trabalhadores e as mulheres

Movimento Ufopa Livre divulga carta pública

Carta de Solidariedade ao Professor Doutor Gilson Costa

Prezados e Prezadas

O professor Gilson Costa é Cientista Social, Eco-economista. Especialista em Desenvolvimento de Áreas Amazônicas, mestre em Planejamento do Desenvolvimento e doutor em Ciências - Desenvolvimento Socioambiental (UFRA/UFPA/NAEA). Educador, Pesquisador e lutador social como ele mesmo faz questão de se definir, o referido professor pertence ao quadro de professores do Instituto de Ciências da Sociedade – ICS/UFOPA /Santarém. Gilson Costa também é autor do Livro: Desenvolvimento rural sustentável com base no paradigma da agroecologia, publicação que ocorreu em virtude do professor ter sua dissertação de mestrado premiada com o tão sonhado PRÊMIO NAEA DE TESES E DISSERTAÇÕES. Cabe lembrar que este Prêmio é destinado aos discentes dos cursos de doutorado e mestrado do NAEA e visa à divulgação dos trabalhos de excelência acadêmica desta Instituição.

No Prefácio do referido livro, o orientador da dissertação, Prof. Dr. Francisco Costa, assim definiu o trabalho intelectual do Prof. Gilson: “ neste contexto se insere este bem sucedido esforço interdisciplinar de Gilson Costa. Mobilizando as noções integradoras da agroecologia para fazer as necessárias interfaces interdisciplinares que exige a leitura dos sistemas Gilson Costa explora a constituição interna das estruturas sociais de um dos mais antigos campesinatos da Amazônia e do Brasil, o das ilhas Pacui e Cuxipiari, em Cametá (COSTA, 2006, p. 19)”. Ainda Costa (2006, p. 20) afirma: “Descortina-se no estudo, muito esforço. Tudo baseado em minuciosa pesquisa de campo. Tudo filtrado por tensa e produtiva, posto que crítica, discussão teórica e histórica. Um grande feito deste jovem cientista, cujo ferver acadêmico é movido pela paixão pelo seu povo e sua terra. E que em serena humildade, logrou um passo largo no trabalho interdisciplinar que buscamos patrocinar”. 

Como pode se observar no que se expôs, não resta dúvida quanto à sólida formação interdisciplinar do professor Gilson Costa. No entanto, desde quando passou a se posicionar com reservas em relação ao Modelo Acadêmico da UFOPA, esse professor passou a sofrer todo tipo de PERSEGUIÇÕES, CALÚNIAS E DIFAMAÇÕES no âmbito dessa Universidade. Assim, logo após a publicação de uma matéria na Revista Época, no início deste ano, em que o professor Gilson Costa, juntamente com outros professores do Brasil, denuncia a política falaciosa do Governo Federal em relação à expansão das Universidades, foi divulgado um email por parte da Direção da UFOPA, no qual se afirma que:  

“ caso da UFOPA é o mais recente e também emblemático: professores recém admitidos, com a missão de implantar um desses partidos no interior da Amazônia, começam a aglutinar docentes e alunos ao projeto. Daí para as etapas seguintes é só um passo: presidência de estatuinte, de sindicato a ser acoplado, grandes confusões na instituição, ofensas, agressões, tudo associado a conquistas, passo a passo, no projeto que não é só seu, é uma estratégia de combate local e nacional, juntando para o mesmo ataque tanto uma reitoria com a missão da criação, quanto um governo que realiza a estratégia de romper com a ligação das universidades públicas com o projeto histórico de poder das elites econômicas neste país. Ser protagonista de uma reportagem em veículo destes interesses não é qualquer novidade. Tampouco que este(s) professore(s) em nada vieram contribuindo para o aperfeiçoamento de qualquer dos processos vivenciados: só crítica, ameaças, agressões, nada propositivo, nenhuma idéia, nenhuma análise mais atualizada, nada, nada! Só mesmo a reação local poderá calar estas bocas cheias de vermes, estas mãos tão inúteis, estas idéias tão mofadas! Na UFOPA isso já começou, com a derrota deste grupo, tanto para a Estatuinte quanto para o sindicato. Mas ainda falta mais!”( Faria, Dóris, 2011, Janeiro).
           
É assim, meus Prezados, que a Direção dessa Instituição de Ensino Superior se refere ao seu quadro docente que está realizando o seu papel, que é o de pensar criticamente a Universidade. É lamentável a situação em que se encontram os Docentes que ousam pensar na UFOPA e sobre a UFOPA. Ora se não se pode pensar criticamente a Universidade como pensar então a sociedade? A Universidade não é o lócus por excelência da Crítica? Como formar, então cidadãos com o pensamento crítico? Este não é o papel da Universidade?

Neste ambiente acadêmico, onde paradoxalmente não é permitido pensar criticamente, a primeira medida da Direção da Universidade em relação ao pronunciamento do professor Gilson Costa à Época foi a não realização de sua Lotação no módulo de Sociedade, Natureza e Desenvolvimento - SND. Fato este denunciado, inclusive, pelo próprio professor em reunião na presença de todos os docentes da UFOPA e amplamente apoiado pelo seu Instituto, o ICS.

Como se não bastasse, por outro lado, em recente email amplamente divulgado na Universidade, o então Presidente do Sindicato Docente na UFOPA, após provocar a Reitoria Nomeada por não ter tomado nenhuma providência em relação ao professor Gilson Costa, assim se refere a este professor: “os docentes já detectaram o laranja podre, os técnicos estão com uma forte organização e os discentes desorganizados e colhedores de laranja descartada.....   Que pena da UFOPA e dos que terão que tirar leite de pedra para consolidá-la diante dos intransigentes e que não aprenderam que o nosso direito deve caminhar em paralelo com os direitos do próximo” (França, Carlos, 20/03/2011,Sindufopa).

“Bocas cheia de vermes”, “laranja podre”, “loucos”, “mãos tão inúteis”, “nada contribuem”, essas são algumas das agressões deferidas contra o professor Gilson Costa e demais professores que ousam pensar criticamente a Universidade.  Este ambiente hostil de trabalho, sim, nos envergonha e nos deixa indignados, mas, em relação a isso a Reitoria nomeada nada faz. Quem não se lembra do caso do professor Filósofo que foi proibido de pensar e da professora que foi proibida de se pronunciar por uma Diretora com dedo em riste, assim como de mensagens divulgadas aos Docentes afirmando que professores contrários ao modelo acadêmico não deveriam estar na UFOPA e do caso do Professor que foi demitido por email.  Mas a Reitoria não olha para isso.

Está claro que esta NÃO É a Universidade que queremos. A Universidade que queremos é uma Universidade em que haja, acima de tudo, RESPEITO PROFISSIONAL e que a DIVERSIDADE DE IDÉIAS E IDEAIS não seja vista como um PROBLEMA. O que está se procurando implantar aqui é uma espécie de DITADURA DO PENSAMENTO ÚNICO, na qual aqueles que pensam e fazem proposições DIFERENTES, vêm sendo DESQUALIFICADOS, PERSEGUIDOS e sofrendo com a instauração de Processos Administrativos Disciplinares (PADs) e ameaças de EXONERAÇÃO.  É importante enfatizar que esses procedimentos não são sutis e nem velados, como se pode observar no teor das mensagens anteriormente citadas. Pelo contrário, ocorrem de modo DIRETO e com ampla divulgação no âmbito da UFOPA, mas em relação a isso a Reitoria se omite.  

Está cada vez mais claro sobre quem está tumultuando o processo de implantação da Universidade. Quem insiste em ignorar a essência da Universidade. Quem NÃO está sabendo DIALOGAR, DEBATER, com as categorias que compõem a Universidade. Quem é incapaz de lidar com as diferenças, incapaz de resolver conflitos. Quem está tentando destruir a implantação da Universidade em sua forma plena. Quem atua de forma arbitrária, autoritária e ineficiente. O Movimento UFOPA Livre se SOLIDARIZA com o prof. Dr. Gilson Costa, com os Estudantes e o Técnico que estão sofrendo perseguições no âmbito da UFOPA e deseja que o bom senso impere, sejam revogadas as três portarias (1011, 1012, 1013) conforme solicitado por amplíssima maioria na Assembléia da Categoria Docente (23.03.2011) e que o professor Gilson Costa esteja o mais breve possível de volta ao seu local de Trabalho.

Queremos nosso sonho de volta e Democracia já na UFOPA
Santarém, Abril, 2011
MOVIMENTO UFOPA LIVRE


Envie você também moções de repúdio:
Ao Reitor da Ufopa
Sr. Seixas Lorenço
Twitter: @UFOPA
Fax: (93) 3064-9090

Envie moções de solidariedade e cópias das moções de repúdio para:
Professor Gilson Costa

Ufopa: Moção de Repúdio da CSP-Conlutas

À Reitoria da Universidade Federal do Oeste do Pará.

Pela forma autoritária com que decidiu pelo “afastamento preventivo”, por 60 dias do Professor GILSON DA SILVA COSTA, por participar de manifestações políticas realizadas na “Aula Magna” daquela instituição de ensino, no dia 18 de março de 2011.

O afastamento do professor, através de portaria, se constitui, na prática, em penalização, afrontando o direito de ampla defesa. O ato autoritário do Reitor José Seixas Lourenço não respeita sequer a legislação existente e, pelos procedimentos adotados, acaba por criminalizar o docente.

Pela revogação da Portaria 1011, de 19 de março de 2011.

Rio de Janeiro, 04 de abril de 2011
Coordenação Nacional da CSP-Conlutas
Organizar a classe trabalhadora para os ataques que virão!

*Aprovada na reunião da Coordenação Nacional da Entidade ocorrida nos dias 02 a 04 de abril no Rio de Janeiro, RJ. 

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Professor Gilson Costa


Moção de apoio às lutas por democracia na Ufopa e em repúdio às repressões sofridas*


A comunidade estudantil organizada, a classe trabalhadora e a sociedade em geral tornam pública a presente moção de apoio e solidariedade às lutas por democracia travadas pelos estudantes, técnicos administrativos e professores na Universidade Federal do Oeste do Pará.

O direito à liberdade de expressão, de manifestar livremente o pensamento, é uma garantia da diversidade e do respeito à individualidade. Temos no art. 220º da CF de 88: “A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”, e em seu § 2º: “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”.

Esse direito que nos é garantido é caracterizado como direito da personalidade, integrante do estatuto do ser humano, fundamental para a concretização do princípio da dignidade da pessoa humana. Além do mais, protege a sociedade contra o arbítrio e as soluções de força. Compreendemos então que em todas as suas formas a liberdade de expressão é um direito fundamental, inerente a todas as pessoas, e um requisito para a existência de uma sociedade democrática.

Em se tratando, sobretudo, de questões políticas e questões públicas, a liberdade de expressão pode ser tida como o suporte vital para que exista a democracia.

Desde a implantação da UFOPA, em novembro de 2009, a administração da referida instituição tem cerceado a liberdade de expressão e se negado a discutir os rumos da universidade com a comunidade acadêmica e a sociedade do oeste do Pará. O ápice desse processo antidemocrático foi a instauração de duas sindicâncias, contra estudantes e técnicos administrativos que participaram de uma manifestação pacífica durante a Aula Magna, ocorrida no dia 18/03. Além disso, também foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o prof. Dr. Gilson Costa, determinando desde então seu afastamento das funções por 60 dias.

Tais processos caracterizam a manifestação pacífica da comunidade acadêmica como um ato praticado por “um grupo de agressores que provocaram tumulto e praticaram ações físicas grosseiras e violentas contra pessoas, equipamentos e telões durante a solenidade”, evidenciando a tentativa de criminalização do movimento estudantil e social; e o desrespeito ao direito constitucional de manifestação.

Compreendemos que a contestação é legítima e reflete o exercício da cidadania no Estado de Direito Democrático em que vivemos.

Manifestamos nosso repúdio a quaisquer tipos de atos despóticos e arbitrários!
Todo apoio e solidariedade aos companheiros que fazem a resistência e estão na luta por uma Universidade pública, popular, gratuita, de qualidade e livre de toda repressão!

Pela invalidação imediata das sindicâncias e do PAD!
Pacificidade sim, Passividade jamais!

*Assinam: Entidades Participantes da IV Assembléia Nacional da Anel (26 e 27 de março de 2001 – UPFA, Belém, Pará.

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Ao Reitor da Ufopa
Sr. Seixas Lorenço
Twitter: @UFOPA
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Professor Gilson Costa

terça-feira, 5 de abril de 2011

Organização dos Estados Americanos determina suspensão imediata de Belo Monte


A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) solicitou oficialmente que o governo brasileiro suspenda imediatamente o processo de licenciamento e construção do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, no Pará, citando o potencial prejuízo da construção da obra aos direitos das comunidades tradicionais da bacia do rio Xingu.

De acordo com a CIDH, o governo deve cumprir a obrigação de realizar processos de consulta “prévia, livre, informada, de boa-fé e culturalmente adequada”, com cada uma das comunidades indígenas afetadas antes da construção da usina. O Itamaraty recebeu prazo de quinze dias para informar à OEA sobre o cumprimento da determinação.

A decisão da CIDH é uma resposta à denúncia encaminhada em novembro de 2010 em nome de varias comunidades tradicionais da bacia do Xingu pelo Movimento Xingu Vivo Para Sempre (MXVPS), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Prelazia do Xingu, Conselho Indígena Missionário (Cimi), Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Justiça Global e Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA). De acordo com a denúncia, as comunidades indígenas e ribeirinhas da região não foram consultadas de forma apropriada sobre o projeto que, caso seja levado adiante, vai causar impactos socioambientais irreversíveis, forçar o deslocamento de milhares de pessoas e ameaçar uma das regiões de maior valor para a conservação da biodiversidade na Amazônia.

“Ao reconhecer os direitos dos povos indígenas à consulta prévia e informada, a CIDH está determinando que o governo brasileiro paralise o processo de construção de Belo Monte e garanta o direito de decidir dos indígenas”, disse Roberta Amanajás, advogada da SDDH. 
“Dessa forma, a continuidade da obra sem a realização das oitivas indígenas se constituirá em descumprimento da determinação da CIDH e violação ao direito internacional e o governo brasileiro poderá ser responsabilizado internacionalmente pelos impactos negativos causados pelo empreendimento”.

A CIDH também determina ao Brasil que adote medidas vigorosas e abrangentes para proteger a vida e integridade pessoal dos povos indígenas isolados na bacia do Xingu, além de medidas para prevenir a disseminação de doenças e epidemias entre as comunidades tradicionais afetadas pela obra.

“A decisão da CIDH deixa claro que as decisões ditatoriais do governo brasileiro e da Justiça, em busca de um desenvolvimento a qualquer custo, constituem uma afronta às leis do país e aos direitos humanos das populações tradicionais locais”, disse Antonia Melo, coordenadora do MXVPS. “Nossos líderes não podem mais usar o desenvolvimento econômico como desculpa para ignorar os direitos humanos e empurrar goela abaixo projetos de destruição e morte  dos nossos recursos naturais, dos povos  do Xingu e da Amazônia, como é o caso da hidrelétrica de Belo Monte”.

“A decisão da OEA é um alerta para o governo e um chamado para que toda a sociedade brasileira discuta amplamente este modelo de desenvolvimento autoritário e altamente predatório que está sendo implementado no Brasil”, afirma Andressa Caldas, diretora da Justiça Global. Andressa lembra exemplos de violações de direitos causados por outras grandes obras do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento do governo. “São muitos casos de remoções forçadas de famílias que nunca foram indenizadas, em que há graves impactos ambientais, desestruturação social das comunidades, aumento da violência no entorno dos canteiros de obras e péssimas condições de trabalho”.

Críticas ao projeto não vêm apenas da sociedade civil organizada e das comunidades locais, mas também de cientistas, pesquisadores, instituições do governo e personalidades internacionais. O Ministério Público Federal no Pará, sozinho, impetrou 10 ações judiciais contra o projeto, que ainda não foram julgadas definitivamente.

“Estou muito comovida com esta notícia”, disse Sheyla Juruna, liderança indígena da comunidade Juruna do km 17, de Altamira. “Hoje, mais do que nunca, tenho certeza que estamos certos em denunciar o governo e a justiça brasileira pelas  violações contra os direitos dos povos indígenas do Xingu e de todos que estão juntos nesta luta em defesa da vida e do meio ambiente. Continuaremos firmes e resistentes nesta luta contra a implantação do Complexo de Belo Monte”.

A decisão da CIDH determinando a paralisação imediata do processo de licenciamento e construção de Belo Monte está respaldada na Convenção Americana de Direitos Humanos, na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Declaração da ONU sobre Direitos Indígenas, na Convenção sobre Biodiversidade (CBD) e na própria Constituição Federal brasileira (Artigo 231).

Para ler a integra do documento, acesse AQUI

Fonte: Movimento Xingu Vivo Para Sempre

Novo Progresso: Ibama é invadido e helicóptero acorrentado

Por volta das 11h desta segunda-feira(4), produtores rurais em Novo Progresso, Pará, às margens da BR-163 (Santarém-Cuiabá), invadiram a sede do Ibama naquele município e acorrentaram o helicóptero que ali se encontra.

A aeronave iria dar apoio à Operação Disparada, deflagrada na semana passada nos estados do Pará, Mato Grosso e Amazonas e que já apreendeu mais de 4,5 mil cabeças de gado criadas em áreas que haviam sido embargadas em operações anteriores.

O grupo, formado por cerca de 500 pessoas, ocupa a calçada e uma faixa  em frente a sede do IBAMA próximo da APRONOP- Associação dos Produtores Rurais de Novo Progresso.
 
O clima  é de tensão.

*Com informações do blog do Jeso e Folha do Progresso.

O velho "negócio fechado"


Desenho: Blog Pele da Terra (Juliana Borges)
 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

URGENTE: Novas notícias de Anapu


Há informações desencontradas sobre a morte de um agricultor no município de Anapu. Há uma versão sobre um possível acidente de moto e outra de que o corpo se encontrava com graves escoriações e cortes incompatíveis com uma simples queda. O laudo pericial deverá sair nas próximas horas e apontar o que realmente ocorreu.

Contudo, o clima de medo na região continua, conforme o informe da CPT de Anapu abaixo:

A casa do Sr. Enival Soares Matias, agricultor assentado na parcela nº 996 da vicinal dois do PDS Anapu I (Esperança), que é um dos agricultores que estão acampados na entrada do PDS Esperança em manifestação contra a exploração ilegal de madeira no PDS, foi incendiada na manhã do dia 01 de abril de 11, que ficou totalmente destruída com todos os bens do agricultor que esta dentro. O (s) incendiário (s) aproveitou a ausência do Sr. Enival (Preto), que está acampado juntamente com outros agricultores para cometer o crime. Na casa estavam todos os pertences do agricultor que alem de não ter mais casa para morar, também não tem roupas, panelas e ferramentas, já que foi tudo queimado. Não foi identificado roubo no local.

Para nos isso foi um aviso do que poderá acontecer com os agricultores que estão contra os madeireiros no PDS, se as autoridades não agirem rápido em Anapu.

O Sr. Enival Soares Matias (Preto) irá hoje a delegacia da Policia Civil de Anapu para registrar a ocorrência, juntamente com o servidor do INCRA de Anapu.    




Fotografias: CPT-Anapu 

Notícia atualizada em 05 de abril de 2011.


Em 27 de março de 2013, o Sr. foi assassinado à tiros no interior do PDS Esperança: PDS Esperança: Agricultor é assassinado em assentamento de Anapu

O império da madeira

Desenho: Blog Pele da Terra (Juliana Borges)

domingo, 3 de abril de 2011

Fiscais ligam ‘Pernambucanas’ a trabalho degradante

Quem passa defronte das vitrines das Lojas Pernambucanas não supõe. Mas, além de peças de roupa expostas com apuro, há ali uma ilegalidade.

Dona da terceira maior rede varejista de vestuário do país, a empresa foi multada pelo Ministério do Trabalho, na semana passada, em R$ 2,2 milhões. 

Por quê? Verificou-se que as Pernambucanas –faturamento anual de cerca de R$ 4 bilhões— carrega em sua cadeia produtiva um acinte.

Parte das peças que comercializa era costurada num imóvel residencial assentado em São Paulo. Debruçados sobre as máquinas, 16 trabalhadores bolivianos.

Sob regime de trabalho degradante, análogo à escravidão, produziam casacos Argonaut, uma marca criada pelas Pernambucanas para o público jovem. 

Deve-se a revelação à repórter Ana Aranha, que acompanhou batida de auditores do Ministério do Trabalho à residência que alojava a senzala da moda.

Ela acomodou em notícia veiculada neste final um resumo do que foi constatato. Testemunhou coisas que não ornam com os mostruários de shopping.

Os neoesravos bolivianos recebiam R$ 20 centavos por peça costurada. Havia entre eles dois menores de idade.

Submetiam-se a uma jornada de trabalho que ia das 8h às 22h. Três filhos de operárias transitavam por entre as máquinas.

Os fiscais encontraram etiquetas das Pernambucanas grudadas nos casacos. Ao redor, uma atmosfera mortificadora.

A “fábrica” funcionava em dois cômodos da casa, cada um com 6m². A ausência de janelas tornava o ar quente.

Fios elétricos pendiam do teto. No chão, sacos de roupa misturavam-se a sacos de batatas.

Ao final da inspeção, os fiscais colecionaram 41 infrações às leis que asseguram no Brasil ambiente de trabalho salubre e seguro.

Verificaram, de resto, que os bolivianos eram mantidos sob o regime de servidão por dívida.

Vieram da cidade de El Paso, na região metropolitana de La Paz. Chegaram a São Paulo devendo o valor das passagens. Coisa de R$ 300 por cabeça. 
No final do mês, além de frações da viagem, descontavam-se dos salários despesas diversas –comida, fraudas, cartões telefônicos... 

Num caso, o vencimento de R$ 800 foi reduzido a R$ 176. Para fugir do fim do mês no vermelho, os trabalhadores viam-se compelidos a esticar a jornada. 

Terminado o expediente, tinham à disposição um único banheiro. O chuveiro, com o fio desligado, provia banho frio.

Para dormir, quartos apertados. Em vez de camas, colchões espalhados pelo chão.

Confrontada com o inacreditável, a rede varejista expediu uma nota. Lê-se no texto: “A Pernambucanas não produz, ela compra produtos no mercado e os revende no varejo”.

De fato, a contratação dos bolivianos deu-se de forma indireta. Trabalhavam para a confecção Dorbyn, que atende a encomendas das Pernambucanas. 

Ouvido, um dos diretores da da Dorbyn, Fábio Khouri, alegou desconher as condições da “oficina”. Curioso, já que gerente da firma visita a casa a cada 15 dias.

Durante a fiscalização, os auditores do trabalho acessaram e-mails de funcionários das Pernambucanas.

As mensagens revelam que a rede de roupas define cada detalhe das encomendas que terceiriza: modelo, tamanhos, quantidades, prazos e preços das peças.

Como conseqüência da inspeção, além da multa milionária imposta às Pernamucanas, os 16 bolivianos tiveram reconhecidos os seus direitos. 
Receberam carteiras de trabalho e as verbas rescisórias –entre R$ 1.000 e R$ 5 mil, dependendo do tempo de cada um na senzala. 
Os cálculos foram feitos por contadores a serviço das Pernambucanas. A Dorbyn incumbiu-se dos pagamentos.

O aperto às Pernambucanas é parte de uma estratégia inaugurada em agosto de 2010 por auditores do Programa de Erradicação do Trabalho Escravo Urbano.

O nome do programa como que reconhece uma realidade que transporta o Brasil para uma Era pré-revolução industrial.

Estima-se que, só em São Paulo, há cerca de 8 mil neosenzalas como a que foi desmontada. Além de bolivianos, exploram sobretudo mão-de-obra paraguaia.

“Só as empresas que alimentam a cadeia podem mudar essa lógica”, diz Giuliana Cassiano, coordenadora do programa do Ministério do Trabalho.

MPF no Pará processa Basa, Banco do Brasil e Incra


Segundo o MP, instituições bancárias emprestam dinheiro para desmatadores e Incra é ineficiente no controle dos imóveis rurais na Amazônia

Karina Ninni*

O Ministério Público Federal no Pará está processando o Banco do Brasil e o Banco da Amazônia por terem concedido financiamentos com dinheiro público a fazendas com irregularidades ambientais e trabalhistas no Estado. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) também é réu nos dois processos. Segundo o MPF, o Instituto é ineficiente no controle e no cadastramento dos imóveis rurais localizados no Pará.

O MPF pede que o Banco do Brasil e o Basa sejam obrigados a realizar auditorias internas para calcular o tamanho do desmatamento que causaram, examinando todos os financiamentos de atividade rural no Pará a partir de julho de 2008. A data marca a entrada em vigor de da resolução 3545 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que determina os bancos públicos e privados que operam com crédito rural passem a exigir dos grandes e pequenos produtores da Amazônia a apresentação do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR), de Licença Ambiental e documentos que comprovem a ausência de embargos por desmatamento ilegal. O CCIR é emitido pelo Incra.

De acordo com o MPF, as exigências não são feitas na prática pelas instituições que emprestam dinheiro para atividades rurais na Amazônia.

"Trabalhamos com uma amostragem de fazendas situadas nos dez municípioas campeões de desmatamento no Estado. Encontramos 55 empréstimos com diversas irregularidades ambientais e até casos de trabalho escravo, a que o Banco do Brasil emprestou um total de R$ 8 milhões. O Basa emprestou mais de R$ 18 milhões para a produção em 37 financiamentos com os mesmos tipos de problemas", disse o procurador da República Bruno Valente.

Nos processos, o MPF defende a tese de que o dinheiro público de vários Fundos Constitucionais vem financiando diretamente o desmatamento na região amazônica por causa do descontrole do Incra e das instituições financeiras. O BB e o Basa são administradores exclusivos dos fundos constitucionais do Centro-Oeste (FCO) e do Norte (FNO), respectivamente.

As irregularidades foram encontradas com o cruzamento de dados públicos das Cédulas de Crédito Rural, registradas em cartório, com informações também públicas dos sistemas da Secretaria de Meio Ambiente do Pará, Incra e Instituto Brasileiro do Meio mabiente e dos recursos Naturais Renováveis (Ibama).

"Os empréstimos detectados pelo MPF descumpriram a Constituição, leis ambientais e regulamentos do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, além de acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário", afirmam os nove procuradores que assinam a ação civil pública.

O Banco do Brasil disse, em nota enviada por meio de sua assessoria de imprensa, que cumpre as exigências previstas na legislação ambiental, incluindo a Resolução 3545 do CMN, e nega a acusação de financiar o desmatamento na Amazônia ou empreendimentos que utilizem trabalho análogo ao escravo.

"Em 2007, o Banco do Brasil contratou 17.557 operações de crédito rural no Pará, contra 7.146 em 2010. Um volume 60% menor", diz a nota enviada à reportagem do estadao.com. A assessoria esclarece que o BB signatário de vários acordos e protocolos, como o Protocolo Verde (1995), o Pacto Global das Nações Unidas (2003), os Princípios do Equador (2005), o Pacto pelo Combate ao Trabalho Escravo (2005), o Carbon Disclosure Project (2005), o Programa Brasileiro GHG Protocol (2008), o Fórum Amazônia Sustentável (2008), o Empresas pelo Clima (2009) e o Caring for Climate das Nações Unidas (2009).

Já o BASA afirmou, também por meio de sua assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre o assunto até que receba a notificação do processo, ajuizado nesta quinta-feira.

Entre os pedidos dos procuradores está o de fazer com que o Basa e Banco do Brasil invertam suas prioridades, deixando de emprestar dinheiro para produtores irregulares, implementando política de juros reduzida para produtores de municípios ambientalmente responsáveis e incentivando o licenciamento ambiental das propriedades.

O Incra pode ser obrigado a emitir o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) e manter um banco de dados atualizado sobre a situação fundiária da região.

"O CCIR está disponível na internet gratuitamente há dois anos e pode ser emitido na hora, a não ser que o imóvel esteja com alguma irregularidade. Ele só pode ser emitido se o imóvel estiver regular", afirmou o Incra por meio de seu assessor de imprensa. Segundo ele, só no ano passado, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) cancelou 9 mil títulos cartoriais de terras no Pará, por conta de irregularidades documentais. "Esses CCIRs, naturalmente, já são inibidos pelo Incra. O proprietário não consegue emiti-los."

Dados públicos do Banco Central obtidos pelo MPF demonstram que entre os anos de 1995 e 2009 instituições financeiras emprestaram mais de R$ 90 bilhões para atividades rurais na Amazônia Legal. Desse total, mais de 92% vem de bancos públicos.

O Banco do Brasil liberou 52,3% dos créditos, o equivalente a R$ 47 bi. O Basa aparece em segundo lugar, financiando 15% do total e injetando R$ 13 bi na Amazônia Legal nos 15 anos examinados. Juntos, respondem por 67,3% dos empréstimos rurais na região.

Nota técnica do Ministério do Meio Ambiente citada nos processos demonstra, que "a curva dos desmatamentos no Pará acompanha a oferta de crédito rural nos anos de 1999 a 2004, período em que a taxa de desmatamento no estado aumentou em cerca de 70%. Neste mesmo período, a oferta de crédito rural salta de um patamar de pouco mais de R$ 200 milhões para mais de R$ 690 milhões ao ano (1999 a 2004)."

Os processos devem ser apreciados pela 9ª Vara da Justiça Federal em Belém.

*Fonte: O Estado de São Paulo

sábado, 2 de abril de 2011

URGENTE: Assentado é morto em Anapu. Outro agricultor tem casa incendiada

Acaba de chegar a informação da morte de um agricultor do PDS Esperança (Anapu I), no Pará. O nome dele ainda não foi divulgado, mas seu corpo foi encontrado dentro de um igarapé (córrego) na saída da cidade de Anapu na semana passada. Não há maiores informações até o momento sobre as circunstâncias da morte.

“Estamos muito preocupados com a segurança dos agricultores do PDS Esperança, pois a estranha morte de um dos agricultores que foi tirado da área de reserva do lote 55 e assentado em uma parcela retomada pelo INCRA, por estar abandonada, mas os ocupantes que perderam estas parcelas ameaçaram de morte os agricultores que foram colocados pelo INCRA e até mesmo o servidor do INCRA, Antonio José”, informa a CPT de Anapu na pessoa do agente de pastoral, Fabio José.

No dia de ontem, a casa de um assentado que está acampando na entrada do PDS para coibir a entrada e saída de veículos madeireiros foi incendiada. “Ainda não temos suspeitos, mas sabemos do que se trata e o agricultor perdeu tudo”, informa a CPT.

É preciso reforçar neste momento a rede de solidariedade aos companheiros lutadores de Anapu.

Mais informações em breve.

Entenda o recente  conflito em Anapu

Enquanto isto, na Universidade Operacional...

Num sábado de sol, os mais de mil estudantes recém ingressos no "Centro de Formação Interdisciplinar" vão às palestras obrigatórias que apresentam que tipo de profissional as empresas esperam encontrar no mercado de trabalho.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A mesma notícia, mas a apresentação do entrevistado é diferente!

No síto do MST:

No sítio da CNASI
(clique para ampliar)

Casos de malária triplicam na região das obras de Jirau

Os casos de malária na região do canteiro da usina de Jirau, em Porto Velho (RO), aumentaram 200% desde o início das obras, segundo a prefeitura da cidade. O número de notificações da doença nos distritos que incluem a hidrelétrica passou de 1.693 em 2008 para 5.197 no ano passado. Trabalhadores relataram ter contraído a doença mais de uma vez no canteiro. O consórcio responsável pela obra, porém, disse que não houve nenhum caso até agora. A Camargo Corrêa disse ter um controle "rigoroso" no local. "Uniformes são impregnados com repelentes e diariamente é realizada pulverização contra o mosquito em vários pontos do canteiro", afirmou nota.

Fonte: FSP, 1/4, Mercado, p.B8 (via "Notícias Socioambientais")

A revolta no grande projeto

Escrito por Lúcio Flávio Pinto*

Duas das maiores obras em andamento no Brasil foram paralisadas na semana passada. Se fossem localizadas no sul do país, a grande imprensa nacional certamente daria o destaque compatível com a gravidade do acontecimento. Mas como os fatos se deram em Rondônia, no extremo oeste, o noticiário foi pequeno e insatisfatório. 

Quando concluídas, as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, terão absorvido em torno de R$ 30 bilhões, um custo equivalente ao da hidrelétrica de Belo Monte, que, se for construída mesmo, será a segunda maior do mundo – ao menos em capacidade nominal de geração de energia.

Como a usina do rio Xingu, no Pará, as duas barragens estão sendo levantadas depois de provocarem extensos e apaixonados debates sobre a inconveniência de colocar duas estruturas de concreto sobre o leito do rio que mais contribui em águas e sedimentos para o maior curso d’água do planeta, o Amazonas. 

Três anos depois de iniciadas, as duas obras seguem uma tramitação acidentada e conflituosa. Desde 2009 seus operários fazem manifestações de protesto e reclamam dos salários, dos maus tratos e das condições de trabalho. A tensão veio num crescendo. Mas ao assumir sua forma mais grave, no dia 13, surpreendeu a todos por sua extrema violência. 

Em dois dias de depredações, o canteiro de obras de Jirau foi quase todo destruído e os empregados, desmobilizados. Por cautela, os responsáveis por Santo Antônio, rio abaixo, decidiram também parar. Quase 30 mil pessoas empregadas nas duas obras tiveram que suspender suas atividades. 

Incidentes têm sido uma constante nos "grandes projetos". Houve quebra-quebra em Tucuruí, no Jari, no Trombetas ou em Carajás. Mas nada na escala do que aconteceu no Madeira. Nem com as características que ali elas assumiram. Os operários estavam insatisfeitos e até revoltados, mas a esmagadora maioria ficou fora dos atos de destruição, principalmente através de incêndios provocados. Muitos ficaram apavorados com o que viram e preferiram voltar aos seus locais de origem. 

Segundo os responsáveis pela segurança no canteiro, os líderes das hostilidades adotaram uma tática original: atacavam e depois se escondiam no mato próximo. Os representantes sindicais não aprovaram a virulência empregada. A polícia foi violenta, mas não eficiente: não só não evitou a destruição como não chegou a identificar os que a provocaram. A decisão de desmobilizar a frente de trabalho também surpreendeu. Aparentemente, as autoridades e a empresa se sentiram impotentes para prevenir, remediar e reassumir o controle da situação o mais rápido que fosse possível. 

Um incidente tão grave, a ponto de paralisar por completo as obras, contrastou com o ritmo intenso dos serviços até então. Os concessionários das duas usinas manifestaram a disposição de investir 2 bilhões de reais além do orçamento definido para aumentar a capacidade de geração de energia e antecipar os prazos do cronograma. Jirau pretendia entrar em operação em setembro de 2015, mas o consórcio Energia Sustentável já trabalhava com a data de março do próximo ano. Em relação à estimativa original, o custo atualizado quase dobrou, para R$ 29,4 bilhões. 

As modificações feitas na concepção que foi aprovada pelo governo para a outorga das duas concessões parecem determinadas por um fator fundamental: a subestimação dos custos. O consórcio que ganhou o leilão de Jirau se comprometeu com um deságio de 35% em relação ao preço mínimo fixado. Terá que oferecer energia a R$ 71 ou R$ 78 por megawatt/hora.

No último leilão promovido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), no final de dezembro do ano passado, o preço do MW/h ficou em R$ 67,31, o mais baixo de todos os leilões de energia nova já realizados. E nem toda a energia ofertada foi arrematada.

Surpreendentemente, porém, a concessão da hidrelétrica de Teles Pires, a primeira das cinco usinas previstas para o rio Tapajós, também no Pará, foi obtida pelo consórcio Teles Pires Energia Eficiente por apenas R$ 58,35 o MW/h, com deságio de 33% em relação ao valor mínimo estabelecido.

Certamente a redução teve a ver com a disputa pela concessão, já que, no mesmo dia, o vencedor da licitação para a usina de Santo Antônio, no rio Jari, ainda no Pará, ficou no preço mínimo, de R$ 140 (por se tratar de uma hidrelétrica de baixa capacidade, de apenas 300 MW), sem qualquer deságio. 

O que se pode deduzir de fatos desconexos ou aparentemente irracionais é que o governo abriu uma frente de construção de hidrelétricas tão vasta e pesada na Amazônia que não consegue mais controlá-la. Às vezes sequer se pode discernir as informações exatas para uma avaliação segura e confiável do que ocorre.

Os consórcios que constroem as duas usinas do Madeira, porém, não desconhecem seus desafios e o significado do que estão fazendo. Não por acaso assinaram os dois maiores contratos de seguro em vigência no Brasil, no valor de quase R$ 17 bilhões. Os seguros incluem as fases de construção e operacional, além dos lucros cessantes por interrupção do negócio, como deve ser o caso dos incidentes em Jirau (calcula-se um prejuízo operacional diário de R$ 500 mil, fora os danos no canteiro). Os custos bilionários das duas usinas não incluem os juros durante a construção, as obras de transposição das duas barragens (pelo menos R$ 700 milhões) e as linhas de transmissão de energia. 

Para alguns desses itens, é muito provável que o governo federal seja chamado a dar mais uma "colaboração", que poderá crescer em função de ocorrências como a depredação do canteiro de Jirau. O incidente se transformou em caso de segurança pública (e pode ser um rastilho de pólvora numa região sempre conturbada, cuja condição a imigração intensiva nos últimos três anos agravou bastante). 

O esquema societário dos consórcios que receberam as concessões é um fator de indução a esse desdobramento. Uma empresa estrangeira ou uma empreiteira têm o controle do capital, com mais de 50% das ações. Empresas estatais, do sistema Eletrobrás, fazem grande aporte de capital, subsidiadas pelo BNDES (que, em função das vultosas transferências feitas pelo tesouro nacional, se tornou maior do que o Banco Mundial), e agentes financeiros internacionais completam a quadratura do círculo. 

Não surpreende que, enfrentando muitas e múltiplas reações, as obras das grandes hidrelétricas avancem como se quisessem resolver suas dificuldades com seus bulldozzers.

Dispostas a passar por cima de quem estiver na frente. Os acontecimentos de Rondônia, porém, indicam que a barreira a superar é bem maior do que se presume.

*Lucio Flavio Pinto é jornalista paraense e editor do Jornal Pessoal, constantemente perseguido e sufocado financeiramente pela justiça do estado. Publicado também no Correio da Cidadania

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Curió, major da repressão no Araguaia,é preso em Brasília


O oficial de reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, um dos chefes da repressão à Guerrilha do Araguaia, foi preso na terça-feira em sua casa em Brasília durante uma operação de busca e apreensão a documentos da ditadura. Segundo a Superintendência da Polícia Federal (PF) do Distrito Federal, O major Curió guardava em casa armas sem o devido registro. Depois de prestar depoimento à Justiça Federal e à PF, Curió foi levado para o Batalhão de Polícia do Exército, uma vez que é militar. 

Os agentes federais e o procurador da República Paulo Roberto Galvão foram à casa de Curió para tentar resgatar documentos do período da ditadura (1964-1985), em especial de sua atuação durante a Guerrilha do Araguaia, no início dos anos 70. Foram apreendidos documentos, um computador e armas que não tinha registro de porte. 

O Ministério Público Federal vai submeter o computador a análise em busca de documentos que possam estar digitalizados. Entre os papéis encontrados pelo MPF, estão páginas de documentos antigos com o selo "confidencial". No entanto, o MPF não confirmou se os papeis podem ajudar na localização dos corpos dos guerrilheiros enterrados no Araguaia (TO) durante a ditadura. 

Em entrevistas públicas e em depoimentos à Justiça, Curió já disse que o Exército teria executado 41 guerrilheiros no Araguaia. Ao jornal "O Estado de S. Paulo", em 2009, Curió abriu uma mala cheia de papeis em que anotava, supostamente, detalhes de diversas dessas mortes. Os 41 militantes de esquerda teriam sido mortos, segundo ele, fora do campo de combate, quando não ofereciam risco aos militares. 

A intenção do MPF ao buscar os documentos é encontrar pistas de onde os corpos foram enterrados. O governo federal já fez buscas, orientadas pelo Exército, para localizar essas vítimas. 

_ Era o que precisava ser feito desde a sentença da Justiça Federal, em 2007_ disse Crimeia de Almeida, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. 

Segundo Crimeia, a busca e apreensão é resultado de uma ação movida por 22 familiares de 25 desaparecidos, entre eles, o marido de Crimeia, André Grabois, um dos líderes da guerrilha. A própria Crimeia participou do conflito no Araguaia. 

A ação dos familiares da Guerrilha do Araguaia tramita na 1.a Vara Federal Criminal de Brasília. Até o final da tarde, nem o STF (Supremo Tribunal Federal), o STJ (Superior Tribunal de Justiça) ou o TRF (Tribunal Regional Federal) haviam divulgado a entrada de algum recurso para a libertação de Curió. O GLOBO tentou entrar em contato com a família do militar de reserva, mas não a localizou. Um de seus antigos advogados, que ainda não foi acionado por Curió, aformou que o major reformado poderia ter armas sem registro em casa por sua condição de militar, o que não foi confirmado pelo Exército.

Fonte: O Globo

Eles não falam em nome dos operários

Depois de se reunirem com o secretário-geral da Presidência da República para tentarem chegar a um acordo e acabar com as greves dos 80 mil operários da construção civil que trabalham em quatro das maiores obras do PAC, os presidentes da Força Sindical e da CUT foram taxativos: “Se não resolvermos agora, tudo ficará mais complicado mais tarde”. 

A complicação futura nada tem a ver com a péssima situação dos operários que trabalham na construção de duas hidrelétricas e de dois complexos portuários, mas com a falta de experiência das centrais sindicais em lidar com multidões. “Naquela região de Jirau”, comentou o presidente da Força Sindical, “construíamos no máximo uma ponte ou um prédio, empregando no máximo mil pessoas. Estamos lidando (agora) com 20 mil”. 

O presidente da central sindical ainda indicou o grande motivo do atual impasse entre os grevistas e as empresas: “Nessas revoltas em Jirau, percebemos que não existe um líder para negociar uma trégua”.

Fonte: Passa Palavra, com informações Valor Econômico de 24/03/2011, p. A4. 

Ministério Público pede embargo da obra de Jirau ao TRT


O Ministério Público do Trabalho (MPT) pediu ao Tribunal Regional do Trabalho de Rondônia que embargue as obras da Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, enquanto não forem realizadas as obras de recuperação do centro de vivência dos trabalhadores, que foi destruído por incêndio há duas semanas, durante revolta de trabalhadores.

Segundo o MPT, o pedido de embargo foi feito depois que uma vistoria dos auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego concluiu pela inviabilidade temporária do prosseguimento das atividades das obras. "Ficou constatado pela auditoria que boa parte dos alojamentos, a totalidade da área de lazer, lavanderia, farmácia e agência bancária da margem direita foram destruídos pelo fogo", diz o Relatório de Inspeção. Depois da vistoria, reuniram-se os auditores fiscais e os representantes do Sindicato dos trabalhadores e do empregador para estabelecer em que momento a obra poderá ser retomada.

O chefe do Núcleo de Segurança e Saúde no Trabalho esclareceu que a Norma Regulamentadora n.º 18 estabelece que quando o empregador mantém alojados trabalhadores, há a necessidade de níveis mínimos de segurança para a condução de uma obra. "Partindo-se dessa premissa, é imprescindível que a área de vivência seja restaurada dentro dos parâmetros estabelecidos pela norma, para que a empresa possa retornar à produção especificamente, dentro dos padrões anteriormente ao evento."

O relatório, anexado à petição do Ministério Público, afirma que "a empresa deverá comunicar e solicitar a aprovação do órgão regional do Ministério do Trabalho, quando ocorrerem modificações substanciais nas instalações e nos equipamentos de seus estabelecimentos".

Santo Antônio. O impasse entre a empresa responsável pela construção da hidrelétrica Santo Antônio, também no Rio Madeira, o Consórcio Santo Antônio Civil (CSAC), e os trabalhadores da obra já dura 13 dias. As atividades foram paralisadas no dia 18, após as manifestações na usina de Jirau. O Tribunal Regional do Trabalho considerou a greve ilegal. Com isso, estão sendo contabilizadas faltas ao trabalho dos operários e o sindicato terá de pagar R$ 10 mil por dia parado.

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil de Rondônia (Sticcero) apresentou à empresa uma lista com as reivindicações dos trabalhadores, mas até o momento não obteve nenhuma resposta da empresa.

"Eles estão se valendo da data-base, que está marcada para o dia 1.º de maio. Até lá, a empresa está dentro da lei. Nessa história, o sindicato e os funcionários é que estão perdendo. Já explicamos para os trabalhadores que não podemos fazer nada nesse momento, mas a maioria não entende e comunicaram que só voltarão ao serviço quando tiver acordo", explicou o secretário-geral do Sticcero, Francisco das Chagas Batista da Costa.

Novo carrasco


O novo presidente da multinacional mineradora “Vale” chama-se Tito Martins. Segundo a Folha, ele está na empresa desde quando ela era estatal (1985). Mas, o maior “mérito” do executivo é ter atacado durante um ano a greve dos mineradores canadenses da subsidiária da Vale no Canadá, a “Vale Inco” que extrai níquel.

O nome de Martins, em lugar do não menos amado Roger Agnelli, teria sido articulado pelo Bradesco e pelos fundos de pensão controlados pelos petistas, segundo a grande imprensa.