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sábado, 9 de abril de 2016

O clã do senador Edison Lobão: veterano de escândalos políticos

Por: Gil Alessi*

O parlamentar e três de seus filhos já foram citados em escândalos, de Panama Papers a Serra Pelada
O senador Edison Lobão (PMDB-MA). M. Camargo AgBr

O senador Edison Lobão (PMDB-MA), patriarca do clã que leva seu sobrenome, é um sobrevivente dentro cenário político nacional. Foi acusado de envolvimento em ao menos três grandes escândalos e, pelo menos até o momento, escapou ileso, sem condenações, de todos eles. O nome do parlamentar e de seus filhos voltou à tona esta semana com a divulgação dos Panama Papers, um conjunto de documentos referentes a empresas offshore obtido pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo. Lobão e Luciano, um de seus filhos que não está na política, são citados na lista de clientes da companhia panamenha Mossack Fonseca, responsável por estruturar (e ocultar) empresas no exterior. Não se sabe se as offshores da família são irregulares ou não, caberá à Receita Federal apurar o fato. O advogado do parlamentar negou a acusação. Mas essa foi apenas o último enrosco do senador.

Lobão, que foi governador de seu Estado natal de 1991 a 1994, é considerado um representante da oligarquia maranhense ao lado dos Sarney, de quem o parlamentar é próximo. Ele é investigado pela Operação Lava Jato pelo recebimento de propina para a construção da usina de Angra 3. Além disso, delatores do esquema de corrupção na Petrobras afirmaram que, quando esteve à frente do ministério de Minas e Energia (2008-2015, Governos de Lula e Dilma), ele arquitetou a entrega de 2 milhões de reais a Roseana Sarney para sua campanha ao Governo do Maranhão em 2010. Em dezembro do ano passado a Polícia Federal chegou a realizar buscas na mansão de dois andares do parlamentar em Brasília. O advogado do senador, Carlos de Almeida Castro, o Kakay, diz que até o momento “várias pessoas falam do senador Lobão (…) no sentido de que ele teria solicitado dinheiro para campanhas, mas não há nenhuma imputação direta a ele”.

Mas o senador não é o único Lobão na mira da Lava Jato. Seu filho Edison Lobão Filho, que chegou a ser suplente do pai no Senado quando este assumiu o ministério de Minas, é investigado por supostamente ter recebido pagamentos irregulares feitos pelo Grupo Bertin – ligado ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula. Ele teria recebido repasses de ao menos 8 milhões de reais. Lobão Filho afirmou que o valor se refere a uma “intenção de vender uma participação societária para o grupo”, mas a operação “acabou sendo cancelada”. “Não houve, de forma alguma, recursos transferidos entre as partes, ou seja, foi simplesmente um negócio anulado”, afirmou.

O processo da Lava Jato não é o único a atingir Lobão. Ele também é investigado desde 2015 por suspeita de ser sócio oculto de um grupo de companhias sediado nas Ilhas Cayman, um conhecido paraíso fiscal caribenho. O grupo empresarial Diamond Mountain se encarregaria de captar recursos de fundos de pensão de estatais e empresas privadas que estivessem sob influência do PMDB. O senador nega ter qualquer participação na offshore, mas ex-sócios do empreendimento disseram operar em nome de Lobão. O processo está atualmente com o STF.

Em 2014 o patriarca do clã Lobão teve seu nome relacionado a outro escândalo, envolvendo, desta vez, o fundo de pensão dos funcionários dos Correios, o Postalis, que há 12 anos é controlado por aliados dos peemedebistas. As fraudes, ocorridas entre 2006 e 2011, teriam aberto um rombo de 5,6 no plano de benefício dos participantes do fundo. Entre os investigados estão o ex-presidente do Postalis Alexej Predtechensky, conhecido como Russo, e o ex-diretor Adilson Florencio da Costa. Os dois eram ligados a Lobão. Segundo a revista Época, um outro filho de Lobão, Márcio, foi sócio de Predtechensky. À época do escândalo, o então ministro de Minas e Energia admitiu ter relação e amizade com Russo, mas negou ter tido qualquer participação na sua indicação para o cargo.

Por fim, Edison Lobão teria arquitetado a retomada das operações no garimpo de Serra Pelada, no sul do Pará. Uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo de 2010 afirma que “Lobão lançou outra ofensiva (…) desta vez, para tomar o controle da cooperativa [de mineradores com direito a explorar Serra Pelada]. Num processo conturbado, marcado por ações judiciais e violência, garimpeiros do Maranhão ligados ao ex-ministro conseguiram assumir a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada”. 


O ex-ministro se defendeu, e negou estar por trás do esquema que beneficiou a cooperativa: “Defendo os garimpeiros há mais de 20 anos, fui lá inúmeras vezes, defender os garimpeiros, a maioria do meu Estado, o Maranhão”. Posteriormente, o Ministério Público investigou, sem sucesso, o desaparecimento de parte dos 50 milhões de reais que teriam sido repassados pela mineradora canadense Colossus à cooperativa pelos direitos de exploração do local. O destino do dinheiro ainda é uma incógnita.

*Fonte: El País

domingo, 25 de outubro de 2015

Major Curió confessa à Justiça que matou prisioneiros no Araguaia


Por: Leandro Mazzini*

Em um depoimento inédito à Justiça Federal, Sebastião Rodrigues de Moura, 77 anos, o Major Curió, revelou que matou dois prisioneiros da Guerrilha do Araguaia no início da década de 70, durante o regime militar.

A audiência em segredo de Justiça ocorreu na 1ª Vara Federal de Brasília, sob comando da juíza Solange Salgado, no dia 14 de outubro. Curió enviara atestado médico para não comparecer, mas a juíza recusou e expediu mandado de condução coercitiva e a Polícia Federal buscou Curió em casa.

Com a restrita presença de advogados e de familiares das vítimas, o depoimento foi longo, ocorreu entre 13h30 e 23h. Só tarde da noite o militar confessou os crimes.

O militar, que era capitão à época, mas tido como o principal algoz da Guerrilha, confessou ter matado os guerrilheiros Antônio Theodoro Castro, codinome Raul, e Cilon Cunha Brun, o Simão. Mandou um capataz enterrar os corpos e indicou à juíza a localização atual. No depoimento, Curió alegou que a dupla tentou fugir e foi abatida a tiros – na sua tese, não houve execução.

Embora o militar esteja amparado pela anistia, as revelações do depoimento vão nortear várias decisões da Justiça a respeito das buscas de desaparecidos e desencadear mudanças editoriais nas obras já publicadas até agora.

A audiência foi tensa em alguns momentos, com acareações, bate bocas e intimidações.

Preparação
A juíza preparou um questionário para Curió. Outros dois procuradores do MPF, Felipe Fritz e Ivan Marx, também preparam questões – ao todo foram mais de 100. O grupo vem estudando o caso há meses.

Curió foi o mais temido militar atuante na região do Araguaia durante o regime. Era capitão das tropas que aniquilaram a guerrilha. Ganhou fama desde então, e ascendeu na hierarquia militar chegando às patentes de major e tenente-coronel. Com esta patente controlou na década de 80 o garimpo de Serra Pelada (PA) e fundou uma cidade que leva o seu nome, Curionópolis (PA).

A mesma juíza determinou semana passada em despacho que o MPF investigue os gastos milionários do Grupo de Trabalho da Presidência sobre as buscas de desaparecidos no Araguaia nos últimos três anos, sem resultados.

*Fonte: UOL / Coluna da Esplanada

sábado, 21 de dezembro de 2013

Usina de Belo Monte manteve em segredo veio de ouro, agora já sepultado sob concreto


Marcelo Leite*

Quando analisamos as rochas escavadas do sítio Belo Monte, verificamos que várias delas continham traços de ouro. A partir daí, todo nosso esforço foi manter esse segredo, para evitar que Belo Monte se transformasse numa nova Serra Pelada."

O "verdadeiro segredo de Belo Monte" -a existência do ouro- foi revelado ontem por Antônio Kelson Elias Filho, diretor de Construção da Norte Energia -detentora da concessão da hidrelétrica.

Não chega a ser surpresa que um veio do metal tenha sido descoberto na região da cidade paraense de Altamira, à beira da Transamazônica.

Afinal, a cerca de dez quilômetros de outro canteiro de Belo Monte, o do sítio de Pimental, começam os trabalhos para abrir a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil, Belo Sun.

E Serra Pelada, o maior garimpo do país, fica a 400 km dali, em linha reta (o que, em território amazônico, pode ser considerado perto).

Tesouro sepultado
Segundo Kelson, o veio até seria economicamente viável, se fosse avaliado de maneira isolada.

Como sua exploração implicaria adiar a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no entanto, a ideia foi abandonada.

"Não valia a pena. Fechamos o poço com concreto", afirma o diretor da Norte Energia.

Assim se sepultou, para sempre, o segredo de Belo Monte.

Kelson havia prometido "revelaria à Folha o verdadeiro segredo de Belo Monte" em setembro, durante visita à usina para a elaboração da reportagem "["A Batalha de Belo Monte]":

O segredo seria contado "se a reportagem resultasse equilibrada". Após o debate sobre a usina realizado no auditório do jornal, anteontem (leia aqui ), Kelson, como é mais conhecido, cumpriu a promessa.

Fonte: Folha

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Serra Pelada: segunda matéria da Rede Record


Na segunda matéria sobre Serra Pelada, exibida neste domingo, 17 de novembro, no programa Domingo Espetacular, da Rede Record, é exibida a situação de penúria de garimpeiros e prostitutas após o fechamento da mina e o “xerife” Major Curió.

Confira:


Veja a primeira matéria AQUI.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Nova corrida ao ouro em Serra Pelada provoca mortes e desvio de R$ 50 milhões

Uma reportagem exclusiva do Domingo Espetacular da Rede Rocord (10 de novembro) mostra que uma nova corrida pelo ouro em Serra Pelada, no Pará, está provocando uma série de assassinatos, atentados mortes e desvio de dinheiro.

Em jogo, 10 milhões de kg de ouro, que colocam de um lado uma empresa canadense que explora o local e os garimpeiros.

Documentos exclusivos obtidos pelo Domingo Espetacular indicam que houve um desvio de mais de R$ 50 milhões da cooperativa dos garimpeiros de Serra Pelada.

Assista ao primeiro episódio da reportagem:

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A luta dos atingidos pela mineração


No Brasil, a atividade de mineração desenvolvida por 52 empresa de grande, médio e pequeno porte já afeta 1 milhão de pessoas. Desse contingente, parcela considerável estaria no Pará em zonas urbanas e, sobretudo, rurais. Isso porque nos últimos 30 anos, dos 32 eventos minerários ocorridos na região amazônica, 31 foram no estado paraense e apenas um no Amapá.

Tal situação já transforma a vida de milhares de agricultores. Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no sul e sudeste paraense todos os assentamentos organizados pelo movimento sofrem impactos da mineração.

Ademais, a Serra Pelada, que inaugurou a mineração no sul do Pará voltou à tona, não mais nas mãos dos garimpeiros, como ocorrido no final dos anos de 1970, mas agora controlado pela canadense Colossus, que utiliza de tecnologia de ponta para abrir uma nova mina de exploração de ouro nas proximidades.

Dessa forma, o Pará estaria, assim como Minas Gerais e outras regiões de intensa atividade mineraria, no centro do debate da mineração em nível nacional, que outrora secundária, ganhou notoriedade com a disputa política sobre o novo marco regulatório do setor.

Junto a essas questões, vários grupos antimineração têm surgido no Brasil nos últimos anos, em especial o Movimento Nacional pela Soberania Popular Frente a Mineração (MAM).

Para conversar sobre esse contexto nacional e regional da mineração, a reportagem do Brasil de Fato entrevistou Charles Trocate, membro da coordenação nacional do MAM. Na entrevista abaixo, Trocate faz um breve relato da formação da organização dos trabalhadores das minas no Pará fomentado pela dinâmica da Serra Pelada, além do movimento dos atingidos pelo Programa Grande Carajás, que abrange também o Maranhão.

Por fim, define a criação do MAM como um momento histórico na luta contra a mineração atrelada a um elemento diferenciado. “É o primeiro movimento na história do Brasil que não nasce no Sul e no Centro-Sul do país, mas surge do Norte e Nordeste para se tornar nacional”, salienta.

Confira a entrevista no sítio do jornal Brasil de Fato

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Maioria das sedes do Incra foi fechada nesta terça-feira


A maioria das Superintendências Regionais do Incra pelo país foi fechada nesta terça-feira, 07 de agosto, pelos servidores em greve do órgão. O ato que pressiona o governo pela melhoria salarial e pela reestruturação dos órgãos agrários, Incra e MDA, também ocorreu na sede em Brasília e escritórios do programa Terra Legal.

Confira abaixo algumas fotografias e a repercussão:

Sede do órgão em Brasília. 

Sede da SR-30, em Santarém-PA.
Palmas, Tocantins.
Goiânia, Goiás.

Natal, Rio Grande do Norte.
Fortaleza, Ceará.

Curitiba, Paraná.
Marabá, Pará.

Há informações ainda de fechamento das SRs em Minas Gerais, Piauí, Espírito Santo, Pernambco e Mato Grosso e ainda um ato dos servidores da Bahia durante evento em que estava o ministro do MDA, Pepe Vargas.





Na imprensa: Servidores do Incra bloqueiam entrada do prédio da superintendência em Curitiba

Servidores do Incra/MDA fazem manifestação durante lançamento do Plano Safra e ministro garante melhoria salarial para a categoria




segunda-feira, 21 de junho de 2010

Serra Pelada: clima é de tensão

Já alguns dias é tenso o clima na região de Serra Pelada, Sudeste do Pará. A decisão do governo federal de reabrir a mina para grandes grupos empresariais revoltou os garimpeiros locais.

Hoje, nas primeiras horas da manhã, cerca de mil pessoas ocuparam os locais de sondagem de uma das empresas autorizadas pelo governo federal. Foi tomado o controle de máquinas e o impedido o funcionamento das mesmas.

O equipamento pertence à mineradora canadense “Colossus” que recentemente assinou contrato com a Coomigasp, uma das sete cooperativas garimpeiros que possuem direitos de lavra em Serra Pelada. O contrato sofre fortes contestações, inclusive, em nível judiciário.

Fonte: Blog Contraponto & Reflexão

domingo, 29 de março de 2009

Curió é condenado por improbidade

A Justiça Federal de Marabá (PA) condenou Sebastião Rodrigues de Moura, conhecido como Sebastião Curió, a pagar R$ 1,1 milhão por atos de improbidade administrativa entre 2001 e 2004, durante sua penúltima gestão como prefeito de Curionópolis (PA), onde fica o garimpo de Serra Pelada.

A decisão suspende seus direitos políticos por cinco anos. Cabe recurso. A ação contra Curió e o então secretário de Finanças Wilson da Silva Marques foi ajuizada em 2006. As acusações contra Marques foram rejeitadas. A Folha não localizou Curió.

O juiz Carlos Henrique Haddad considerou que houve enriquecimento ilícito. Curió foi acusado de fraudar licitações e de irregularidades com verbas do Fundef, como contratar empresas fantasmas e usar notas fiscais falsas. Oficial da reserva e um dos responsáveis pela repressão à guerrilha do Araguaia, Curió teve cassado em 2008 o mandato de prefeito de Curionópolis (que ele fundou) por compra de votos e abuso de poder econômico.

Fote:Folha de São Paulo.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Ação da PM do Pará deixa 10 garimpeiros feridos em protesto em Curionópolis

Policiais militares e garimpeiros se enfrentaram ontem, 4, no município de Curionópolis, na região de Serra Pelada, no Pará.

O tumulto começou quando a polícia tentou liberar a entrada da Cooperativa de Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), bloqueada desde a última quinta-feira. Os policiais usaram bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha para afastar os manifestantes. Ao todo, dez pessoas ficaram feridas, e um homem foi preso por porte ilegal de armas.

De acordo com Alexandre Rodrigues, integrante do Sindicato dos Garimpeiros de Serra Pelada, a categoria reivindica a formação de uma comissão para assumir temporariamente a cooperativa, além de novas eleições para compor o conselho fiscal e administrativo do órgão.

Fonte: Globo On-line