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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Frases


Não faltou diálogo, o que faltou no caso dos movimentos sociais foi o atendimento das demandas. A reforma agrária e a questão indígena avançaram pouco. A reforma urbana – as estruturas de funcionamento das cidades, a mobilidade urbana – também não foi o que os movimentos esperavam.

Para o atendimento das demandas, tem de fortalecer alguns órgãos de governo. No caso da reforma agrária, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). No caso da política indigenista, a Funai (Fundação Nacional do Índio). Isso implica aumentar o orçamento, fazer concurso, comprar terrenos, indenizar quem está em terra indígena.

Acho que houve erros em Belo Monte no processo de implantação da obra, no ritmo das compensações e tal. Agora, quando você mantém um diálogo permanente – e instalamos lá uma casa de governo para dialogar – e se apela para ocupação de uma obra que tem interesse nacional, é dever do Estado enviar todos os esforços para que a obra retome o ritmo. Estamos com uma crise energética no país que não é pequena e temos de realizar Belo Monte.

Atribuir essa culpa ao governo é um absurdo. A direita cresce porque cresce. O partido da Kátia Abreu está na nossa base. Se eu restringir minha base àqueles que pensam como nós, não aprovamos nenhuma lei. Fazer aliança significa trabalhar com o adversário, digo, com o diverso.

Em nenhum momento foi por conta da Kátia Abreu que deixamos de avançar. Não avançamos porque faltou competência e clareza. Mas não dá para dizer que não foi feito nada.


Do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, em entrevista para João Fallet, da BBC Brasil. 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Marina cresce entre descontentes

Por Cândido Neto da Cunha*

Previamente, aviso que não sou eleitor de Marina Silva. Longe disto, a considero (mais um) grande engodo para desavisados. Esta minha opinião vem de longa data, desde a sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente ainda no governo Lula, com sua atuação na concessão das licenças ambientais para as usinas hidrelétricas do rio Madeira atropelando pareceres técnicos em contrário, a Lei de Gestão de Florestas Públicas que possibilita transferir terras públicas para madeireiras , o esfacelamento do Ibama e a liberação dos transgênicos, só para ficar na área ambiental, onde Marina seria uma “referência”. Neste sentido, vale a leitura do texto “A Rede de Marina” no blog do seringueiro Osmarino Amâncio.

Também não sou de confiar muito em pesquisas eleitorais, ainda mais essa última do Datafolha, produzida ainda sob o impacto da morte de Eduardo Campos e quando Marina ainda nem ainda era dada como um nome certo para sua substituição como candidata à Presidência.

Mas, os dados do Datafolha, ainda que levado em conta o aspecto da inconfiabilidade que inicialmente destaquei, mostram Marina como a mais nova candidatura a Presidência a ser batida. Seu nome, no momento e conforme a pesquisa torna quase certa a existência de segundo turno, coisa que não aparecia com certeza até então. Aliás, salvo engano, é a primeira vez desde 2002 que em pesquisas eleitorais para a Presidência em que o PT não aparece liderando.  Marina aparece empatada com Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno (21% a 20%), e, no limite da margem de erro da pesquisa, supera Dilma Rousseff (PT) no segundo turno (47% a 43%).  

Feitas essas considerações iniciais, destaco que a agora confirmada candidatura de Marina é que mais sofre ataques nas redes sociais, especialmente dos petistas, que vão da crítica às fraquezas da sua candidatura até a desqualificação por meio de métodos mais baixos, os mesmos aliás por quais o PT já foi vítima no passado.

Em relação aos ataques que vem sofrendo, Marina possui dois grandes trunfos a seu favor e que também podem ajuda-la a superar a grande desvantagem que tem no tempo de TV, a menor “capilaridade política” (pra não usar um termo chulo) e as contradições (gigantescas) que sua aliança eleitoral tem: o sentimento de descontentamento de parte do eleitorado e os caminhos conservadores também adotados pelos governos do PT.

Aliás, todas as pautas conservadoras apontadas em Marina, sejam na economia, sejam em relação aos chamados direitos civis (homossexuais e direitos da mulher), não é em nada diferente das políticas concretas adotadas pelo governo Dilma, essa sim uma verdadeira “talibã fundamentalista” nas áreas ambientais, indígena e agrária, temas que ainda são identificados como símbolos em Marina.

O eleitor de Marina é no momento, conforme o próprio Datafolha, o típico eleitor petista do passado. Falando de forma generalista, é o eleitor concentrado nos grandes centros urbanos do país, possui maior escolarização, é composto por trabalhadores que recebem salários acima de média nacional, jovens e estudantes, é mais crítico que a média e não dependente dos programas de compensação social. É o setor que politicamente rompeu com PT no passando recente, que não confia no PSDB e que também não é abarcado pelas alternativas da chamada esquerda socialista. É composto por setores que ainda votam “criticamente” em “petistas históricos” até parcela do eleitorado que “não tinha em quem votar” ou iria votar em branco e nulo. 

Soma-se a este perfil, outro com características comuns ao perfil do eleitorado típico (urbano e jovem) e opostas (conservador em relação aos costumes e mais despolitizado), formado por setores pentecostais. Marina pode absorver ainda parte do eleitorado padrão do PSDB, sem a imagem da “herança maldita” dos tucanos, trabalhada eleitoralmente pelo PT já há quatro eleições. Em resumo, Marina pode se apresentar como a imagem da “petista” sem o PT e da tucana sem o PSDB.

Reside na “união” destes dois aparentes contraditórios o grande trunfo eleitoral de Marina. Num eventual segundo turno ela canaliza para si uma parte dos votos de setores que historicamente votavam no PT e uma parte do eleitorado que historicamente sempre foi avesso ao PT, mesmo com sua guinada à direita e que jamais votará em Dilma, por mais “concessões” que ela faça. Essa possibilidade isola o PT ao chamado “lulismo” (trabalhadores desorganizados e precarizados, dependentes dos programas de compensação social, o chamado eleitorado menos ideológicos) e a parte da burguesia nacional (internacionalizada), de pequena densidade eleitoral, mas de grande poder de financiamento de campanha e de controle direto sobre os grandes meios de comunicação. 

Soma-se a tudo isso, o índice ainda alto de rejeição de Dilma, entorno de 34%, enquanto Marina seria rejeitada por apenas 11% do eleitorado, os dois extremos da pesquisa Datafolha em relação a este aspecto.

Ainda é muito cedo para conclusões mais definitivas. A melhora na avaliação no governo apontada também pelo Datafolha, o grande volume de financiamento de campanha, o tempo na TV, as assuntos que serão pautados pelas grandes mídias e o “fator Lula” poderão reverter o cenário em favor de Dilma e de Aécio. Mas, pela primeira vez em vinte anos, o PT e o PSDB não polarizarão uma eleição no país e é praticamente certo que um dos dois, não estará num segundo turno. Marina configura-se assim um terceiro polo nesta eleição e a torna completamente incerta, não podendo ser uma candidata a ser subestimada e sim, a ser batida.

*Direto para o blog Língua Ferina.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Ele também foi contra a bandeira vermelha...

Frases

"De fato, está difícil entender. Nós somos acostumados com mobilização com carro de som, com organização, com gente com quem negociar e liderança com quem negociar e poder fazer um tipo de acordo. Agora eles mesmo dizem 'nós não temos uma liderança, são múltiplas lideranças, nós não temos carro de som'. Não tem um comando, um comando único, e portanto se  torna extremamente complexo o processo de compreensão, de entendimento, da multiplicidade das manifestações internas”, disse o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho (PT), sob a onda de mobilizações que sacode o Brasil.

"Não deveriam usar o futebol para anunciar suas reivindicações. O Brasil pediu esta Copa do Mundo. Nós não impusemos o Mundial a ele, disse o presidente da Fifa, Joseph Blatter, criticando os protestos no país.





"Não vamos permitir que nenhuma dessas manifestações atrapalhe nenhum dos eventos que nos comprometemos a realizar", afirmou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB).

O governo federal anunciou nesta quarta-feira, 19 de junho, o envio de homens da Força Nacional de Segurança para Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Salvador e Rio de Janeiro, 5 das 6 sedes da Copa das Confederações.

"Vamos esquecer toda essa confusão que está acontecendo no Brasil e vamos pensar que a seleção brasileira é o nosso país, o nosso sangue. Não vamos vaiar a seleção, vamos apoiar até o final", pediu o ex-jogador Pelé em entrevista para uma afiliada da Rede Globo em Santos, São Paulo. 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Frases


“Nosso modelo nos diferencia do 'disse me disse' da pequena política. As correntes mais conservadoras insistem em não entender o Brasil e a originalidade de nosso modelo. Os velhos do restelo sempre surgem da Idade Média”, afirmou a presidente Dilma Rousseff (PT) nesta terça, 19 de fevereiro, em cerimônia de comemoração de um ano de lançamento do programa “Brasil Sem Miséria” e de inclusão de mais 2,5 milhões de pessoas no Cadastro Único do governo federal.  Ao lado de Dilma, estavam alguns representantes das “correntes progressistas" do país.

Leia aqui no blog: Aumento de R$ 2,00 no Bolsa Família “acaba com a miséria” no Brasil

sábado, 27 de outubro de 2012

Cada vez mais à direita, PCdoB cresce em cidades interioranas e disputa 4 cidades no 2° turno

Enterro do advogado do PCdoB,  Paulo Fonteles, em Belém em 1987. Duas décadas depois, o PCdoB dava as mãos aos ruralistas. 

Tentando se descolar do Partido dos Trabalhadores em alguns centros importantes do país, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) lançou candidaturas próprias à prefeito em vários centros importantes, sem lograr êxito. A exceção ocorreu em  Olinda, em Pernambuco, onde o partido já governou por doze anos, e elegeu Renildo Calheiros ainda no primeiro turno, coligado com o PT e outros dezoito partido, inclusive o PSB do governador Eduardo Campos e o PSDB.

Em Fortaleza, o senador Inácio Arruda, que já disputou a prefeitura municipal outras três vezes e chegou está em segundo colocado no início da campanha eleitoral, acabou terminando na sétima posição com apenas 1,8% dos votos do eleitorado. Sem coligação com outros partidos, e com um perfil imagem que desagradava tanto à direita mais tradicional como os setores aliados aos governos federal, estadual e municipal, assim como os setores mais a esquerda, campanha de Inácio acabou sendo tragada por não ter em quem bater (já que o PCdoB é governo nos três níveis de governo) e ao mesmo tempo sem ter com quem o apoiar, já que o PT e o PSB estavam priorizaram suas próprias candidaturas e foram para o 2º turno na capital cearense.

Em Porto Alegre, a deputada federal Manuela D’Ávila conseguiu ainda ficar em segundo lugar (com 17,76% dos votos válidos), a frente do candidato petista, Adão Villa (9,64% dos votos), mas incapaz de assegurar a um segundo turno contra o prefeito reeleito no primeiro turno, José Fortunati (PDT). Com uma campanha inicialmente voltado para um público mais jovem, o PCdoB em Porto Alegre se aliou com o Partido Social Cristão, com direito até a participação da “comunista” na Marcha para Jesus.

O crescimento da candidatura do Psol, Elson Pereira que ficou na quarta posição com 14,42% dos votos válidos em Florianópolis, é apontado como a principal causa de derrota da candidata “comunista” Ângela Albino, que acabou ficou em terceiro (25,03%) e fora do segundo turno. Diferentemente de Fortaleza e Porto Alegre, na capital de Santa Catarina, o PCdoB estava aliado com o PT. Já em Belém, o aliado foi o Psol e o PSTU, onde o PCdoB é vice de Edmilson Rodrigues que disputa o segundo turno contra o PSDB.

Também aliado ao PT e contando com a presença da presidente Dilma Rousseff na campanha, o PCdoB disputa seu único segundo turno em capitais em Manaus, no Amazonas, com a senadora Vanessa Grazziotin contra o tucano Arthur Virgílio. Remendo contra a derrocada tucana em várias partes do país, Virgílio desponta como favorito nas pesquisas eleitorais, enquanto Grazziotin produziu panfletos em que se apresenta como uma mulher de família, de Deus, contra o aborto e que defende a “boa convivência” entre as classes sociais. A aproximação com setores religiosos atrasados teria como tática ainda a distribuição por meio de igrejas de 500 mil DVDs com cenas do então Senador Arthur Virgílio justificando o seu voto favorável a descriminalização do aborto em algumas situações de risco à mulher, bem como o reconhecimento aos direitos de partilha de bens e heranças em relações homoafetivas. Na reta final da campanha, episódios como protestos de cabos eleitorais não pagos pela candidata do PCdoB e a identificação de trabalho infantil na campanha de Grazziotin, acabaram dando “ares de esquerda” à campanha de Virgílio que se apresenta como vítima de perseguição da candidata conservadora.

A "beata" Vanessa Grazziotin promete manter a
estrutura de classes, se for eleita.

Nas demais cidades onde haverá segundo turno, o PCdoB disputa com candidatos majoritários ainda em Jundiaí, em São Paulo (com Pedro Bigardi), contra uma candidatura do PSDB; em Belford Roxo, Rio de Janeiro (com Dennis Dauttmam) contra uma candidatura do PRTB; e em Contagem, Minas Gerais (com Calrin Moura), com apoio direto de Aécio Neves e Newton Cardoso, enfrentando uma candidatura do PT.

Mas é nas cidades interioranas que se deu o crescimento do PCdoB, o que fez o partido saltar, tendo como referência o primeiro turno, de 40 prefeitos eleitos em 2008 para 53 em 2012, a maior parte deles em municípios pequenos e no Nordeste. O crescimento eleitoral se tornou o principal critério de atuação do partido, que já de longa data é capaz de fazer alianças das mais esdrúxulas em nome desse pragmatismo, como o apoio ao governo José Sarney nos anos oitenta ou atuação do deputado federal Aldo Rebelo com os ruralistas para aprovação do Código Florestal.

Assim, a disputa de 2º turno em Manaus e 3 cidades médias do país acabaram se tornando o delineador para o partido, que não se constrange em se aliar com setores mais atrasados em Manaus ou receber apoio do PSDB em Contagem.

Este “pragmatismo” pode ter gerado um efeito curioso: o afastamento dos setores de esquerda e ao mesmo tempo a não fidelidade dos setores mais atrasados. 

sábado, 31 de março de 2012

Esquerda vence no DCE da USP


Acompanhada de perto e de forma inédita por setores da imprensa conservadora como o Estadão e a Veja, as eleições para o DCE da Universidade de São Paulo (USP) se encerraram nesta simbólica madrugada, de 31 de março.

Com uma votação também inédita de 13.134 estudantes, a chapa apoiada pela Anel e Esquerda da UNE, Não vou me adaptar,  teve 6.964 votos (51% do total) e comandará a entidade pelo próximo período de um ano.

A chapa de direita, Reação, acabou fiando em segundo lugar, com 2.660 votos. Esta era a única chapa que publicamente defendia a presença da Polícia Militar no interior da Universidade.

Confira o resultado final logo abaixo:
100% das urnas apuradas (58 de 58)
13.134 votos contabilizados

Não vou me adaptar: 6.964 (51%)
Reação: 2.660 (19%)
Universidade em movimento: 2.579 (19%)
27 de Outubro: 503 (4%)
Quem vem com tudo não cansa: 254 (2%)
Brancos: 46 (0%)
Nulos: 128 (1%)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Projeto de Lei quer punir ''terroristas'' e grevistas na Copa


“É a ditadura transitória da FIFA” diz presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, sobre projeto que corre no Senado

Andrea Dip*

Enquanto as atenções estão voltadas para o projeto de Lei Geral da Copa (2.330/11) que deve ser votado na Câmara na próxima terça-feira (28), os senadores Marcelo Crivella (PRB-RJ), Ana Amélia (PP-RS) e Walter Pinheiro (PTB-BA) correm com outro Projeto de Lei no Senado, conhecido pelos movimentos sociais como “AI-5 da Copa” por, dentre outras coisas, proibir greves durante o período dos jogos e incluir o “terrorismo” no rol de crimes com punições duras e penas altas para quem “provocar terror ou pânico generalizado”.

O PL 728/2011, apresentado no Senado em dezembro de 2011, ainda aguarda voto do relator Álvaro Dias (PSDB-PR) na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado. Se for aprovado, vai criar oito novos tipos penais que não constam do nosso Código Penal como “terrorismo”, “violação de sistema de informática” e “revenda ilegal de ingressos”, determinando penas específicas para eles. Essa lei – transitória – valeria apenas durante os jogos da FIFA.

Na justificativa da proposta, os senadores alegam que a Lei Geral da Copa deixa de fora a tipificação de uma série de delitos, necessária para “garantir a segurança durante os jogos”.

O projeto prevê ainda que quem “cometer crimes contra a integridade da delegação, árbitros, voluntários ou autoridades públicas esportivas com o fim de intimidar ou influenciar o resultado da partida de futebol poderá pegar entre dois e cinco anos de prisão”.

Para quem “violar, bloquear ou dificultar o acesso a páginas da internet, sistema de informática ou banco de dados utilizado pela organização dos eventos” a pena seria de um a quatro anos de prisão, além de multa. E para deixar a aplicação das penas ainda mais eficaz, o projeto prevê a instauração de um “incidente de celeridade processual” (art. 15), um regime de urgência em que a comunicação do delito poderia se dar por mensagem eletrônica ou ligação telefônica e funcionaria também nos finais de semana e feriados.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de São Paulo Martim Sampaio considera o projeto um “atentado contra o Estado Democrático de Direito”. “É um projeto de lei absurdo que quer sobrepor os interesses de mercado à soberania popular. Uma lei para proteger a FIFA e não os cidadãos e que, além de tudo, abre precedentes para injustiças por suas definições vagas”, diz o advogado.

Para Thiago Hoshino, assessor jurídico da organização de direitos humanos Terra de Direitos e integrante do Comitê Popular da Copa de Curitiba, a questão é ainda mais complicada. Ele acredita que a junção de tantos assuntos em um mesmo projeto é uma tentativa de aprovar leis antigas que endurecem principalmente a legislação penal: “É um bloco perigoso que viola garantias básicas da Constituição. E há sempre o risco de estas leis transitórias se tornarem permanentes. A legislação da Copa é, na verdade, um grande laboratório de inovações jurídicas. Depois o que for proveitoso pode permanecer. É mais fácil tornar uma lei transitória permanente do que criar e aprovar uma nova” explica.

Terrorismo
O que chama a atenção logo de cara no projeto de lei é a tipificação de “terrorismo”, que até hoje não existe no nosso código penal. No PL, ele é definido como “o ato de provocar terror ou pânico generalizado mediante ofensa à integridade física ou privação da liberdade de pessoa, por motivo ideológico, religioso, político ou de preconceito racial, étnico ou xenófobo” com pena de no mínimo 15 e no máximo 30 anos de reclusão. Martim Sampaio diz que este é o artigo mais perigoso por não dar definições exatas sobre o termo: “Da maneira como está na lei, qualquer manifestação, passeata, protesto, ato individual ou coletivo pode ser entendido como terrorismo. Isso é um cheque em branco na mão da FIFA e do Estado”.

Documentos revelados pelo WikiLeaks revelaram a pressão americana para que o Brasil criasse uma lei para o “terrorismo”, principalmente para assegurar os megaeventos. No relatório de Lisa Kubiske, conselheira da Embaixada americana em Brasília, enviado para os EUA em 24 de dezembro de 2010, a diplomata mostra-se preocupada com as declarações de Vera Alvarez, chefe da Coordenação-Geral de Intercâmbio e Cooperação Esportiva do Itamaraty porque a brasileira “admite que terroristas podem atacar o Brasil por conta das Olimpíadas, uma declaração pouco comum de um governo que acredita que não haja terrorismo no País”.

Os banqueiros também pressionam o Estado a criar uma lei antiterrorismo há algum tempo. Também em 2010, a falta de uma legislação específica sobre terrorismo foi o principal foco em um congresso sobre lavagem de dinheiro e financiamento de grupos extremistas organizado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em São Paulo. A questão poderia custar ao Brasil a exclusão do Grupo de Ação Financeira Internacional (Gafi), órgão multinacional que atua na prevenção desses crimes.

Greves
O projeto de lei também mira reduzir o direito à greve, prevendo a ampliação dos serviços essenciais à população durante a Copa – como a manutenção de portos e aeroportos, serviços de hotelaria e vigilância – e restringe a legalidade da greve de trabalhadores destes setores, incluindo os que trabalham nas obras da Copa, de três meses antes dos eventos até o fim dos jogos. Se aprovado, os sindicatos que decidirem fazer uma paralisação terão de avisar com 15 dias de antecedência e manter ao menos 70% dos trabalhadores em atividade. O governo ainda estará autorizado a contratar trabalhadores substitutos para manter o atendimento, o que é proibido pela lei 7.283/1989 em vigor no país, que estabelece 72 horas de antecedência para o aviso de greve e não determina um percentual mínimo de empregados em atividade durante as paralisações.

Eli Alves, presidente da Comissão de Direito Trabalhista da OAB-SP, lembra que o direito à greve também é garantido na Constituição Federal e diz que a sensação que fica é a de que “o Brasil está sendo alugado para a FIFA, flexibilizando suas próprias regras para fazer a Copa no país”. Martim Sampaio lembra que as greves foram proibidas durante a ditadura militar: “A gente conquistou este direito com o fim da ditadura, muitas vidas foram perdidas neste processo. Não é possível que agora criemos uma ditadura transitória da FIFA”. E convoca: “O único jeito de não deixar esta lei ser aprovada é por pressão popular. A gente tem bons exemplos de que isso funciona como a da lei da ficha limpa. É preciso conquistar a democracia todos os dias”.

Fonte: Agência Pública via Diário Liberdade

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Na festa de 32 anos do PT, um convidado especial


Na festa dos 32 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), na noite de sexta-feira em Brasília (10 de fevereiro), um “convidado ilustre” apareceu.

Trata-se de Gilberto Kassab (PSD), prefeito de São Paulo, para desgosto da senadora Marta Suplicy, que em seu twitter anunciou que pode não apoiar a candidatura de Fernando Haddad à capital paulista.

Leia: PT determina 'sacrifício total' para ganhar eleições em SP

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Canal direitista Fox diz que os Muppets são ''comunistas''













Com o país fervilhando pelas mobilizações do movimento "Occupy", um apresentador do programa "Follow the money", da emissora direitista Fox, acusou os bonecos de fazerem "lavagem cerebral" nas crianças.

O programa foi exibido pela emissora Fox na passada sexta-feira dia 1, e nele, o apresentador Eric Bolling promoveu um debate sobre o filme de longa metragem infantil "Os Muppets".

Bolling afirmou ter descoberto que o roteiro do filme, que mostra a trupe de bonecos reunida para impedir que um milionário do petróleo derrube o teatro onde eles se apresentavam, é uma ferramenta ideológica dos "liberais de Hollywood" (sic) promovendo uma "lavagem cerebral" nas crianças, "inserindo em suas mentes propaganda anti-corporativista".

Na teoria da direita republicana estadunidense, os estúdios de Hollywood estão colocando as crianças contra o capitalismo, o que explica a ocorrência de movimentos de protesto como o denominado Occupy Wall Street, que nas últimas semanas tem movimentado importantes setores populares contra a crise em parâmetros progressistas.

Ao lado do vice-presidente do Business and Media Institute (BMI), Dan Gainor, Bolling afirmou que já não sabia se "estamos vivendo na China comunista", em referência ao teor ideológico dos produtos de Hollywood.

'Carros 2': Mais um produto anticapitalista?
Na teoria do reacionário canal Fox, o caso dos Muppets no é isolado. Também 'Carros 2' seria um produto para revoltar as crianças contra o capitalismo: "Eles têm feito isso por décadas. Hollywood, a esquerda, a mídia, eles odeiam a indústria do petróleo, a América das corporações", disse Gainor. "Você vê diversos filmes pregando isso, como 'Carros 2', que também é voltado para crianças".

O executivo citou também os dramas "Syriana - A Indústria do Petróleo", estrelado por George Clooney, e "Sangue Negro", de Paul Thomas Anderson, como exemplos de filmes que criticam a indústria petrolífera. E ainda atribuiu a eles, e aos Muppets, ações dos movimentos ambientalista e "Ocupe Wall Street".

Na lista do entrevistado também figuram a série animada "Capitão Planeta", o filme de ficção "O Dia Depois de Amanhã" e o documentário "Uma Verdade Inconveniente", de Al Gore.

Fonte: Diário Liberdade

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Indígenas na Bolívia retomam marcha contra rodovia rumo a La Paz


Indígenas amazônicos bolivianos recomeçaram no sábado a marcha de protesto contra a construção de uma rodovia na região. A oba é financiada pelo Brasil por meio do BNDES e executada pela empreiteira OAS.

O presidente Evo Morales acusou os manifestantes de buscarem o fracasso das inéditas eleições judiciais de 16 de outubro, já que a marcha está a mais de 250 km ao norte de La Paz e deve chegar à sede do governo quatro dias antes do processo eleitoral.

"Reiniciamos a marcha e nossa intenção não é a de enfrentarmos ninguém. O que o governo deve fazer em vez de acusar os indígenas é resolver de uma vez este problema da estrada", disse à mídia local Adolfo Chávez, presidente da Central Indígena do Oriente Boliviano e ex-aliado de Morales.

Embora ainda sejam poucos em número em comparação às etnias aymara e quéchua do ocidente andino, que apoiam maciçamente Morales, os indígenas amazônicos que iniciaram a marcha em 15 de agosto na cidade de Trinidad são apoiados por setores que questionam o discurso ecologista do governo.

O setor mobilizado rejeita a construção de uma estrada que atravessaria o território indígena e o Parque Nacional Isidoro Sécure (TIPNIS) no centro da Bolívia.

Os nativos querem exigir de Morales que "tome a decisão de modificar o projeto através da promulgação de uma lei que estabeleça expressamente que a estrada não atravessará o território indígena", diz um comunicado.

Pressionado pelas circunstâncias da intervenção, Morales anunciou a suspensão temporária do projeto para efetuar uma consulta às regiões envolvidas e pediu desculpas pela violência das forças de ordem, ao mesmo tempo em que acusou grupos de oposição e o “imperialismo” de estarem por trás dos indígenas.

O papel do PC Boliviano: atacar os indígenas, defender a estrada
Aliado do governo Morales, o Partido Comunista Boliviano lançou uma nota criticando a marcha pois seria inspirada por "aqueles que buscam pretextos para gerar uma crescente oposição, produzindo situações de tensão, divisões na base social indígena campesina, enfrentamento entre as organizações populates e (tentativas de) torpedear as eleições judiciais de 16 de outubro".

A nota do partido afirma ainda que a plataforma de reivindicações das lideranças do movimento é inconsistente e inaceitável. "Não corresponde com a realidade objetiva e a necessidade de um verdadeiro desenvolvimento, que não precisam entrar em conflito com os direitos humanos e direitos coletivos dos povos indígenas e os cuidados necessários com o meio ambiente", completa.

"Não se pode ignorar a confusão e desinformação causadas pela maioria dos meios de comunicação, esmagadoramente dominados pela direita, que criaram em alguns setores sociais atitudes preconceituosas e agressivamente adversas ao governo", diz a nota. O partido critica ainda a ação de várias ONGs que têm incentivado e apoiado a marcha e a interferência da USAID e de funcionários da embaixada dos EUA.

Resta o governo Morales e o PC Boliviano explicarem se foi o “imperialismo” ou a embaixada americana que mandaram a tropa de choque reprimir com violência a marcha indígena.

Leia mais sobre o .

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Kassab cria braço sindical do PSD


Em meio à pressão dos opositores para impedir a liberação do registro do Partido Social Democrático (PSD) junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, lançou hoje o braço sindical da nova legenda. De olho na capilaridade dos movimentos sociais e na força das entidades sindicais, Kassab assinou a ficha de filiação de Ricardo Pattah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), considerada a terceira maior central sindical do País.

Com a entrada de Pattah - e mais 20 sindicalistas ligados à entidade, além de representantes de movimentos sociais -, Kassab se alia às bases que deram origem ao PT e segue o exemplo do PSDB, que recentemente criou um núcleo sindical para estreitar suas relações com a base dominada até então pelos petistas.

Como presidente da UGT, Pattah comanda 1.013 sindicatos que representam mais de 7 milhões de trabalhadores. No PSD, o sindicalista presidirá o núcleo responsável pelas políticas sociais do partido e terá à disposição 50% dos recursos da sigla provenientes do fundo partidário. "Será uma organização de mobilização, de ação", explicou Kassab.

De acordo com o prefeito, idealizador e presidente nacional do partido, 25% dos recursos do PSD serão destinados à direção executiva e os outros 25% para formação doutrinária, esta última sob a responsabilidade do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. "É um passo consistente que o partido dá para ter representatividade. Isso mostra a importância que estamos dando para os movimentos sociais", comemorou Kassab, ao dar as boas-vindas ao sindicalista

Fonte: Agência Estado

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Roberto Carlos com sionistas e Pinochet


Quem se espantou com o cantor Roberto Carlos saudando os sionistas e pedindo a paz com quem há décadas promove a guerra,  deve vê o vídeo abaixo, onde o “rei” saúda ninguém menos do que o ditador chileno Augusto Pinochet.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Júri Anghinoni: Decisão inédita garante justiça no caso de assassinato por milícia privada


Por 4 votos a 3, os jurados que compuseram o Tribunal do Júri desta quarta-feira (27) decidiram pela condenação de Jair Firmino Borracha, acusado de matar, em 1999, Eduardo Anghinoni - irmão de uma das principais lideranças do MST no Paraná. A condenação foi de 15 anos, mas Borracha poderá recorrer a decisão em liberdade. 

 A família da vítima, que acompanhou o julgamento, se emocionou muito com a decisão, mas afirmou que a condenação é de apenas um dos pistoleiros, ficando ainda sem resposta quem mandou cometer o crime e quem arcou com a estrutura montada na região noroeste do Paraná que perseguia, torturava e assassinava trabalhadores pertencentes ao MST. 

O juiz que comandou a sessão, Dr. Daniel Ribeiro Surdi Avelar, manifestou-se durante a leitura da sentença final ao dizer que, se este julgamento tivesse ocorrido antes, outras vidas poderiam ter sido poupadas. Entre 1995 a 2002, 16 trabalhadores rurais sem terra foram assassinados no estado. O Juiz ainda relembrou das duas sentenças condenatórias dadas pela Corte Interamericana da OEA que condenaram o Estado Brasileiro em casos envolvendo perseguição e assassinato de trabalhadores rurais também na região noroeste (Interceptações Telefônicas e Sétimo Garibaldi). 

Cabe ressaltar ainda que este foi o primeiro Júri a condenar um criminoso envolvido em morte de sem terra, já que nos julgamentos de Sebastião da Maia e Vanderlei das Neves os acusados infelizmente foram absolvidos. Os depoimentos colhidos e as evidências mostradas durante o Júri sobre a morte de Anghinoni reforçam a hipótese da existência no Paraná de uma organização criminosa que atuava ilegalmente a fim de barrar a luta dos trabalhadores por Reforma Agrária. O Júri foi, inclusive, acompanhado pelo ex-presidente da UDR, Marcos Prochet, que estava com a família do acusado. Prochet é acusado de assassinar outro trabalhador sem terra, Sebastião Camargo Filho. 

Na avaliação dos movimentos e organizações que acompanharam todo o julgamento, o desaforamento do Júri deu condições reais de realização do mesmo. Para elas, a condenação auxiliará que novos crimes no campo não aconteçam e que os conflitos fundiários e ambientais possam ser resolvidos pelo estado a partir da concretização de políticas públicas garantidoras de direitos, como o direito à terra, à alimentação e, principalmente, à vida. 

Fonte: Terra de Direitos

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os defensores do SIM em Santarém!

A foto está embaçada, mas a vergonha dos personagens nela contidos não. Unidos num solene abraço pelo “SIM” pelo Estado do Tapajós, políticos tradicionais aliados das madeireiras, latifundiários e multinacionais que saqueiam a região e deixam os trabalhadores a míngua se encontraram na última sexta-feira em Santarém para uma unidade política que mostra bem os interesses por trás da divisão do estado do Pará.

Começou bem!

terça-feira, 17 de maio de 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Chávez entrega exilado ao governo colombiano

Tem gerado grande repercussão em toda a esquerda internacional a decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de entregar o comunicador Joaquín Pérez Becerra ao governo de extrema direita da Colômbia,  Juan Manuel Santos.

Joaquín Pérez é colombiano e vivia exilado na Suécia a mais vinte anos, depois que o partido de esquerda institucional “Unión Patriótica Colombiana” foi exterminado pelo Estado, fazendo com que vários militantes como Pérez deixassem o país. No exílio, o militante recebeu cidadania sueca. Foi preso quando desembargava na Venezuela no último sábado (24 de abril) por forças policiais locais, segundo algumas fontes por ordem direta do presidente colombiano que o acusa de ser membro das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas – FARC e de praticar “terrorismo”. Há quem fale que houve também a participação da Interpol na prisão, informação essa não confirmada.

Contudo, Joaquín Pérez nega a acusação. O diretor da ANNCOL negou que o militante tenha qualquer relação com as FARC e afirmou que ele é um "comunicador social", que se encontrava na Suécia em condição de refugiado político. A ANNCOL é uma agência de notícias para qual Pérez trabalhava.

Uma campanha internacional chegou a ser desencadeada desde o último dia 24, mas em poucas horas Joaquín Pérez foi levado para uma base militar colombiana. O embaixador sueco na Venezuela protestou por não ter tido acesso ao preso.

“É necessário estender a denúncia desta manobra contra a liberdade de imprensa e de movimento de um jornalista crítico com o criminal regime colombiano. A sua entrega ao Estado colombiano significaria pôr em risco não só os seus direitos fundamentais, mas também a sua integridade física, dadas as práticas repressivas ilegais e desumanas que o regime de Santos aplica aos seus presos políticos.”, conclamou o sítio galego Diário Liberdade que também denunciou o papel lamentável da TV TeleSur:

“O canal televisivo TeleSur reproduziu a versão oficial colombiana sobre o assunto, sem informar sobre a condição de Pérez como exilado político e diretor do site informativo ANNCOL, contribuindo assim para justificar a posição do governo venezuelano mediante a criminalização de Joaquín Pérez, vítima do terrorismo de estado colombiano e do colaboracionismo de Hugo Chávez, se finalmente se confirmar a sua entrega.”

*Com informações do Diário Liberdade.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Aécio Neves vive dia de Heleninha Rotman, mas que dar uma de Sandy


O senador Aécio Neves (PSDB-MG), novo “baluarte” da oposição de direita, teve a carteira de habilitação apreendida por estar com o documento vencido e por se recusar a fazer o teste do bafômetro em uma Operação da Lei Seca no Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro.

Aécio foi parado na blitz na madrugada deste domingo, segundo a Secretaria estadual de Governo. O político foi multado, mas não teve o carro apreendido, já que apresentou um condutor habilitado, e foi liberado.

A assessoria de imprensa do tucano informou que ele não sabia que a carteira de habilitação estava vencida. Aécio Neves tinha saído da casa de amigos e voltava para a residência dele, no Leblon, com a namorada.

A recusa do teste de bafômetro é considerada uma infração gravíssima, representa sete pontos na carteira e vale multa de R$ 957. Dirigir com a carteira de habilitação vencida também é uma infração gravíssima com multa de R$ 191,54.