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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Greve dos policias e bombeiros pára o Ceará

Cândido Neto da Cunha*

Os últimos dias de 2011 e o início de 2012 no Ceará, nordeste brasileiro, estão marcados pela maior greve de militares que o estado já viu. Estima-se que entre 10 a 12 mil policiais militares e bombeiros de Fortaleza e mais de sessenta municípios tenham aderido ao movimento que encurrala o governador Cid Gomes (PSB).


A decretação da greve no dia 30 de dezembro ocorreu após um longo processo de mobilização de policiais militares, que pressionaram durante todo o ano de 2011 pela abertura de um processo de negociação. Até então, a pauta do movimento envolvia melhorias salariais e mudanças nas condições de trabalho: reajuste para a categoria, promoções, jornada de trabalho de 40 horas semanais, auxílio alimentação, extinção do código disciplinar e criação de um código de ética.

O movimento dos policiais foi ganhando força e envolveu também os bombeiros, categoria também submetida à hierarquia militar e sem uma série de direitos trabalhistas. A rejeição de todos os pontos de pauta do movimento e uma série de medidas punitivas fermentou um caldo de revolta nos quartéis. Na última semana do ano, a greve já era tida como certa e em grandes assembleias, a paralisação foi decretada na noite de 29 de dezembro.

Imediatamente, os militares e familiares começaram a ocupação de quartéis e o recolhimento de viaturas das ruas. A reação do governo do estado foi de pedir reforço do Exército e da Força de Segurança Nacional ao governo federal. Já no dia 31 de dezembro, tropas asseguravam a presença no aeroporto de Fortaleza, Palácio do Governo, alguns pontos turísticos e principalmente no megaevento turístico promovido pela prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT). A esta altura, o governador anuncia a suspensão da sua viagem para os EUA, onde passaria o réveillon com a família.

Enquanto isto, uma onda de boatos e um clima de insegurança tomava conta da cidade. Assaltos eram relatados a todo o momento. Motoristas de ônibus chegaram a fechar 3 importantes terminais de ônibus da capital, em protesto pela falta de segurança e solidariedade à greve dos militares.

No dia 1° de janeiro, o Quartel Central dos Bombeiros foi tomado pelo Exército. O governo do estado continuou afirmando que não negociaria com os grevistas e que todos seriam punidos, apesar de apelos do Ministério Público Federal, do Bispo de Fortaleza e da Ordem dos Advogados do Brasil.

A agressão de um comandante a um cabo diante da tropa induziu policiais do Ronda de Ações Intensivas e Ostensivas (RAIO) a também aderirem à greve. Este setor acabou também se juntando aos amotinados.


A revolta cresceu e batalhões que ainda não haviam parado aderiram à greve que também se espalhou pelo interior do estado, onde vários quartéis estão tomados.
O quartel da 6ª Companhia do 5º Batalhão da Polícia Militar virou a sede do Comando de Greve. É neste local que ocorrem as assembleias gerais, atos de solidariedade e pronunciamentos do movimento. O quartel foi escolhido taticamente, por está localizado em uma região com muitas residências e com ruas estreitas, dificultando assim uma ocupação por parte do Exército. Dezenas de viaturas, carros do corpo de bombeiros e motos de policiamento foram distribuídas para obstaculizar o acesso ao batalhão.

Na noite entre o dia 1° e 2 de janeiros, cerca de 3 mil policiais, bombeiros e familiares dormiram neste quartel à espera de um pedido de negociação feita pelo bispo José Antônio Tosi, junto ao governador Cid Gomes. Mais uma vez não houve avanços.
Na noite do dia 2, a Justiça Federal determinou o retorno imediato ao trabalho por meio de uma ordem judicial. Água e luz da 6ª Companhia foram cortadas. O clima de revolta cresceu ainda mais, e barricadas foram armadas nas ruas de acesso ao quartel.

A tensão e o impasse tomaram conta do movimento. Enquanto isto, o medo tomou conta de Fortaleza. Na manhã de terça-feira (3), arrastões foram registrados em supermercados, lojas, postos de gasolina e em sinais de trânsito. Nos bairros periféricos, sem a presença de tropas federais, muitos assaltos foram registrados em casas, comércios, ônibus e ruas. A todo o momento, o comércio fechava portas e escolas suspendiam aulas. Na tarde, a cidade parecia estar em um feriado. A onda de crimes e boatos acabou chegando ao Centro de Fortaleza e aos bairros nobres, e finalmente a imprensa local e nacional começou a registrar o movimento, muito mais pelas suas consequências do que pelas suas causas.

É marcante entre os grevistas um perfil jovem, com alta escolarização e pouca tradição de lutas. São oriundos dos últimos concursos públicos, portanto ainda com pouco tempo de disciplina militar. Alguns participaram do movimento estudantil, mas é um setor muito minoritário. São cabos, soldados e alguns capitães, ou seja, as baixas patentes. Como todas as lutas recentes, já incorporaram a Internet como espaço de batalha, com divulgação de notícias por blogs, Facebook e chamados pelo YouTube.

A maior parte se move devido às péssimas condições salariais (um soldado em início de carreira ganha menos que 2 salários mínimos) e de trabalho. Submetidos à hierarquia militar, policiais e bombeiros não possuem jornada de trabalho fixa e direitos trabalhistas básicos assegurados às categorias civis. Estima-se em 14 mil o efetivo de policias e bombeiros do Ceará, a maior parte deste está parado.

Outra característica marcante da greve é a participação decisiva de esposas. As mulheres tem exercido um papel fundamental na greve. Elas são a face visível do movimento, pois não escondem o rosto e muitas vezes são as responsáveis pelas declarações públicas do movimento. No dia 31, várias delegacias de Fortaleza pararam a partir da iniciativa delas que promoveram trancamentos. No mesmo dia, os caminhões do Batalhão de Cavalaria, que se deslocaria para reforçar os efetivos que não aderiram à paralisação, tiveram seus pneus furados por um grupo de mulheres.

Devido à proibição de sindicalização, as associações de cabos e soldados organizam e intermedeiam as mobilizações: ASPRAMECE (Associação de Praças da Polícia Militar e dos Bombeiros) e APROSPEC (Associação dos Profissionais de Segurança Pública).

As entidades tem recebido apoio de sindicatos e de alguns partidos de esquerda. Em Fortaleza, PSTU e PSOL lançaram notas de apoio ao movimento. O PT não tem atuado como partido na greve, provavelmente devido ao fato de ser base aliada do governador Cid Gomes.

Um grupo de professores que foi duramente reprimido pela Tropa de Choque na greve recente da categoria organizou uma visita de apoio aos grevistas instalados no batalhão da 6ª Companhia. Motoristas de ônibus estão recolhendo a frota devido à falta de segurança e em solidariedade. As negociações seguem sem resultados. As próximas horas prometem ser decisivas. A anistia dos grevistas acabou se tornando o ponto central do movimento. Policiais Civis realizarão assembleias às 18h e podem também aderirem à greve. Sindicatos estão organizando atos de apoio.

*Observação: Esta matéria foi publicada originalmente no Diário Liberdade.

sábado, 17 de dezembro de 2011

No twitter...

Resultado do Top Blog: Categoria Blog Pessoal de Política/ Prêmio do Júri Acadêmico:
Confira todos os vencedores AQUI!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Jornal Nacional: Região que poderá vir a ser o estado de Tapajós é uma terra de contrastes


Os paraenses irão às urnas no próximo dia 11 para decidir se querem, ou não, a divisão do estado em três. E a equipe do JN no Ar está em Santarém, na região que poderá vir a ser o estado de Tapajós.
O que chama atenção na região do Rio Tapajós é a beleza natural. São paisagens exuberantes e belíssimas. Por outro lado, há também uma carência muito grande de infraestrutura. A assistência de saúde que a população recebe, por exemplo, é bastante precária.
A reportagem foi feita com apoio da TV Tapajós, afiliada da Rede Globo.
Leia e/ou veja a matéria AQUI!
PS: Sim, sou eu que estou na matéria.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pintou uma chance legal


“Pintou uma chance legal”: O programa “Terra Legal” no interior dos Projetos Integrados de Colonização e do Polígono Desapropriado de Altamira, no Pará" é um artigo meu publicado nesta semana na revista “Agrária” do Laboratório de Geografia Agrária da USP.

É uma análise de como as políticas fundiárias nos últimos 40 anos para a Amazônia, especialmente na região do Polígono Desapropriado de Altamira, volta-se para a promoção do grande capital que uso de um amparo jurídico-institucional para se territorializar e gera dialeticamente as suas contradições.  Este artigo é parte da minha monografia da especialização em Direitos Humanos e Políticas Públicas, portanto aqueles que desejarem fazer críticas e sugestões serão muito bem vindos.

Resumo: Amplas análises demonstram como o processo de colonização da Amazônia a partir dos anos 1970 voltou-se para a implantação do grande capital na região, inclusive atraindo mão-de-obra para viabilizá-lo. Partindo daí e restringindo-se à região do Polígono Desapropriado de Altamira, no Pará, este artigo pretende detalhar algumas contradições dos programas de colonização que, apesar de normativas que preconizavam o contrário, viabilizaram a instalação da grande propriedade em áreas originalmente destinadas à “propriedade familiar”. Três momentos principais serão abordados: a) a colonização oficial; b) os Projetos de Assentamentos (PAs) e Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS), vindos com o I e o II Plano Nacional de Reforma Agrária; e c) o Programa “Terra Legal”.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Uma sumida e um colaborador para o blog


Conforme já tinha anunciado, a partir do próximo sábado, 09 de julho, estarei fora do ar por pelo menos quinze dias. Estou de férias do emprego, mas fazendo um trabalho de campo para coleta de dados para a minha monografia do curso de especialização em Direitos Humanos e Políticas Públicas. Estarei em um assentamento em Uruará, num área ao norte da rodovia Transamazônica.

Em seguida, pretendo ir até Anapu, para a Romaria da Floresta, uma grande caminhada de 55 quilômetros, saindo de Anapu, no dia 22 de julho, e chegando na tarde do dia 24 ao local onde Irmã Dorothy Stang foi assassinada.
O grande amigo João Ricardo, do blog Outra Frequência , topou a tarefa de ser colaborador do Língua Ferina, e neste período e à medida do possível, as notícias serão postadas exclusivamente por ele, diretamente de Altamira.
Ao final do mês transamazônico, estarei de volta.
Um abraço a tod@s!

#Eblog: Quem somos

O #Eblog é um grupo de blogueir@s de esquerda, unidos ao redor das bandeiras anticapitalista, antirracismo, antihomofobia, antimachismo, feminista, ecossocialista, em defesa dos povos indígenas e quilombolas, sobretudo pelas lutas cotidianas das trabalhadoras e dos trabalhadores pela emancipação de sua classe internacionalmente, que defende uma concepção material de democracia socialista, revolucionária, de baixo para cima e feita e vivida e instaurada cotidianamente pelos de baixo, isto é, que não se restrinja à democracia capitalista liberal e sua liberdade formal e seus direitos abstratos.

Progressismo ou anticapitalismo?
O #Eblog não se propõe ser uma associação orgânica de “blogueir@s de oposição ao governo” (embora conosco possam atuar opositores/as de esquerda ao atual governo), ou uma associação jornalística extraoficial, mas um agrupamento de lutadores e lutadoras que, reunid@s numa frente de lutas comuns, pretende ocupar e resistir no caminho abandonado por forças outrora de esquerda.

A atual guinada liberal-conservadora do Governo Dilma, sob o argumento da “correlação de forças”, está acometendo parte da blogosfera que se coloca no campo de esquerda, e que, recentemente, assumiu para si o adjetivo “progressista”. Não negamos o fato de que a política também se faz no jogo de forças entre as classes sociais, na chamada “correlação de forças”, mas é preciso reconhecer o momento em que essa expressão se torna um argumento universal para se responder a qualquer questionamento e se esquivar de todas as críticas políticas. É preciso construir projetos políticos capazes de ir além da consolidação de burocracias e aparelhos, que acabam ficando pra trás do movimento das forças sociais vivas de resistência e luta em geral.

Propomos, pois, lutar por alternativas a essas práticas políticas, colocando-nos sempre à disposição de ações de luta unificadas em favor de bandeiras políticas emancipatórias em comum que vão para além da defesa deste ou daquele governo, este ou aquele partido, e sim de emancipações inadiáveis e urgentes.

Pontes e limites
Não abrimos mão da impaciência e do combate a atual conciliação/colaboração de classes da qual é cúmplice e conivente uma maioria dos que se dizem progressistas, que, por sua vez, instauram o silêncio sobre questões essenciais em nome de um pragmatismo que já perdeu toda razão de ser. Sem perder o senso prático, questionamos: qual a correlação de forças que justifica o ataque à reputação d@s blogueir@s que se propõem defender as causas emancipatórias de esquerda, às quais os “progressistas” sistematicamente e sintomaticamente se omitem e se calam, desviando o assunto e por vezes desqualificando debatedores/as?

As pontes tem limites, não aguentam todas as intempéries e hoje estão em obras, sem data para terminar e com orçamentos sigilosos. O macartismo, o senso de ombudsman em defesa do Governo Dilma ou de Lula não é à toa, não é pessoal, não é só dos “blogueiros progressistas”: é comum em qualquer discussão com a maioria d@s apoiadores/as do atual governo. Infelizmente, isso não ocorre de modo isolado, pois tornou-se tática constante.

A coordenação dos autoproclamados “blogueiros progressistas” vem praticando um jornalismo tão vertical que até a forma de reagir às críticas tem seguido um corporativismo que remete às práticas da grande imprensa oligárquica. Telefonam uns para os outros e vão coordenando ataques de descrédito: deslegitimar a fonte, desviar a questão política para verdade/mentira, estabelecer o “fato” e a “verdade” como resultado de uma técnica específica, de certo efeito de discurso jornalístico. A campanha empreendida por alguns líderes do BlogProg contra Idelber Avelar, logo após o processo eleitoral de 2010, foi sintomática e exemplar nesse sentido, acabando por reproduzir o típico denuncismo da mídia oligarca sobre o “mensalão” – que, aliás, os mesmos “progressistas” criticam! A reação corporativista dos jornalistas do BlogProg às críticas políticas parece-nos entrar no mesmo modus operandi da grande imprensa – que dizem combater, chamando-os de “Partido da imprensa Golpista – PIG” em função de constantes ataques, fruto do ódio de classe elitista, contra Lula e o Partido dos Trabalhadores, ou seja, agindo como verdadeiro “Partido da Imprensa Favorável – PIF“.

Dentre muit@s que participam dos Encontros dos Blogueiros Progressistas na esperança de construir uma alternativa, sabemos que nem tod@s adotam este posicionamento, mas entendemos também que acabam, de um modo ou outro, alinhad@s e/ou coniventes com as orientações políticas hegemônicas de sua direção. Para alguns destes “blogueiros progressistas” as dissidências e/ou a oposição de esquerda frente a linha política hegemônica (simpática ao atual governo) são tratadas como “esquerda que a direita gosta”, “psolismo“, “jogo da direita” ou “ultraesquerdismo”. Inclusive, alguns dos participantes das listas de discussão dos “progressistas” ou mesmo pelo Twitter, tratam a suas próprias dissidências com sufocamento por meio de ataques virulentos e desqualificadores.

Na realidade, percebemos que os “blogueiros progressistas” não constituem uma alternativa efetiva, mas uma mera luta de hegemonia contra a grande imprensa oligarca, enquanto proclamam ser os principais porta-vozes da democracia midiática. Esta luta acaba por cair em um maniqueísmo que em nada colabora politicamente, pelo contrário: tornam rasas as análises e, consequentemente, adotam posições políticas de apoio cada vez mais acríticas, cegas e fanáticas, sempre defendendo o legado de governos e pessoas, e não as bandeiras e programas socialistas. Assim, visam tornarem-se as principais referências políticas na blogosfera brasileira. Estas práticas tem levado muitos “blogueiros progressistas” a prestarem-se ao papel de correia de transmissão das políticas da máquina partidária do atual governo, diga-se, a mais bem acabada e incorporada à institucionalidade da democracia liberal de nosso país. Portanto, parece-nos que o sonho destes blogueiros tem sido tornarem-se uma “grande imprensa”, com um público enorme, com plateia de milhares e milhares, ao invés de radicalizar a democracia na produção midiática em sua cauda longa, ou seja, na práxis cotidiana, multitudinária e concreta das lutas.

Estamos falando de um grupo de blogueiros que vem tentando construir uma certa hegemonia na blogosfera, tentando torná-la politicamente uniforme no apoio ao atual governo e adjetivando-a enquanto “militância progressista” e, por fim, ligando-a de forma indelével às políticas liberais-conservadoras deste novo petismo que vai se consolidando no e por meio do governo, que já não possui qualquer tintura de esquerda, e, por vezes pior, está ligado a um governismo pragmático que historicamente faz política de mãos dadas com a direita oligárquica e rentista.

Contestamos, pois, esta prática de considerarem-se como “a blogosfera progressista” e não como parte de uma blogosfera política muito mais antiga, ampla, diversa e de rico potencial emancipatório.

Tendo em vista estas reflexões críticas, propomo-nos a lutar para criar e fomentar alternativas a este tipo de prática na blogosfera, colocando-nos sempre à disposição de ações unificadas em favor de bandeiras comuns que vão para além da defesa deste ou daquele governo, este ou aquele partido.

Governo Progressista?
Somente nos primeiros seis meses do Governo Dilma, o povo brasileiro foi derrotado sucessivas vezes, a começar pelas nomeações de liberais econservadores para os ministérios. Entre os exemplos mais gritantes, evidenciamos a posição do governo e sua “base aliada”: em defesa do salário mínimo de R$ 545,00 aprovado enquanto aprovaram salários de R$ 26.723,13 para os parlamentares; a não aprovação do Projeto de Lei 122 e o kit antihomofobia (em nome da “governabilidade” com a bancada reacionária dos evangélicos, que integram a “Base Aliada”); o imobilismo em favor de um projeto de reforma agrária; a aprovação do Código (des)Florestal para favorecer a expansão das fronteiras do agronegócio exportador; a privatização de vários dos principais aeroportos do país; a conivência e defesa da manutenção de um grande retrocesso na pauta cultural; se colocando contra a liberdade na rede e o compartilhamento livre; respondendo processos na Organização dos Estados Americanos – OEA por violações dos direitos humanos (em função da criminosa anistia aos torturadores ao caso de Araguaia); e, principalmente, a repressão aos povos indígenas do Xingu com a finalidade de construir a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que favorecerá as oligarquias e a instalação de grandes transnacionais eletrointensivas na região.
Este é um governo cujo Ministro da Defesa atua diariamente contra os interesses nacionais, agindo como cúmplice dos EUA e parceiro de Israel, chegando ao ponto de anunciar ter “perdido” os documentos militares sobre a repressão da ditadura militar brasileira. Um governo que atropela os interesses populares ao continuar impondo a criminosa transposição das águas do rio São Francisco ignorando o diálogo com as populações atingidas, os impactos socioambientais envolvidos e as alternativas de convivência com o semiárido proposta pelo povo e sociedade civil organizada.

Este é um governo que atua lado a lado com o grande capital e as oligarquias em detrimento dos interesses da população, garantindo grandes volumes de verba às “UniEsquinas” sem qualquer garantia de qualidade no ensino (ao mesmo tempo em que não realiza qualquer investimento significativo em educação básica) ou às empresas de telecomunicação com um PNBL (Plano Nacional de Banda Larga, hoje apelidado de Plano Neoliberal de Banda Lerda) risível, que não garante qualidade ou velocidade e, pior, ainda impõe um limite absurdo aos dados durante a navegação. Além de financiar com dinheiro público, via BNDES, quase todos os megaempreendimentos privados e socioambientalmente impactantes das indústrias de papel e celulose, das eletrointensivas e das empresas do agronegócio, entre outros.

Este é um governo que se diz preocupado com os direitos humanos e que quer ser potência global, mas atua de modo imperialista em defesa dos interesses de seu capital monopolista nacional, com as empreiteiras, Petrobras, Vale, enquanto renuncia à política soberana e ativa, que Celso Amorim conquistou em termos de política externa, por uma aproximação torpe com os EUA – com direito a presos políticos na visita de Obama à cidade do Rio de Janeiro para silenciar a voz crítica da população. Que diz que irá priorizar a educação mas continua reduzindo o orçamento já estrangulado, assim como faz com a saúde, enquanto o bolsa rentista semanalmente paga um programa bolsa família em dinheiro para os credores da dívida interna.

Este é o governo que atua com desenvoltura na condução, em parceria com governos estaduais e municipais, de uma política danosa para as populações atingidas pelos mega eventos esportivos. As remoções no Rio de Janeiro são exemplo da implementação de um modelo de política urbana que despreza o direito à cidade e atende a uma lógica privatizante qualificada como radicalmente danosa pelo Ministério Público Federal. Exemplo disso é acessão ao estado e ao município do Rio de Janeiro de imóveis públicos federais para repasse à iniciativa privada. Esta cessão não é para a criação de projetos de moradia, mas para uma “revitalização” da área portuária que será cedida a um consórcio privado, atendendo às necessidades do mercado imobiliário especulativo. Este tipo de ação não é restrita ao estado e município do Rio de Janeiro, pois acontece com igual gravidade, por exemplo, em Fortaleza cuja prefeitura do PT utiliza os mesmos métodos adotados por Eduardo Paes (PMDB). Em várias cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, está em curso um violento processo de remoção, inclusive comandados por governos de “esquerda” que em nada se diferem de administrações tucanas que em São Paulo, por exemplo, agem violentamente contra moradores/as amedrontados/as pelas remoções em Itaquera, onde a favela do Metrô também é alvo desta política vil. Em quase todas as cidades que sediarão a Copa do Mundo, populações vulnerabilizadas tem sofrido com remoções forçadas que desrespeitam sua história e os laços criados com seus territórios de vida.

Estes crimes são cometidos em nome de uma “imagem” do país no exterior, de um modelo de desenvolvimento que despreza tudo e tod@s em prol de números favoráveis para a propaganda governamental e eleitoral, ignorando inclusive acordos internacionais firmados com relação aos direitos humanos e ao meio ambiente. O resultado é o agravamento dos problemas socioambientais e o desrespeito às populações atingidas pelo avanço impiedoso de uma máquina que premia o capital e marginaliza a população que sofre com o processo de criminalização da pobreza por meio do avanço das forças de repressão travestidas de política de segurança, mas que trazem no fundo um terrível sentido de manutenção de uma vigilância feroz ao que foge do sonho de consumo das elites.

O que queremos e pelo que vamos lutar
Não é este o “desenvolvimento social” e o “crescimento econômico” que a esquerda anticapitalista precisa reivindicar, e sim alternativas com base nas experiências e lutas populares que contemplem a reivindicação intransigente da reforma agrária, da democratização da comunicação, da justiça ambiental, da abertura dos arquivos da ditadura e da redução de jornada de trabalho, de uma sociedade mais justa e com plenos direitos para seu povo. As bandeiras devem progredir, não a paciência, pois só se avança resistindo e lutando.

Lutamos pela democratização da comunicação e da cultura, pela possibilidade de ampliação dos meios de vivência e produção midiática, por universidades públicas para tod@s, gratuita e de qualidade, bem como uma Educação básica que possa ser pilar para novas gerações, com salários dignos a noss@s professores/as; assim como também lutamos pela saúde pública de nosso povo, pelo direito a um meio ambiente produtivo e saudável, pela igualdade de raça, gênero e etnia. Para avançar em tudo isto, defendemos a auditoria cidadã das dívidas da União para viabilizar estes recursos.

Lutamos pela verdade das lutas, pela abertura irrestrita dos arquivos da ditadura militar e justiça como reparação às vítimas e à verdade sobre quem participou e corroborou com este regime, direta ou indiretamente, e, claro, todos os métodos autoritários, tão comuns no Brasil inclusive antes e depois dos anos de chumbo.

Lutamos para que se coloquem em marcha processos de empoderamento d@s sem-voz, d@s sem terra, d@s sem renda, d@s sem teto, d@s sem universidade, d@s sem internet, d@s despossuíd@s, d@s sem acesso à cultura, d@s sem educação de qualidade, e, principalmente, daqueles e daquelas sem a possibilidade de viver e produzir dignamente.
O Eblog convida tod@s que se identificam com estas lutas a se unirem conosco para organizar diversas blogagens coletivas, campanhas, encontros, oficinas, discussões, cobertura e divulgação de lutas. É hora de nos organizarmos e avançarmos com as lutas históricas sem esperar que governos e partidos o façam por nós.

A partir do Eblog, defendemos a DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO como princípio, o que significa dizer que lutamos por: a) Um Plano Nacional de Banda Larga que universalize o acesso oferecendo internet de alta velocidade em regime público; b) A luta pela aprovação do Marco Civil da Internet que endosse a liberdade civil na rede; c) Um novo Marco Regulatório dos Meios de Comunicação (“Ley de Medios“) que ponha fim nos monopólios e oligopólios da comunicação brasileira. Paralelo a isso, estamos atent@s e somos combatentes nas lutas: d) pelo fortalecimento do Estado laico; e) pelo fim do machismo e do patriarcado com o fim da violência contra as mulheres e pela descriminalização do aborto; f) contra o racismo; g) contra a homofobia e pela aprovação do PLC 122 sem nenhuma alteração que privilegie os interesses de grupos religiosos; h) contra todas as formas de discriminação; i) pela abertura dos arquivos da ditadura militar e pela punição legal dos torturadores e cumprimento das decisões da Corte Interamericana de direitos Humanos (CIDH); j) pela justiça socioambiental e contra Belo Monte; l) contra a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais; m) por uma reforma agrária ampla e popular; n) contra toda e qualquer forma de censura, na Internet ou fora dela.

Para não ficarmos apenas elencando lutas, estamos propondo uma blogagem coletiva pela DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO (que incluem os itens “a”, “b” e “c” das nossas lutas/bandeiras) para JÁ, de 7 a 10 de Julho de 2011. Está na hora de tod@s arregaçarmos as mangas – blogueir@s progressistas, de esquerda, nerds, independentes, músic@s, escritores/as, jornalistas etc. – e somarmos esforços em torno das lutas que nos unificam.
Escreva seu texto pela democratização da comunicação e divulgue nas redes com a hashtag #DemoCom e não esqueça de “taguear” a postagem também como “blogagem coletiva pela democratização da comunicação” e “democom” entre os dias 7 e 10 de Julho.

Se você concorda com nossos princípios (ou com a maioria deles), pode aderir e assinar esta nota publicando-a em seu blog e incluindo sua assinatura ao final. Temos identidade e temos lado, mas não queremos ficar restritos a guetos e nem apenas organizando encontros. Ousemos lutar!
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Eblogs que assinam este documento:

sábado, 28 de maio de 2011

EREA em Fortaleza

Até domingo (29 de maio) estarei em Fortaleza para participar do Encontro Regional de Estudantes de Agronomia (EREA), evento para qual foi convidado para debater o tema “Análise de Conjuntura: Educação e Questão Agrária" junto com a professora Raquel Dias (ANDES) e o Flavinho (MST).

Como o evento ocorre na UFC (Universidade Federal do Ceará), especificamente no curso de Agronomia, foi uma ótima oportunidade para reencontrar com o local e com pessoas que não os vejo há tempos.

terça-feira, 15 de março de 2011

Videoteca

Estou precisando de ajuda para organizar meus DVDs. Tarefa para semana que vem. Candidatos enviem o currículo...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Uma década depois...


Há exatos dez anos atrás se encerrava o Estágio Profissional Feab/Concrab em assentamentos de reforma agrária de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Participei e hoje avalio que foi uma das maiores experiências de minha vida! E teve até certificado (rsrs)! 

O estágio foi uma atividade da Federação do Estudantes de Agronomia do Brasil e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.   

Era fevereiro de 2001, tinha acabado de ocorrer o II Fórum Social Mundial em Porto Alegre e nós até participamos de uma mobilização contra a soja transgênica com várias entidades (Veja a notícia da época: BOLETIM 51 - 12/02/01).

Eu estive em três assentamentos com diferentes realidades produtivas e organizativas nos municípios de Garuva, Araquari e Rio Negrinho, todos em Santa Catarina.  As vivências que mais me marcaram foram no Projeto de Assentamento Conquista do Litoral, em Garuva. Este assentamento é formado por valorosos companheiros, com sua história de despejos, violência policial e resistência no oeste do estado, até serem assentadas em uma região bem distante do seus locais de origem (próximo ao litoral norte de Santa Catarina). As famílias foram instaladas em uma área cercada de Mata Atlântica e com sérias restrições ambientais, mas ao mesmo tempo de grande beleza cênica. 

As famílias camponesas se organizaram coletivamente não somente na produção, mas na vida cotidiana, e me ensinaram como é possível estabelecer de novos padrões societários igualitários e ao mesmo tempo potencializar as individualidades. 

Neste assentamento não havia cozinhas individuais e sim uma grande cozinha coletiva para todas as famílias. A cada semana um casal era responsável pelos cuidados dos filhos dos assentados em uma creche. Os trabalhos nas atividades agrícolas, principalmente hortas, também eram coletivizados e seguia o regime de rodízio.

Foram dias muito quentes e chuvosos, mas de convívios e experiências que guardo até os dias de hoje na memória e na minha caderneta de campo, já meio envelhecida após estes dez anos.  

A turma aí da foto são estudantes de Agronomia de várias partes do país que participaram do estágio e os trabalhadores da Escola Agropecuária Demétrio Baldissarelli, em Chapecó (SC), local onde foram realizados as fases de preparação e avaliação.
Não me arrisco a dizer o nome de todo mundo, pois não lembro de alguns, mas tinha gente das seguintes escolas: Santa Maria, Pelotas, Chapecó, Curitiba, Rio, Lavras, Goiânia, Brasília, Mossoró e eu de Fortaleza.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ainda não foi desta vez...

No início da semana passada, no domingo, estive em Altamira para realizar uma entrevista. Voltei na segunda-feira, bem cedo para Santarém.

Olha só o que aconteceu com aeronave que eu estava algumas horas depois.

Trem de pouso quebra e avião derrapa na pista
Diário do Pará

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mídia, a história a absorverá?

Por Cândido Neto da Cunha

Os dois fatos mais relevantes do ano até agora foram narrados pela mídia brasileira de forma sensacionalista e superficial. Até aí, nenhuma novidade.

Mas, talvez na pressa pela notícia pela notícia, parece que resolveram enterrar os conteúdos históricos ou criar uma outra História.

A tragédia na região serrana do Rio de Janeiro foi apresentada como a “maior catástrofe climática da historia do Brasil”. Houve quem discordasse e apresentasse um deslizamento em Caraguatatuba, São Paulo, em 1967, como a “tragédia campeã de mortes”.

Se o critério para classificar uma tragédia climática for o número de mortos, os meios de comunicação esqueceram ou ignoram as grandes secas que atingiram o semi-árido nordestino no final do século XIX e início do século XX, que mataram não dezenas ou centenas de pessoas, mas dezenas de milhares de brasileiros, talvez muitos pobres e maltrapilhos, merecedores do esquecimento por parte da mídia comercial.

Outro fato tratado de forma enviesada tem sido os processos revolucionários na Tunísia e no Egito. Aliás, o nome revolução passa longe dos noticiários e impressos, que preferem o uso dos termos “revolta” e “protestos”.

Neste episódio, a mídia tem se preocupado muito mais em falar das ameaças sobre peças arqueológicas do Egito antigo do que do peso político e estratégico deste país para todo o Norte da África e Oriente Médio, fator preponderante para os rumos que esta região tomará após a vitória ou derrotada da revolução em curso.

Fala-se também que é a primeira vez que “algo assim” (termo completamente vago) acontece em países islâmicos. Ignora-se por completo, a Revolução Iraniana de 1979 e as Intifadas palestinas de 1987 e 2000.

Ironizando uma frase de Fidel Castro, eu pergunto: será que e a história absorverá a mídia?

sábado, 22 de janeiro de 2011

Nesta briga, eu tenho lado!

Amanhã cedo, irei pra com uma comitiva, apoiar o povo lutador do PDS Esperança, a CPT e compa Antônio.

E por falar nesse assunto, postagens deste blog foram parar no blog do Nassif:
Batalha à vista em Anapu

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Deforestación de la Amazonía en Brasil

Por Tatiana Miralles

Un 60% de la Amazonía -la mayor selva tropical del planeta- se sitúa en Brasil. El gobierno saliente del presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que abandera la lucha contra la deforestación. Pero las cifras y la realidad en el terreno muestran otras cosas. Radio Francia Internacional estuvo en el Estado de Pará, en el norte del país.

Entrevistados: Cândido Neto, del Instituto nacional de la colonización y la reforma agraria (INCRA); José Elías, presidente del Buen Jesús.

Matéria da Radio Francia Internacional - RFI en Español

Disponível em http://www.espanol.rfi.fr/americas/20101211-deforestacion-de-la-amazonia-en-brasil#

Clique em seguida em

Escuchar (20:05)

domingo, 28 de novembro de 2010

Aí minha Santinha...

Pós atividades do Fórum Pan-Amazônico e uma noitada pelos bares da vida, cheguei às 4 da manhã em casa. Fui acordado as 6 pelos fogos do Círio de Nossa Senhora da Conceição, maior festa religiosa aqui de Santarém.

Agora a pouco, a procissão passou aqui em frente da minha varanda: “Santinha, cura essa ressaca”, roguei na hora. Quem mandou ela tirar meu sono!



O jeito é dar um pulinho em Álter, dar aquele mergulho, armar uma rede na sombra e tirar uma soneca pra passar o resto do domingo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Síndrome

Eu tenho recebido tanto email pedindo para divulgar eventos por estes dias que eu tô me sentindo o apresentador do Globo Rural que apresenta as "festas e eventos da Semana".

Calma, gente. Tô fazendo trocentas coisas ao mesmo tempo. Assim que eu parar um pouco eu ponho os eventos aqui.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Só pra lembra...

Meu dia hoje foi tão corrido que acabei esquecendo que hoje fazem quatro anos que cheguei à cidade de Santarém de mala e cuia.

Meu primeiro contato com a linda e dura Amazônia rendeu uma cômica crônica que mandei para meus amigos na época e que publicarei aqui ainda nesta semana.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Comentário do leitor...

Na postagem Reforma Agrária ou bauxita?, o leitor que assina Kiel disse...

Candido,

Se tu perguntasses eu te responderia, como estou fazendo agora.
E se tu perguntasses para o pessoal da Confederação das Associações do Lago Grande, já que passei a maior parte do tempo com eles, eles poderiam te responder também. Não há segredo algum.

Fui a trabalho, o PAE tem 130 associações, 36 mil pessoas, cinco biomas diferentes, dezenas de títulos expedidos, grileiros, etc. Fui tentar entender o que, na minha opinião, é o projeto mais importante de Santarém, claro que numa perpectiva de médio e longo prazo.

Tenho dito reiteradamente que são dois os grandes desafios do Incra para o futuro, achar um caminho de conciliação entre a Reforma Agrária e a Amazônia e estruturar uma política no nordeste capaz de incluir na agricultura familiar o 1,5 milhão de minifundiários que estão sobrevivendo na linha da miséria.

Devias caprichar mais, senão teu blog perde o pouco de credibilidade que tem, insinuar que teria algo haver com bauxita ou com mineradoras é meio pobre de espírito.

Até,
Kiel

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Será?



Cândido Neto, servidor da Superintendência Regional do INCRA em Santarém, ministrou oficina sobre a Reforma Agrária na Amazônia. De acordo com Cândido, é um engodo afirmar que o governo Lula realizou a reforma agrária no Brasil, uma vez que esta não se confunde com a simples criação de assentamentos. Reforma agrária, para Cândido, é a modificação profunda da estrutura fundiária de um país. E isso ainda está longe de acontecer no Brasil e, particularmente, na Amazônia, onde boa parte das terras é dominada por empresas multinacionais que exploram nossas riquezas.


Saiba: UES promove debates sobre a Universidade e os Movimentos Sociais