sexta-feira, 13 de junho de 2008

Via Campesina faz protestos em sete estados em jornada

A Via Campesina e trabalhadores urbanos da Assembléia Popular seguem com protestos da jornada de lutas para denunciar os problemas causados pela atuação das grandes empresas no país, especialmente as estrangeiras, que são beneficiadas pelo modelo do agronegócio e pela política econômica neoliberal.
Nesta quinta-feira, aconteceram protestos em Minas Gerais, , Rio da Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Pernambuco e audiência em Brasília. Desde terça-feira, aconteceram protestos em 16 estados. A Assembléia Popular é um espaço de organização de comunidades e articulação dos movimentos populares da cidade, ligada à Igreja Católica.


Fonte: MST

Madeireiros e Cia. protestam contra 'Arco de fogo' em Altamira

Representantes de várias entidades e empresários do setor madeireiro e da construção civil de Altamira (Oeste do Pará), protestaram contra as ações da operção "Arco de Fogo"no município.

Os comerciantes da região aderiram ao ato e não abriram as portas das lojas. Cerca de mil pessoas vestiram camisetas pretas, simbolizando o luto pelos prejuízos que, segundo eles, a operação já causou.

Eles protestaram com faixas e cartazes em frente à base improvisada da Polícia Federal, em Altamira.Os manifestantes entregaram à Polícia Federal um documento, contendo as reivindicações, e pediram que fosse encaminhado ao ministro do meio ambiente, Carlos Minc.

Segundo eles, ao invés de realizar a operação 'Arco de Fogo', as autoridades deveriam orientar e educar sobre como cuidar do meio ambiente.Segundo o Sindicato de Trabalhadores da Construção Civil, desde o início da operação na Transamazônica e no Xingu, mais de dois mil trabalhadores perderam o emprego na região.

Por outro lado, a Polícia Federal acredita que exista um grupo interessado em impedir a fiscalização do Ibama e da Polícia.Em 15 dias de operação, 20 pessoas já foram presas e dez madeireiras fechadas.

A 'Arco de Fogo', criada para combater os crimes do comércio ilegal de madeira, deve ser intensificada para combater também o desmatamento e as queimadas.A agitação de populares em Altamira parte dos trabalhadores das madeireiras e comerciantes. Justamente os que sobrevivem da ilegalidade das madeireiras. Para os agentes da operação Arco de fogo crime é crime.

Fonte: Notícias da Amazônia

Leia também:
Taiwanês é preso com madeira ilegal em em Altamira (PA)
PF realiza operação para combater ocupação irregular no Pará

Superintendente "furou" com assentados

"Moradores de sete comunidades que formam o Assentamento Curuá Dois, na região do Rio Curuá-Una, deveriam participar hoje [10 de junho] de uma reunião com a superintendência do Incra em Santarém.

Deveriam, mas, o encontro agendado há mais tempo, simplesmente não vai acontecer porque o superintendente Luciano Brunet viajou para Brasília. Ele não deixou ninguém autorizado a dar andamento no processo dos assentados.

O cancelamento pegou as lideranças de surpresa. Tudo estava preparado, inclusive, transporte ao preço mais acessível aos participantes.

O assentamento Curuá Dois foi criado em 2005, mas, de forma ilegal, ou seja, sem participação de todas as comunidades que formam aquela área.Na época, existia na região uma grande concentração de madeira o que acabou atraindo a atenção de empresários do ramo.

Por conta disso, até hoje, acontece invasão de madeireiros no assentamento. Alguns, inclusive, ameaçam de morte lideranças locais.Na verdade, o assentamento Curuá Dois existe de fato, mas, não de direito.

Era justamente esse o assunto que seria tratado na reunião de amanhã.Os assentados aguardam, por parte do Incra, a portaria necessária para a liberação do assentamento.Não há vicinais, nem infra-estrutura, nem mesmo créditos podem ser liberados. A preocupação das lideranças é quanto o aval para a utilização da terra.

O abandono, segundo eles é 100% por parte das autoridades. Algumas famílias estão deixando a área."

Fonte: Notícias da Amazônia.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O neo-neoliberalismo do governo Lula


por Antônio Júlio de Menezes Neto *

O governo petista sempre aponta, com toda razão, que o governo tucano era neoliberal, pois privatizou diversas empresas estatais. Estas denúncias são importantes, pois apontam a ideologia presente na idéia privatizante, qual seja, a da superioridade da esfera privada em detrimento da pública.

A idéia neoliberal ganhou força nos anos 70, um período de crise do capitalismo, no qual os empresários começaram a questionar os impostos que pagavam, dizendo ser o Estado ineficiente para gerir estes recursos. Questionaram, principalmente, os gastos sociais, como a previdência pública; diziam que, se o dinheiro ficasse com a iniciativa privada, eles seriam mais competentes na gestão econômica. Propuseram o desmanche do Estado de bem-estar social-democrata.

Assim, com o apoio de governos como Reagan e Margareth Thatcher, a nova ideologia ganhou o mundo e, especificamente, países como o Brasil. Collor iniciou este período e Fernando Henrique deu continuidade. Quando Lula assumiu, esperava- se, no mínimo, uma auditoria das privatizações. Mas, para surpresa, o governo não tomou nenhuma atitude, apesar de continuar denunciando as privatizações de FHC no palanque eleitoral.

Mas é importante relembrar que o único argumento que o governo Lula usou para dizer que não era neoliberal era o de que não havia privatizado as empresas que os tucanos também não privatizaram (Petrobras, Banco do Brasil, Correios etc.).

E, para surpresa ainda maior, o governo Lula continuou com privatizações, sob outros nomes, como Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Pro-Uni, Parcerias Público-Privadas (PPP). Deve ser um neo-neoliberalismo. Vejamos estes exemplos:

1) Privatização do ensino superior: ao invés de investir no ensino superior público, preferiu beneficiar as escolas particulares, através do Pro-Uni. Esta política visou "ajudar" as faculdades particulares, através de troca fiscal por vagas, muitas vezes em escolas de duvidosa qualidade. Alguns estudos mostram que, com os recursos do Pro-Uni, poderiam ser abertas mais vagas no ensino público do que nas privadas.

2) Parcerias Público-Privadas: o projeto do governo federal propõe a criação de PPPs, começando com a privatização de nossas estradas.

3) Privatização de florestas: o governo passa a permitir a concessão de florestas públicas para manejo privado. Assim, o governo defende a superioridade da gestão florestal privada sobre a pública. Os riscos são evidentes, pois podemos ceder riquíssimos recursos naturais a empresas privadas, inclusive para multinacionais.

4) Reforma agrária de mercado: o governo tucano privatizou a reforma agrária através da compra de terras (Banco da Terra) pelo governo com empréstimos realizados junto ao Bird. O governo Lula continuou com a mesma lógica política, só que agora com o nome de "Consolidação da Agricultura Familiar". Planeja oferecer financiamento público para os sem-terra para a compra de terras privadas.

Os exemplos são muitos. Assim, o governo Lula necessita assumir, publicamente, sua nova face: a de neo-neoliberal.

*Antonio Julio de Menezes Neto é sociólogo, doutor em Educação e professor universitário.
Fonte: Correio da Cidadania

Raposo Serra do Sol: Soberania ou Preconceito?

Um amigo dos tempos de faculdade, hoje no Ibama e enfrentando os terremotos em Sobral, Ceará, me perguntou a opinião sobre um vídeo onde Orlando Vilas-Boas critica a homologação da Terra Indígena Yanomami e alerta para perda de soberania nacional. Esse vídeo abaixo, que está circulando na net. Aliás, um vídeo já bem antigo.

Segue a cópia da minha resposta, apenas com algumas modificações ortográficas:

“O Orlando Vilas-Boas é um os pais da política indigenista brasileira. Em determinados momentos essa política consistia em forçar o contato com tribos isoladas, reconhecer territórios para elas, nem sempre onde viviam. Algo no sentido de "juntar todo mundo numa mesma área" e assegurar o "vazio" para os "civilizados". No Wikipédia há uma boa descrição do contexto geopolítico para isso.http://pt.wikipedia.org/wiki/Irmãos_Villas_Bôas

Nos anos 80, com a Constituição, os indígenas asseguraram o direito de reconhecimento ao território que ocupam, usam ou tenha laços comprovados com laudos antropológicos. Frisa-se que o passo para criação de uma Terra Indígena envolve: identificação, estudos de restrição, delimitação, criação e homologação, com poucas na última fase.

Hoje, com a tentativa de homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e com a possibilidade de manutenção dos arrozeiros pode-se abrir um novo contexto. Se forem mantidos os plantadores, será um precedente para todas as Terras Indígenas nos país, principalmente as ainda não demarcadas e outras ainda não reconhecidas. Pior, é que nesse processo se alimentam os preconceitos.

Um povo indígena não tem direito de dominialidade sobre seu território, está na Constituição. O proprietário é a União, que tem essas terras como bens inalienáveis. Ou seja, só pode haver venda, doação ou entrega do território a estrangeiros ou a qualquer pessoa se os políticos, e não os índios, mudarem a lei. Os índios só podem fazer uso do território e seus recursos naturais.

Frisa-se ainda que a Raposa Serra do Sol não é para os Yanomamis e sim para os Macuxis, que são cerca de 20mil pessoas, é isso não os torna mais ou menos legítimos.Não se trata de uma questão de soberania como vem colocando a mídia. As fronteiras do Brasil só foram definidas como são graças aos povos indígenas.

Alías, Roraima é brasileira graças aos índios. No conflito com a Inglaterra que reivindicava o território, em favor da Guiana Inglesa, o Brasil, representado por Joaquim Nabuco, utilizou a presença indígena para dizer que aquelas terras eram brasileiras. Diante do impasse, o Rei da Itália, mediador do conflito, mandou um emissário para investigar in loco o que existia de verdade na disputa. E no relatório apresentado pelo enviado do Rei o que mais pesou foi a conversa com os índios que se disseram brasileiros e se manifestaram querendo continuar sendo.

O conflito de hoje, naquela região de Roraima é local e, claramente, patrocinado por interesses individuais, que se recusam a aceitar o que é direito dos indígenas e se negam a obedecer a Constituição Brasileira. Mas terá repercussão em todos os povos indígenas, se o STF assegurar esses interesses individuais. Tenho postado sempre sobre o assunto no meu blog.

Um abraço,Cândido”


MT: Cerca de 1400 fazendas estão em nome de estrangeiros


O Incra divulgou um levantamento que revela o grande interesse de estrangeiros em terras brasileiras.

O Estado que tem maior área em nome de empresas e pessoas de outros países é o Mato Grosso, com 1.377 propriedades em uma área de 754,7 mil hectares.

São Paulo lidera a lista no número de propriedades, com 11.424 em nome de pessoas de fora. Somadas, essas terras representam 504,7 mil hectares do território paulista.

O mapeamento revela a situação dos imóveis até o fim de 2007.

Além disso, apenas 3,8 milhões de hectares dos 5,5 milhões já foram catalogados por área

Já comeu a Amazônia hoje?


O mundo, segundo os Estados Unidos


domingo, 8 de junho de 2008

"Assentamentos Fantasmas" de Santarém voltam a ser notícia.

O Jornal "O Estado de São Paulo" publicou matéria hoje, 08 de junho, sobre o relatório do Greenpeace "Assenta- mentos de Papel, Madeira de Lei". Com o título ''Assentamento ajuda desmate'', o jornal trouxe novamente as acusações do Greenpeace.

Mas, novidade mesmo são as defesas do Incra: "(...) Por intermédio de sua assessoria de imprensa, o Incra responde que o Greenpeace e o Ministério Público de Altamira (PA) uniram-se contra o instituto "a partir de alguns fatos verdadeiros - e a maior parte falsos". Diz o Incra que, de fato, existe um assentamento na região de Santarém que o MP afirma ser fantasma "porque da lista de assentados pouca gente foi para a área. E alguns venderam seus lotes para madeireiras, o que é ilegal. Ou não venderam os lotes, mas permitiram que a madeireira entrasse no lote e tirasse a madeira", diz a matéria.

Mais a frente: "(...) Em sua defesa, o Incra alega que, quando confirmou a presença de serrarias no assentamento, notificou o Ibama e a Polícia Federal. E que até hoje o assentamento não foi regularizado porque o MP entrou na Justiça e conseguiu proibir o Incra de fazer qualquer obra em dezenas de assentamentos da região enquanto não obtivesse a licença ambiental. "A Superintendência de Santarém está correndo atrás das licenças, mas demora porque precisa fazer para cada assentamento um Plano de Desenvolvimento e um de Recuperação (PRA) em caso de áreas degradadas", justifica-se.

Se não fosse no Brasil, poderia parecer uma píada.

Leia a matéria completa em http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080608/not_imp185819,0.php

sábado, 7 de junho de 2008

Aos poucos, a Amazônia desaparece


A cada ano, milhares de quilômetros da maior floresta do mundo são substituídos por monocultivos e pastos

Luis Brasilino, da redação

Nos últimos oito anos, 154.312 quilômetros quadrados da Amazônia brasileira foram desmatados, uma área superior a do Ceará (148.825 km²). Se o ritmo atual não for alterado, em 2050, mais da metade (53%) da floresta original em território nacional terá virado poeira. A projeção é divulgada pelo Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), iniciativa internacional de pesquisa coordenada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e que tem como parceiros órgãos dos governos dos Estados Unidos e da União Européia, dentre outros.

O estudo identifica que a expansão da agricultura e da pecuária são os principais responsáveis pelo desmatamento, assim como a extração de madeira e a construção e pavimentação de estradas. A devastação ameaça a sobrevivência de um quarto das espécies de mamíferos que habitam a região e a presença de mais da metade da cobertura florestal de oito das doze maiores bacias hidrográficas. “Sem a mata para absorver as chuvas, enormes enchentes seriam prováveis”, alerta a pesquisa, a qual não considera nas estimativas os incêndios e a mudança climática.

Ritmo das chuvas
Incluídas as queimadas, a destruição da Amazônia tem reflexos ainda mais amplos. “[A grande quantidade de fumaça provoca] uma acentuada diminuição na formação de nuvens e de chuvas”, observa, em artigo, Paulo Artaxo, coordenador do Instituto do Milênio do LBA. Os incêndios afetariam o transporte de umidade para Estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, além da Argentina e do Paraguai, , segundo José Antonio Marengo Orsini, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No lugar das chuvas, as correntes de ar transportariam fumaça para essas regiões. Artaxo ainda acrescenta que as queimadas elevam a produção de ozônio, “que danifica a floresta não queimada e plantações que podem estar a milhares de quilômetros”. Cria-se então um círculo de devastação que pode provocar a destruição completa da floresta.

Impactos sociais
Além dos impactos ambientais, Maurício Torres, pós-graduando em geografia humana pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de vários estudos sobre a questão fundiária no Oeste do Pará, lembra que “os tratores que derrubam a floresta são os mesmos que põem abaixo as casas, roçados, cemitérios, escolas, igrejas..., enfim, destroem a identidade das populações que habitam as matas da Amazônia”. É provável que a devastação em larga escala da região também provoque intensos fluxos migratórios. E novos fatores reforçam as previsões pessimistas.

Quatro mudanças na legislação avançam em nível federal no sentido de facilitar a exploração econômica da região, especialmente pelo agronegócio.

“Floresta Zero”
Foi aprovado no Senado e atualmente tramita na Câmara um Projeto de Lei – de autoria de Flexa Ribeiro – que autoriza a derrubada de até 50% da vegetação nativa em propriedades privadas na Amazônia (hoje, o percentual permitido é de 20%). Além disso, legaliza praticamente todos os desmatamentos que, nos últimos 40 anos, derrubaram cerca de 700 mil km² da área original de floresta. O projeto também desobriga os responsáveis pelos desmatamentos de recuperarem a área, permitindo que uma derrubada de árvores realizada no Pará, por exemplo, seja compensada com o plantio no Rio de Janeiro.

Os ruralistas defendem a proposta alegando que incentivará a adesão de fazendeiros à legislação ambiental e garantirá a sobrevivência de metade da biodiversidade amazônica. A primeira promessa, levando-se em conta o passado da atividade rural na região, é uma dúvida. A segunda é ilusão. A derrubada de 50% da Amazônia geraria o quadro de devastação previsto pelo LBA.

Aceleração da grilagem
Já no dia 25 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a MP 422/08, permitindo a venda de terras públicas para os detentores de imóveis de até 1.500 hectares (ha), sem necessidade de licitação. Originalmente, esse limite era de 50 ha (Constituição de 1988) e, em 2006, passou para 500 ha. Sérgio Leitão, do Greenpeace, lembra que a justificativa do governo federal é beneficiar pequenos posseiros. “Isso não é verdade, pois se olharmos o volume de área legalizada, essa afirmação não faz sentido”, avalia. O novo limite equivale ao tamanho de 1,5 mil campos de futebol.

Para Ariovaldo Umbelino, geógrafo da USP, na prática, a MP legaliza a grilagem na Amazônia, atendendo aos interesses do principal interessado, o agronegócio. A medida ainda depende de aprovação do Congresso.

Além disso, tramita no Senado a proposta de emenda constitucional, PEC 49/06, de Sérgio Zambiasi, que determina a redução da faixa de fronteira nacional de 150 km para 50 km. Ainda que as principais interessadas nessa matéria sejam as transnacionais de celulose que operam no Rio Grande do Sul, próximo à fronteira com a Argentina e o Uruguai, o projeto permite que estrangeiros comprem terras da Amazônia.

Por fim, os decretos legislativos 44/07 e 326/07, de autoria do deputado federal Valdir Colatto (PMDB-SC), visam sustar o decreto 4.887/03, que regulamenta o processo administrativo para a regularização de territórios quilombolas. A aprovação dos decretos tornaria mais burocrático e complicado o processo de titulação dessas áreas, deixando novas extensões de terras públicas sujeitas à grilagem e à exploração econômica.

(Colaboraram Dafne Melo, da Redação, e Gladis Éboli, de São Paulo-SP)

Fonte: Brasil de Fato

Criadas mais três UCs na Amazônia

Luana Lourenço Repórter da Agência Brasil

Brasília - Depois de mais de um ano parada na Casa Civil, a criação da Reserva Extrativista (Resex) do Médio Xingu, no Pará, saiu do papel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou hoje (5) o decreto de criação da Resex e de outras duas unidades de conservação: a Reserva Extrativista de Ituxi e o Parque Nacional Manpiguari, ambos no Amazonas.

“A gente reclamou muito até conseguir a criação da reserva. Nossa população sofreu ameaças”, disse o líder comunitário Herculano Costa, lembrando que chegou a ser ameaçado de morte por setores contrários à criação da reserva na região do Médio Xingu.

Com a criação das novas reservas extrativistas, que somam cerca de 1 milhão de hectares, o governo pretende fechar o chamado “paredão verde” para conter o avanço do desmatamento na região. Os decretos foram assinados em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que a expansão das unidades de conservação na Amazônia responde aos críticos internacionais que contestam a soberania brasileira sobre a floresta. “Estamos mostrando que a Amazônia pertence aos brasileiros, às comunidades que vivem na região. Pertence ao povo brasileiro e às políticas de conservação”, defendeu.

Apesar de “ver com bons olhos” o avanço de unidades de conservação, o coordenador de áreas protegidas da organização não-governamental (ONG) WWF Brasil, Cláudio Maretti, criticou a demora do governo para analisar os processos e consolidar novas áreas de preservação.

“Há unidades que deveriam estar nesta lista e não foram criadas hoje, como, por exemplo, a Resex Renascer [no Pará], áreas na Mata Atlântica e mais uma lista enorme de áreas. A responsabilidade de fazer as coisas com cuidado é correta, mas a demora exagerada pode gerar prejuízos para conservação, emissões [de gases de efeito estufa] que geram mudanças climáticas e prejuízos às comunidades”, apontou.

Lula também assinou decreto que prorroga por tempo indeterminado a restrição para o corte ilegal de mogno na Amazônia e outro que cria um grupo de trabalho para acertar os detalhes de funcionamento do Fundo de Proteção e Conservação da Amazônia, que deverá ser lançado daqui a 30 dias.

Fonte: Agência Brasil

Leia também Terra do Meio: "Operação do Ibama flagra bois e pista de pouso em área intocável no Pará"

Justiça anula licença para a usina hidrelétrica de Estreito

da Agência Folha

A Justiça Federal no Maranhão anulou a licença de instalação da hidrelétrica de Estreito, na divisa com o Tocantins.

O Ceste (Consórcio Estreito Energia) terá que paralisar as obras até que seja emitida nova licença de instalação pelo Ibama.

O consórcio terá que complementar o EIA/Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) para ampliar a área do reservatório da hidrelétrica.

A desobediência à determinação pode acarretar multa de R$ 15 milhões.

A anulação foi solicitada pelo Ministério Público Federal do Tocantins e do Maranhão e obriga o Ibama a realizar novas audiências públicas nos municípios afetados pelo empreendimento.

O que está em jogo em Raposa Serra do Sol?

"Poucos cidadãos, plantadores de arroz, que são empresários, usam seu poder econômico para resistir ao cumprimento da legislação”, afirrma Paulo Guimarães, assessor jurídico do CIMI

do IHU On-Line

O que está em jogo na Raposa Serra do Sol? Seis arrozeiros se negam a deixar uma área pública, federal e homologada para usufruto de diversas tribos indígenas de Roraima. Os mesmos seis arrozeiros, empresários de grande influência econômica na região, pedem suporte às autoridades políticas e de defesa.

Enquanto o governo do Estado e a mídia intervêm a favor deles, as Forças Armadas se negam a participar da operação, e o governo federal protege os índios através da Polícia Federal.

Aliciações, ameaças e depredações são feitos por esses arrozeiros tão poderosos contra indígenas que, depois de tantas perdas que tiveram com o desenvolvimento do país, precisam dessa terra para viver.

Leia a entrevista com Paulo Guimarães, advogado e assessor jurídico do CIMI – Conselho Indigenista Missionário. Para ele, “o que está em jogo é efetivamente o respeito à lei e a Constituição. E poucos cidadãos, plantadores de arroz, que são empresários, ficam usando seu poder econômico para resistir ao cumprimento da legislação”.

Confira em http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/o-que-esta-em-jogo-em-raposa-serra-do-sol

No Norte de Minas, milícia despeja famílias acampadas

No dia 3 de junho, na terça feira, Alex Filho do Wilson Cunha, proprietário da fazenda Andaraí em Nova Porterinha entrou com mais dois jagunços fortemente armados e fez o despejo de famílias acampadas no local (acampamento D. Mauro)

No mesmo dia e num momento anterior, um oficial de justiça esteve no local e apresentou o mandado de reintegrarão de posse para as famílias, com prazo até as 17horas do dia seguinte.

Porém, o proprietário e sua milícia decidiram e executaram o despejo das famílias por sua conta, cumprindo o pape de polícia que é do Estado.

Segundo relatos várias pessoas foram feitas reféns por várias horas, inclusive crianças. A polícia da cidade foi chamada, mas alegou que havia outras prioridades na sede do município

Fonte: MST do Norte de Minas (enviado por Arnaldo José)

Ibama I: Boa notícia!

Ibama multa governo federal em obra de transposição

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou o governo federal em R$ 374 mil por desmatar uma área às margens do rio São Francisco e descumprir exigências feitas em relação à obra de transposição do rio. No ano passado, uma equipe do Ibama vistoriou trechos da obra nos municípios de Cabrobó e Floresta, ambos em Pernambuco, para autorizar o início da transposição, mas encontrou diversas irregularidades. O Ministério da Integração Nacional, responsável pela transposição do rio, afirmou que vai recorrer da multa. “Achamos que não somos culpados, a proibição de desmatar áreas de proteção permanente prevê exceções em caso de obras de alto interesse publico”, afirmou o secretário de infra-estrutura hídrica do ministério e coordenador da obra, João Santana. (fonte: Folha Online)

Fontes: Folha Online e CPT

Ibama II: Má notícia!

Arnaldo José, fiel leitor desse blog me enviou:

“Uma fonte de extrema confiança, me passou este simples relato: Acaba de tomar posse o novo presidente do IBAMA, Roberto Messias. Roberto Messias ocupava até então a Diretoria de Licenciamento do órgão.Quando os técnico do IBAMA em 2007 se negaram a aprovar o licenciamento das usinas do Madeira sem que os estudos complementares fossem apresentados, por ordem da Marina Silva o processo foi encaminhado ao MMA. Lá, os consultores aprovaram os pífios estudos apresentados e o Roberto Messias deferiu o licenciamento.Em síntese Roberto Messias é o homem que disse sim as usinas do Madeira.Todo esse processo levou 5 dias."

Via Campesina e Greenpeace pedem veto ao projeto que reduz proteção da Amazônia

De São Paulo, Desirèe Luíse.

Entidades que defendem a preservação do meio ambiente, entre eles o Greenpeace e a Via Campesina - organismo que reúne movimentos sociais dos quatro continentes - reuniram-se nesta quinta-feira (05) no Plenário Geral da Câmara, em Brasília, para exigir a rejeição do projeto conhecido como “Floresta Zero”.

De autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA), o projeto já passou pelo Senado. Agora, tramita na Câmara dos Deputados. O “Floresta Zero” autoriza a derrubada de até 50% da vegetação nativa em propriedades privadas na Amazônia.

O Projeto ainda permite que, por exemplo, o responsável por um desmatamento realizado no Pará, seja compensado com o plantio de árvores no Rio de Janeiro.

Ambientalistas e Movimentos Sociais temem que a medida agrave ainda mais o quadro de destruição da Amazônia. Só nos últimos 40 anos, já foi derrubada cerca de 700 mil km² da área original de floresta, o equivalente a quase três estados de São Paulo.

Para o integrante da Via Campesina, Marciano Toledo, o projeto trará conseqüências ruins para o país, pois atenta contra o meio ambiente e os povos que vivem na região Amazônica.“Atentam não só sobre, vamos dizer assim, a soberania dos povos da Amazônia, dos povos das comunidades tradicionais, mas da soberania do próprio país, porque libera e facilita o acesso às grandes empresas tradicionais à aquisição de terras.”

De acordo com Toledo, grandes empresas irão desmatar áreas da Amazônia para o cultivo de milho, cana de açúcar e soja.

Fonte: Radioagência Notícias do Planalto.

Terra do Meio: "Operação do Ibama flagra bois e pista de pouso em área intocável no Pará"

JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha, em Belém

Em uma operação no Pará para desocupar 16 fazendas em duas unidades de conservação, áreas legalmente intocáveis, agentes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) encontraram milhares de cabeças de gado e uma propriedade com pista de pouso e até um pequeno porto fluvial.

Segundo a legislação, em unidades de conservação como o Parque Nacional da Serra do Pardo e a Estação Ecológica da Terra do Meio, onde ocorre a operação, só é permitido a visita e a pesquisa, e mesmo assim com autorização do órgão.

A ação, que conta também com agentes da Polícia Federal e FNS (Força Nacional de Segurança), está sendo cumprida desde anteontem por equipes que vão de fazenda em fazenda entregar os mandados de desocupação. Os ocupantes terão 30 dias para ir embora.

Apenas em uma delas, os fiscais estimam que haja mais de 1.000 cabeças de gado. No total, pode chegar a 5.000 animais, criados de maneira extensiva, ou seja, sem utilização de tecnologia avançada, o que aumenta a necessidade de área desmatada.

Segundo o coordenador da operação, Paulo Maués, os bois e vacas das duas unidades de conservação não se enquadram na designação "bois piratas", criada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, nesta semana, para os animais que, uma vez encontrados em áreas desmatadas ilegalmente, serão marcados e apreendidos.

Maués disse que, como a ação está sendo feita com base em ordens da Justiça anteriores à legislação que autoriza a apreensão de bois, eles continuarão com seus donos, devendo apenas serem removidos.

Boa parte das 16 fazendas foi criada há três ou cinco anos, o que o Ibama considera uma ocupação recente. Como estão em regiões isoladas e longe das estradas vicinais, têm dificuldade em transportar o gado.

Por isso, em uma delas, à beira do rio Xingu, os agentes encontraram um porto e uma pista de pouso para aeronaves pequenas. Outras têm sedes bem estruturadas, que podem se tornar no futuro bases para o Ibama, de acordo com Maués. A operação deve terminar na semana que vem.

Fonte: Folha Online.

Incra barra registro de terras da Stora Enso no RS

André Vieira

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) rejeitou os pedidos da Stora Enso para o registro de terras adquiridas pela fabricante sueco-finlandesa de papel em zona de fronteira no Rio Grande do Sul. A empresa estuda medidas a serem adotadas para levar adiante seu projeto de investimento.

Em decisão tomada anteontem em Brasília, o órgão analisou e indeferiu dois processos de registro de terras encaminhados pela empresa. Segundo o Incra, os outros 14 pedidos em andamento no órgão - por sua similaridade - também serão invalidados.

O superintendente do Incra no Rio Grande do Sul, Mozar Artur Dietrich, afirmou que não cabe recurso à decisão do órgão. "A empresa não cumpriu com as formalidades legais", disse, alegando que a Stora Enso feriu a lei ao fazer o registro de terras em áreas próximas à fronteira com Uruguai.

Dietrich acrescentou que a decisão do Incra será levada ao Ministério Público Federal, que investiga o caso, além de informar a corregedoria da Justiça do Estado, responsável por notificar cartórios de imóveis onde a empresa adquiriu os bens a fim de solicitar a anulação do registro de terras.

O superintendente do Incra adiantou ainda que o órgão não deverá encaminhar os processos ao Conselho de Defesa Nacional (CDN), instância ligada à Presidência da República que autoriza empresa de capital estrangeiro a deter terras em zona de fronteira - em limite inferior a 150 quilômetros da divisa.

A Stora Enso, maior fabricante de papel da Europa, comprou nos últimos anos 46 mil hectares de imóveis rurais em 11 municípios do Rio Grande do Sul, com o propósito de plantar eucaliptos para a produção de celulose.

Diante das dificuldades de registrar terras em nome da empresa de capital estrangeiro, parte das propriedades foram registradas em nomes de sócios brasileiros e diretores da companhia como forma de preencher um "vácuo" legal, segundo justificou a empresa na época.
Com a decisão do Incra, a Stora Enso analisa alternativas para regularizar as propriedades, o que poderá incluir medidas judiciais. As providências da fabricante sueco-finlandesa serão tomadas e conhecidas nos próximos dias.

De acordo com o vice-presidente da Stora Enso na América Latina, Otávio Pontes, o Incra não está levando em consideração um parecer da Advocacia Geral da União (AGU), de 1998, que fixou que mesmo empresas de capital estrangeiro não precisam de autorização para adquirir imóveis rurais em território nacional.

"O parecer da AGU tem efeito vinculante em toda a administração pública. O Incra está invocando uma lei antiga, de 1971", disse. Apesar da decisão do Incra de não querer levar o processo à consulta à CDN, Pontes espera que o órgão de consulta presidencial julgue o pedido de registro de terras da empresa.

Fonte: Valor Econômico. Quinta-feira, 05 de junho de 2008.

Docentes da UESPI conquistam 18% de reajuste salarial

Depois de 55 dias de greve, os docentes da UESPI decidiram pelo fim do movimento. A categoria aceitou o reajuste salarial linear de 18%, e já escolheu comissão com o governo a revisão do Plano de Cargos e Salários dos professores.

A assembléia geral da categoria, realizada nesta segunda-feira, às 10 horas, decidiu pelo fim da greve e ratificou o compromisso de lutar por um plano de cargos e salários que atenda aos anseios salariais dos professores e contemple novos reajustes, principalmente no que se refere à dedicação exclusiva e aos incentivos à titulação e pesquisa.

O reajuste salarial eleva para R$ 1.200 o salário do professor graduado com carga horária de 40 horas, sem dedicação exclusiva. Apesar de não ter sido o reajuste esperado, segundo Daniel Solon, presidente da Associação dos Docentes da UESPI - ADCESP, "os 18% foram uma grande conquista para a categoria, principalmente pelas negociações de revisão do plano de cargos e salários da categoria, que a partir dessa semana se iniciarão. A assembléia geral elegeu comissão própria para este fim e os docentes da UESPI poderão de forma mais sistemática galgar novas conquistas".

"A ADCESP agradece todas as iniciativas de apoio, principalmente de servidores e alunos da Universidade que se uniram aos movimentos e à greve, em solidariedade a luta dos professores. Agradecemos também aos demais sindicatos do Piauí que ajudaram a dar continuidade ao movimento em todo o Estado". Finaliza Daniel Solon.

Fonte: ANDES-SN

Fotos comprovam uso de cobaia humana no Acre

"Nota técnica da Secretaria de Saúde do Acre diz que agentes trabalhavam protegidos. As fotos mostram o contrário.

CHICO ARAÚJO

BRASÍLIA — Há exatos 19 dias a Agência Amazônia revelou ao País e ao mundo que agentes de endemias contratados pelo governo do Acre foram usados como cobaias humanas na captura do mosquito Anopheles — transmissor da malária — no Vale do Juruá, no Acre. Após 72 horas da denúncia, o governo do Acre manifestou-se. Expediu nota técnica na qual nega o uso de cobaias humanas em experiência para controlar vetores da malária na região. O mesmo fez o Ministério da Saúde.
Apoiado nas versões oficiais, o senador Tião Viana (PT-AC), que é médico infectologista, foi à tribuna do Senado, a dar justificativas. Classificou as reportagens de “rumores e denúncias estapafúrdias, precipitadas, imaturas, algumas até com desvio de coerência”. Para Viana, o uso de cobaias não existiu. A nota assinada pelo secretário de Saúde do Acre, Osvaldo de Sousa Leal Júnior, seguiu o mesmo script. Diz que a captura de mosquitos (atração humana) é feita sem o contato direto com a pele. Os agentes, segundo a nota, usam barreiras mecânicas (fardas adequadas e demais equipamentos de proteção individual). Desta maneira, o órgão subestima a exposição dos seus agentes entomológicos às picadas do mosquito, conforme eles próprios relatam. (...)"

Abaixo, as fotos tiradas pelos agentes durante a captura do anofelino em municípios do Juruá, no Acre.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Publicidade: MP 422!


Ex-companheiros processam João Alfredo no Ceará

O ex-deputado pelo PT/PSOL e professor e consultor do Greenpeace João Alfredo Teles está sendo processado pela Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Fortaleza. João Alfredo teve atuação em causas ambientais durante seu mandato como deputado estadual e ficou nacionalmente conhecido como relator da CPMI da Terra, já como Deputado Federal. Para entender melhor o caso, leia post a seguir, escrito pelo próprio João Alfredo.

“O motivo dessa correspondência é lhes informar que ESTOU SENDO PROCESSADO PELA SECRETÁRIA DO MEIO AMBIENTE DA PREFEITURA DE FORTALEZA, SRA. DANIELA VALENTE MARTINS, em vista da luta do movimento ecológico de minha cidade, em especial, o Movimento SOS Cocó, contra a construção da Torre Empresarial Iguatemi, cujo proprietário é o Senador Tasso Jereissati, às margens do Rio Cocó, obra que obteve o licenciamento ambiental por parte da Prefeitura Municipal de Fortaleza, cuja prefeita é a Sra. Luizianne Lins, que tem como Secretária do Meio Ambiente, a Sra. Daniela Valente Martins.

Para quem não conhece a história, é preciso lembrar que, contra a construção do referido prédio - devidamente licenciado, repita-se, pela Prefeitura de Fortaleza - se insurgiram não só as pessoas e entidades dos movimentos ecológicos, sociais e socioambientais de Fortaleza (como o SOS Cocó, a Frente Popular Ecológica, a AGB, a Crítica Radical etc.), mas também o Ministério Público Estadual e a Procuradoria da República, os quais, cada um de sua parte, ajuizaram Ações Civis Públicas contra o licenciamento concedido ao empreendimento. As razões que fundamentam essas ações se encontram nos fatos do prédio estar sendo construido em área de preservação permanente (seja porque é margem do rio, seja porque é na área de manguezal); não foi realizado o devido estudo prévio de impacto ambiental; nem tampouco consultado o Conselho Municipal do Meio Ambiente.

(...)”

Leia todo o conteúdo em http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/05/420256.shtml

Mensagens de solidariedade podem ser enviadas para psol@psolceara.org.br

PCdoB paga R$ 3,3 mi por sua 1ª sede própria desde a fundação

Partido da base do governo Lula foi turbinado por doações; só uma empresa, a STB,que emite carteiras estudantis para a UNE, doou R$ 602,8 mil em 2007

FERNANDO BARROS DE MELLO

Turbinado por doações e membro da base de Luiz Inácio Lula da Silva desde o primeiro dia de governo, o PC do B (Partido Comunista do Brasil) comprou um edifício no centro de São Paulo por R$ 3,3 milhões. Ali, ficará a primeira sede própria do partido desde sua fundação, em 1922 . A mudança está prevista para o final deste mês. "É o sonho da casa própria", disse o secretário de Finanças, Vital Nolasco, que atribui a compra a doações e ao aumento de participação da sigla no Fundo Partidário. A relação das doações para o PC do B no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que ele recebeu, em 2007, R$ 874,8 mil de pessoas jurídicas, sendo R$ 602,8 mil da empresa STB (Student Travel Bureau), operadora especializada em turismo cultural para jovens.
A STB mantém acordo com a UNE (União Nacional dos Estudantes) para fornecer a Carteira Mundial do Estudante, que oferece descontos em cinemas, teatros e shows e pode ser usada no exterior.

A UNE é presidida por Lúcia Stumpf, filiada ao PC do B há mais de oito anos. Ela nega qualquer ingerência do partido. Segundo a entidade estudantil, para cada carteira mundial "confeccionada e entregue pela UNE ao estudante, a STB recebe um terço do valor pago e vice-versa". A carteira pode ser feita por estudantes dos ensinos fundamental e médio (R$ 30), universitários da graduação, pós-graduação e estudantes de MBA (R$ 40).

A UNE informou ter arrecadado no ano passado cerca de R$ 3 milhões com seusdois tipos de carteirinhas, a nacional e a internacional.

Questionada sobre quanto recebe por cada carteira emitida, a STB disse que o contrato "possui cláusula de confidencialidade e esses dados não podem ser divulgados". A resposta foi a mesma para a pergunta sobre a arrecadação de 2007.

As doações de pessoas físicas para o PC do B totalizaram R$ 2,85 milhões no ano passado. Há repasses entre R$ 15 e até alguns acima de R$ 100 mil. Parlamentares do próprio partido fizeram doações, assim como membros de outras siglas, como o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), que contribuiu com R$ 1.000.

Hoje, o PC do B tem 13 deputados federais em exercício e um senador. Não tem nenhum governador, mas tem dez prefeitos pelo país.

Fonte: Folha de São Paulo

1 bilhão de árvores pra boi dormir!

Por Edilberto Sena*

"Eu te darei o céu meu bem, e o meu amor também..." diz uma canção brasileira. Assim também soa música romântica e espetacular a frase do presidente da República nestes dias, em Belém ao dizer com a maior... digamos assim, a maior convicção – "vamos financiar o plantio de um bilhão de árvores na Amazônia em 05 anos". E seu novo acólito, ministro do meio ambiente, acostumado às praias de Copacabana, chega e sustenta a palavra do chefe.

É verdade! Vão plantar 200 milhões de árvores por ano, na Amazônia. Quem já desmatou a floresta, agora terá dinheiro para reflorestar, uma gracinha, não fosse uma afronta. Diante de um anúncio tão espetacular, um engenheiro florestal, nascido, criado e estudado no Pará achou a frase do presidente e reprizada por seu acólito, uma bravata, típica de comício de candidato político quando ia ao interior e falava: - "se for eleito, mandarei asfaltar as ruas dessa vila... "

Um bilhão de árvores plantadas em cinco anos, 200 milhões a cada ano. Já pensou? Quem conhece um pouco da Amazônia e até de plantio de verdura em horta, se pergunta: mas onde vão achar 200 milhões de sementes a cada ano de jatobá, magno, cedro, massaranduba e etc? Como vão aguar 200 milhões de plantinhas em viveiros por ano, até elas se garantirem, antes de irem à mata? Quanto irá custar ao cofre da nação cuidar de 200 milhões de pequenas árvores até elas crescerem o suficiente?

Se para cada pequena árvore por um ano o custo de cuidar dela for 100 reais, serão cerca de 20 bilhões de reais a cada ano. Não precisa ser de partido de oposição para perceber que o governo não fala sério sobre a Amazônia, quando publicamente faz uma promessa dessas. Ou ele quer impressionar europeus e japoneses, ou não tem noção da bazófia que diz. Mais parece o recém formado engenheiro agrônomo que chegou no Acre anos atrás, na casa de um seringueiro e vendo uma bola de sernambi de 20 quilos, exclamou – "mas que árvore resistente a seringueira, parece frágil, mas produz sementes grandes e pesadas! O seringueiro apenas riu do diploma do engenheiro diplomado.

Um bilhão de árvores plantadas na Amazônia, em cinco anos, por quem quiser, inclusive por madeireiros e sojeiros... São afirmações desse tipo que revelam o quanto a gente de fora menospreza a Amazônia e seus habitantes. Uma promessa oficial para ser esquecida em poucas semanas. Quem tem consciência fica com o sangue esquentando nas veias, por indignação, não é verdade?

Editorial da Rádio Rural de Santarém, em 31/05/2008
___
* Santareno, é padre diocesano. Dirige a Rádio Rural AM e é pároco da igreja de N.S. de Guadalupe, no bairro de Nova República

Carta aberta ao Presidente do Brasil*

* As organizações Batay Ouvriye, Plateforme Haitienne pour um Droit Alternatif, Institut Culturel Karl Leveque e Mouvman Demokratik Popile do Haiti lançaram carta pública durante visita do presidente Lula aquele país na semana passada. O Haiti é um dos 32 países do mundo com crise crônica de falta de alimentos e está sob intervenção da ONU com tropas comandadas pelo Brasil.

Trecho da carta:

"Porto-Principe, HAITI Quarta-feira 28 de maio de 2008.

Senhor Presidente,


O Sr. deve ter se dado conta que sua visita de hoje, 28 de maio do 2008 nao recebeu as boas-vindas como aquela de 2006 quando, acompanhado da "selecao", enlouquecia meio mundo, tratando de nos fazer pensar que a lua e um queijo. Na realidade, cairam as mascaras. Primeiro pelo rotundo fracasso da MINUSTAH quanto aos objetivos de maio do 2004, do mesmo Conselho de Seguranca da ONU. Depois, porque ninguem mais cre na "desinteressada ajuda" dessa missao. Nos, de imediato entendemos o que esta "subjacente" a esta "benevolencia". A vinda do filho do vice-presidente Alencar, proprietario da mais importante industria textil do Brasil, para localizar as zonas francas e verificar com seus proprios olhos nossa famosa "mao de obra barata", acabou por abrir-nos os olhos. Hoje, quando igualmente estao de visita uns capitalistas, seguramente avidos em apostar neste "ouro vivo": vao-se precisando os objetivos.

(...)"

Clique em http://www.litci.org/Portugues/MateriaPT.aspx?MAT_ID=1270 para lê a carta completa.

Quem é o Terrorista?

O Afeganistão foi invadido e ocupado
pelos Estados Unidos e asseclas.

O Iraque foi invadido e ocupado pelos
Estados Unidos e asseclas.

A Palestina foi invadida e ocupada
por Israel e asseclas.

O povo do Afeganistão luta contra a
ocupação estrangeira.

O povo do Iraque luta contra a ocupação estrangeira.

Os palestinos lutam contra a ocupação estrangeira.

Quem é o terrorista?

Fonte: http://blogdobourdoukan.blogspot.com/

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Bifurcação na Justiça*


Boaventura de Sousa Santos (Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra)

Entende-se por bifurcação a situação de um sistema instável em que uma alteração mínima pode causar efeitos imprevisíveis e de grande porte. Penso que o sistema judicial brasileiro vive neste momento uma situação de bifurcação. O Brasil é um dos países latino-americanos com mais forte tradição de judicialização da política. Há judicialização da política sempre que os conflitos jurídicos, mesmo que titulados por indivíduos, são emergências recorrentes de conflitos sociais subjacentes que o sistema político em sentido estrito (Congresso e Governo) não quer ou não pode resolver. Os tribunais são, assim, chamados a decidir questões que têm um impacto significativo na recomposição política de interesses conflituantes em jogo.

Neste momento, o país atravessa um período alto de judicialização da política. Entre outras acções, tramitam no STF a demarcação do território indígena da Raposa Serra do Sol, a regularização dos territórios quilombolas e as acções afirmativas vulgarmente chamadas quotas. Muito diferentes entre si, estes casos têm em comum serem emanações da mesma contradição social que atravessa o país desde o tempo colonial: uma sociedade cuja prosperidade foi construída na base da usurpação violenta dos territórios originários dos povos indígenas e com recurso à sobre-exploração dos escravos que para aqui foram trazidos.

Por esta razão, no Brasil, a injustiça social tem um forte componente de injustiça histórica e, em última instância, de racismo anti-índio e anti-negro. De tal forma, que resulta ineficaz e mesmo hipócrita qualquer declaração ou política de justiça social que não inclua a justiça histórica. E, ao contrário do que se pode pensar, a justiça histórica tem menos a ver com o passado do que com o futuro. Estão em causa novas concepções do país, de soberania e de desenvolvimento.

Desde há vinte anos, sopra no continente um vento favorável à justiça histórica. Desde a Nicarágua, em meados dos anos oitenta do século passado, até à discussão, em curso, da nova Constituição do Equador, têm vindo a consolidar-se as seguintes ideias.

Primeira, a unidade do país reforça-se quando se reconhece a diversidade das culturas dos povos e nações que o constituem. Segunda, os povos indígenas nunca foram separatistas. Pelo contrário, nas guerras fronteiriças do século XIX deram provas de um patriotismo que a história oficial nunca quis reconhecer. Hoje, quem ameaça a integridade nacional não são os povos indígenas; são as empresas transnacionais, com a sua sede insaciável de livre acesso aos recurso naturais, e as oligarquias, quando perdem o controlo do governo central, como bem ilustra o caso de Santa Cruz de la Sierra na Bolívia.

Terceira, dado o peso de um passado injusto, não é possível, pelos menos por algum tempo, reconhecer a igualdade das diferenças (interculturalidade) sem reconhecer a diferença das igualdades (reconhecimentos territoriais e acções afirmativas). Quarta, não é por coincidência que 75% da biodiversidade do planeta se encontra em territórios indígenas ou de afrodescendentes.

Pelo, contrário, a relação destes povos com a natureza permitiu criar formas de sustentabilidade que hoje se afiguram decisivas para a sobrevivência do planeta. É por essa razão que a preservação dessas formas de manejo do território transcende hoje o interesse desses povos. Interessa ao país no seu conjunto e ao mundo.

E pela mesma razão, o reconhecimento dos territórios tem ser feito em sistema contínuo, pois doutro modo desaparecem as reservas e, com elas, a identidade cultural dos indigenas e a própria biodiversidade.

Estes são os ventos da história e da justiça social no actual momento do continente.

Ao longo do século XX não foi incomum que instâncias superiores do sistema judicial actuassem contra os ventos da história, e quase sempre os resultados foram trágicos. Nos anos trinta, o ST dos EUA procurou bloquear as políticas do New Deal do Presidente Roosevelt, o que impediu a recuperação econónimca e social que só a segunda guerra mundial permitiu.

No início dos anos setenta, o ST do Chile boicotou sistematicamente as políticas do Presidente Allende que visavam a justiça social, a reforma agrária, a soberania sobre os recursos naturais, fortalecendo assim as forças e os interesses que ganharam com o seu assassinato.

Em momento de bifurcação histórica, as decisões do STF nunca serão formais, mesmo que assim se apresentem. Condicionarão decisivamente o futuro do país. Para o bem ou para o mal.

* Texto gentilmente cedido pelo autor como contribuição especial ao Seminário “Povos Indígenas, Estado e Soberania Nacional”, promovido pelo “Observatório da Constituição e da Democracia” – C&D, do Grupo de Pesquisa Sociedade, Tempo e Direito – STD, da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília – UnB, e Fórum em Defesa dos Direitos Indígenas – FDDI, evento realizado em 28 de maio de 2008, no auditório “Dois Candangos”, da Faculdade de Educação da UnB.

Greve na UESPI (Piauí) chega ao 50º dia!

Há 50 dias os trabalhadorea da Universidade Estadual do Piauí (Uespi). O governo Wellington Dias (PT) não avança nas negociações e, pior, decretou corte de ponto e solicitou a lista dos grevistas em estágio probatório e substitutos, para punição/demissão.

Os professores/servidores da rede básica estadual (Sinte), em greve há 14 dias, tiveram o movimento considerado "ilegal" pela Justiça, mas em assembléia, decidiram continuar na luta. O governo solicitou ilegalidade da greve na Uespi, mas não conseguiu, ainda.

Os trabalhadores solicitam manifestações de apoio para fortalecer o movimento, em defesa da educação pública e por melhores condições de salário e trabalho. Para enviar moções de apoio ou de repúdio ao governo seguem os seguintes endereços:

Associação dos Docentes da Uespi (Adcesp): adcesp@gmail.com
Sindicato dos Trabalhadores da rede estadual de ensino no Piauí : presidencia@sintepiaui.org.br
Governador Wellington Dias : governador@pi.gov.br
Secretária de Administração Regina Sousa: http://br.f300.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=sead@sead.pi.gov.br

Fonte: Daniel Solon, pela Adcesp
Maiores informações: A centelha

domingo, 1 de junho de 2008

"A Amazônia é nossa!" Será?



Fonte: Blog Molotov

O Índio e o Engenheiro

Roberto Malvezzi (Gogó)

A questão indígena e negra atua no tecido social brasileiro como um câncer crônico, que não mata, mas tortura e inferniza a vida do paciente de forma definitiva. É como o fígado de Prometeu, consumido por um abutre perpetuamente, mas que se recompunha quando a tortura parecia chegar ao final.

O Brasil não consegue superar essas questões porque elas são elementos fundantes e constituintes da civilização brasileira. Matar índio e lhes roubar o território, explorar e matar negro, destruir a natureza são elementos constitutivos da civilização brasileira. São realidades do presente, não apenas do passado. O Conselho Missionário Indigenista nos diz que no ano passando 92 lideranças indígenas foram assassinadas. O conflito da Serra Raposa do Sol e o "simbólico" ataque ao engenheiro revelam que não conseguimos - definitivamente não conseguimos - superar esse pecado original da nação brasileira.

O Brasil, em determinado momento de sua história, optou por criar os territórios indígenas. Muitos criticam esse sistema, mas foi ele que ao menos preservou algumas regiões ainda com natureza original e exuberante, rica em biodiversidade, além de preservar a vida e a sócio diversidade indígena, nas suas variadas matizes. Acontece que esses territórios guardam as riquezas que ainda não foram exploradas, não foram saqueadas e, por isso, territórios indígenas e quilombolas tornaram-se "empecilhos ao desenvolvimento". Desenvolvimento de quem? De quê? Dessas aves de rapina que começaram devorando o pau brasil no litoral brasileiro e que não vão sossegar enquanto não derrubarem a última árvore amazônica? Hoje querem mudar a lei para derrubar 50%. Depois vão mudar para derrubar mais 30%. Em última análise querem destruir tudo, porque não sabem fazer, não sabem ser, a não ser destruindo. Como dizia o homem do agronegócio ao agente da CPT: "quero entrar nessa floresta como um cupim, começando pela primeira árvore do lado de cá, até sair na última do lado de lá".

O problema do Xingu agora é a hidroelétrica. Agora, mas daqui a pouco pode ser uma reserva mineral, a água, a biodiversidade. Esses índios vivem sob ameaça há décadas, há séculos. O governo Lula se encarregou em tornar realidade todos os temores que havia no São Francisco, no Madeira, no Xingu e onde mais tiver obras necessárias ao capital. Até nós, que não somos parte das populações tradicionais, mas estamos a seu serviço, nos sentimos mais oprimidos nesse governo do que nos tempos dos outros presidentes pós regime militar. Nem mesmo as compensações sociais do governo Lula anulam a angústia que se abate sobre essas populações agredidas por essas grandes obras. O sacrificialismo inerente ao capital também tornou-se constitutivo desse governo. Por isso, é possível imaginar e entender a reação dos Kaiapós ao engenheiro.

Vamos ressaltar a dignidade do engenheiro na entrevista que deu à TV. Em nenhum momento fez qualquer referência desairosa aos índios. A jornalista, o meio de comunicação para o qual ela trabalha, esses sim estavam sedentos de condenação.

Talvez o engenheiro tenha a consciência que, a agressão que ele sofreu dos índios, seja insignificante diante da agressão que as corporações técnicas a serviço do capital tenham feito aos índios ao longo de nossa história.

PAC, PAS... pessimismo?

Por Edilberto Sena*

Nove governadores da Amazônia legal (pois a amazônia real inclui apenas seis estados, os outros entraram por oportunismo por conta da SUDAM da ditadura) estarão amanhã em Belém num encontro especial. O Presidente da República estará junto com eles.

Qual o objetivo de tão inusitado acontecimento? A notícia diz que as mais altas figuras da Amazônia vão debater sobre a situação da região, hoje tão falada, tão cobiçada e tão mal administrada. Querem os governadores colocar a Amazônia no seu devido lugar na federação do país, tanto na questão econômica, como social e desenvolvimento. Para dar uma ilustração desse desequilíbrio, o Pará é o quarto ou quinto Estado maior exportador de produtos primários, ao mesmo tempo é o vigésimo terceiro na lista do Índice de desenvolvimento humano, o IDH.

Já o presidente Lula vem fazer mais um discurso empolgado, anunciando o PAS e o PAC na Amazônia. Como o presidente adora fazer discursos, a maioria de improviso com comparações às vezes engraçadas, às vezes ridículas, como foi comparar a demissionária Marina Silva, com o jogador Pelé. O PAC ainda não saiu do papel, agora chega mais um PAS.

Quanto à reunião dos governadores da Amazônia, entre os quais a governadora do Pará, anfitriã do evento, o que se pode esperar de bons resultados? Provavelmente eles e ela irão negociar uma compensação financeira para os prejuizos da lei Kandir aos estados esportadores de produtos primários; provavelmente também, irão debater a palavra sustentável, se os números do desmatamento da floresta anunciados pelo satélite, é verdadeira ou não. Discutirão palavras e palavras, todos dizendo que fazem o máximo que é possível fazer e que estão preocupados com o bem estar da população.

Mas, o que se pode esperar em defesa da Amazônia, quando os governadores do Mato Grosso e de Rondônia defendem publicamente a expansão do agro negócio na região? O que esperar de bom, quando o governador de Roraima defende publicamente o confinamento dos povos indígenas em pequenas ilhas de terras, para garantir áreas para o agro negócio? Como esperar bons resultados para a população, quando a governadora do Pará, ex sindicalista hoje corta o diálogo com os educadores e permite sua polícia militar espancar grevistas e utilizar bombas de gás. Ao mesmo tempo ela ameça os grevistas com punições administrativas.

E mais, como esperar melhoria para a Amazônia, se os governadores todos se calam ou apoiam integralmente a construção de grandes hidrelétricas na Amazônia, com prejuizos sociais e ambientais das populações ribeirinhas e povos indígenas? O que mesmo se pode esperar desse evento inusitado dos governadores da região em Belém? Todos pensam em crescimento econômico, em discurso de sustentabilidade, em apoio ao PAC e ao PAS do presidente.

Como pode se trabalhar Plano Amazônia Sustentável, se ao mesmo tempo o PAC pretende destruir grande parte da floresta para gerar eletricidade abundante para quem? e agro negócio para quem? e minérios para quem? Pessimismo demais? então confira os resultados na próxima semana.

Editorial da Rádio Rural de Santarém, em 29/05/2008
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* Santareno, é padre diocesano. Dirige a Rádio Rural AM e é pároco da igreja de N.S. de Guadalupe, no bairro de Nova República

A MP 422 revela a aliança entre Lula e os grileiros na Amazônia

Ariovaldo Umbelino*

As ações do agrobanditismo na Amazônia não saem da mídia, e elas vão revelando a aliança entre o poder judiciário, o legislativo e o executivo com o agronegócio. Novos fatos vão se juntando à tresloucada MP 422 do governo Luis Inácio da Silva sobre a legalização das terras públicas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) ocupadas pelos grileiros na Amazônia.

O poder judiciário absolveu o fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, o Bida, mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang em 2005, no segundo julgamento a que foi submetido. Por mais absurdo que possa parecer, o tribunal do júri do Pará reformou a sentença que o condenava a 30 anos de prisão. Embora a promotoria e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) tivessem impetrado junto ao Tribunal de Justiça do Estado o pedido de anulação do julgamento, o fato mostra que a justiça estadual do Pará continua protegendo os assassinos. O mesmo procedimento está ocorrendo também, no caso do Padre Josimo Tavares, que mesmo depois de 22 anos de seu assassinato em Imperatriz (MA), em 1986, o ex-juiz João Batista de Castro Neto, acusado de ser um dos mandantes deste assassinato, pela quinta vez conseguiu se esquivar de comparecer a interrogatório que seria realizado no ultimo dia oito de maio.

Outra aliança entre poder judiciário e agronegócio, refere-se ao episódio da retirada dos arrozeiros da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol. Se já não bastasse a absurda decisão do Supremo de suspender a ação da polícia federal de retirada dos grileiros da terra indígena demarcada, os pistoleiros do prefeito de Pacaraima (RR) atiraram contra os indígenas ferindo dez deles. O prefeito mandante da ação foi preso e depois solto, e é acusado de suspeita de tentativa de homicídio, formação de quadrilha e posse de artefatos explosivos em terra indígena. Além deste episódio, finalmente o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também lhe aplicou uma multa de R$ 30.6 milhões, por ter praticado na fazenda Depósito, crimes ambientais tais como - desmatamento ilegal de terras, bombeamento de água do rio Sururu sem autorização ambiental e degradação de área de preservação permanente. Aliás, o prefeito de Pacaraima, que possuía autorização do Ibama para desmatar apenas 850 hectares para o cultivo de arroz, entretanto, desmatou 2.5 mil hectares. Ou seja, os dois episódios acontecidos na Raposa/Serra do Sol, mostram que é exatamente a autoridade pública que deveria cumprir a lei, quem não a cumpre.

Mas a ação do governo Lula de apoio aos grileiros do agrobanditismo mais contundente continua sendo a MP 422. No último dia 13 de maio, ela foi aprovada na Câmara dos Deputados, transformando-se em Projeto de Lei (PL) de Conversão nº 16, de 2008. Seguiu para o Senado para votação. Ou seja, a bancada ruralista do Congresso Nacional, em tempo recorde, aprovou a MP 422, pois ela foi um presente de Lula para os grileiros das terras do Incra na Amazônia Legal.

Esta aprovação revela que a Constituição Brasileira está sendo absurdamente mais uma vez revogada por uma lei. Nem o governo Lula e muito menos o Congresso Nacional estão respeitando à Carta Magna, pois está claramente colocado no artigo 188 que “a destinação de terras públicas e devolutas será compatibilizada com a política agrícola e com o plano nacional de reforma agrária”. E mais, afirma também em seu artigo 191 que “aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinqüenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade.” Afirma também, em parágrafo único deste mesmo artigo, que “os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.” Como a legislação complementar indica que o tamanho mínimo dos imóveis rurais adotado pelo Incra tem que ter um módulo fiscal, e como ele vai até 100 hectares, esta dimensão passa a ser a área máxima que a legislação federal permite legalizar.

Entretanto, o que estão fazendo o governo Lula e o Congresso Nacional? Eles criminosamente e de forma inconstitucional estão utilizando a Lei 8.666, para dispensar de licitação para alienar os imóveis públicos da União até 15 módulos fiscais, ou seja, até 1.5 mil hectares. Trata-se, pois, de flagrante desrespeito à Constituição, uma vez que as terras públicas do Incra têm que ser destinadas à reforma agrária. É evidente que os imóveis com área de até 100 hectares onde o módulo fiscal do município permita, devem ser regularizados, pois a reforma agrária pressupõe esta ação. Mas, não é o que está acontecendo. Vamos aos fatos.

O crime contra o patrimônio público é tão escabroso que o próprio Incra trata de forma diferenciada a verdadeira regularização fundiária destinada a conceder o título de terra aos igualmente verdadeiros posseiros e a ação ilegal de legalização das terras dos grileiros. Foi por isso que ele publicou no Diário Oficial da União do último dia 27, a Resolução nº 11 que aprova a Instrução Normativa nº 45 que "fixa os procedimentos para legitimação de posse em áreas de até cem hectares, localizadas em terras públicas rurais da União". Entretanto, no mesmo Diário Oficial, publicou também, a Resolução nº 12 que aprova a Instrução Normativa nº 46 que por sua vez, "fixa os procedimentos para regularização fundiária de posses em áreas rurais de propriedade da União superiores a 100 hectares e até o limite de 15 módulos fiscais, localizadas na Amazônia Legal”.

Dessa forma, com base na MP 422, Lula está transformando os grileiros de terras públicas de até 1.5 mil hectares em “falsos posseiros”. Não há base legal e muito menos social para tornar iguais, legal e socialmente, quem é desigual. É por isso que a justificativa da Resolução toma de forma mentirosa e equivocada o II PNRA que, aliás, terminou em 2007, e o combate à grilagem das terras públicas, para sua fundamentação: “considerando-se as diretrizes do II Plano Nacional de Reforma Agrária, de promover, a regularização fundiária de forma sustentável, combater a grilagem de terras públicas, o desmatamento ilegal e a violência no campo.”

Assim, por meio destes instrumentos legais, Lula vai legalizar a grilagem de mais 30 milhões de hectares de terras públicas do Incra na Amazônia Legal. E inclusive, ela vai permitir que os grileiros que tomaram áreas maiores façam a divisão em áreas menores do que 1.5 mil hectares para serem beneficiados pela legalização.

É por isso que a ABRA, Via Campesina, MST, CPT, MAB, MMC, CIMI, CUT entre outras organizações já encaminharam carta aberta ao Presidente da República e ao Congresso nacional solicitando a revogação imediata da Medida Provisória 422.

(*) Professor titular de Geografia Agrária pela Universidade de São Paulo (USP). Estudioso dos movimentos sociais no campo e da agricultura brasilera, é autor, entre outros livros, de "Modo capitalista de produção (Ática, 1995)", "Agricultura camponesa no Brasil" (Contexto, 1997).

Fonte: RadioAgência Notícias do Planalto

MST se posiciona contrário à MP 422


Estimado amigo e amiga do MST,

A aprovação da Medida Provisória (MP) 422 pelos deputados federais na noite de terça-feira, poucas horas após a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente, confirma que a defesa da biodiversidade vem perdendo a batalha contra o desmatamento e o desenvolvimento a qualquer custo, defendido por diversos setores do governo.

A recém aprovada MP 422 pode ser traduzida como a "legalização da grilagem". Ela trata da dispensa de licitação para a venda de terras públicas com até 1.500 hectares – limite ampliado em mil hectares – sob a tutela do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

Agora, a MP 422 aguarda a companhia do Projeto de Lei proposto pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o PL 6.424, outro grande incentivo à devastação, que reduz de 80 para 50% a exigência de reserva legal (área de preservação de floresta) em propriedades na Amazônia.

Ambas as propostas evidenciam a prioridade do governo federal: abrir terreno para o agronegócio, seja ele qual for. O setor do agronegócio é hoje protagonista do grande processo de devastação da Amazônia que, nos últimos cinco meses de 2007, excedeu a medida de 3.000 quilômetros quadrados de floresta, de acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente.

Não é por acaso que os ventos apontam para o Norte e o agronegócio segue essa direção. É na região amazônica que está concentrado o maior volume de terras devolutas do país. Essa é a base de um processo de ocupação e devastação que, aliado ao uso da máquina estatal para fins privados, abre espaço para as diversas frentes do agronegócio em destaque no mercado, em especial o extrativismo de madeira, pecuária e a monocultura da soja.

Trocar a floresta por boi é projeto antigo. Sabe-se que a iniciativa de ocupar a região com gado remonta à década de 1950 e começou a dar passos mais firmes durante o governo militar, quando em 1966 foram aprovados os primeiros projetos agropecuários para região.

A Amazônia sofre hoje com uma dose cavalar de ocupações ilegais realizadas por latifundiários pecuaristas e produtores de soja, desenvolvidas por meio da grilagem de terras e pactuada com a pilhagem de madeira. Os últimos dados sobre o avanço da produção de gado, por exemplo, são emblemáticos e assustadores. O montante de áreas usadas para a pecuária na região é de 32,6 milhões de hectares, o que corresponde à soma das áreas dos estados de São Paulo, Rio e Espírito Santo.

Dos 30,6 milhões de hectares devastados entre os anos de 1990 e 2006, 25 milhões foram transformados em pasto. O roteiro é simples: primeiro é preciso cercar a terra adquirida junto ao Incra – geralmente de maneira ilegal –, vende-se a madeira da área e então, depois de uma pequena queimada para construir pasto, toma-se a terra para a criação de gado ou, com mais investimento, para a plantação de soja.

Um esquema que conta também com empresas exportadoras brasileiras e estrangeiras. Um terço da carne produzida nessas áreas ilegais, bem como grande parte da madeira roubada e da soja, vão para fora do país.

Ou seja, parte do superávit da balança comercial do país, principal "benefício" do modelo do agronegócio, é sustentado na devastação da Amazônia. O que evidencia a disposição do agronegócio no Brasil: usar a terra que pertence a todo o povo em função única e exclusivamente do lucro, sem levar em conta questões ecológicas ou de outra ordem, atentando contra condições humanas de sobrevivência.

O problema da pilhagem de madeira e ocupação pelo gado está longe de ser resolvido. Pelo contrário. Agora a investida desses latifundiários é descaradamente travestida de assentamento, a exemplo das denúncias que marcaram o fim de 2007, sobre projetos irregulares no Oeste do Pará, os quais, em vez de abrigarem agricultores, estariam sendo explorados ilegalmente por madeireiras. O escândalo que revelou a existência de um pacto entre madeireiras e o Incra do Pará, acusado de destinar áreas da floresta para assentamentos falsos que são depois exploradas pelos latifundiários, há muito vinha sendo denunciado pelo MST.

Nessa ciranda, a monocultura da soja muitas vezes trabalha em parceria com a pecuária, já que o grão se expande por áreas de pastagem degradada. O cultivo já devasta o cerrado e avança sobre a Floresta Amazônica. Encabeçando esse processo estão o capital financeiro e as grandes transnacionais do agronegócio, como Cargill, Bunge, Monsanto, Syngenta, Stora Enzo e Aracruz, que orientam um modelo de produção agrícola baseado na expulsão dos trabalhadores rurais, indígenas do campo e na destruição do meio ambiente.

Entre 1995 e 2003 a produção de soja cresceu mais de 300% nos estados do Pará, Tocantins, Roraima e Rondônia e essa expansão tem previsão de continuidade até 2020. A área de cultivo de soja na Amazônia passou de 20 mil hectares no ano de 2000 para 200 mil em 2006.

Mais impressionante e incriminador são os dados do aumento da produção em Santarém, no Pará. Um claro exemplo da relação dos investimentos dessas transnacionais com a devastação de nossa floresta. A área colhida em Santarém saltou de 200 hectares em 2002, para 4,6 mil em 2003 e hoje corresponde a 16 mil.

Curiosamente, foi no ano de 2003 que o porto construído na cidade pela Cargill, destinado para o escoamento de grãos, começou a operar. Porto que, aliás, foi instalado ilegalmente, pois à época não apresentou o Estudo de Impacto Ambiental que é precedente obrigatório para tal empreendimento, segundo a Constituição de 1988.

As transnacionais buscam agora introduzir no mercado novas sementes transgênicas, tornando ainda mais acirrado o avanço sobre a floresta. E isso já está acontecendo. Amargamos recente liberação de duas variedades de milho transgênico da Monsanto e da Bayer que agora poderão ser comercializadas. A decisão do CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança) põe em risco um longo trabalho de conservação a campo de centenas de variedades de milho adaptadas a diferentes regiões e a diferentes usos e cultivadas livremente pelos agricultores.

A conseqüência mais grave diz respeito à soberania alimentar do país. Isso porque o milho está na base da estrutura alimentar brasileira e as variedades transgênicas a serem cultivadas atendem prioritariamente à produção de ração e agrodiesel. Mesmo se direcionadas à alimentação, o alerta permanece, haja vista a desaprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) quanto ao processo de liberação, por não conter dados que comprovassem a segurança do grão para o consumo humano.

Há anos o movimento vem reivindicando que a criação de assentamentos seja concentrada em áreas com maior número de acampamentos, como no Nordeste, Sul e Sudeste. Enxergamos as florestas como patrimônio da humanidade e sabemos que os maiores prejudicados com a devastação são os camponeses.

Tal posicionamento encontra referência em nossas ações, que se contrapõem ao modelo agroexportador. Apostamos na agricultura camponesa desenvolvida em pequenas propriedades, com base na agroecologia e sabemos que são os camponeses os guardiões de nossa terra.


Secretaria Nacional do MST
Fonte: MST-Informa (Boletim Eletrônico nº 151, quarta-feira, 28 de maio de 2008).

Nova MP do ‘mal’: Calote do agronegócio prejudicará Reforma Agrária

A Medida Provisória editada pelo governo que permite a “renegociação” de 76 bilhões em dívidas do setor ruralista é a maior ajuda da história ao setor. Com ela, o governo Lula permite renegociação ou quitação de dívidas com descontos de até 80%. Achando pouco, deputados ruralistas preparam modificações no texto da medida no sentido de abarcar outros setores e aumentar ainda o rombo.

O jornal Valor Econômico (29/05/08) divulgou que em reunião na Comissão de Agricultura da Câmara, os ruralistas identificaram “... 15 pontos para melhoria da MP. Entre elas, estão a inclusão das operações com risco assumido por bancos privados nos benefícios oferecidos nas dívidas da securitização.”

Defensor de uma "solução definitiva" para o endividamento do setor agrícola, o ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) disse que é "preconceito achar que os agricultores são caloteiros". "Mais de 90% dos que não pagam não têm condições de pagar. O desvio é pequeno", afirmou. (Folha de São Paulo, 28/05/08).

Por sua vez o ministro Guido Mantega (Fazenda), declarou que os agricultores poderão ter um desconto de até R$ 9 bilhões nas dívidas, beneficiando 2,8 milhões de produtores -dos quais 1,8 milhão de agricultores familiares e assentados da reforma agrária, sem especificar o quanto das dívidias está na cota do 1 milhão de não-pequenos agricultores.

Para um engenheiro agrônomo do Incra de Goiás, a MP trás reflexos ruins para os processos de obtenção de terras para Reforma Agrária: 1°) Muitas destas terras seriam arrestadas ao Banco do Brasil e disponibilizadas ao Incra, como aconteceu no governo Fernando Cardoso, pelo menos aqui em Goiás; 2°) Estas terras ficam supervalorizadas e a aquisição delas e de todas outras por desapropriação ou compra por Decreto 433 eleva o custo por família a assentar".

O mesmo declara ainda: "Disso, nossos administradores acham cara a Reforma Agrária e para compensar, forçam aumentar a capacidade de assentamento, criando verdadeiros minifúndios, não propriedades familiares. Disso tudo dá pra ver que poderíamos programar uma Reforma Agrária de verdade, em cima de terras boas a custos bem inferiores, em cima destas terras dos colhedores de créditos e de perdão de dívidas e fiscal”, declarou em correio eletrônico.

Fontes: Valor Econômico, Folha de São Paulo e correio eletrônico.

Acre é denunciado no TRF pelo uso de cobaias humanas

Ação pede à Justiça que determine ao governo do Acre paralisação imediata de pesquisas.

BRASÍLIA – O uso de agentes entomológicos da saúde pública como cobaias humanas em pesquisas de malária na região do Vale do Juruá foi parar na Justiça do Acre. A Associação Brasileira de Apoio e Proteção aos Sujeitos da Pesquisa Clínica (Abraspec) ingressou na quarta-feira no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região com ação civil pública contra a União Federal e o governo do Acre.
Em 2003, o governo acreano contratou para as pesquisas diversos agentes de endemias. Nove agentes confirmaram o caso. Eles passaram a auxiliar serviços de entomologia (parte da zoologia que trata dos insetos, insetologia). Suas tarefas consistiam em estudar os tipos de mosquitos anofelinos transmissores da malária. Recebiam, em média, R$ 850 pelo serviço.

O Ministério da Saúde autorizou o registro de funcionamento de dois comitês de ética em pesquisa com seres humanos no Acre, em 2001 e 2005. Um deles é vinculado à Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), outro, à Universidade Federal do Acre (Ufac). Ignora-se qual deles se responsabilizou pela consolidação dos resultados do estudo dos tipos de anofelino que atacam no Vale do Juruá, onde ocorre a maior incidência de malária no estado. Se houver condenação, o governo terá que indenizar os agentes. A indenização seria pecuniária, em razão de dano moral. “Um lenitivo que atenua, em parte, as conseqüências do prejuízo ou dano sofrido”, assinala a Abraspec. A ação classifica de “conduta omissiva dolosa” a possibilidade de o governo acreano “inflar os números de malária para conseguir mais dinheiro do governo federal”.

O governo estadual está sujeito a devolver aos cofres da União todo o dinheiro recebido nos últimos cinco anos, com a repetição do indébito, originariamente recebidos para combate à malária.

“Prática nefasta”

Um dos agentes, Marcílio da Silva Ferreira, contou que se submetia a picadas com o corpo nu, até por 12 horas, durante o dia, à noite e nas madrugadas. Ferreira disse que precisava do dinheiro, mas não escapou de contrair 12 malárias. Outros agentes confirmaram à Defensoria Pública, em Cruzeiro do Sul (a 710 quilômetros da capital ao Acre), que se submeteram às pesquisas há mais de três anos. O agente Jamisson Rodrigues foi demitido pela Secretaria Estadual de Saúde após relatar a situação à Defensoria.

Assinada pelo presidente da entidade, advogado Jardson Bezerra, a ação pede antecipação de tutela. “O que ocorre no Acre se assemelha ao nazismo e holocausto dos tempos de Adolf Hitler, e não se pode aceitar a continuidade dessa prática nefasta”, reafirmou Bezerra na ação. Em nota oficial divulgada três dias após a primeira denúncia, a secretaria negou a prática.

“A atração humana é a técnica de captura do mosquito feita sem o contato direto com a pele, coletando-o no momento em que pousa, com proteção dada pelo uso de barreiras mecânicas como fardas adequadas e demais equipamentos de proteção individual”, alegou. A Abraspec refuta: “O órgão subestima a exposição dos seus agentes entomológicos às picadas do mosquito, conforme eles próprios relatam”. Para a entidade, eles foram iscas.

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Famílias de pré-assentamento pedem regularização de área recuperada por elas

Gisele Barbieri

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) conta com o apoio do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MP) para a regularização de uma área de 2.4 mil hectares. Localizada na BR-020 [Belém-Brasília] a área foi denunciada pelo MST como um assentamento fantasma.

De acordo com o Movimento, o assentamento foi criado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso sem qualquer infra-estrutura e a presença de famílias no local, O apoio do Ministério Público surgiu depois que integrantes do órgão conheceram a experiência desenvolvida pelas 168 famílias que vivem na área.

No local os agricultores produzem alimentos e trabalham na recuperação constante da biodiversidade que antes estava degradada. Aproximadamente 15 mil mudas de árvores já foram plantadas. Dede 2002 os agricultores lutam para continuarem na terra. No local foi montado o pré-assentamento Oziel Alves II, conhecido como Pipiripau.

A decisão pelo assentamento definitivo das famílias cabe ao Instituto Nacional de Colonização e da Reforma Agrária (Incra) e ao Governo do Distrito Federal que são proprietários das terras.

Uma série de atividades comemorativas aos seis anos de luta e resistência das famílias será realizada neste sábado (31). As atividades começam às 10h. O pré-assentamento fica próximo ao quilômetro 45 da BR 020, entre os municípios Planaltina (DF) e Formosa (GO). De Brasília, da

Fonte: Radioagência Notícias do Planalto

Encontro Xingu Vivo cobra participação popular em decisões


De São Paulo, Vinicius Mansur.

Índios, ribeirinhos e organizações da sociedade civil rejeitaram a construção de hidrelétricas ao longo do Rio Xingu. Reunidos em um encontro realizado em Altamira (PA), os participantes negaram “a construção de barragens no Xingu e seus afluentes, grandes ou pequenas”.

Eles divulgaram uma carta nesta segunda-feira (26) com 12 reivindicações, visando um modelo de desenvolvimento ideal para a bacia.Além das hidrelétricas, a carta também questiona o avanço da grilagem de terras públicas, a instalação de madeireiras ilegais, o garimpo clandestino e a ampliação das monoculturas e da pecuária extensiva.

De acordo com o vice-coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Marcos Apurinã, a comunidade indígena não é contra o desenvolvimento do Brasil. O que eles reivindicam é o direito de serem ouvidos “quando o assunto trata das terras milenarmente ocupadas por estes povos”, afirmou.

O primeiro dos 12 pontos da carta reivindica a criação de um fórum de articulação dos povos da bacia. O objetivo é permitir uma conversa permanente sobre o futuro do rio e a criação de um Comitê de Gestão de Bacia do Xingu.

Além da Coiab, também assinam a carta a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entre outras entidades.

Fonte: RádioAgência Notícias do Planalto

Ibama aponta crescimento de licenciamentos ambientais em 2007

De Brasília, Gisele Barbieri

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) divulgou na última semana um relatório com informações sobre a emissão de licenças ambientais de 2007. Ao todo, foram emitidas 317 licenças pelo Instituto, um aumento de 14% em relação ao ano de 2006.

O Ibama afirma que neste ano pretende reduzir em 70% o tempo de tramitação destes pedidos. Para isso, a tática adotada pelo Instituto será de integrar e treinar os servidores das superintendências regionais, além de estabelecer parcerias com instituições de ensino superior e afirma que não irá comprometer a qualidade dos processos.

A perda na qualidade das licenças emitidas e a aceleração destes processos foi uma das preocupações de entidades de defesa do meio ambiente quando foi criado o Instituto Chico Mendes em 2007.

A entidade foi criada para encarregar-se de algumas etapas do licenciamento ambiental, buscando tornar o processo mais ágil e eficaz. Algumas das licenças emitidas no último ano foram para obras polêmicas e de grande porte como a transposição das águas do Rio São Francisco.

Em 2008, o órgão pretende dar autorização de instalação para outras obras como a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu. Os estudos de impacto ambiental, fundamentais para o começo da obra, já foram interrompidos pela justiça inúmeras vezes por apresentarem irregularidades.

Fonte: RadioAgência Notícias do Planalto