domingo, 6 de outubro de 2013

Reforma Agrária: MDA responsabiliza peritos do Incra por paralisia nas desapropriações. Sindicato rebate declarações

Em reunião realizada na semana passada com dirigentes da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas (PT), afirmou que a responsabilidade pela não obtenção de imóveis desapropriados pela Reforma Agrária eram do Poder Judiciário e dos peritos do órgão. O Presidente do Incra, Carlos Guedes, também teria participado da reunião que tratou de várias pautas.

“Temos milhares de trabalhadores(as) debaixo da lona há mais de sete anos. Talvez chegaremos ao final do ano sem nenhuma obtenção de terra”, cobrou o presidente da Contag, Alberto Broch.

Em resposta, Pepe Vargas afirmou que teria tido uma “conversa” com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Joaquim Barbosa, para dar agilidade a processos de obtenção de terras que estão com pendências judiciais. Teria dito também que o atraso nos decretos anunciados durante o Grito da Terra Brasil 2013 deve-se à greve dos peritos federais agrários, que reivindicam aumento salarial. “Publicaremos uma nova Portaria com o intuito de viabilizar a decretação das áreas de assentamento, só não garantimos 1 milhão de hectares, como foi anunciado em maio. Mas, tentaremos avançar o máximo possível”, teria dito Pepe Vargas, conforme o sítio da Contag.

Em nota, o Sindicato dos Peritos Federais Agrários do Incra (SindPFA) afirma que o Ministro desconhece a pasta que comanda. “Sua desinformação até mesmo para com a pasta em que trabalha não lhe permitiu perceber que não houve greve dos Peritos este ano. Mentiras à parte, já esperávamos que essa acusação viesse a ocorrer. Isso porque já é costume deste governo - e destes gestores - querer atribuir ao mais fraco na relação, o servidor que faz o trabalho na ponta, a responsabilidade por não atingir suas metas absurdas, postura que prontamente repudiamos e que a realidade, por si só, é capaz de desmentir”, afirma o Sindicato por meio da nota reproduzida na íntegra abaixo:




NOTA de repúdio às declarações do Ministro do Desenvolvimento AgrárioFalsas afirmações foram registradas em reunião com a CONTAG

Foi divulgada nessa quinta-feira, 3/10, notícia no portal da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), acerca de reunião em que recebeu o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, e o Presidente do Incra, Carlos Guedes de Guedes. A reunião tratou, entre outros temas relacionados, da cobrança da Confederação pela Reforma Agrária, que está paralisada.

Nesta reunião, o Ministro atribuiu o atraso nos decretos anunciados durante o Grito da Terra Brasil 2013 à greve dos Peritos Federais Agrários. Sua desinformação até mesmo para com a pasta em que trabalha não lhe permitiu perceber que não houve greve dos Peritos este ano.

Mentiras à parte, já esperávamos que essa acusação viesse a ocorrer. Isso porque já é costume deste governo - e destes gestores - querer atribuir ao mais fraco na relação, o servidor que faz o trabalho na ponta, a responsabilidade por não atingir suas metas absurdas, postura que prontamente repudiamos e que a realidade, por si só, é capaz de desmentir. E contra fatos, não há argumentos.

Primeiramente, cabe esclarecer que os Peritos Federais Agrários não fizeram nenhuma greve em 2013; a última greve da categoria foi no ano de 2012, encerrada em setembro daquele ano, ainda que, até hoje, as negociações salariais com a categoria não tenham prosperado, devido à grande intransigência governista.

Segundo, o que os dados mostram é que a paralisação da reforma agrária é uma decisão de governo. Só não tiveram coragem ainda de dizer isso à sociedade; e dificilmente terão a ombridade de fazê-lo. O que se viu nos últimos anos foi uma redução dos recursos destinados à autarquia, a publicação de portarias para paralisar o processo de obtenção (pois necessitam de normas técnicas internas que ainda não existem), e tiram a autonomia das superintendências regionais. O SindPFA já denuncia esta postura, sendo o tema objeto de uma campanha do Sindicato iniciada neste mesmo dia 3/10, denunciando o "falecimento" da reforma agrária.

Em fevereiro deste ano, por exemplo, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) publicava no Diário Oficial da União as Portarias nº 5, 6 e 7, com o dito objetivo de conferir maior qualidade ao processo de obtenção de terras para a reforma agrária (já que o órgão responsabilizava o fracasso da reforma agrária ao processo de obtenção), mas as publicou sem nenhuma discussão com o corpo técnico do Incra. Nada se alterava quanto às políticas agrícolas para os assentados da reforma agrária: créditos, casas, estradas, comercialização, entre outras.

Dessa forma, estas portarias, que aparentemente objetivavam conferir maior qualidade ao processo de obtenção de imóveis rurais, na realidade criam obstáculos, tornando o processo centralizado no MDA, com a clara intenção de não deixá-los fluir e, consequentemente, emperrar a obtenção de terras. E, de fato, acabaram por ter um grande sucesso nesta empreitada. Conseguiram o que queriam: parar a reforma agrária. A inoperância da atual gestão do Incra, sob a guarda das portarias do MDA, criou uma atmosfera de paralisia para a reforma agrária no Brasil.

Na mesma reunião com a CONTAG, o Ministro disse ainda: "Publicaremos uma nova Portaria com o intuito de viabilizar a decretação das áreas de assentamento". Isso é a admissão clara e inequívoca de que as portarias em vigor emperraram o processo de obtenção e, consequentemente, a publicação de decretos, sendo necessária outra normativa que os possibilite fluir. Assim, fica explícito que o governo quis - e conseguiu - parar a reforma agrária.

Além disso, o Incra vive uma desmotivação sem precedentes entre seus servidores devido, principalmente, à falta de perspectivas institucionais e profissionais. A instituição está sendo submetida a um colapso interno pela redução de seu quadro de servidores, baixa remuneração e desestímulo geral daqueles que ainda permanecem atuando no órgão, aliado ao grave problema de falta de gestão, situação que o SindPFA já alertava, vide Nota. A evasão de profissionais, muitos com anos de experiência na área, faz o Incra perder significativamente em recursos humanos e qualificação técnica, quadro que não se constrói da noite para o dia. Não há trabalho que se sustente num ambiente de falência institucional como este.

Portanto, esclarecemos que a responsabilidade pelo desmonte do Incra, e da paralisia da sua missão, é inteiramente da sua direção e do governo que decidiu fazê-lo. Os Peritos Federais Agrários rechaçam qualquer tentativa da Presidência do Incra e do Ministro - e dos que ingenuamente engoliram seus discursos vazios - de imputar-nos esta responsabilidade.

Constituição e PMDB seguram reforma agrária

Carta de 1988 completa 25 anos de visão mercantil pró-fazendeiros. Obra do peemedemismo, que enfim recebe a líder ruralista Kátia Abreu

Por André Barrocal para a Carta Capital

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) é o principal sindicato dos fazendeiros. Desde 2008 está sob o comando da senadora Kátia Abreu, do Tocantins. Na quinta-feira 3, dois dias antes do prazo final para quem quer disputar eleição em 2014, Kátia trocou de partido. Deixou o PSD e agora pertence ao PMDB, do vice-presidente da República, dos presidentes da Câmara e do Senado e do ministro da Agricultura.

A mudança de ares da senadora coincide com as bodas de prata da atual Constituição. Os 25 anos completam-se neste sábado 5. Na promulgação, foi batizada de “cidadã”, graças a inéditos avanços sociais, como o voto dos analfabetos e a saúde pública gratuita para todos. Há um tema, no entanto, em que faltou cidadania: a reforma agrária. E o motivo pode ser entendido no recente casamento de Kátia Abreu com o PMDB.

A Constituição foi um atraso para os sem-terra – e portanto uma vitória para os fazendeiros - ao consagrar uma visão mercadológica sobre o assunto e estabelecer um procedimento engessado que dificulta e protela a reforma. Adotou inclusive dispostivos que a ditadura militar havia abandonado.

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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ao invés de realizar consultas públicas no Pará, governo federal opta por subterfúgios e polícia

Foto: Nayana Fernandez
Patrícia Bonilha*

Um ginásio de esportes com expressivo contingente de soldados da Força Nacional e do Grupo Tático da Polícia Militar, além de helicópteros sobrevoando insistentemente a escola. Foi neste cenário que o governo federal realizou neste domingo (30/09), em Jacareacanga (PA), a audiência pública para o licenciamento da usina hidrelétrica de São Manoel, uma das quatro previstas para serem construídas no Rio Teles Pires, um dos principais afluentes do Rio Tapajós.

Com projeção de ser implantado há apenas um quilômetro de uma aldeia Kayabi, este afeta os territórios indígenas dos povos Munduruku, Kayabi e Kaiapó. O Ibama também realizou outras duas audiências públicas em Paranaíta (MT), no dia 27, e em Itaituba (PA), no dia 01/10. 

A escolha em utilizar uma opressora força policial traz questionamentos fundamentais ao processo de construção de usinas na Amazônia sendo realizado pelo governo, como aponta o advogado e militante de direitos humanos, Sérgio Martins. “Como é possível que a sociedade discuta democraticamente a viabilidade de um projeto de desenvolvimento para a região em condições tão constrangedoras como as que ocorreram nesta audiência pública?”, questiona ele. A manifestação com faixas também não foi permitida aos participantes.

A possibilidade de que estas audiências sejam legitimadas como se fossem consultas públicas é outra grande preocupação dos movimentos indígenas e sociais da região e do Ministério Público Federal (MPF). Segundo a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário, é necessária a realização de consultas prévias aos povos e comunidades que podem ser atingidos pela construção de empreendimentos que impactam os seus modos de vida. No entanto, o governo federal ignorou totalmente esta Convenção no caso da usina de Belo Monte.
Como na usina do Rio Xingu, a decisão política de implementar o empreendimento parece cega e surda diante dos argumentos técnicos e direitos garantidos. As três audiências da usina São Manoel só foram realizadas graças à intervenção da Advocacia Geral da União (AGU) que reverteu a suspensão decidida pela Justiça Federal, na manhã do dia 26/09. A liminar de suspensão atendeu ao pedido feito pelos Ministérios Públicos Federais do Mato Grosso e do Pará que apontou vários problemas referentes aos estudos de impacto da obra sobre os indígenas e a não conclusão do estudo do componente indígena, dentre outras questões.
Segundo os indígenas, a construção da usina São Manoel constitui uma violação dos seus direitos. “Novamente, o governo quer construir hidrelétrica nas terras indígenas sem nem ouvir o que a gente pensa sobre isso. Mas nossas aldeias serão alagadas e não vamos aceitar isso porque não queremos hidrelétricas em nossas terras”, afirmou uma liderança Munduruku que prefere não se identificar.
No sentido de manifestar esta decisão, cerca de 150 guerreiros Munduruku, pintados para a guerra, fecharam todas as entradas e saídas do ginásio de esportes e impediram por quase duas horas a realização da audiência pública em Jacareacanga. No entanto, alguns vereadores, o vice-prefeito Roberto Krixi, e diretores da Associação Pusuru, atualmente vinculada ao prefeito Raulien Queiroz (PT), após o fracasso na tentativa de convencer os guerreiros a participarem da audiência, conseguiram romper o cordão, permitindo a passagem das pessoas.


*Fonte: Cimi

Para saber sobre a UH de São Manoel leia no blog da Telma Monteiro:
Hidrelétrica São Manoel: Cronologia de mais um desastre - Parte I

Nota: Ataque aos povos indígenas, criminalização de ativistas e a aliança do bispo de Itaituba-PA com o Capital


A retomada do projeto desenvolvimentista pelo governo brasileiro, paradigma atualizado e agora caracterizado como liberal-desenvolvimentista, tem causado temor e grande preocupação entre os povos indígenas, ativistas, movimentos sociais, e moradores da floresta, dos rios e das cidades amazônicas.

Dados do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração apontam que, entre 2001 a 2011, a produção mineral cresceu 550% no país. Praticamente no mesmo período, entre 2002 e 2012, o número de indígenas assassinados cresceu 170%. Foram aproximadamente 560 índios assassinados no Brasil, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

O Plano Decenal de Expansão de Energia 2019, elaborado pelo Governo Federal, propõe a implantação (entre 2015 e 2019) de mais de 60 Usinas Hidrelétricas, a maior parte nos rios da Amazônia, causando impactos socioambientais incalculáveis à região, e aos seus povos.

Contrapor-se a este projeto implica avançar em um confronto direto com Governos em todos os níveis, empresários e políticos corruptos, juízes comprometidos com o poder econômico, conglomerados nacionais e internacionais, entre diversos outros apoiadores que poderiam ser citados. Significa, enfim, confrontar-se com o Capital.

Tornando esta situação mais complexa, e especialmente perigosa para quem luta por direitos na Amazônia, no dia 29 de setembro de 2013, pouco antes da realização de uma audiência pública na cidade de Jacareacanga/PA, evento que tratou da construção da Usina Hidrelétrica de São Manoel, no rio Teles Pires, foi lida em praça pública uma carta assinada pelo Bispo da Prelazia de Itaituba/PA, direcionada aos índios Munduruku.

Várias questões que não aparecem na referida carta, explicam o teor da mesma. Apresenta-se a seguir uma parte de seu conteúdo, bem como alguns elementos que não estão explicitados nela, mas elucidam suas intenções.

Na carta o Bispo escreve que “O motivo desta carta é dar alguns esclarecimentos para que se evite problemas e confusões”. Segue afirmando: “Tenho conhecimento de que há pessoas que estão criando divisão entre vocês (...)”. “Recebi a informação de que pessoas estão indo nas aldeias e se dizendo do CIMI. Esclareço que, nos últimos tempos, não dei autorização para qualquer pessoa do CIMI trabalhar, em nome da Igreja Católica, na área indígena Munduruku, mesmo porque o CIMI não me pediu”.


Sendo direto, destaca: “Em especial quero esclarecer que uma tal de Ana Laíde, que não conheço pessoalmente, não tem qualquer autorização do Bispo para trabalhar em nome da Igreja Católica entre vocês. Tudo o que ela falar, fizer ou sugerir será sempre em seu próprio nome ou da instituição a que ela pertencer”.

Por fim, o Bispo decreta: “Portanto, se vocês quiserem ouvir e seguir esta pessoa, vocês são livres para seguir, mas se surgir problemas deve ficar claro que a Igreja Católica não tem nada a ver com suas atividades na área indígena de Jacareacanga”.

Em uma região historicamente marcada por intensos conflitos, e violência, a atitude de Dom Frei Vilmar Santin é temerária. A carta do Bispo da Prelazia de Itaituba por si só, e em especial por ter sido lida em praça pública, expõe Ana Laíde, educadora popular que realiza um importante trabalho discutindo a questão dos direitos humanos e socioambientais, a uma situação de extrema insegurança.

O vínculo político que existe entre o Bispo, o Prefeito da cidade, empresários e fazendeiros da região, entre outros, explica, mas de forma nenhuma justifica tal atitude. Assim, as entidades que assinam esta nota, responsabilizam, a partir deste momento, o Bispo da Prelazia de Itaituba; a prefeitura de Jacareacanga; as Polícias Civil, Militar e Federal; a Força Nacional de Segurança Pública; o governo Dilma Rousseff; o governo Simão Jatene; e as elites econômicas da região por qualquer coisa que possa acontecer com a referida educadora.
Ana Laíde se apresenta como militante pela causa socioambiental, como educadora popular, nunca como representante do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), entidade da qual já fez parte. Seu trabalho na busca por um mundo melhor, contra a destruição do meio ambiente e dos povos da floresta, tem o respaldo de todas as entidades e indivíduos que subscrevem este documento. A ela, e a todos os lutadores e lutadoras sociais criminalizados, expressamos nossa mais profunda solidariedade e apoio.

Grande parte da Igreja católica sempre foi nossa aliada na luta contra os grandes projetos que historicamente tem levado a destruição da Amazônia e de seus povos, dos indígenas em especial, e temos certeza que a carta do Bispo de Itaituba não representa o posicionamento dominante nessa Igreja. Desta forma, deixamos expressa toda nossa indignação com a priorização de interesses políticos e econômicos, implícito na carta de Dom Frei Vilmar Santin, sobrepondo-se a defesa e garantia da vida.

Denunciamos ao Ministério Público Federal, ao Ministério Público Estadual, e a todas as organizações nacionais e internacionais que têm como missão garantir o direito à livre organização, expressão e manifestação, que na Amazônia a liberdade de ativistas e moradores está sendo totalmente violada pelo governo brasileiro e seus apoiadores.
Um claro exemplo desta violação foi a morte do índio Munduruku Adenilson Krixi, em novembro do ano passado, assassinado pela Polícia Federal quando a mesma invadiu a aldeia Teles Pires. Outro exemplo é o atual estado de militarização da região do Tapajós, ação respaldada pelo Decreto Presidencial 7957/13.

Recentemente esta região foi novamente invadida, agora por homens da Força Nacional. Fortemente armados, acompanham pesquisadores que estão levantando dados para o Governo Federal. Nenhuma destas situações recebeu carta do Bispo da Prelazia de Itaituba, expressando o seu posicionamento.

Exigimos que sejam tomadas providências imediatas antes que Ana Laíde, e outros ativistas, tombem abatidos pelas balas desferidas por jagunços, que recebem “sinal verde” de supostas autoridades, como já se verificou tantas vezes nesta região.

Belém, 01 de outubro de 2013.

ASSINAM ESTA NOTA:
- Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Pará (SINTSEP/PA)
- Instituto Amazônia Solidária e Sustentável (IAMAS)
- Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU)
- Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Belém e Ananindeua
- Central Sindical e Popular CONLUTAS
- Mandato do Vereador Cleber Rabelo (PSTU/Belém)
- Assembleia Nacional de Estudantes - Livre (ANEL)
- Diretório Central dos Estudantes/UFPA
- Juntos! Coletivo de Juventude
- União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES)
- Diretório Central dos Estudantes/UFOPA
- Rede Fórum da Amazônia Oriental:
- Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO)
- Associação Brasileira dos Ogãs (ABO)
- Associação das Organizações das Mulheres Trabalhadoras do Baixo Amazonas (AOMT-BAM)
- Associação de Artesãos do Estado do Amapá (AART/AP)
- Associação de Divisão Comunitária e Popular (ADCP)
- Associação de Gays, Lésbicas e Transgêneros de Santana (AGLTS)
- Associação de Hortifrutigranjeiros Pescadores e Ribeirinhos de Marabá (AHPRIM)
- Associação de Moradores Quilombolas da Comunidade de São Tomé do Aporema (AMQCSTA)
- Associação de Mulheres do Abacate da Pedreira (AMAP)
- Associação de Mulheres Mãe Venina do Quilombo do Curiaú (AMVQC)
- Associação de Proteção ao Riacho Estrela e Meio Ambiente (APREMA)
- Associação dos Moradores do Bengui (AMOB)
- Associação Educacional Mariá (AEM)
- Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (ASSEMA)
- Associação Grupo Beneficente Novo Mundo (GBNM)
- Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes (APACC)
- Encanto - Casa Oito de Março - Organização Feminista do Tocantins
- Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN/MA)
- Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA)
- Centro de Treinamento e Tecnologia Alternativa Tipiti (CENTRO TIPITI)
- Centro Pedagógico e Cultural da Vila Nova (CPCVN)
- Centro Popular pelo Direito a Cidade (CPDC)
- Coletivo Jovem de meio Ambiente do Pará (CJ-PA)
-Comunidade de saúde, desenvolvimento e educação (COMSAÚDE)
- Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM)
- Cooperativa de Mulheres Trabalhadoras da Bacia do Bacanga (COMTRABB)
- Cooperativa de Trabalho, Assistência Técnica, Prestação de Serviço e Extensão Rural (COOPTER)
- Federação das Associações de Moradores e Organizações Comunitárias de Santarém (FAMCOS)
- Federação das Entidades Comunitárias do Estado do Amapá (FECAP)
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – Programa Amazônia (FASE)- Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Pará (FETAGRI-PA)
- Fórum Carajás
- Fórum de Participação Popular em Defesa dos Lagos Bolonha e Água Preta e da APA/Belém - Fórum dos Lagos
- Fórum dos Movimentos Sociais de Belterra (FMSB)
- Fundação Tocaia (FunTocaia)
- Grupo das Homossexuais Thildes do Amapá (GHATA)
- Grupo de Mulheres Brasileiras (GMB)
- Grupo Identidade LGBT
- Grupo Ipé Amarelo pela Livre Orientação Sexual (GIAMA)
- Instituto de Desenvolvimento Social e Apoio aos Direitos Humanos Caratateua (ISAHC)
- Instituto de Divulgação da Amazônia (IDA)
- Instituto de Mulheres Negras do Amapá (IMENA)
- Instituto ECOVIDA
- Instituto Trabalho Vivo (ITV)
- Instituto Universidade Popular (UNIPOP)- Marcha Mundial das Mulheres (MMM – AP)
- Movimento dos Trabalhadores Sem Teto Urbano (MSTU)
- Movimento Afrodescendete do Pará (MOCAMBO)
- Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB)
- Movimento de Mulheres Empreendedoras da Amazônia (MOEMA)
- Movimento de Promoção da Mulher (MOPROM)
- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
- Mulheres de Axé
- Rede de Educação Cidadã (RECID)
- Sindicato das Empregadas Domésticas do Estado do Amapá (SINDOMESTICA)
- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém (STTR/STM)
- Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR/MA)
- Sociedade de Defesa dos Direitos Sexuais na Amazônia (SODIREITOS)
- Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH)
- União Folclórica de Campina Grande (UFCG)
- União Municipal das Associação Moradores de Laranjal do Jari (UMAMLAJ)
- Associação dos Concursados do Pará (ASCONPA)
- Associação Sindical Unidos Pra Lutar
- Vamos à Luta - Juventude Indignada!
- Diretório Central dos Estudantes/UNAMA
- Grêmio Estudantil da Escola Estadual Ulysses Guimarães
- Grêmio Estudantil do NPI
- Rede Emancipa - Movimento Social de Cursinhos Populares
- Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB)
- Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense (FMAP)
- Movimento e Articulação de Mulheres do Estado do Pará (MAMEP)
- Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia (MAMA)
- Instituto Madeira Vivo (IMV)
- Rede de Educação Cidadã de Rondônia
- Programa Vozes da Amazônia
- Aliança 4 Rios da Amazônia
- Rede de Entidades em Defesa da Vida de Rondônia
- Rede Feminista de Saúde - Regional Pará
- Movimento pela Saúde dos Povos - Norte/Brasil

Mobilização Nacional Indígena: notícias

ISA: Manifestação reúne 1,3 mil em defesa de direitos de indígenas e quilombolas em Brasília

Folha: Índios cercam deputado e tentam entrar no Congresso



Blog do Felipe Milanez: Ex-presidentes da Funai analisam ataque aos direitos indígenas

G1: Índios tentam entrar no Congresso e são contidos pela polícia

Blog Combate ao Racismo: Povos Pataxó e Tupinambá fecham rodovia BR 101, na Bahia

Blog Combate ao Racismo: SC – Cerca de 100 indígenas bloqueiam por 40 minutos a BR-101 em Palhoça



Uol: Presidente de comissão diz que PEC sobre demarcação de terras indígenas está "sepultada"

Agência Brasil: Lincoln Portela diz não haver clima para continuar tramitação da PEC 215

ISA: Grafites eletrônicos projetados em Brasília estampam fotos da bancada ruralista 


ISA:  Marcha pelos direitos indígenas e quilombolas reúne cerca de mil pessoas na Av. Paulista

Agência Brasil: Índios fecham Avenida Paulista em defesa da Funai


Folha: Ao lado de manifestantes, índios xingam e oferecem cédulas de R$ 2 a deputado do PT

ISA: Índios fazem nova manifestação em Brasília e protestos espalham-se pelo país

Repórter Brasil: Índios protestam contra maior ofensiva em 25 anos

Agência Brasil: Índios bloqueiam rodovias em protesto contra projetos de lei e medidas governamentais

Brasil de Fato: A volta dos guerreiros - 25 anos depois da Constituinte

Agência Brasil: Indígenas se reúnem com deputados e pedem arquivamento da PEC 215

Senado: Grupo de senadores vai trabalhar para garantir direitos aos povos indígenas

Blog do Felipe Milanez: Todo o universo indígena está a perigo. Entrevista com o ex-presidente da Funai Sydney Possuelo

Folha de Boa Vista: Índios fecham BR-174 em protesto à PEC 215

IUH: A ‘artilharia’ dos ruralistas contra os indígenas

Agência Brasil: Índios ocupam prédio do Ministério da Saúde em Campo Grande há 16 dias

PGR: Questões indígenas são definidas após reuniões com o MPF/TO

Folha: Manuela Carneiro da Cunha: A Constituição está em perigo

ISA: Manifestantes ocupam pacificamente sede da CNA, em Brasília


Folha: Índios invadem CNA e 'enterram' políticos na frente da Câmara

ISA: Índios fazem enterro simbólico de ruralistas e divulgam manifesto em Brasília
Correio da Cidadania: ‘A homologação e demarcação de terras estão, a cada dia, mais dramáticas para nós indígenas’

Blog do Felipe Milanez: Ruralistas: os novos senhores de engenho da política

ISA: Protestos pelos direitos indígenas interrompe reunião com governo em Altamira (PA)

Folha: Por que o índios pressionam o Congresso 
Agência Brasil:  Ministro da Justiça diz que condicionantes de Raposa Serra do Sol podem ser julgadas em breve
Instituto Carbono: Mobilizações indígenas escancaram problemas ambientais e sociais no Brasil
O Eco:  Terras Indígenas demarcadas ajudam a frear desmatamento
Brasil de Fato: Indígenas Pataxó e Tupinambá fecham rodovia BR 101, na Bahia
Agência Brasil:  Cardoso diz que vai encaminhar à Câmara parecer sobre inconstitucionalidade da PEC 215
Agência Senado:  PECs representam grande retrocesso para populações indígenas, diz Ana Rita 
Blog do Felipe Milanez:  Uma onda anti-indígena. Entrevista com o ex-presidente da Funai Márcio Meira.

Mobilização Nacional Indígena: imagens


Foto: NINJA
Foto: Henyo Trindade Barretto Filho
Foto: Centro de Trabalho Indigenista

Foto: Oswaldo Braga - ISA
Foto: Ana Paula Sabino.
Foto: Pedro Rocha

Foto: Henyo Trindade Barretto Filho
Foto: André D'Elia

Foto: NINJA


Foto: Coletivo Projetação






Foto: Oswaldo Braga - ISA
Foto: João Francisco Kleba Lisboa
Foto: Daniela Fernandes Alarcon

Uma madrugada em meio à luta de classes na Amazônia


Amaral Lima**

É uma hora da manhã da madrugada de sábado (21) e uma primeira rajada de metralhadora é disparada contras as famílias organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do acampamento Frei Henri, no sudeste paraense.

“Essa madrugada promete”, diz um dos acampados que faz a segurança do acampamento. Uma e meia da manhã os disparos se tornam incessantes e é hora de ter atenção redobrada para ninguém se ferir e evitar que o acampamento seja invadido pelos fazendeiros e seus jagunços contratados.

Os tiros são feitos da entrada da Fazenda Fazendinha, de uma guarita de madeira do alto de um morro, que serve de local estratégico para pistoleiros e fazendeiros mirarem nos barracos das famílias postados a cerca de 300 metros abaixo. O cenário é de guerra, várias trincheiras são montadas no entorno do acampamento e mais de 70 pessoas, entre homes e mulheres, estão intocados na mata estrategicamente para proteger o local.

Nos barracos de madeira, as famílias deixam as redes e improvisam colchões no chão, para se defenderem das balas. Tudo isso acontece às margens da movimentada rodovia PA-150, que liga Marabá a Parauapebas.

A reportagem do Brasil de Fato  está numa das trincheiras, de onde é possível observar que o balanço das folhas das árvores e a poeira que levanta do chão não são efeitos do vento, mas sim da chuva de chumbo que cai sobre o acampamento.

Na trincheira elaborada por uma série de pneus e sacos de areia, está Tonico*, deitado ao chão com uma caixa de fogos de artifício, única “arma” utilizada pelas famílias para afugentar os jagunços que chegam às cercanias da ocupação. “Eles vão passar a noite atirando, e nós ficamos aqui, se alguém se aproximar soltamos rojões para assustá-los”, diz.


Ninguém dorme
Ao visitar algumas casas pela madrugada se constata que pouco ou quase ninguém consegue dormir. No primeiro barraco perto de umas das barreiras de proteção do Frei Henri, está Elizabeth*, preocupada. Em sua morada, apenas a fi lha de dez meses e seus outros dois filhos dormem tranquilamente. Ela e o marido passam a noite acordados temendo que algo de ruim aconteça com a família.

“Medo eu tenho, mas sair daqui, não, morávamos na cidade de Parauapebas, mas o desemprego é grande e o aluguel é caro e quem casa quer casa, né? Por isso, decidimos ocupar essa terra aqui, para melhorar nossa vida”, conta.

A filha, que dorme protegida por uma cômoda, nasceu de sete meses com vários problemas mentais devido à gravidez conturbada que Elizabeth teve. “O médico fala que ela nasceu especial porque eu sofri muito com essa situação dos fazendeiros atirando na gente toda noite”, diz.

Passam das três da manhã, os tiros continuam e numa das trincheiras do acampamento, às margens da rodovia, são soltos fogos de artifício, sinal de que há alguma situação de risco na área. Na direção onde o rojão foi solto correm vários homens e entre eles uma mulher, Maria*.

Cansada, diz que não dorme há mais de uma semana, desde que os ataques recomeçaram. Ela é uma das responsáveis pela brigada de defesa do acampamento. “Moço eu não tenho medo de morrer, não, já passei perto de morrer e não morri, então, acho que agora não morro mais.”

Maria se refere às ameaças que sofreu quando ia vender suas verduras produzidas no acampamento paras as feiras de Parauapebas. “Foi por telefone e me disseram: ‘Ou você sai da beira da estrada ou eu te mato’. Era voz de homem e disse meu nome e tudo mais.”

Largar a terra pela ameaça dos fazendeiros não passa pela cabeça dessa mulher de estatura média, cor negra, rosto manchado do sol, e uma olheira profunda. “Eu fui garimpeira na década de 1980, e faz tempo que acompanho o MST, agora quero minha terra. Só isso”, protesta Maria.


Cessando as balas
Às quatro e meia da manhã os tiros diminuem. Seu Edvaldo está de espreita na porta de seu barraco acompanhando a movimentação. Produtor de mandioca e hortaliças orgânicas, não consegue mais sair para vender seus produtos agrícolas na cidade.

“Os fazendeiros estão botando muita pressão, param as vans que transportam passageiros entre os municípios e perguntam se tem sem-terra, perseguem a gente, outro dia um pistoleiro colocou a arma na minha cabeça e mandou eu voltar para o acampamento senão ia me matar”, relata.

O dia amanhece e os tiros cessam por completo. As famílias voltam a ter, mesmo que repentinamente, um momento de paz. Em uma semana de ataque completada no sábado, apenas uma mulher e uma criança se feriram levemente por balas de raspão.

“A investida permanente dos fazendeiros fortemente armados contra o acampamento tentando fazer a expulsão das famílias na marra é crime e a polícia precisava investigar isso”, cobra o advogado da Pastoral da Terra de Marabá, José Batista Afonso.


(*nomes fictícios)
**Fonte: Brasil de Fato

terça-feira, 1 de outubro de 2013

CSP-Conlutas resgata trabalhadores em condições análogas à escravidão no “Minha Casa, Minha Vida” no Distrito Federal


Trabalhadores da construção civil foram retirados pela CSP-Conlutas de uma obra pública após uma denúncia anônima da existência de condições análogas à escravidão no local. 37 homens, aliciados nas regiões Norte e Nordeste do país, trabalhavam no bairro Riacho Fundo 2, em Brasília (DF), desde o dia 2 de setembro para a empreiteira JC Gontijo Engenharia S.A que prestava serviço para o Governo do Distrito Federal em parceria com o Governo Federal, dentro do programa de habitação “Minha Casa, Minha Vida”.

Os trabalhadores estavam com as carteiras de trabalho retidas pela empreiteira, parte deles sem o vínculo trabalhista formalizado. Com promessas que nunca se realizaram, usaram recursos próprios para fazer a viagem de seus estados de origem, chegando a fretar um ônibus, sob a promessa de que seriam reembolsados ao desembarcarem no Distrito Federal, o que não foi cumprido.

Os salários prometidos antes da viagem foram rebaixados no momento que os trabalhadores chegaram ao local de contratação e no local do alojamento, no interior da própria obra, além de condições precárias de instalações não era servida alimentação em quantidade suficientes para a o número de trabalhadores alojados. Além disso, eram submetidos a jornadas de até 15 horas diárias de trabalho.


Saiba mais no sítio do Sinasefe e da CSP-Conlutas

Site "A República dos Ruralistas" expõe deputados que atacam direitos indígenas



Lançado nesta segunda-feira, 30/9, o site “República dos Ruralistas” apresenta dados sobre a atuação parlamentar, o patrimônio fundiário e financeiro, financiadores de campanha e ocorrências judiciais de 12 das principais lideranças ruralistas na Câmara dos Deputados.

Fruto de uma parceria entre o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), o Greenpeace e o Instituto Socioambiental (ISA), o site chega ao público como uma contribuição dessas organizações para a semana de Mobilização Nacional Indígena.

De fontes públicas, tais como o Tribunal Superior Eleitoral e os sites da Brasil ONG Transparência, os dados sistematizados reforçam a ligação desses parlamentares com empresas multinacionais do agronegócio, crimes ambientais e contra populações tradicionais e pequenos agricultores. Tornam claros também os interesses particulares e corporativos das propostas que defendem.

O usuário poderá conhecer, em um primeiro momento, os perfis de deputados, autores ou apoiadores de projetos legislativos que visam, principalmente, alterar a forma como são demarcadas as Terras Indígenas no país– como a PEC 215/2000, que quer retirar do Executivo e passar às mãos de deputados e senadores a competência de demarcar Terras Indígenas. No futuro o site deve alcançar toda a bancada e aprofundar a análise dessas informações. O usuário encontra ainda infográficos e mapas interativos, em uma aba destinada a análises complementares.

Utilizando uma planilha do Google Docs como fonte de dados, “A República dos Ruralistas” foi desenvolvido utilizando tecnologias livres e é acessível via computadores e dispositivos móveis, como tablets e smartphones.

Fonte: Instituto Socioambiental

No Pará, índios discutem estratégias de proteção em áreas ameaçadas


Lideranças indígenas da bacia do rio Xingu estiveram reunidas neste fim de semana em Altamira, do sudoeste do Pará, para discutir estratégias de proteção para o corredor ecológico da região. A bacia é formada por terras indígenas e áreas de proteção ambiental que estariam ameaçadas pelo desmatamento e a construção de grandes projetos. 

Cerca de 80 lideranças indígenas de 25 etnias do Pará e do Mato Grosso participaram do encontro, entre caciques, guerreiros Caiapó, ribeirinhos, extrativistas, ambientalistas e pesquisadores. De acordo com um dos organizadores do evento, Marcelo Salazar, a área em questão está sendo ameaçada.

"A finalidade desse evento é discutir o futuro das áreas protegidas do Xingu. A bacia do rio Xingu é uma área única com 28 milhões de hectares de áreas protegidas, então, mais de 50% da área da bacia está protegida e o futuro destas áreas está ameaçado e tem uma diversidade socioambiental a ser preservada".

Segundo as lideranças dos povos do Xingu, estas áreas estariam sobre forte ameaça por causa do desmatamento indiscriminado e da construção de grandes obras, como hidrelétricas e rodovias, que podem causar grandes impactos as populações tradicionais, como afirma o presidente da Terra Indígena Xingu, Winti Kisêdjê.

"Está tendo muita ameaça hoje, muitos empreendimentos, principalmente na cabeceira do Xingu. Estão sendo construídas pequenas barragens de hidrelétrica e também chegando muito desmatamento para plantio de soja e construção de várias rodovias", disse Kisêdjê.

Entre as lideranças que participaram do encontro estava o cacique Raoní, líder indígena internacional. Ele criticou os impactos ambientais que a usina de Belo Monte deverá ocasionar pelo barramento do Xingu às comunidades que vivem do rio.

O pesquisador, Philip Feanrside, chamou atenção dos participantes do evento para as mudanças climáticas que podem acontecer nos próximos anos, depois da construção de grandes obras na Amazônia. "No caso de Belo Monte em si, as pessoas que estão sendo expulsas pela obra, a população ribeirinha, também tem impactos na cidade de Altamira, que vai ter praticamente um quarto da cidade inundada, então tem que ter novas moradias, o que já está causando problemas sociais muito graves".

Os indígenas também puderam visitar uma exposição fotográfica com uma mostra da cultura dos 25 povos do Xingu, desde o contato com o homem branco até os dias atuais.


Fonte: Blog Combate ao Raciscmo

Na madrugada: indígenas montam acampamento na Esplanada dos Ministérios

Fotografia: Mídia Ninja
Cerca de 1.000 indígenas de várias partes do país e de diversas etnias e territórios iniciam montagem de acampamento em frente ao Congresso Nacional na madrugada de terça (01° de outubro).

A atividade faz parte da Semana de Mobilização Indígena que conta com atividades em todo o país


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