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sábado, 3 de novembro de 2012

Alagoas: Movimentos sociais protestam contra rumos do Incra



Mais de 300 trabalhadores rurais organizados nos movimentos sociais do campo em Alagoas, como Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) ocuparam na manhã desta quarta-feira (31) as dependências do Banco do Brasil no Centro de Maceió.

No local se reuniam os superintendentes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de todo Nordeste com o presidente do órgão, Carlos Guedes de Guedes. À porta, as famílias oriundas de diversas regiões de Alagoas ergueram barracas e sensibilizaram a população com a distribuição de uma carta.

Ao refutar o convite para fazer parte da reunião, os movimentos deslegitimam a intenção dos dirigentes do órgão de que a política de reforma agrária “passe a pegar carona” em ações de outros programas, como o Brasil Sem Miséria, deixando sua constituição original de política de Estado, segundo trechos da carta dos movimentos. 

“O centro do encontro é um retrocesso histórico e político que é a confirmação de que a Reforma Agrária, que deveria ser fortalecida como uma política vem sendo transformada num programa, pegando carona no Brasil Sem Miséria para sobreviver”, criticam.

Para Carlos Lima, da CPT, “o protesto teve a intenção de manter a crítica, demonstrar nossa insatisfação e exigir uma transformação de rumos na política de Reforma Agrária do governo. Continuaremos acampados e realizando atos como estes e maiores pela aquisição de novas terras e mudanças estruturais e funcionais no Incra, a exemplo da urgência de concursos e da garantia de mais orçamento”.
Confira abaixo a reprodução da íntegra da carta lançada pelos movimentos campesinos:

Reforma Agrária: uma política de combate à miséria!

Continuaremos acampados...

Alagoas sedia a reunião dos superintendentes dos INCRA’s do Nordeste com o seu presidente, Carlos Guedes. O que poderia ser uma oportunidade de ampliar e massificar a distribuição de terra no nordeste e em Alagoas, de discutir estratégias para assentar milhares de famílias sem terra que há anos estão acampadas em rodovias ou fazendas; ou ainda, melhorar as condições de vida das famílias assentadas que sofrem com a falta de estrada, de energia adequada, de água potável, de educação no campo, postos de saúde, campo de futebol... Tornar o campo e as áreas de assentamentos um lugar bom de viver.

O que deveria ser uma parada para refletir a atual situação do INCRA, que foi esvaziado pela política do governo federal ou ainda uma discussão que tivesse como alicerce o segundo Plano Nacional de Reforma Agrária, esquecido pelo governo Lula e transformado em arquivo morto pela presidente Dilma. Ou então para efetivar as reivindicações dos movimentos sociais do campo que lutam pelo limite da propriedade da terra e a revisão dos índices de produtividade. Outro ponto relevante seria como o Estado brasileiro vai incorporar as terras das usinas de açúcar que estão falindo na região e colocá-las à disposição dos INCRA’s estaduais para transformá-las em áreas da reforma agrária.

Na nossa visão não passa de mais uma reunião, sem uma novidade a ser dita. O centro do encontro é um retrocesso histórico e político que é a confirmação que a Reforma Agrária, que deveria ser fortalecida como uma Política de governo vem sendo transformada num programa; pegando carona no Brasil Sem Miséria para sobreviver.

Lamentável o rumo do governo federal, que fez opção pelos grandes projetos, colocando os bancos oficiais e o dinheiro público para financiar as grandes obras que o capital impõe (transposição do rio São Francisco, Transnordestina, copa do mundo, usina de Belo Monte, usinas de cana de açúcar...), utilizando um discurso social para justificar os recursos disponibilizados. Ao mesmo tempo trata os conflitos e as tensões sociais com programas assistencialistas que não modificam as estruturas, não trabalham a autonomia camponesa e colocam milhares de nordestinos numa situação de fragilidade.

Propomos aos superintendentes dos INCRA’s nordestinos que enfrentem este debate abertamente, que lutem para que o INCRA volte ocupar um espaço privilegiado no governo, que volte a ser o órgão responsável pela reforma agrária, que oxigenem o órgão com concursos públicos e valorização dos servidores e que se coloquem contra a ofensiva do capital, em favor das comunidades tradicionais e dos assentamentos da reforma agrária.

Enquanto o governo insistir com a política que nega a reforma agrária vamos nos recusar a participar desses momentos, que legitimam o modelo e constroem um pseudo-diálogo entre o governo e os movimentos sociais.

A nossa pauta é a mesma e vamos continuar acampados.

Maceió, 31 de outubro de 2012.

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra (MST)
Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST)
Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL)
Comissão Pastoral da Terra (CPT)

Fonte: MST

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Protesto e bloqueio antecedem evento com Dilma em Alagoas


Fabio Guibu*

A Polícia Militar de Alagoas utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes sem-terra que bloquearam uma rodovia que dá acesso a uma fábrica da Braskem que a presidente Dilma Rousseff inaugura nesta sexta-feira (17), em Marechal Deodoro (33 km de Maceió).

Os manifestantes tentavam chegar até o evento para pedir maior agilidade na reforma agrária à presidente, mas foram barrados pela PM a cinco quilômetros da fábrica. Revoltados, decidiram bloquear os demais veículos que passavam pela rodovia.

Ao menos dez ônibus com trabalhadores rurais sem terra, servidores federais em greve, sindicalistas e estudantes haviam sido parados nas barreiras montadas pela PM na BR-314.
Os manifestantes sem-terra desceram dos ônibus e fecharam a pista com galhos de árvores. Servidores em greve não participaram do tumulto, segundo a PM.

Vários veículos ficaram retidos no congestionamento que se formou, entre eles os que transportavam os senadores alagoanos Renan Calheiros (PMDB) e Benedito de Lira (PP) à fábrica.

Lira disse que ficou 40 minutos no congestionamento, com Renan e com o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, o desembargador Sebastião Costa Filho. Segundo o senador, Costa Filho chegou a descer do carro para discutir com militantes sem-terra que seguravam pedaços de pau.

"Ele foi tirar o pedaço de pau das mãos do sem-terra e houve divisão de força", disse Lira.

Ainda segundo o senador, o carro do desembargador foi amassado a pauladas. "O direito de manifestação é sagrado, mas esse povo abusa. Não tinha motivo nenhum. Todo cidadão brasileiro tem limites, só eles (sem-terra) que não têm".

Apenas um grupo com cerca de cem manifestantes, que chegou às 5h30, conseguiu furar a barreira, mas foi retido a um quilômetro da fábrica, também pela PM alagoana. Eles carregam faixas de protesto e bandeiras de partidos políticos de esquerda, como o PSTU.

Segundo o MST em Alagoas, cerca de 250 integrantes de quatro entidades de luta pela terra participaram do protesto _o próprio MST, a CPT (Comissão Pastoral da Terra), o MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra) e o MTL (Movimento Terra Trabalho e Liberdade).
Ainda de acordo com o movimento, as balas de borracha e as bombas de efeito moral disparadas pela PM para dispersar o grupo não provocaram ferimentos, e ninguém foi preso.

*Fonte: Folha

sábado, 24 de março de 2012

Três integrantes de movimento sem-terra são mortos no Triângulo Mineiro



Renata Tavares*

Três integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) foram encontrados mortos com um tiro na cabeça na rodovia estadual MGC-455, próximo ao distrito de Miraporanga, a 40 quilômetros de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Dois dos mortos são homens e tinham  40 e 52 anos. A outra vítima é uma mulher de 48 anos, segundo a Polícia Militar.
Segundo a Polícia Militar, os corpos de Nilton Santos Nunes, 52, e Valdir Dias Ferreira, 40, estavam do lado de fora do carro. Já o de Clestina Leonor Sales Nunes, 48, estava dentro do veículo. Uma criança de 5 anos, neta de Nilton e Clestina e sobrinha de Valdir, estava no banco de trás do veículo quando os três foram mortos. A garoto foi encontrada pelo Corpo de Bombeiros em estado de choque.

A polícia agora apura se a criança conseguiu se esconder atrás de um dos bancos ou se os suspeitos de cometerem o crime a pouparam. “Ainda estamos em processo de apuração do caso. Colhemos informações no local e agora fica a cargo da Polícia Civil”, disse o sargento da PM Reis.

Testemunhas informaram aos policiais que dois homens chegaram em um carro prata e pararam o veículo deles. Em seguida, os dois homens desceram para saber o que era e nesse momento foram baleados com um tiro na cabeça. A mulher, que estava no banco da frente do carro, foi morta antes de tentar sair do veículo.

A polícia descarta a hipótese de latrocinio (roubo seguido de morte), porque no colo de Clestina Nunes estava uma bolsa com R$ 1.600 em dinheiro.  Toda a documentação das três vítimas estavam  espalhadas pelo chão. A polícia suspeita que a motivação possa ser acerto de contas ou rixas por conta da atuação dos três no MLST. Até o momento nenhum suspeito foi localizado.
*Do UOL, em Uberlândia (MG)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Alagoas: Incra negocia compra de voto, acusam os sem-terra

Órgão estaria privilegiando movimentos que firmam acordo para eleger Coutinho

Trabalhadores rurais sem-terra acusam a direção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas de usar a estrutura do órgão como barganha para extorquir apoio na campanha eleitoral. As denúncias apontam na direção do ex-superintendente do Incra e candidato a deputado federal pelo PT, Gilberto Coutinho, e do gestor que o substitui no cargo, Estevão de Oliveira, considerado um ferrenho cabo eleitoral de Coutinho.

Entidades que atuam com os sem-terra repudiam a prática dos representantes do Incra, mas o Movimento pela Libertação dos Sem-Terra (MLST) é mais contundente nas críticas. Assentados e lideranças do MLST afirmam que o Incra está sendo usado como um escritório político, onde ocorrem negociatas com ofertas de vantagens e trocas de favores por votos para o ex-superintendente e outros candidatos apoiados por ele.

Segundo o coordenador estadual do MST, Marcos Antônio da Silva, o Marrom, quem aceita fazer campanha para o candidato do Incra recebe privilégios como prioridade na vistoria de terras, convênios, verbas de custeio, acompanhamento técnico, cursos, material de construção e até sementes para consumo.

"A atual gestão chama lideranças para reuniões individuais, dentro da sede do Incra, ou oferece um almoço, um café da manhã, recebe a pauta de reivindicações e condiciona o cumprimento dela à questão eleitoral", afirma Marrom.

Fonte: Gazeta de Alagoas