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domingo, 19 de junho de 2016

Tribunal mantém suspensão do licenciamento do porto de Maicá, em Santarém


Empresa pública que planejou o porto sem consulta às comunidades afetadas recorreu da suspensão, mas teve o pedido negado em Brasília

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) negou o pedido da Embraps (Empresa Brasileira de Portos de Santarém) para retomar o projeto de um porto no lago de Maicá, na margem direita do rio Amazonas, em Santarém. Com a negativa, fica mantida a decisão da Justiça Federal de 1a instância de suspender o empreendimento, até que os responsáveis pelo porto comprovem a realização da consulta prévia, livre e informada dos povos e comunidades afetados pelo empreendimento, conforme prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário.

Além da consulta prévia, a decisão, do desembargador federal Antônio Souza Prudente também confirmou a necessidade de que o licenciamento do porto de Maicá seja feita na esfera federal, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), por se tratar de empreendimento no rio Amazonas, o maior rio federal do país. Em seu recurso, a Embraps alegou que está cumprindo todas as exigências do órgão licenciador, no caso a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) e entre as exigências não está a realização da consulta prévia, que seria apenas uma condicionante para as fases posteriores.

Para o desembargador, ao fazer essa afirmação, a Embraps confessou que está descumprindo a Convenção 169 da OIT. “Em se tratando de consulta prévia a sua realização haverá de preceder o próprio ato de autorização do empreendimento”, diz o desembargador na decisão, acrescentando que “não se pode admitir a sua inclusão como mera condicionante a ser cumprida durante o licenciamento”.

Para o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Pará (MP/PA), autores do processo judicial, nas manifestações de defesa de todos os réus no caso – Semas, Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquáticos) e Embraps - demonstraram desconhecer a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, que determina a consulta sempre que atos administrativos ou empreendimentos econômicos possam comprometer a permanência de modos de vida tradicionais.

Existem sete comunidades quilombolas que sofrerão impacto direto ou indireto do porto da Embraps reconhecidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), pela Fundação Palmares, pela Justiça Federal e até pela prefeitura de Santarém (PA), mas foram ignoradas até o momento no processo de instalação.  MPF e MP temem mais um conflito agrário na região. A Embraps já vem espalhando placas no Lago do Maicá, onde pretende fazer a obra, marcando a região, cheia de famílias quilombolas e ribeirinhas, como propriedade particular (foto).

“A falta de consulta prévia pode gerar, por isso, grave conflito agrário, dado que a informação veiculada pela empresa Embraps fere direitos ocupacionais das populações tradicionais que historicamente ocupam as áreas de várzea e que são de domínio da União, de acordo com a Secretaria de Patrimônio da União. Não podem, assim, as áreas serem consideradas de propriedade da Embraps”, diz a ação judicial.

Íntegra da decisão do TRF1

Fonte: Ministério Público Federal no Pará - Assessoria de Comunicação

segunda-feira, 11 de março de 2013

Apesar de linhão, moradores de Resex continuarão sem energia


Os mais de 13 mil moradores da maior Reserva Extrativista do país deverão continuar sem energia apesar de terem seu território cortado por uma grande linha de transmissão.

Pela Resex Verde para Sempre, em Porto de Moz (Pará) o governo federal está fazendo passar um trecho do linhão de energia Tucuruí-Macapá-Manaus, uma grande obra de infraestrutura que deverá cruzar o rio Amazonas e se interligar também à hidrelétrica de Belo Monte, quando essa for concluída.

Em novembro de 2012, moradores da Resex protestaram contra os impactos da obra que vinha causado destruição de longos trechos de mata. O linhão chegou a ser paralisado pelo protesto de moradores de mais de 20 comunidades.

Apesar de tudo isso, o blog do jornalista  Felipe Patury  informa que o governo federal não irá levar energia até a Resex. Teria dito à comunidade que é muito caro estender a energia que passará sob a cabeça dos moradores até as comunidades. 

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Seca no Amazonas revela gravuras com "caretinhas" de 5.000 anos de idade


A seca recorde na bacia central do Amazonas permitiu a descoberta de gravuras rupestres de rostos, feitas em baixo relevo, em rochas que estavam submersas.

O conjunto de rochas fica na margem esquerda do encontro das águas dos rios Negro e Solimões, em Manaus.

Arqueólogos e geólogos dizem que as gravuras podem ter sido feitas há 5.000 anos por populações indígenas que habitavam a região.

Seis pescadores descobriram as gravuras em 25 de outubro, segundo o engenheiro florestal Akira Tanaka, subgerente do Cepeam (Centro de Projetos e Estudos Ambientais do Amazonas).
Um dia antes, o Negro havia atingido o nível de 13,63 m, o mais baixo desde 1902.

"São mais de dez carinhas desenhadas nas pedras", disse o engenheiro, que fotografou as gravuras.

Eduardo Góes Neves, arqueólogo da USP que desde os anos 1990 faz pesquisas na Amazônia, analisou as fotos. "Não sabemos o significado das "caretas". Mas suspeitamos que tenham sido feitas numa época em que chovia menos na Amazônia", disse Neves.

Já existe um sítio arqueológico na área. Em 2001, Neves retirou de lá uma urna funerária de 1.200 anos -até então, o artefato mais antigo no encontro das águas.
A comprovação de que as gravuras são mais antigas do que a urna funerária atestaria que existiu uma ocupação contínua naquela região.

De acordo com Neves, gravuras de "caretas" também foram achadas em rochas que ficam submersas nas margens dos rios Urubu (AM) e Trombetas (PA), mas os desenhos têm padrão diferente dos encontrados em Manaus.

O arqueólogo defende que seja feito um estudo subaquático sobre as obras.

Fonte: Folha de São Paulo, 17 de novembro de 2010.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Eletronorte engana o povo

Por Edilberto Sena*

Para bom entendedor, meia palavra basta. Portanto, quem não sabia, ou duvidava sobre o que poderá acontecer com todos os moradores das proximidades do rio Tapajós, preste atenção no início da notícia. Diz assim: “Moradores do entorno da hidrelétrica de Curuá-Una reivindicam água e energia da Eletronorte. Isto foi promessa da empresa em acordo com os moradores, como indenização aos atingidos pela barragem de Curuá-Una”.

Pois bem, a barragem desta usina foi feita 30 anos atrás e até hoje os moradores do entorno dela vivem na pobreza e sofrendo impactos, enquanto outros de fora ficaram ricos e Eletronorte tira lucros.

A empresa estatal responsável por Curuá-Una é a mesma que tem um mega plano de construir cinco enormes hidrelétricas na bacia do rio Tapajós, caso os movimentos sociais da região e as autoridades locais cruzem os braços.

Os moradores do entorno de Curuá-Una sofrem até hoje por causa de represa de uma usina de apenas 30 mega watts, imagine o que vão sofrer os ribeirinhos e indígenas Mundurucus, os moradores de Jacareacanga, Itaituba, Aveiro, comunidades ribeirinhas desde Jamanxim até Santarém, caso deixarem a Eletronorte executar seu perverso plano de gerar 1.930 quilômetros quadrados de inundações com as barragens.

Será a morte não apenas do rio (o que já seria muito grave), mas desgraça para peixes, florestas e os povos da região. Não será surpresa se o rio Amazonas invadir as praias do Tapajós, Álter do Chão, Ponta de Pedras, Pindobal e outras.

Quem ainda duvida dessa possível catástrofe regional, caso se permita que a Eletronorte inicie a construção de cinco usinas nos rios Tapajós e Jamanxim, que mire o cemitério aquático de Curuá-Una, com centenas de árvores secas dentro do lago, cujas folhas e galhos caídos provocam dióxido de carbono.

Também quem duvida de uma desgraça dessas, pode conversar com moradores do entorno de Curuá-Una que hoje exigem água e energia da Eletronorte, de quantos peixes foram fisgados com vermes na cabeça.

É preciso a população se dar conta, inclusive em Santarém, de que a Eletronorte visa lucros e traz morte para quem vive próximo de barragens de usinas. Para a empresa o ser humano é descartável, importante é o crescimento econômico. Quem cala consente e quem gosta de nós somos nós, portanto...

*Padre diocesano e coordenador da Rádio Rural AM de Santarém. Editorial de 29 de dezembro de 2009.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Sangria: Balsa e caminhões carregados com madeira ilegal são apreendidos no PA

Volume ultrapassa os 1.500 metros cúbicos.Apreensões ocorreram em duas operações distintas.

Treze veículos, entre carretas e caminhões, que transportavam madeira retirada ilegalmente, além de uma balsa com toras com volume correspondente a 1.300 metros cúbicos foram apreendidos pela fiscalização ambiental no Pará nesta semana.

A balsa, que vinha de Juruti (PA), no oeste do estado, e estava sendo levada a Belém, foi flagrada no Rio Amazonas na quarta-feira. Os agentes, segundo o Ibama, encontraram ipê, maçaranduba, jatobá e pequiá, madeiras que não constavam na documentação que autorizava o transporte. A embarcação, junto com a carga e seu rebocador, estão retidos no porto de Santarém.

A operação do Ibama durante a qual foi feita a apreensão está varrendo os Rios Arapiuns, Curuatinga, Curuá-Una, Tapajós e Amazonas com lanchas de alta potência que alcançam até 100 km/h.

Caminhões e carretas

Nesta quinta-feira, agentes do Ibama e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) levaram para a região metropolitana de Belém seis carretas que transportavam madeira e carvão sem a licença ambiental na rodovia BR-010 (Belém-Brasília), no leste do Pará.

Os cerca de 220 metros cúbicos de madeira e 210 metros cúbicos de carvão apreendidos estão depositados no pátio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará (Sema).

Outros sete veículos que transportavam madeira e carvão ilegais foram apreendidos na mesma rodovia e estão no pátio da PRF em Dom Eliseu, a cerca de 460 km de Belém. O Ibama está realizando paralelamente 15 operações contra o desmatamento ilegal na Amazônia.


Fonte: Globo Amazônia