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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Conflito agrário: 20 anos após massacre, tensão persiste em Eldorado dos Carajás

Foto Ana Araújo/Editora Abril
Passadas duas décadas do massacre em que 19 trabalhadores sem-terra foram mortos pela Polícia Militar, a região de Eldorado dos Carajás, no sudeste do Pará, volta a ser o centro das atenções da comunidade internacional dedicada à luta no campo e permanece uma das áreas de maior tensão no meio rural brasileiro.

Como em todos os anos, as 690 famílias sobreviventes que hoje vivem no assentamento 17 de abril participam de um ato ecumênico na curva do “S”, na BR-155, onde ocorreu o massacre. Lá, 19 castanheiras foram plantadas em homenagem às vítimas da chacina.
Este ano, juntam-se a eles dezenas de representantes de movimentos em defesa da reforma agrária que vieram de países da África, Ásia, América Latina e Europa. “Eldorado dos Carajás é um evento emblemático para a comunidade internacional que luta pela reforma agrária, que abriu nossos olhos para a necessidade de globalizar a luta”, disse Faustino Torrez, da Asociación de Trabajadores del Campo (ATC), da Nicarágua.

A grande comoção mundial gerada pela dramaticidade do massacre - no qual os legistas apontaram a ocorrência de execuções à queima roupa de camponeses, além de trabalhadores mutilados após serem perseguidos pelos policiais até as barracas nas quais acampavam à beira da estrada – levou o dia 17 de abril a se tornar o Dia Internacional de Luta no Campo.

O ato realizado neste domingo pede também pelo fim da impunidade no campo. Até hoje, dos 154 policiais militares denunciados pelo Ministério Público, apenas dois foram condenados por homicídio doloso e encontram-se presos, o coronel Mário Collares Pantoja e o major José Maria Pereira, que comandaram a ação no dia do massacre.

A falta de punição dos envolvidos é apontada como uma das principais razões pelas quais a região de Eldorado dos Carajás continua entre as mais tensas do campo brasileiro. De acordo com um levantamento feito pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), dos 846 assassinatos registrados na região entre 1980 a 2014, apenas 293 tiveram inquérito policial instaurado. Desses, 62 pessoas foram levadas a julgamento.

“O massacre acabou estimulando ainda mais a luta dos camponeses na região pela disputa da terra. Por outro lado, também resultou numa continuidade da situação de violência. Apenas após o massacre, de 1996 para cá, a CPT registrou 271 assassinatos de trabalhadores rurais no estado do Pará, sendo a maioria absoluta nessa região do sul e sudeste do estado”, disse João Batista Afonso, coordenador da área jurídica da Pastoral em Marabá, maior cidade da região.

Segundo a CPT, existem no momento 130 fazendas ocupadas por acampamentos do MST no sul do Pará. Enquanto algumas dessas ocupações foram montadas nos primeiros meses deste ano, outras já completam duas décadas sem que se tenha sido resolvido o impasse pela disputa de terras. Estima-se que aproximadamente 14 mil famílias estejam acampadas ou aguardando por assentamento na região.

Para o procurador do Ministério Público Federal Felício Pontes, que há mais de uma década atua na conciliação de conflitos no Pará, a tensão na região é resultado do modelo de desenvolvimento implantando nos arredores de Eldorado dos Carajás, baseado na extração mineral.´

“Com essa crise econômica, agravada pela queda do preço das commodities minerais, diminuiu muito a produção e houve uma retração na economia dessa região”, disse Pontes. Com isso, as pessoas que chegam em busca de emprego e não conseguem voltar buscam sobrevivência em terras públicas, muitas vezes reivindicadas por posseiros. “Enquanto persistir esse modelo, a violência vai continuar”, avaliou.

Fonte: Agência Brasil - Edição: Lana Cristina

Leia também:

Abril de violências contra camponeses e indígenas


No dia 08 de abril a Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançou uma nota pública nominada “Quem vai deter a violência contra as comunidades camponesas?”

O documento narrava como em “dois dias três pessoas foram mortas, inúmeras ficaram feridas, lideranças foram presas, mandantes de crimes absolvidos e diversas comunidades a mercê de despejos e violências do Estado, do latifúndio e da Justiça.”

No mês de abril ocorrem as já tradicionais mobilizações de organizações camponesas em referência ao 17 de abril, data em que se lembra o massacre de Eldorado dos Carajás e se tem, inclusive aprovado em lei, o Dia de Luta pela Reforma Agrária. Também em função do chamado “Dia do Índio” (19 de abril), costumam ocorrer diversas mobilizações dos povos indígenas.

Contudo, a nota da CPT destaca que até aquela primeira semana, antes destas datas, a violência contra povos indígenas e camponeses se intensificava em várias partes do país:

“Prenderam Cacique Babau e seu irmão na Bahia, executaram dois companheiros sem terra e deixaram muitos feridos no Paraná, no dia 07 de abril. Uma liderança de assentamento e do PT na Paraíba foi executada dentro de casa, ao lado da filha de um ano, no dia 06. No dia 31 de março, na comunidade quilombola Cruzeiro, município de Palmeirândia, MA, foi encontrado morto por disparo de arma de fogo o quilombola, conhecido como Zé Sapo. Em Rondônia mortes violentas, desaparecimentos e crimes rondam as comunidades camponesas. Em Mato Grosso e no Pará despejos violentos são constantes, e fazendeiros mandantes de crimes contra lavradores são absolvidos. No Mato Grosso do Sul as comunidades indígenas vivem ameaçadas e violentadas em suas próprias terras ancestrais.

Em 2015, o sangue de 50 trabalhadores e trabalhadoras assassinados no campo e o sangue de Vitor, criança Kaingang degolada no colo da mãe na rodoviária de Imbituba, em Santa Catarina, continuam a escorrer na vala da impunidade. Ao sangue deles se soma o de outros 13 lutadores e lutadoras tombados neste ano de 2016.

É competência do Governo Federal demarcar terras indígenas e fazer a Reforma Agrária. Se coisas como essa acontecem é porque há milhares de camponeses debaixo da lona preta à espera da tão prometida – e hoje abandonada – reforma agrária, e ainda milhares de indígenas e quilombolas tentando retomar os territórios dos quais foram esbulhados.”

A nota de alerta da CPT, entidade que acompanha e sistematiza conflitos agrários há 40 anos,  parece não ter surtido efeito.  

Na madrugada do dia 11 de abril, Genésio Guajajara, de 30 anos, residente na aldeia Formosa, Terra Indígena Araribóia, Município de Amarante do Maranhão (MA), região Sul do estado, foi assassinado com pauladas e um tiro no tórax. Genésio estava na cidade para receber cesta básica, que estava sendo distribuída pela Fundação Nacional do Índio (Funai), quando foi assassinado. Um boletim de ocorrência foi registrado na delegacia de polícia do Município, mas até o momento não há informações quanto à autoria do crime e muito menos a motivação, informa o Cimi.

O Cimi também noticiou  no dia 16 de abril o atentado contra o indígena Ailson dos Santos Truká (foto). A liderança está internada em estado estável no Hospital Regional de Caruaru, município do agreste de Pernambuco, depois de ser atingido por três disparos a bala. O atentado aconteceu em frente de uma casa mantida por estudantes indígenas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que costumam passar semanas longe das aldeias por conta da atividade acadêmica. Com outros indígenas Truká, incluindo um de seus filhos, Yssô arrumava bagagens no veículo que os levaria de volta para a aldeia, localizada no município de Cabrobó, quando dois pistoleiros em uma moto abordaram a liderança indígena efetuando os disparos.

Dois dias depois, 18 de abril, foi a vez da Comissão Pastoral da Terra, Centro Norte, Diocese de Bonfim-BA,  lançar nova nota denunciando “o bárbaro assassinato de João Pereira de Oliveira, conhecido como João Bigode, 56 anos, casado, pai de 2 filhos e 1 filha, ocorrido às 19h do dia 15 de abril, na frente de sua casa na comunidade de Santana, município de Antônio Gonçalves. Trata-se de uma comunidade quilombola, do território de Tijuaçu-BA, que há anos luta pela regularização.”

No mesmo dia, nova nota da CPT, desta vez de Rondônia, denuncia "um novo cenário de perseguição e de violência que se abate nestas últimas semanas na cidade de Cujubim contra as testemunhas dos homicídios cometidos contra dois jovens sem terra do Acampamento Nossa Terra, na Fazenda Tucumã, no município de Cujubim, em Rondônia." A nota explica em detalhes perseguições contra sobreviventes e testemunhas de um conflito ocorrido em janeiro:

Agora parece ter desencadeado uma caçada às testemunhas e quatro pessoas têm sofrido graves atentados:

- Um dos três camponeses sem terra, sobrevivente do ataque, Raimundo Nonato da Silva, o “Neguim”, de 35 anos, considerado uma das principais testemunhas de acusação do crime, foi gravemente baleado na cidade de Cujubim (RO), no passado dia 04 de abril de 2016, por um suposto capanga da fazenda e corre grave risco de morte.

- Dois jornalistas da cidade: O jornalista Ivan Pereira Costa, de 52 anos, dono do site local www.vejanoticias.com.br, que havia acompanhado todo o caso, foi atingido por dois tiros no braço e na pélvis na mesma noite de 04 de abril de 2016 em frente à casa dele, na cidade de Cujubim. Também o jornalista Lucas Bueno, de 21 anos, do site de notícias local www.rondoniareal.com.br, no dia 11 de abril de 2016, também em Cujubim, teve a casa arrombada na madrugada e atiraram três vezes contra ele, conseguindo fugir sem ser atingido pelos disparos. Os dois relacionaram os atentados ao conflito.

- Uma morte atribuída à queima de arquivo: Vanderlei Soares de Arruda, 53 anos, o “Bigode Moto Taxi“, tido como capanga da Fazenda Tucumã, foi executado a tiros no dia 28 de fevereiro de 2016 em Cujubim, segundo informantes porque “teria falado além da conta”.

- Familiares têm fugido da cidade. Na última semana, familiares das vítimas também têm sido obrigados a abandonar Cujubim em meio a um clima de medo e hostilidade

quinta-feira, 18 de abril de 2013

MST faz mobilizações em 17 estados, no Distrito Federal e tranca 60 rodovias

O MST realizou mobilizações em 17 estados e no Distrito Federal no dia em que marca os 17 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, nesta quarta-feira (17/4), em memória aos 21 Sem Terra assassinados em 1996 no Pará e pela realização da Reforma Agrária.

Para cobrar da presidenta Dilma Rousseff a apresentação de um plano emergencial para o assentamento das 150 mil famílias acampadas em todo o Brasil, os Sem Terra trancaram 60 rodovias, realizaram ocupações de terras, prédios públicos, prefeituras, marchas e atos políticos, doações de alimentos por todo o país.


Foram promovidos protestos no Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Pará, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Mato Grosso, Rondônia, Maranhão, Goiás e Piauí.

Desde o começo do mês de abril, diversas ações já foram realizadas na jornada nacional pela Reforma Agrária nos estados. O MST denuncia a paralisação do processo de criação de assentamentos, causado pela lentidão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e pela intervenção do Poder Judiciário no andamento dos processo de desapropriação.

Há 523 processos judiciais envolvendo a Reforma Agrária no Brasil, dos quais 234 estão parados na Justiça Federal. Existem 69.233 grandes propriedades improdutivas no país, que controlam 228 milhões de hectares de terra (IBGE/Censo de 2010), que deveriam ser destinadas à Reforma Agrária pela Constituição.

Veja a mobilização em cada estado clicando AQUI 

Fonte: MST

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Servidores do Incra e MDA protestam dentro do Palácio do Planalto



A presidente Dilma Rousseff foi surpreendida nesta quinta-feira, 28 de junho, com um protesto de servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Ministério do Desenvolvimento Agrário no interior do Palácio do Planalto.

Dilma discursava durante o anúncio do “Plano Agrícola e da Pecuária para a Safra 2012/2012” quando um grupo de servidores dos dois órgãos abriu uma faixa com a frase “MDA/Incra em Greve”. Vestindo coletes com identificação da greve, os servidores mostraram ainda o Mapa da Greve das Superintendências do Incra.

Estão paradas pelo país as 25 das 30 Superintendências Regionais e a Sede Nacional em Brasília. Nesta quinta-feira, os servidores da Unidade Avançada de Altamira, no Pará, deliberaram pela entrada no movimento. A unidade é vinculada diretamente à Presidência do Incra e desenvolve ações na região impactada pela hidrelétrica de Belo Monte. As superintendências regionais de Roraima, Alagoas e Santa Catarina deliberam nos próximos dias sobre a entrada no movimento. Até as SRs do Rio Grande do Sul e Sergipe, que anteriormente haviam deliberado contra a greve, realizam novas assembleias e podem rever a posição e também entrarem em greve.


O gesto de protesto no interior do palácio foi o bastante para atrair a atenção da própria presidente da República, dos convidados e toda a imprensa presente ao evento, além da segurança palaciana, que estava visivelmente constrangida pela surpresa e audácia da manifestação. No entanto, Dilma sequer citou em sua fala algo sobre os órgãos e seus servidores, muito menos sobre o movimento grevista.

É a segunda vez que os servidores do Incra protestam no interior do Palácio do Planalto. Em 2007, quando também estavam em greve, os servidores abriram faixas durante o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2007/2008. A resposta de Lula foi rápida: “Enquanto eu for presidente, o Incra pode gritar aqui, ou pode gritar lá fora. Na hora de fazer acordo, tem que sentar na mesa de negociação e fazer o acordo que é possível fazer”.
Presidente do Incra reconhece a greve e prepara corte de ponto
Em matéria vinculada pela Agência Brasil e repetida por outros meios de comunicação, a presidência do Incra reconhece que a greve atinge mais de 70% do total de servidores da autarquia.Segundo a assessoria do Incra, as atividades estão “praticamente paradas” e os dirigentes do órgão continuam negociando a pauta de reivindicação com o movimento.
Contudo, a Secretaria de Negociações de Trabalho do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Mpog) o governo vai apresentar uma proposta para solução do impasse até o dia 31 de julho. Este tem sido o prazo definido pelo ministério para responder às reivindicações de mais de 50 categorias que também estão mobilizadas.
Concretamente, o Presidente do Incra, Celso Lisboa, encaminhou apenas medidas de controle para identificar entre os servidores quais aqueles que aderiram ao movimento grevista. Em memorando circular dirigido a Diretores e Superintendentes Regionais, Lisboa se baseia no Decreto Presidencial n° 1.480/95 para controlar a frequência dos servidores diretamente nos gabinetes dos dirigentes máximos de cada regional, visando “a normalidade das atividades e serviços”.
A medida está gerando grande repercussão entre os servidores, já que Lisboa segue os mesmos passos adotados pelo então presidente do Incra em 2007, Rolf Hackbart, que determinou o corte de salários de todos os servidores em greve naquele momento, atingindo também pensionistas e aposentados do Incra.
Veja AQUI o memorando do Presidente do Incra.
O próprio Decreto Presidencial n° 1.480/95 é contestado pela sua inconstitucionalidade. A regulamentação do direito de greve no serviço público, deveria ser feita por Lei Complementar e não por decreto.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Abril Vermelho tem interdição de estradas e ocupações de terras e prédios públicos em 20 estados


Clique no mapa para ampliá-lo.

Nesta semana, o MST realiza uma série de protestos na Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária para cobrar a realização da Reforma Agrária e pela punição dos responsáveis pela morte de 21 trabalhadores rurais assassinados no Massacre de Eldorado dos Carajás, em operação da Polícia Militar, no Pará, em 1996.

Já foram realizados protestos em 20 estados e em Brasília, somando 45 ocupações de terra, onze ocupações de sedes do Incra, cinco protestos em prédios públicos, além de mais de 100 trancamentos de estradas, avenidas e ferrovias,  passeatas, vigílias e formação de acampamentos em vários pontos do país.

Trancamento de estradas: Ceará: fechamento BR 0-20 em Canindé; uma faixa da BR 222 em Fortaleza e na BR-116; Tocantins: TO-010 por uma hora e outras cinco rodovias federais; Mato Grosso: fechamento da BR-163 em Sorriso; Mato Grosso do Sul: fechamento da rodovia MS-134, há cerca de 10 quilômetros da sede do município de Batayporã; Rio Grande do Norte:  trancamento da rodovia BR 304; Pará: protesto na curva do “S”, onde aconteceu o Massacre de Eldorado e fechamento de 3 rodovias federais na região de Carajás; Alagoas: 17 rodovias foram fechadas em várias partes do estado por 3 mil manifestantes; Pernambuco: trancamento de rodovias em 15 pontos do estado e da ponte entre Petrolina e Juazeiro, no rio São Francisco;  Sergipe: fechamento de 14 rodovias; Rio Grande do Sul: 16 rodovias federias e estaduais trancadas simultaneamente; liberação do pedágio na rodovia federal Fernão Dias, trancamentos na BR 365, em Jequitaí e da BR 050; São Paulo: sete paralisações de trechos rodovias pelo estado, sendo que a rodovia Anhanguera foi paralisada em quatro diferentes trechos; Rio de Janeiro, cerca de 300 Sem Terra bloquearam a Av. Presidente Vargas, na altura do prédio do Detran, onde fica a sede do Incra no Rio; Bahia: foram fechadas duas ferrovias e sete rodovias federais. Houve bloqueios em pontos da BR-242, que liga as cidades de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, na BR-116, próximo à cidade de Feira de Santana, na BR-110, próximo a Paulo Afonso, no norte do estado, em três localidades da BR-101 e em duas ferrovias importantes do estado, uma que liga Brumado a Sapeaçu e a outra perto de Juazeiro; Paraná: o MST trancou quatro rodovias; Piauí: 600 pessoas fecharam a principal rodovia que dá acesso à capital, Teresina; Maranhão: foram fechadas a BR 316 e a rodovia Belém Brasília; Rondônia: o fluxo na BR 364 ficou parado por 21 minutos.

Ocupação de prédios: Sede do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Brasília (desocupada a partir de uma liminar); Ceará: ocupação da sede do governo do Estado (já desocupada) e do Incra em Fortaleza(em curso); Piauí: ocupação do Incra em Teresina; Bahia: Superintendência do Incra em Salvador; Santa Catarina: sede do Incra em Florianópolis; Mato Grosso do Sul: Incra em Campo Grande; Rio de Janeiro: prédio do Incra; Sergipe: Incra em Aracaju; Maranhão: unidade avançada de Imperatriz; Paraíba: sede do Incra em João Pessoa; Rondônia: Unidade Avançada de Ji-Paraná; Mato Grosso: ocupação do prédio da Receita Federal; Paraná: acampamento em Curitiba; Alagoas: Os prédios da Receita Federal, Secretaria de Agricultura e do Instituto de Terras e Reforma Agrária (ITERAL) foram ocupados no início da manhã desta quarta-feira (18); Minas Gerais: acampamento na sede o Incra, em Belo Horizonte.

Ocupações de terra: Vários latifúndios também foram ocupados em Pernambuco (6), Rio Grande do Sul (2), São Paulo (1), Rondônia (1), Bahia (24), Paraíba (2); Mato Grosso do Sul (1); Minas Gerais (1); Sergipe (3).


As informações aqui contidas foram retiradas do sítio do MST.

domingo, 17 de abril de 2011

17 de abril: para não esquecermos....







17 de abril: 15 anos do massacre de Eldorado dos Carajás

Fotografia: Sebastião Salgado

No estado do Pará, no dia 17 de abril de 1996, cerca de 1500 trabalhadores e trabalhadoras rurais sem terra, que lutavam há aproximadamente dois anos por seu direito, assentaram-se em um espaço improdutivo depois de serem expulsos de suas próprias terras. Mobilizavam-se até a capital do Pará, Belém, com a finalidade de apresentar suas demandas e exigir solução para a sua situação.

Quando chegaram à cidade de Eldorado do Carajás, a marcha parou para que mulheres e crianças descansassem, mas foram atacados por mais de 100 policiais militares, que dispararam com armas de fogo contra os manifestantes. Dezenove trabalhadores morreram, 69 ficaram feridos e não se sabe quantos podem haver desaparecido pela violência. Até hoje, não há nenhuma condenação para este crime cometido contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Pior: os policiais julgados foram absolvidos.

No mesmo dia, dirigentes camponeses de todo o mundo, integrantes da Via Campesina, reunidos em Tlaxcala, México, em sua Segunda Conferência Internacional, ao saber destes fatos, declararam 17 de abril como o “Dia Internacional da Luta Camponesa”.

Em 25 de junho de 2002, o então presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, decreta o dia 17 de abril como o "Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária".

Confira o vídeo feito pelo Coletivo de Comunicação da Cloc (Coordenação Latino Americana de Organizações do Campo) – Via Campesina.

Leia ainda: "Terra", por José Saramago

sexta-feira, 16 de abril de 2010

É lei lutar por Reforma Agrária no dia 17 de abril!

Lutar pela Reforma Agrária no dia 17 de abril está previsto em lei.

Em 2002, o então presidente Fernando Henrique Cardoso assinou a Lei 10.469 que transformou o 17 de abril em Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária .

A data é em memória dos 19 assassinados no Massacre de Eldorado de Carajás, durante operação da Polícia Militar, no município de Eldorado dos Carajás, em 1996.


Veja abaixo:

sexta-feira, 17 de abril de 2009

MST: Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária 2009



Para combater a crise econômica, Reforma Agrária JÁ!

Por Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Reforma Agrária continua parada em todo o país. Exigimos o assentamento das 100 mil famílias acampadas e investimentos públicos nos assentamentos, como crédito para produção, habitação rural, educação e saúde. Temos famílias acampadas há mais de cinco anos, vivendo em situação bastante difícil à beira de estradas e em áreas ocupadas, que são vítimas da violência do latifúndio e do agronegócio. Relembramos nessa data o assassinato de 19 companheiros em Eldorado dos Carajás, pelas mãos da própria Polícia Militar. Esse fato, que demonstra a brutalidade com que o Estado trata com as reivindicações sociais, é mais um dos tantos de impunidade dos responsáveis. Depois de 13 anos, ninguém foi preso e o processo está parado no STJ.

Com as nossas ações, queremos denunciar a existência de latifúndios que não cumprem a sua função social, prevista Constituição Federal (artigo 184), que deveriam ser desapropriados para a Reforma Agrária. Os nossos assentados também passam por uma situação complicada, com a falta de investimentos públicos para crédito rural e infra-estrutura, como casa, saneamento básico, escola e hospital.

No contexto de crise econômica mundial, apontamos como saída para o campo a realização de uma Reforma Agrária ampla, massiva e popular. É a única forma de resolver o problema das milhares de famílias que não têm acesso às condições de produção, e daqueles que foram demitidos pelo agronegócio. Desde outubro, mais de 740 mil trabalhadores perderam seus empregos. O setor agropecuário foi responsável por responsável pelo fechamento de 145 mil vagas, 20% do total. Somado ao setor de alimentos e bebidas, que fazem parte do complexo do agronegócio, pode-se concluir que o setor foi o que mais demitiu na crise.

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) concedeu em empréstimos, apenas no ano passado, mais de R$17,2 bilhões de reais para empresas do agronegócio. Menos de um ano depois, estas empresas já demitiram mais de 9.300 trabalhadores. O Banco do Brasil, em 2008, concedeu mais de R$ 10 bilhões para apenas 20 empresas do agronegócio, enquanto o Pronaf, voltado para 1,2 milhões de famílias de pequenos agricultores, recebeu apenas R$ 7, 2 bilhões para a safra 2008/2009.

A crise demonstra que estava certa a nossa avaliação de que o modelo imposto pelas empresas transnacionais, pelos bancos, pelo governo e pelo Estado para o campo brasileiro - chamado de agronegócio – não tem condições de melhorar a vida dos trabalhadores rurais e garantir a nossa soberania alimentar. O agronegócio não cria empregos e desemprega na crise. Paga baixos salários e desrespeita as leis trabalhistas, inclusive com a utilização de trabalho escravo. Não produz alimentos para o povo brasileiro e usa grandes extensões de terra para a monocultura para exportação, deteriorando o ambiente com o uso da monocultura, como de soja, eucalipto, cana-de-açúcar e pecuária intensiva, além do uso intensivo de agrotóxicos e de sementes transgênicas. Além disso, empresas estrangeiras passam a controlar o território brasileiro, por meio da associação com os latifúndios improdutivos, apropriando-se de terras que deveriam ser destinadas à Reforma Agrária. Por outro lado, a FAO estima que pela primeira vez o número de subnutridos no mundo já atinge 1 bilhão de pessoas. Isso prova que, mais uma vez, quem mais sofre com os impactos da crise são os trabalhadores e trabalhadoras, que são os verdadeiros produtores de todas as riquezas geradas.

Os bancos brasileiros cobram as mais altas tarifas do mundo e seguem lucrando com a crise. Os grandes produtores do agronegócio também tentam empurrar para as costas dos trabalhadores os impactos da recessão econômica, e cobram do Estado medidas para atender seus interesses.

Avaliamos que a crise que se instalou em todo o sistema econômico é profunda, prolongada, e vai atingir todos os setores e países do mundo. Por isso seguiremos em luta, com outras forças da sociedade, para denunciar que a saída apontada pelos capitalistas não resolve os problemas do povo. A Reforma Agrária é a política pública mais eficiente para gerar emprego e renda no campo. Garante a produção de alimentos e aquece a economia local. Ela deve estar inserida em um novo projeto de desenvolvimento para o Brasil, que coloque os interesses do povo brasileiro no centro da política.

Leia:
CARAJÁS: 13 ANOS DE IMPUNIDADE

Veja ainda: Reforma Agrária X Agronegócio - Reúne numa série de números e outras informações sobre violência no campo, concentração fundiária, geração de empregos no campo e índices de produção de alimentos no Brasil.