sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Pedindo ajuda para não morrer!


No porto de Altamira, Raimundo Belmiro se prepara para embarcar na voadeira que o levará de volta para casa. Junto com ele viaja o tio, Herculano Porto. Só alcançarão seu destino, a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, no Pará, depois de três dias de viagem por rio. Só é possível navegar com a luz do sol. À noite assam no fogo de chão o que pescaram horas antes nas águas, para comer com farinha, amarram a rede numa árvore e dormem para acordar com o barulho impressionante dos macacos. Eles moram numa região da Amazônia entrincheirada entre os rios Xingu e Iriri – e conhecida por um nome mítico: Terra do Meio. Quem olha para Raimundo e Herculano enxerga dois homens pequenos. Raimundo mais falante, Herculano mais sestroso. São dois gigantes. Todos nós, brasileiros, devemos a eles a preservação de um pedaço da floresta. Nesta guerra travada no coração turbulento da selva, os dois quase perderam a vida anos atrás. E hoje, mais uma vez, aos 46 anos, Raimundo Belmiro tem a cabeça a prêmio. O preço: R$ 80 mil.

Dema: 10 anos depois


Completam-se nesta semana dez anos do assassinato da liderança camponesa Ademir Federicci. Dema, como era conhecido, era sindicalista na região da Transamazônica. Atuava pelo Movimento pelo Desenvolvimento da Transamazônica e do Xingu (MDTX), que projetou figuras como os deputados José Geraldo e Airton Faleiro, ambos do PT, hoje aliados dos grandes projetos e a grupos políticos que Dema tanto combateu.

Era descente de imigrantes e ele mesmo migrante que veio para a região no período da abertura da Transamazônica e da criação do Projeto Integrado de Colonização de Altamira.

Ademir foi executado em sua casa em Medicilândia na madrugada de 25 de agosto de 2001, em frente à sua esposa e filhos que na época eram crianças.  Denunciou diversos esquemas de fraudes na SUDAM na região bem como era linha de frente no combate à hidrelétrica de Belo Monte e ao roubo de madeira em projetos de assentamentos, terras indígenas e unidades de conservação.

Ajudou a criar em vários municípios da Transamazônica as casas familiares rurais, para tentar acabar com a evasão escolar no campo e possibilitar uma educação mais voltada para a realidade dos camponeses. Era uma liderança sindical combativa.

Até hoje os assassinos e mandantes do crime não foram identificados e julgados. A polícia oficialmente aceitou a versão de um roubo seguido de morte.

Relembre o caso:

CPT informa: Liderança de ocupação é assassinada em Marabá

É a sexta vítima no Estado do Pará desde maio desse ano.


Hoje [ontem], por volta das 10hs da manhã, dois pistoleiros que trafegavam em uma moto de cor preta, com capacetes, assassinaram a tiros VALDEMAR OLIVEIRA BARBOSA, conhecido como PIAUÍ. Valdemar trafegava de bicicleta pelo bairro de São Félix, em Marabá, quando foi assassinado. Ele era casado e, atualmente, estava residindo na Folha 06, no bairro Nova Marabá.

Valdemar era sócio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marabá, coordenou por vários anos um grupo de famílias que ocupava a fazenda Estrela da Manhã, no município de Marabá. Como a fazenda não foi desapropriada, ele voltou a morar em Marabá, onde ajudou a organizar uma ocupação urbana na Folha 06, bairro Nova Marabá, onde estava residindo.

Valdemar não desistiu de lutar por um pedaço de terra. Há mais de um ano passou a coordenar um grupo de famílias que ocupavam a Fazenda Califórnia no Município de Jacundá. No final do ano passado as famílias foram despejadas da fazenda pela polícia militar do Pará. Piauí não perdeu o contato com as famílias e ameaçava voltar a ocupar novamente a Fazenda.

De acordo com informações obtidas pela CPT, a Fazenda Califórnia está localizada a 15 km de Jacundá e, além de pecuária é envolvida com a atividade de carvoaria. Pistoleiros teriam sido contratados pelo fazendeiro para impedir uma nova ocupação do imóvel. O assassinato de Piauí pode ter ligação com a tentativa de reocupação da fazenda.

Até o momento a polícia não deu qualquer informação sobre a autoria do crime. Após o assassinato dos extrativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo, esse é o quarto trabalhador assassinado, somente no Pará, do mês de maio até agora com fortes indícios de que os crimes tenham sido por motivação agrária, ou seja, disputa pela terra. Após três meses, apenas os assassinatos dos extrativistas de Nova Ipixuna foi parcialmente investigado.

Dos 6 homicídios ocorridos no estado nesse período, ninguém foi preso até o momento. O comportamento da polícia civil do Pará tem sido de investigar as vítimas e não os responsáveis pelas mortes, quando se trata de crimes no campo.


Maiores informações:
Cristiane Passos (Assessoria de Comunicação CPT Nacional) – (62) 4008-6406 / 8111-2890

Entidades fazem balanço positivo de Marcha à Brasília

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Estudantes fizeram ato em frente ao MEC



Logo após o ato de encerramento da Marcha Unificada Nacional, os estudantes da Anel  se encaminharam até o Ministério da Educação. A caminhada pela Esplanada dos Ministérios foi movida por palavras de ordem contra a homofobia, pelos 10% do PIB para a educação e contra o Plano Nacional de Educação do governo.

Ao chegarem em frente ao MEC, foram dados muitos informes das lutas estudantis pelo país como na Universidade Federal do Paraná e saudado a greve dos técnicos e administrativos das Universidades, e dos professores e técnicos dos institutos federais de educação. Também foi informado de várias instituições federais de ensino superior que já estão ou se encaminham para greve na categoria dos professores.

Uma comissão foi retirada para apresentar a pauta ao ministro Fernando Haddad. Clara Saraiva destacou que a entidade vem fazendo uma ‘caçada’ ao ministro e que haviam avisado que a Anel estaria no ministério em breve. A dirigente lembrou ainda que a Anel lançou o desafio à Une de está presente ao ato, mas a entidade não apareceu.

Após o ato, os estudantes se dirigiram para a tenda do servidor, ao lado do Ministério do Planejamento, onde foi lançada a campanha “A educação não pode esperar, 10% do PIB já!”.

Após marcha, MTST e outros movimentos de luta pela moradia ocupam o Ministério dos Esportes


Outro setor do movimento que realizou um ato específico após à Marcha, foram os movimentos de luta pela moradia. Foi ocupado o Ministério dos Esportes, que é comandado por Orlando Silva, do PCdoB.

O ato denunciou a expulsão de milhares de famílias pobres pelas obras da Copa nas principais capitais do país.


Nota do MTST

A frente de Resistência Urbana, da qual faz parte o MTST, acaba de ocupar, no dia 24/8, com 1200 pessoas o Ministério dos Esportes em Brasília (DF).

A principal bandeira do ato engloba os milhares de despejos nas metrópoles brasileiras em que os megaeventos esportivos (Olimpíadas e Copa do Mundo) ocorrerão.

Estima-se que 70 mil famílias já foram despejadas nos últimos meses: trabalhadores e trabalhadoras que além de dificilmente conseguirem frequentar os inacessíveis e luxuosos jogos, terão suas casas e vidas demolidas em virtude da ganância do grande capital.

O movimento posiciona-se a favor do esporte, mas veemente contra a lógica excludente e avassaladora que tem sido produzida a partir dele.

As mobilizações fazem parte da Jornada Nacional de Lutas, que conta com greves, mobilizações e ocupações por todo o país no mês de Agosto.

MTST! A LUTA É PRA VALER!

Leia também aqui no blog:  A Copa do Mundo já tem seus derrotados

Fotografias da Marcha Unificada à Brasília pela Jornada Nacional de Lutas







Mais fotos no meu Facebook 

Na imprensa: Protesto convocado pelo MST paralisa Brasília



Uma multidão de cerca de 20 mil pessoas convocada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) para protestar contra a política econômica da presidente Dilma Rousseff, praticamente paralisou a capital do país nesta quarta-feira.

A passeata, que acontece de maneira pacífica apesar da combatividade das mensagens, ocupou toda a extensão da Esplanada dos Ministérios.

À frente da manifestação, vários cartazes mencionavam a crise internacional, em alusão às medidas de ajuste promovidas por Dilma para blindar o país contra as turbulências internacionais, e os escândalos que sacudiram o Governo Dilma.

Nos oitos meses em que está no poder, Dilma aceitou a renúncia de quatro ministros, três deles por denúncia de corrupção, enquanto outros quatro tiveram que dar explicações quase diárias à imprensa sobre diferentes irregularidades. 

Os militantes do MST, que acusam Dilma de ter congelado os planos da reforma agrária, criticam a governante por dar mais atenção aos latifundiários que aos trabalhadores sem-terra. 

A marcha também é integrada por movimentos estudantis, professores universitários, funcionários públicos, membros do PSOL e do PSTU, e afetados pela construção de hidroelétricas, especialmente pela de Belo Monte, na Amazônia. 

Além disso, membros do movimentos dos sem-teto protestaram contra as expropriações causadas pelas obras para a Copa do Mundo de 2014, as quais chamaram de "apartheid social", e que irão deslocar milhares de pessoas nas cidades sede do torneio.

Todos os movimentos sociais manifestaram sua solidariedade aos estudantes chilenos mobilizados há três meses em reivindicação por melhorias no sistema educacional e com os trabalhadores que participam da greve nacional de dois dias que começou nesta quarta-feira nesse mesmo país para exigir melhorias sociais e trabalhistas. 

Fonte: Portal Terra


Veja um dos vídeos da marcha:

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Invasores marcam dia para destruir PDS na região da BR-163


Chegou até ao blog a notícia que o PDS Mãe Menininha, no sul de Altamira (região da BR-163) será invadido nos próximos dias por ditos produtores rurais do Mato Grosso e da região do município paraense de Novo Progresso. A ameaça chegou ao Incra de Santarém e inclui a expulsão de todos os “sem-terra” (palavras contidas no recado) que estão por lá. 

Criado em 2006, a área é reivindicada pelos invasores para regularização fundiária por meio do programa Terra Legal, que, em tese, deveria beneficiar ocupantes de terras públicas com ocupações anteriores a 1° de dezembro de 2004 e áreas sem destinação para interesse social, como é o caso do PDS.  A área está in-judice, a partir de uma ação movida pelo Ministério Público Federal em 2007 contra o Incra, por criação de assentamentos irregulares, situação que também, em tese, deveria impedir a entrada do programa de regularização fundiária, conforme a Lei 11.952/09.

Entrando na fila…


Depois dos titulares dos Transportes, das Cidades, do Turismo e da Agricultura, os ministros do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente virão à Câmara dar explicações sobre denúncias de irregularidades em suas Pastas.

Os ministros do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, virão à Câmara nesta quarta-feira (24) para explicar denúncias de ocupação ilegal de áreas de proteção ambiental ou de terras destinadas à reforma agrária. Também participará da audiência, na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lacerda.

O debate foi proposto pelos deputados Vanderlei Macris (PSDB-SP) e Mendonça Filho (DEM-PE), dentro da estratégia da oposição de pedir explicações a todos os ministros acusados direta ou indiretamente de irregularidades. Até porque se o interesse dos deputados fosse discutir ocupações ilegais em projetos de assentamentos e unidades de conservação os ministros convocados teriam que passar algumas semanas dando explicações. 

Protestos contra Belo Monte pelos quatro cantos do mundo


Os protestos contra a hidrelétrica de Belo Monte que no Brasil se concentraram no último sábado (22) se espalharam pelo mundo nesta segunda-feira, 24 de agosto, com protesto em frente às embaixadas brasileiras e outros lugares famosos em pelos menos 15 países.
Abaixo, algumas fotos, links e vídeos dos protestos em várias partes do mundo.

 Alemanha: Weltweite Proteste gegen Amazonas-Staudamm

Australia: Protesters have a blue over green concerns


Estados Unidos:Protesto contra Belo Monte reúne 40 em Washington


França

Ameaças de Miriam Belchior que deveriam abalar o país

Em evento promovido pela revista Carta Capital nesta segunda, 22, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, desqualificou os oponentes de Belo Monte como ignorantes. Miriam, que participou do seminário “Hidrelétricas: as necessidades do país e o respeito à sustentabilidade”, alegou que os que consideram os aspectos técnicos do empreendimento se convencerão da sustentabilidade do projeto.

A ministra, que tem mestrado em administração mas nenhuma especialização em hidrelétricas, nem em Amazônia, nem em meio ambiente, nem em populações tradicionais, do alto de seu desconhecimento, ingenuidade ou empáfia, desqualificou não apenas os 37 pesquisadores e acadêmicos que compõem o Painel de Especialistas – que redigiu um extenso, minucioso e técnico documento sobre a inviabilidade social e ambiental de Belo Monte -, como outras instituições de pesquisa e representação acadêmica que criticam a usina, à frente a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Miriam, que, segundo a imprensa, afirmou que  “Belo Monte para nós será o nosso grande parâmetro de inovar; não só de inovar na obra de infraestrutura, mas na forma de implantação desse novo investimento”, proferiu com isso uma tenebrosa ameaça contra a Nação: se Belo Monte é referência dos projetos governamentais, com suas 12 ações na justiça por ilegalidades, questionamentos de órgãos multilaterais e entidades internacionais de Direitos Humanos, recordes absolutos de desmatamentos na região, espancamentos e despejos de sem-teto expulsos de suas casas em Altamira, e violações de direitos indígenas, faz-se necessário um questionamento urgente, sob aspectos legais, éticos e dos direitos humanos, da concepção de Estado Democrático de Direito do governo.

Faz-se necessário também avaliar, em conjunto com a Comunidade Internacional, quais as credenciais do Brasil - que discute flexibilizar a legislação e perdoar criminosos ambientais nos debates sobre alterações do Código Florestal, que permite assassinatos e ameaças de morte a lideranças sociais que lutam pela proteção das matas, e que diminui Unidades de Conservação para construir grandes usinas -, de hospedar um evento internacional da envergadura da Rio + 20, um dos principais fóruns de discussão sobre meio ambiente das Nações Unidas, a se realizar em 2012.


MAB fará acampamento em Altamira


Por Paulo Villa Real e Maria Fernanda Linhares


Durante toda essa semana, de 22 a 26 de agosto, o MAB estará acampado na Praça da Independência (ao lado da UFPA). O acampamento faz parte da Jornada Nacional de Lutas que acontece em todo o Brasil.

Quem passar hoje (21) pela Rua Coronel José Porfírio já presencia algumas barracas levantadas que os militantes estão montando.

O objetivo dessa ação é reafirmar a posição contrária do Movimento em relação à Belo Monte e organizar as famílias ameaçadas por Belo Monte para lutar por direito. Segundo o MAB, independente da construção da barragem, todas as famílias têm direito a qualidade de vida, a políticas públicas que dê o mínimo de dignidade a todos moradores.

Neste sentido, foi feita uma mobilização de preparação para esse acampamento, onde durante toda a semana passada militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens visitaram as famílias dos Bairros Boa Esperança e Aparecida, que culminaram com reuniões noturnas com a população. Nas reuniões o povo colocava suas angustias em relação ao consócio construtor da barragem que passam informações confiáveis aos ameaçados pela construção.

O acampamento contará com a participação dos moradores dos baixões de Altamira e as famílias sem-teto organizadas no Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), que estão acampados em frente à Prefeitura.

Na quarta-feira (24), os manifestantes farão um grande ato pelas ruas da cidade para denunciar os impactos negativos de Belo Monte na vida da população de Altamira, e será apresentado também uma pauta de reivindicação, e entre os diversos pontos de pauta estará o direito a moradia.

MST bloqueia entrada do Ministério da Fazenda


Dentro das atividades da Jornada Nacional de Lutas promovidas pela Via Campesina, pelo menos 4.000 camponeses trancaram o Ministério da Fazenda nesta manhã em Brasília, impedindo assim o funcionamento do prédio.

Segundo a Via Campesina, o objetivo da ocupação é retomar as negociações de uma série de reivindicações relativas à dívidas dos pequenos agricultores, o contingenciamento do orçamento do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e os cortes previstos para 2012.

Ontem, cerca de 400 integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocuparam uma das fazendas da empresa Cutrale no município de Borebi (308 km de São Paulo).  A área foi comprada pela União ainda nos anos vinte do século passado e posteriormente grilada.  Há notícias de ocupações de fazendas também em Pernambuco e no Pará, de sedes do Incra em Mato Grosso do Sul, do Dnocs no Ceará e da Chesf e da Eletrobras em Alagoas, de um acampamento em Mato Grosso e de uma marcha no Tocantins.

A Via Campesina é uma articulação internacional de movimentos sociais camponeses. No Brasil, é integrado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pescadores e Pescadoras, Quilombolas, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), além do Sindicato dos Trabalhadores da EMBRAPA (Sinpaf), da Federação dos Estudantes de Agronomia e da Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal. 

A articulação participa nesta quarta-feira de uma grande Manifestação em Brasília convocada pelo espaço de unidade que inclui CSP-Conlutas, Anel, Andes, SINASEFE, Intersindical, Assibge-SN, FENASP, MTST, MTL entre outros. O ato sairá às 9h da manhã do estádio Mane Garrrincha, em direção à Esplanada dos Ministérios. São esperados pelo menos 20 mil pessoas entre camponeses, petroleiros, professores universitários, trabalhadores dos Correios, servidores públicos federais, mineradores, bancários, rodoviários, estudantes, além de integrantes de outros movimentos populares. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Três hidrelétricas ameaçam indígenas no rio Teles Pires (Parte 1)


Por Telma Monteiro*
No dia 19 de agosto o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) expediu a Licença de Instalação (LI) da hidrelétrica Teles Pires a ser construída no rio Teles Pires. Ela é uma das seis hidrelétricas inicialmente planejadas nesse rio. O mais curioso é que quatro delas estão sendo licenciadas pelo Ibama e outras três, Sinop, Colíder, Foz do Apiacás e Magessi (esta última já excluida do complexo), pela Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso (SEMA).
No dia anterior, 18 de agosto, o Ibama havia publicado o aceite do EIA/RIMA da Usina Hidrelétrica (UHE) São Manoel, mais uma hidrelétrica também no rio Teles Pires. Os estudos ambientais do projeto da UHE São Manoel  estão sendo analisados no Ibama, mas num processo independente da UHE Teles Pires. O outro projeto, UHE Foz do Apiacás (que será licenciado pelo estado do MT e não pelo Ibama), está planejado para ser construído na foz do rio Apiacás no Teles Pires bem ao lado da UHE São Manoel e exatamente na divisa da Terra Indígena Kayabi e Munduruku (ver mapa ao lado).
As UHEs São Manoel e Foz do Apiacás planejadas para o rio Teles Pires estão sendo licenciadas por dois órgãos diferentes -  um federal, Ibama e um estadual Sema de MT, mas o Estudo do Componente Indígena (ECI) é único para as duas hidrelétricas.  Mais grave ainda é que ambas estão na divisa com as TIs Kayabi e Munduruku.Em 2008 e 2009, foram realizados estudos preliminares das Terras Indígenas Kayabi e Munduruku, nos Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) das UHEs Foz do Apiacás e São Manoel, para atender os Termos de Referência da Sema de MT e do Ibama, respectivamente.
Em julho de 2011, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Ministério de Minas e Energia (MME) apresentaram uma complementação ao ECI da UHE São Manoel, pedida pela Funai. No início deste ano a Funai havia emitido um parecer questionando a avaliação dos impactos dos dois empreendimentos sobre as comunidades indígenas, no ECI de agosto de 2010.
O ECI das UHE São Manoel e Foz do Apiacás tem como foco principal os impactos sobre as comunidades indígenas que estão nas áreas de influência dos projetos, em particular nas Terras Indígenas (TI) Kayabi e Munduruku. Três etnias diferentes vivem nessas terras: Apiaká, Kayabi e Munduruku.
Uma lida na complementação de 351 páginas mostra um relatório das relações históricas dos grupos indígenas do Baixo Teles Pires com o qual eles convivem por pelo menos dois séculos. Comprova também a vulnerabilidade desses grupos além de expor a importância das áreas protegidas, as Tis Munduruku, Kayabi e Sai-Cinza e as unidades de conservação, na garantia da integridade física e biótica dos recursos naturais. A revisão das matrizes de impactos serviu apenas para atender às solicitações da Funai, pois a decisão já tinha sido tomada.
Tudo não vai além da pura praxe. Esse é mais um estudo, como tantos outros apresentados nos processos de licenciamentos, que comprova que os povos indígenas sofrerão todos os impactos diretos.  Eles serão as principais vítimas sem terem o mínimo conhecimento do tamanho da hecatombe que vai atingí-los, se o governo levar adiante a construção das três hidrelétricas.

Altamira: grileiros e madeireiras estão ameaçando famílias no PDS Itatá


Chegou a informação até o blog que moradores da beira do Igarapé Lages, no que deveria ser o Projeto de Desenvolvimento Sustentável Itátá, em Altamira, estão sendo expulsos por madeireiros e grileiros.

As famílias instaladas nesta região foram removidas do interior da Terra Indígena Koatinemo, a partir de um acordo firmado por elas com o Incra e o Ministério Público Federal. Trata-se de famílias de castanheiros e pescadores, com modo de vida tradicional e hábitos muitos próximos aos assurinis, de quem são vizinhos e mantêm boas relações. 

Há quem associe o fato com o anúncio da construção da hidrelétrica de Belo Monte, pois são grandes as expectativas pelo crescimento de venda de madeira na região para abastecer a obra. Para isto, grileiros tentam se apropriar das áreas, para tentar se  legitimar neste processo.

A área ocupada pelas famílias e onde deveria ser o PDS é formada por terras públicas federais administradas pelo Incra, conhecida como Gleba Ituna. É uma área adquirida pela União judicialmente após um escandaloso caso de grilagem promovido anteriormente pelo Incra.

Este caso foi muito bem descrito e analisado pela professora Andréia Macedo Barreto no artigo Apropriação ilícita de terras públicas na Amazônia: o caso da Gleba Ituna, no estado do Pará”.

Polícia apura atentado contra família de casal de extrativista morto no PA


A Polícia Civil vai investigar o atentado a tiros sofrido na madrugada desta quinta-feira (18) por familiares do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva, em Nova Ipixuna (PA). O ataque, desta vez, deixou ferido um dos cachorros da família, que vivia em uma fazenda vizinha da de onde morava o casal morto em emboscada em 24 de maio deste ano.

Uma equipe de peritos e de investigadores esteve no assentamento Praialta Piranheira, nesta sexta-feira (19), e recolheu chumbo que teria saído da arma usado no crime. A investigação apura a possibilidade de que o atentado tenha sido cometido por um caçador, já que a munição é típica de espingarda de caça.

A ambientalista Claudelice Silva dos Santos, 29 anos, irmã de José Claudio, disse ao G1 que o clima na região é de medo. "Depois que o Ibama fez uma série de operações contra madeireiros aqui, fechando muitas delas, e que a Força Nacional passou por aqui, os fazendeiros vieram com mais força. A produção legal dos assentados caiu, mas a produção de carvão aumentou muito aqui em Nova Ipixuna."

Leia mais no G1

Fórum Nacional na Luta por Moradia em Santarém


Por Edilberto Sena*

Aqui está um assunto palpitante para um Fórum de debates na Amazônia: a luta por moradia. Pode ser exagerado o título com a abrangência nacional, mas é urgente e necessário a sociedade encarar o debate. Não dá mais para tapar o sol com a peneira.  O déficit habitacional é tão grande nesta república sétima economia mundial.

Mesmo com o projeto federal - Minha Casa, Minha Vida - não dá para repor o alto índice da falta de moradias. Além de que, o projeto - Minha Casa, Minha Vida - depende da competência e interesse das prefeituras para ser executado.

Ao se olhar qualquer periferia urbana, seja de Manaus, Belém ou seja até de pequenas cidades, o que se vê são casas que não são propriamente casas, são casebres, sem as
mínimas condições de conforto e higiene.

O mais grave é o número de familiares que não tem suas casas, moram de aluguel ou em casas de parentes. A cidade de Santarém é uma ilustração da incompetência do poder público, em ao menos colocar em prática o projeto Minha Casa, Minha Vida. Não há justificativa razoável para a ausência da aplicação do projeto. Até hoje nenhuma casa financiada pelo plano federal foi construída na cidade. São mais de duas mil famílias envolvidas em ocupações de áreas improdutivas. Há recursos disponíveis do governo federal, há várias áreas livres para execução do projeto. E a coisa não funciona.

Enquanto isso,  se multiplicam as ocupações de áreas sem uso nas periferias. Se uma porcentagem dos ocupantes é de aproveitadores que ocupam lotes para depois vender, não anula a mensagem de que as ocupações são sinais do grave problema dos sem teto.
Curiosamente, os antigos ditos donos das grandes áreas, apresentam papeis de propriedade, cuja legitimidade é questionada pelos ocupadores, certos juízes dão liminar de reintegração de posse, sem conferir por que tais áreas estão sem uso há tantos anos.

Daí que, realizar um Fórum sobre a luta por moradia, chega em momento oportuno. É a primeira vez que por aqui se ouve falar de tal iniciativa na Amazônia. Se for bem organizado certamente revelará que as ocupações desordenadas de áreas improdutivas não são mero oportunismo de aproveitadores; revelará que a falta de moradia é uma violação de um direito humano e certamente o poder público municipal terá que explicar, sem subterfúgios por que não há casas populares construídas pelo projeto nacional. Um Fórum desse tipo chega em boa hora à Santarém.

E certamente é necessário acontecer em outras cidades da Amazônia, onde os inchaços de periferias são a chaga da falta de teto digno neste país. O projeto minha casa minha vida é apenas um paliativo, enquanto os olhos e consciência do governo estão voltados para os grandes projetos do PAC. Nisto se revela a ilusão de que  o governo brasileiro está preocupado com o social. Imagine se os 504 bilhões direcionados para o PAC I fossem investidos em construção de casas populares, melhores do que as casa de pombo  do Minha Casa, Minha Vida.

*Pároco diocesano e Coordenador da Rádio Rural AM de Santarém. Editorial de 22 de agosto de 2011. 

No twitter...

Regime de Kadaffi parece cair, mas o que vem depois?


A tomada da Praça Verde em Trípoli já é o símbolo da queda do regime de Muammar Kadafi, independentemente do destino do ditador. Mas, as coberturas dos canais internacionais de imprensa não possibilitam grandes conclusões já que claramente há linhas pró (como da TeleSur) e anti-Kadafi, como da BBC e Al Jazeera.