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segunda-feira, 16 de março de 2015

Frases


"São os que já não sairiam de casa em dia nenhum empunhando uma bandeira do PT, mas que também não atenderiam ao chamado das forças de 15 de março, os que apontam que o partido perdeu a capacidade de representar um projeto de esquerda – e gente de esquerda. É essa herança do PT que o Brasil, muito mais do que o partido, precisará compreender. E é com ela que teremos de lidar durante muito mais tempo do que o desse mandato."

Leia todo o artigo de Eliane Brum para o sítio do jornal El Pais desta segunda-feria, 16 de março de 2015: A mais maldita das heranças do PT

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Derrota da dialética: morre Leandro Konder


Morreu no Rio nesta quarta-feira (12), aos 78 anos, o filósofo Leandro Konder. Ele foi autor de vários livros de diferentes áreas como filosofia e sociologia, além de ser um dos principais divulgadores do marxismo no Brasil.  Até as 19h não havia informações sobre a causa da morte. A informação foi confirmada pelo Departamento de Educação da PUC-Rio, onde Konder era professor.

Leandro Konder nasceu em 1936, em Petrópolis, Região Serrana, filho de Valério Konder, médico sanitarista e líder comunista. Formado em Direito, Leandro exilou-se em 1972, após ser preso e torturado pelo regime militar, e morou na Alemanha e depois na França até seu regresso ao Brasil em 1978. Doutorou-se em Filosofia em 1987 no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Leandro era professor do Departamento de Educação da PUC-Rio e do Departamento de História da UFF. 

Teve vasta produção como conferencista, articulista de jornais, ensaísta e ficcionista. Em 2002, foi eleito o Intelectual do Ano pelo Fórum do Rio de Janeiro, da Uerj. Leandro Konder foi um dos maiores estudiosos do marxismo no país, e coordenou, em conjunto com Michael Löwy, a coleção Marxismo e literatura, da Boitempo. Teve 21 livros publicados, entre eles o introdutório "O que é dialética?", da Coleção Primeiros Passos, no início dos anos oitenta.

Entre suas obras reeditadas mais recentemente pelas editora Expressão Popular estão "A derrota da dialética: a recepção das ideias de Marx no Brasil até o começo dos anos 30" (2009); "História das ideias socialistas no Brasil" (2003) e "Introdução ao Fascismo"(2009). Em 2008 publicou o "Memórias de um intelectual comunista" pela Editora Civilização Brasileira.

*Com algumas informações do G1

sábado, 20 de setembro de 2014

Dirceu Travesso, presente!

Faleceu na última terça-feira, 16 de setembro, o militante socialista Dirceu Travesso, o Didi, vítima de um câncer. Abaixo, uma pequena biografia publicada no sítio do PSTU, partido que ajudou a fundar e do qual era dirigente.


Didi nasceu em 24 de fevereiro de 1959, na cidade de Flórida Paulista (SP). No final da década de 70 começou sua militância política na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) na luta contra a ditadura militar e em apoio à luta dos trabalhadores, que começavam a protagonizar greves massivas e generalizadas.

Logo começou a trabalhar. Primeiro na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de Volta Redonda, posteriormente foi para São Paulo onde começou a trabalhar como bancário no Itaú, enquanto dava seguimento aos seus estudos. Um pouco mais tarde entrou através de concurso público no banco Nossa Caixa.  Em pouco tempo tornou-se uma das lideranças nas greves dos bancários, sendo diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo por três gestões. Membro da organização Convergência Socialista, ajudou a fundar o PT. Participou da fundação da CUT (Central Úaica dos Trabalhadores) e fez parte de sua Executiva Nacional durante alguns anos.
Em 1994 rompeu com o PT, quando do Fora Collor e da expulsão da Convergência Socialista, e participou ativamente da fundação e construção do PSTU, fazendo parte de sua Direção Nacional.
Em 2004, quando a CUT apoiou a Reforma da Previdência realizada sob o governo Lula, Dirceu, junto com inúmeros sindicalistas, rompe com esta central e organiza a Conlutas.
Revolucionário convicto
Como membro da CSP-Conlutas e do PSTU, Didi foi um lutador incansável. É raro encontrar um ativista ou militante de São Paulo que não conheça Dirceu Travesso. Conhecido em todo o Brasil, sua atuação ainda atravessava as fronteiras. Internacionalista, atuante em favor da causa Palestina, pela retirada das tropas brasileiras do Haiti, em apoio às revoluções do Oriente Médio e Norte da África, Didi buscava a unidade da classe trabalhadora em todo o mundo. Por isto, foi um dos impulsionadores principais da Rede Solidariedade Internacional.
Revolucionário convicto, Didi reivindicava-se marxista, leninista e trotsquista e confiava na luta da classe operária e de toda classe trabalhadora. Por isso, nestes anos em que muitos abandonaram a luta pelo socialismo e fizeram todo tipo de alianças espúrias com a classe dominante, Didi manteve-se sempre firme e do mesmo lado, o lado da classe trabalhadora contra a burguesia, o lado da independência de classe, o lado do internacionalismo proletário, o lado da revolução socialista.
Com esta convicção construía o PSTU, a Liga Internacional dos Trabalhadores, a CSP-Conlutas e a Rede Solidariedade Internacional.
Didi enfrentava um câncer há cinco anos. Resistiu bravamente contra a doença durante esses anos todos sem deixar, um só momento, de fazer a sua parte na luta contra o capitalismo, contra toda a injustiça e a desigualdade que caracteriza esta sociedade em que vivemos. Agora, exauriram-se suas forças. Vai caber a nós dar conta de levar adiante esta luta à qual dedicou toda a sua vida.


Os candidatos à Presidência José Maria Almeida (PSTU) e Luciana Genro (Psol) lançaram notas de solidariedade e lamentaram a perda do militante. Também foram registradas notas de intelectuais como  Valério Arcary  e  Plínio de Arruda Sampaio Júnior e de entidades como o Andes-SN, a  CSP-Conlutas  e o MST.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Rejeição à Dilma ressuscitará o PT?


Segundo a pesquisa Ibope que acaba de sair, Dilma Rousseff (PT) teria 34% no primeiro turno, contra 29% e 19% de Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), respectivamente. Num segundo turno, Dilma vai a 36% contra 45% de Marina Silva,num possível enfrentamento entre as duas. Isso mesmo, Dilma sairia de 34% no primeiro turno e iria, apenas, para 36% no segundo turno e seria batida por Marina.

Mais do que o crescimento de Marina, isso pode revelar (não confio muito em pesquisas eleitorais) uma alta taxa de rejeição da atual presidente, o que complica muito as coisas para ela. A própria pesquisa aponta que Dilma é a mais rejeitada entre os candidatos, chegando a  36%. Mas, este crescimento de apenas 2% entre os dois turnos pode significar que as coisas estão piores do que a taxa de rejeição revela.

Outro dado interessante é que esta percentagem de 34-36% era o que o PT costumava ter nas eleições que antecederam 2002, quando o partido deu uma “virada ” para vencer, com a "Carta aos Brasileiros" e a aliança com José Alencar. Ou seja, conforme a pesquisa, o PT voltaria a ter a mesma densidade eleitoral que tinha antes de ser governo, com a diferença de que o eleitorado “tradicional” do partido parece que realmente migrou para Marina e o PT está com o eleitorado do chamado “lulismo” (votos dos trabalhadores mais precarizados e dependentes dos programas sociais do governo).

Se isso se confirmar (ainda é preciso vê as estratificações da pesquisa por renda e região), cai por terra o esquema montado pelo chamado Campo Majoritário do PT que fez todo tipo de aliança eleitoral e flexões políticas e econômicas e conduziu o partido à direita dos anos noventa pra cá.

Por isso, setores do partido já apostam numa “guinada à esquerda” de Dilma em busca deste eleitorado “perdido”, o que incluiria abrir fogo nas “fraquezas conservadoras de Marina”. O problema desta tática vai ser encontrar em Marina algo que os petistas já não fazem de maneira até piorada. 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Marina cresce entre descontentes

Por Cândido Neto da Cunha*

Previamente, aviso que não sou eleitor de Marina Silva. Longe disto, a considero (mais um) grande engodo para desavisados. Esta minha opinião vem de longa data, desde a sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente ainda no governo Lula, com sua atuação na concessão das licenças ambientais para as usinas hidrelétricas do rio Madeira atropelando pareceres técnicos em contrário, a Lei de Gestão de Florestas Públicas que possibilita transferir terras públicas para madeireiras , o esfacelamento do Ibama e a liberação dos transgênicos, só para ficar na área ambiental, onde Marina seria uma “referência”. Neste sentido, vale a leitura do texto “A Rede de Marina” no blog do seringueiro Osmarino Amâncio.

Também não sou de confiar muito em pesquisas eleitorais, ainda mais essa última do Datafolha, produzida ainda sob o impacto da morte de Eduardo Campos e quando Marina ainda nem ainda era dada como um nome certo para sua substituição como candidata à Presidência.

Mas, os dados do Datafolha, ainda que levado em conta o aspecto da inconfiabilidade que inicialmente destaquei, mostram Marina como a mais nova candidatura a Presidência a ser batida. Seu nome, no momento e conforme a pesquisa torna quase certa a existência de segundo turno, coisa que não aparecia com certeza até então. Aliás, salvo engano, é a primeira vez desde 2002 que em pesquisas eleitorais para a Presidência em que o PT não aparece liderando.  Marina aparece empatada com Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno (21% a 20%), e, no limite da margem de erro da pesquisa, supera Dilma Rousseff (PT) no segundo turno (47% a 43%).  

Feitas essas considerações iniciais, destaco que a agora confirmada candidatura de Marina é que mais sofre ataques nas redes sociais, especialmente dos petistas, que vão da crítica às fraquezas da sua candidatura até a desqualificação por meio de métodos mais baixos, os mesmos aliás por quais o PT já foi vítima no passado.

Em relação aos ataques que vem sofrendo, Marina possui dois grandes trunfos a seu favor e que também podem ajuda-la a superar a grande desvantagem que tem no tempo de TV, a menor “capilaridade política” (pra não usar um termo chulo) e as contradições (gigantescas) que sua aliança eleitoral tem: o sentimento de descontentamento de parte do eleitorado e os caminhos conservadores também adotados pelos governos do PT.

Aliás, todas as pautas conservadoras apontadas em Marina, sejam na economia, sejam em relação aos chamados direitos civis (homossexuais e direitos da mulher), não é em nada diferente das políticas concretas adotadas pelo governo Dilma, essa sim uma verdadeira “talibã fundamentalista” nas áreas ambientais, indígena e agrária, temas que ainda são identificados como símbolos em Marina.

O eleitor de Marina é no momento, conforme o próprio Datafolha, o típico eleitor petista do passado. Falando de forma generalista, é o eleitor concentrado nos grandes centros urbanos do país, possui maior escolarização, é composto por trabalhadores que recebem salários acima de média nacional, jovens e estudantes, é mais crítico que a média e não dependente dos programas de compensação social. É o setor que politicamente rompeu com PT no passando recente, que não confia no PSDB e que também não é abarcado pelas alternativas da chamada esquerda socialista. É composto por setores que ainda votam “criticamente” em “petistas históricos” até parcela do eleitorado que “não tinha em quem votar” ou iria votar em branco e nulo. 

Soma-se a este perfil, outro com características comuns ao perfil do eleitorado típico (urbano e jovem) e opostas (conservador em relação aos costumes e mais despolitizado), formado por setores pentecostais. Marina pode absorver ainda parte do eleitorado padrão do PSDB, sem a imagem da “herança maldita” dos tucanos, trabalhada eleitoralmente pelo PT já há quatro eleições. Em resumo, Marina pode se apresentar como a imagem da “petista” sem o PT e da tucana sem o PSDB.

Reside na “união” destes dois aparentes contraditórios o grande trunfo eleitoral de Marina. Num eventual segundo turno ela canaliza para si uma parte dos votos de setores que historicamente votavam no PT e uma parte do eleitorado que historicamente sempre foi avesso ao PT, mesmo com sua guinada à direita e que jamais votará em Dilma, por mais “concessões” que ela faça. Essa possibilidade isola o PT ao chamado “lulismo” (trabalhadores desorganizados e precarizados, dependentes dos programas de compensação social, o chamado eleitorado menos ideológicos) e a parte da burguesia nacional (internacionalizada), de pequena densidade eleitoral, mas de grande poder de financiamento de campanha e de controle direto sobre os grandes meios de comunicação. 

Soma-se a tudo isso, o índice ainda alto de rejeição de Dilma, entorno de 34%, enquanto Marina seria rejeitada por apenas 11% do eleitorado, os dois extremos da pesquisa Datafolha em relação a este aspecto.

Ainda é muito cedo para conclusões mais definitivas. A melhora na avaliação no governo apontada também pelo Datafolha, o grande volume de financiamento de campanha, o tempo na TV, as assuntos que serão pautados pelas grandes mídias e o “fator Lula” poderão reverter o cenário em favor de Dilma e de Aécio. Mas, pela primeira vez em vinte anos, o PT e o PSDB não polarizarão uma eleição no país e é praticamente certo que um dos dois, não estará num segundo turno. Marina configura-se assim um terceiro polo nesta eleição e a torna completamente incerta, não podendo ser uma candidata a ser subestimada e sim, a ser batida.

*Direto para o blog Língua Ferina.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

PCO diz que “imperialismo”, “direita” e “esquerda pequeno-burguesa” derrotaram a seleção de Futebol

Numa “análise” pequena e surpreendente, o Partido da Causa Operária (PCO) divulgou em seu sítio um “duro balanço” da derrota da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo que ocorre no Brasil. 

Para o PCO, os 7 gols aplicados pela Alemanha na semifinal ocorrida em Belo Horizonte não se deve a superioridade do time germânico, aos erros táticos dos brasileiros ou a qualquer “apagão”.

Num texto intitulado "Eles" conseguiram... e agora?”,  assinado pelo candidato à Presidência da República, Rui Costa Pimenta, uma “tese” conspiratória de dimensões surreais vem à tona.

A vexatória derrota foi explicada como algo preparado pela "direita nacional organizada pelo imperialismo, pelos monopólios capitalistas do esporte, pela imprensa “nacional” (vendida para o capital estrangeiro) e, inclusive pela esquerda pequeno-burguesa que trabalha a serviço da direita como o Psol, o PSTU e outros grupos menores do mesmo quilate."

A "conspiração" teria atingido em cheio os jogadores, que foram poupados de qualquer crítica, já que segundo o texto, representam “o retrato do povo brasileiro e da classe trabalhadora da qual vieram: são grandes jogadores, lutaram muito contra tudo e contra todos e foram esmagados e humilhados”.

Veja abaixo o texto na íntegra:

“A derrota esmagadora da seleção brasileira aconteceu muito tempo antes deste fatídico 8 de julho no Mineirão.

Foi preparada pela direita nacional organizada pelo imperialismo, pelos monopólios capitalistas do esporte, pela imprensa “nacional” (vendida para o capital estrangeiro) e, inclusive pela esquerda pequeno-burguesa que trabalha a serviço da direita como o Psol, o PSTU e outros grupos menores do mesmo quilate.

Acuaram os brasileiros para não torcer pelo Brasil, buscaram de todos os meios desestabilizar o time brasileiro.

A seleção foi derrotada pela política, mais precisamente pela pressão política.

Os jogadores brasileiros, todos muito jovens, provavelmente a seleção mais jovem que o Brasil já teve fez o que pode, não pode ser culpada de nada. Foi perseguida pela imprensa, caçada em campo, teve que lutar contra os juízes e todas as tramoias obscuras e não conseguiu. Tiraram da Copa o seu melhor jogador com o apoio cínico da imprensa. Desarticularam o time e a seleção verdeamarela lutou como pode até o gol de honra contra a Alemanha no final do jogo. São o retrato do povo brasileiro e da classe trabalhadora da qual vieram: são grandes jogadores, lutaram muito contra tudo e contra todos e foram esmagados e humilhados.

O povo brasileiro que torceu pela seleção brasileira com todo o coração está sofrendo desta mesma humilhação.

Há os chacais, como a direita, que quer agora tirar proveito desta humilhação e desmoralização. Há os pequeno-burgueses de esquerda e de direita que vão festejar a tristeza do povo e a sua humilhação. É o seu ofício, por isso, merecem o justo desprezo do povo. O ódio é reservado à burguesia.

As apostas foram feitas. O jogo bruto de sempre, dentro e fora do campo, atropelou o Brasil, seu futebol e seu povo. Os que esperam ganhar têm que aguardar a reação real do povo a toda a operação política que conduziu o Brasil e seu futebol a um desastre ainda maior do que o de 1950 no Maracanã.

Aos jogadores e ao povo, nossa saudação.

Plínio de Arruda Sampaio: Considerações finais




Faleceu nesta terça, 08 de julho, o advogado, militante, constituinte, agrarista e socialista Plínio de Arruda Sampaio, aos 83 anos, vítima de complicações geradas por um câncer nos ossos.

Plínio de Arruda Sampaio foi um nome histórico da esquerda brasileira, tendo iniciado a militância política, ainda no movimento estudantil. Nos anos cinquenta e sessenta, atuou em grupos da esquerda católica (Juventude Universitária Católica e Ação Popular).


Em 1962, foi eleito deputado federal pelo Partido Democrata Cristão e tornou-se membro da Comissão de Economia, da Comissão de Política Agrícola e da Comissão de Legislação Social no Congresso Nacional.

Em 1964, foi relator do projeto de reforma agrária que integrava as reformas de base do governo João Goulart, apontadas como uma das causas da deposição do Presidente pelos militares, esses apoiados por empresários e políticos de direita. Após o golpe de 64, ainda nos primeiros dias do regime, Plínio foi um dos 100 primeiros brasileiros a terem seus direitos políticos cassados pelo Ato Institucional n° 01.

Exilou-se no Chile, onde foi consultor da FAO (organismo da ONU para agricultura e alimentação). Após a deposição do presidente Salvador Allende, também por militares, emigrou para os Estados Unidos, onde fez mestrado em Economia Agrícola.


Com a reabertura política no início dos anos oitenta, foi fundador do PT e deputado constituinte pelo partido em 1988. Também foi fundador da ABRA (Associação Brasileira de Reforma Agrária) e do jornal e do sítio 
“Correio da Cidadania".

Em 2003, coordenou a equipe responsável pela elaboração do II Plano Nacional de Reforma Agrária, sendo o trabalho desmantelado pela intervenção do grupo político da corrente “Democracia Socialista” do PT e da equipe econômica do governo Lula.

Em 2005, após ser derrotado nas prévias internas do PT para a presidência do partido e diante do escândalo do “mensalão”, entrou para o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), tendo sido candidato ao governo do estado de São Paulo pelo partido em 2006, e à presidência da República em 2010, obtendo 886.816 votos.

Em 2013, diante das grandiosas manifestações da juventude que tomaram conta do país e já doente, Plínio era visto no meio de militantes de esquerda que participavam dos atos.

Também era figura muito conhecida no twitter, onde sempre aparecia respondendo “perguntas sobre política e religião”.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Comprei o Manifesto do Partido Comunista na farmácia


Por Silvio Kanner*

Comprei o opúsculo marxista numa rede de farmácias em Belém, o “clássico” “Manifesto do Partido Comunista”, hoje conhecido como Manifesto Comunista. A primeira impressão do texto, de Marx e Engels, em alemão, data do primeiro semestre de 1847, e foi impresso em Liverpool, Londres. Veio a publico, pouco tempo antes dos processos revolucionários de 1848.

Se alguém profetizasse a importância que o panfleto adquiriria ao longo da história, certamente seria ridicularizado. Mas o fato é que quase com certeza o manifesto foi a texto político mais influente desde a “Declaração dos direitos do homem e do cidadão”, dos revolucionários franceses.

Escrito como declaração política da recém criada “Liga dos Comunistas”, sucessora da Liga dos Proscritos, e embora contenha idéias de ambos os autores Clássicos do Marxismo o manifesto foi certamente quase que na integra escrito pelo próprio Marx, muito embora em 1914, o Vorwärts, órgão da social democracia alemã, publicou os “Princípios do Comunismo” redigido em 1847 exclusivamente por Engels, deixando supor se tratar de uma espécie de anteprojeto do manifesto, que posteriormente foi aproveitado e recebeu forma final de Marx.

Se alguém profetizasse que o texto contaria, até as vésperas da Revolução Russa, com centenas de edições, trinta traduções e milhões de exemplares, e se isso parecesse algo razoável, um dos seus autores talvez não tivesse sofrido tanto com dificuldades financeiras ao longo da vida. Talvez hoje, o número de edições, traduções e exemplares vendidos seja incontável. Marx não fazia idéia do volume de dinheiro que suas obras levantariam no futuro. E isso certamente não lhe interessava. Sem mencionar o fato curioso de uma profecia informando em 1847, data de seu lançamento, que esse livro seria o responsável por inspirar movimentos revolucionários que mudariam completamente o mapa do poder mundial, e que um dia seria vendido numa farmácia da América Latina.

Ele estava numa prateleira giratória, juntamente com outros títulos, de grande estatura, para citar dois: Política (Aristóteles) e A Republica (Platão). Traduz algo das grandes transformações econômicas e sociais pelas quais passamos nas últimas décadas a existência hoje de um mercado editorial amplo e não apenas isso, que um texto proscrito, combatido, contra o mercado, o capitalismo e a propriedade privada passasse a ser, também ele, uma mera mercadoria exposta no balcão de uma farmácia.

É um texto brilhante, já contém, embora produto de uma das primeiras fases do marxismo, todas as idéias fundamentais dos autores. Dois gigantes do pensamento moderno, atacados por centenas de tentativas de refutação, mais inscritos até hoje e enquanto houver capitalismo entre os gênios da humanidade. Já encheu milhares de páginas de polemicas, já alimentou milhões de debates e já conquistou também milhares de mentes e corações para a causa do comunismo. Hoje aparentemente muito distante da realidade da maioria das pessoas, identificado que está com a experiência do socialismo real da antiga União Soviética na hegemonia do individualismo, do ceticismo e da alienação.

O manifesto é o abre alas do marxismo, é o ponto editorial de inicio, de uma longa elaboração teórica, que até o momento nem sequer foi publicada na sua totalidade, se considerarmos as correspondências e os textos jornalísticos. Mas sua existência, ainda hoje entre nós, baseia-se no fato de que ainda tem muito a dizer aos dias atuais.

Se alguém me perguntasse, no caso de iniciar uma leitura de Marx, por onde começar, eu diria comece pelo Manifesto, ele ainda precisa ser lido, o sistema do capital ainda existe, ainda precisamos superá-lo, e em todo caso, você pode encontrá-lo disponível para a venda numa rede de farmácias de Belém. Não seria de se estranhar, não há remédio melhor para a doença capitalista, as indicações de solução contidas em sua bula e posologia.


*Mestre em Desenvolvimento Sustentável e Presidente da Associação dos Empregados do Banco da Amazônia – AEBA. Escrito com o apoio da análise do contexto de elaboração de dos impactos do texto no processo histórico realizada por Eric Hobsbawn, professor da Birkbeck College da Universidade de Londres e New School for Social Research de Nova Iorque. Texto integrante da Coletânea “Como Mudar o Mundo – Marx e o Marxismo Pg. 98-115.


domingo, 22 de dezembro de 2013

25 anos depois, Chico Mendes vive mais indignado com o capitalismo verde

Nas celebrações para lembrar o aniversário de sua morte, sindicalista é destituído de seu conteúdo político revolucionário e transformado em pragmático “ambientalista”

Por Elder Andrade de Paula*

“Quando te vi com essa camiseta pensei que era mais um propagandista do governo do Acre”, disse-me um dos participantes do II Congresso da Comissão Pastoral da Terra (CPT) realizado em Goiás no ano de 2005. O comentário me deixou perplexo porque a camiseta em questão era branca e tinha estampada, em sua frente, uma imagem com o rosto de Chico Mendes, sobreposta com a chamada: “Chico Mendes Vive” e, logo a seguir, o texto escrito por ele no ano de seu assassinato “Atenção jovem do futuro, 6 de Setembro do ano de 2120, aniversário ou centenário da Revolução Socialista Mundial, que unificou todos os povos do planeta num só ideal e num só pensamento de unidade socialista que pôs fim a todos os inimigos da nova sociedade. Aqui fica somente a lembrança de um triste passado de dor, sofrimento e morte.Desculpem… Eu estava sonhando quando escrevi estes acontecimentos; que eu mesmo não verei mas tenho o prazer de ter sonhado”.

Minha perplexidade deveu-se ao fato de não estar estampado na dita camiseta nenhuma logomarca identificando o governo do Acre. Ademais, existia outro detalhe fundamental: não havia e não há no vocabulário e nas ações do governo do Acre absolutamente nada que tenha proximidade com esse sonho de Chico Mendes. Ao contrário, o Chico Mendes evocado pelo governo acriano foi destituído de seu conteúdo político revolucionário e transformado em um pragmático “ambientalista”, em consonância com todo o complexo de organizações da sociedade civil articulado em torno da ideologia do desenvolvimento sustentável. Às vezes, também o transformam em vidente, quando usam seu nome para justificar as perversas políticas voltadas para o aprofundamento da mercantilização da natureza. Dizem, dentre outras barbaridades, que Chico Mendes seria a favor do manejo florestal madeireiro, dos famigerados Pagamentos por Serviços Ambientais – PSA, quando sabemos que essas proposições emergiram após o seu assassinato.


Enfim, o fato que relatamos ilustra com muito vigor o monumental poder da imagem e a sofisticação crescente com que tal poder é manipulado. O Governo do Acre tem usado de forma primorosa esse recurso, logrando “colar” com maestria a imagem de Chico Mendes ao seu projeto político, afirmando que estaria realizando os “seus ideais” – como mostra Maria de Jesus Morais no seu artigo “Usos e abusos da imagem de Chico Mendes na legitimação da “economia verde”, no Do$iê Acre: O Acre que os mercadores da natureza escondem, documento apresentado em 2012 durante a Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro.

Em imagem usada na campanha governamental “25 anos Chico Mendes vive mais” aparecem o governador Tião Viana e sua esposa Marluce ao lado das estátuas de Chico Mendes e seu filho Sandino, na Praça Povos da Floresta, em Rio Branco (AC). Foto: Sérgio Vale/Secom
Imagem e poder
Nesse sentido, a manipulação da imagem de Chico Mendes atua como um antídoto contra a memória de Francisco Alves Mendes Filho. Enquanto a memória revela obstinado desejo de transformação de uma realidade marcada pela exploração, injustiça e destruição, a imagem manipulada volta-se para o ocultamento dessa realidade. Mais do que isso, os novos mapas com ilustrações do “Zoneamento Econômico Ecológico”, que não passam de adaptações jurídicas e institucionais inebriadas com o vocabulário subjacente à ideologia do desenvolvimento sustentável, são usados para apresentar o Acre como “modelo de economia verde” a ser replicado em outras regiões do mundo.

Essa separação e/ou adaptação entre imagem e seus significados tem sido usada também em “Nuestra América” desde os primórdios da colonização europeia, como lembra Serge Gruzinski em seu livro “A guerra das imagens – de Cristóvão Colombo a ‘Blade Runner’ (1492-2019)”. De acordo com ele, desde que Colombo desembarcou no novo mundo a imagem foi utilizada para fins de dominação. Sem demora, diz o referido autor, os recém-chegados se perguntaram sobre a natureza das imagens que possuíam os indígenas. “Prontamente, a imagem constituiu um instrumento de referência, e logo de aculturação e de domínio, quando a igreja resolveu cristianizar os índios desde a Flórida até a terra do fogo. A colonização europeia aprisionou o continente em uma armadilha de imagens que não deixou de ampliar-se, desenvolver-se e modificar-se ao ritmo dos estilos, das políticas, das reações e oposições encontrados”, escreve Gruzinski.

É precisamente nesta perspectiva analítica que interpretamos a intencionalidade dessa separação entre “Chico e Francisco”. Isto é, apropriar-se de uma imagem e destituí-la de seu sentido original para transformá-la em poderoso instrumento de legitimação do poder. Obviamente, ela necessita manter alguns nexos com uma memória “devidamente adaptada” aos fins políticos de cada momento, conforme explicitado anteriormente.

No decorrer das celebrações dos “vinte anos sem Chico Mendes”, em 2008, mostramos os usos e abusos da imagem desse líder sindical no artigo “Movimentos sociais na Amazônia brasileira: vinte anos sem Chico Mendes”. Destacamos, entre outros pontos, que as proposições do Movimento Sindical no “tempo de Chico Mendes” foram apropriadas e transmutadas na sua negação. Portanto, não estava em curso uma suposta continuidade e, sim, uma ruptura com esse legado. Agora, faremos um exercício oposto: realçar os traços de continuidade no “estilo de desenvolvimento” em curso no Acre.

Legado
Em uma de suas últimas entrevistas , registrada no livro “O Testamento do Homem da Floresta Chico Mendes por ele mesmo”, de Cândido Grzibowski, ele disse o seguinte:

“Em princípio teve alguns momentos que houve um avanço considerável do governo na questão ecológica, no Conselho Nacional dos Seringueiros, na luta dos seringueiros. Mas, em seguida, nós começamos a desconfiar e começamos a descobrir que o governo do Estado estava fazendo um discurso ecológico para justificar a aprovação de seus projetos nos bancos internacionais ou junto às organizações internacionais (…) Não dá pra se entender que o governo seja ecológico, que defenda a ecologia, que seja contra o desmatamento, e que ao mesmo tempo esse mesmo governo mande a polícia armada para proteger o desmatamento (…) Até o momento, a justiça sempre está do lado do maior. Um dos problemas, um dos pontos mais fracos com que nos defrontamos é a própria justiça. Muitas vezes recorremos ao apoio da justiça e a justiça, inclusive este ano foi claro, ficou do lado dos latifundiários (…)”

Imagem de sindicalista foi projetada no Palácio Rio Branco durante as comemorações. Foto: Victor Augusto/Secom 

É justamente aí, no governo do PMDB de Flaviano Melo (1987-90), que podem ser encontrados os traços que teriam continuidade e que caracterizam o “fazer” do governo acriano desde 1999. Ao analisarmos atualmente os inúmeros conflitos pela posse da terra e aqueles relativos à expansão da exploração madeireira e pecuária no estado, vemos com clareza a reiteração daquele cenário político descrito por Chico Mendes em 1988. A diferença fundamental é que, hoje, o “ovo da serpente” eclodiu e o Estado está mais subordinado aos ditames dos financiamentos externos e à lógica do capitalismo verde (interpretado como resultante das modificações operadas no capitalismo no sentido de promover um movimento simultâneo de adaptação à nova divisão internacional do trabalho, ao reordenamento de natureza geopolítica, às reconfigurações nas relações Estado-Mercado e à assimilação do ambientalismo no processo de acumulação global que o presidem).

Os resultados de tudo isso apareceram bem sintetizados no já citado Do$iê Acre. No referido documento destacam-se entre outros: 1) a elevada concentração da propriedade fundiária e da renda; a permanência dos conflitos pela posse da terra e o surgimento de outra ordem de conflitos relacionados com o processo de aprofundamento da mercantilização da natureza; interdição das demarcações de Terras Indígenas; 2) expansão das atividades produtivas consideradas mais predatórias como a pecuária extensiva de corte e exploração madeireira; 3) autoritarismo político e cooptação das representações dos trabalhadores, como o sindicalismo rural, com honrosa exceção do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STTR) de Xapuri.

Sendo assim, o que prevaleceu não foi o legado de Chico Mendes mas, sim, o de seus inimigos. A continuidade passível de constatação é aquela relacionada com o prolongamento da espoliação sob a batuta de um poder oligárquico que necessita ser ocultado para mostrar a imagem de um “Acre moderno”. Os “usos e abusos” da imagem de Chico Mendes (como diz Maria de Jesus Morais) são fundamentais neste sentido. Neste ano de 2013, o slogan usado pelo governo acriano para “comemorar” os 25 anos de assassinato de Chico Mendes foi: “25 anos, Chico Mendes vive mais” (texto e imagens sobre o assunto chegaram a ser publicados na página da Agência de Notícias do Governo do Acre, mas o link http://www.agencia.ac.gov.br/index.php/chico-mendes-25-anos não está mais disponível).

Por esta razão, ao invés de usar a dita expressão parece mais apropriado dizer que Chico Mendes vive mais indignado com o capitalismo verde.

* Elder Andrade de Paula é professor associado do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Acre. Texto publicado originalmente no sítio da Repórte Brasil

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Quem te viu, quem te vê...


Lula, o PT e aliados fazem “abração” contra a privatização da Petrobras. Fotografia da campanha presidencial de 1989.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Frases

"De fato, está difícil entender. Nós somos acostumados com mobilização com carro de som, com organização, com gente com quem negociar e liderança com quem negociar e poder fazer um tipo de acordo. Agora eles mesmo dizem 'nós não temos uma liderança, são múltiplas lideranças, nós não temos carro de som'. Não tem um comando, um comando único, e portanto se  torna extremamente complexo o processo de compreensão, de entendimento, da multiplicidade das manifestações internas”, disse o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho (PT), sob a onda de mobilizações que sacode o Brasil.

"Não deveriam usar o futebol para anunciar suas reivindicações. O Brasil pediu esta Copa do Mundo. Nós não impusemos o Mundial a ele”, disse o presidente da Fifa, Joseph Blatter, criticando os protestos no país.





"Não vamos permitir que nenhuma dessas manifestações atrapalhe nenhum dos eventos que nos comprometemos a realizar", afirmou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB).

O governo federal anunciou nesta quarta-feira, 19 de junho, o envio de homens da Força Nacional de Segurança para Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Salvador e Rio de Janeiro, 5 das 6 sedes da Copa das Confederações.

"Vamos esquecer toda essa confusão que está acontecendo no Brasil e vamos pensar que a seleção brasileira é o nosso país, o nosso sangue. Não vamos vaiar a seleção, vamos apoiar até o final", pediu o ex-jogador Pelé em entrevista para uma afiliada da Rede Globo em Santos, São Paulo. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Morre aos 90 anos o historiador marxista Jacob Gorender

Morreu nesta terça-feira (11 de junho) em São Paulo, aos 90 anos, Jacob Gorender, um dos mais importantes historiadores marxistas brasileiros.

Sua principal obra como historiador foi a tese “O Escravismo Colonial” de 1978, onde apresenta uma compreensão inédita para a formação econômica brasileira, a partir do escravismo colonial, para Gorender, um modo de produção historicamente novo, destoando das antigas teses feudais defendidas por intelectuais ligados a Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do capitalismo brasileiro de economistas como Caio Prado Júnior.

Dos anos oitenta até 2004, produziu dezenas de artigos e ensaios, além de vários livros.

Entre seus trabalhos se destaca "Combates nas trevas" (1987), onde faz um duro balanço da tática guerrilheira adotada por parte da esquerda brasileira contra o regime militar, da qual Gorender participou como guerrilheiro.

Gorender nasceu em Salvador em 20 de janeiro de 1923 e ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) ainda estudante, durante a II Guerra Mundial, na Itália, onde integrou a Força Expedicionária Brasileira (FEB).


Deixou o PCB na década de 60 para fundar o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Em 1964, após o Golpe Militar no Brasil, Gorender foi preso e passou para a clandestinidade política.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Edmundo Fernandes e Gramsci, presentes!


Morreu na madrugada desta sexta-feira, 03 de maio, o professor e militante Edmundo Fernandes Dias. Edmundo era professor aposentado do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas. 

Profundo estudioso de Antonio Gramsci e defensor da necessidade de interpretação das teorias do comunista italiano vinculadas à luta de classes, Edmundo é autor dos livros "O Outro Gramsci" (Xamã,1996), “A liberdade (im)possível na Ordem do Capital”(1997) e “Gramsci em Turim: a construção do conceito de hegemonia” (Xamã, 2000). Mais recentemente, publicou pela Editora Sundermann os livros “Política brasileira: embates de projetos hegemônicos” (2006), “Revolução e história: das Teses ao Manifesto” (2011) e “Revolução passiva e modo de vida: ensaios sobre as classes subalternas, o capitalismo e a hegemonia” (2012).

Sindicalmente, a militância esteve sempre vinculada ao movimento docente e na defesa da universidade pública brasileira. Teve papel destacado na formação da Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior – Andes no início dos anos oitenta, quando ainda havia impedimento legal para sindicalização dos servidores públicos.

Participou de inúmeras diretorias da Associação dos Docentes da Unicamp e do Andes, já transformado em sindicato nacional. A entidade e diversas seções sindicais lançaram nessa sexta nota de pesar pela morte do professor.

Edmundo foi fundador do PT e da CUT, entidades com as quais romperia respectivamente no início dos anos noventa quando participou da fundação do PSTU e no início do governo Lula, ajudando na construção da Conlutas e posteriormente, na Central Sindical e Popular, CSP-Conlutas.

Falece José Ibrahin, único operário no “Hércules 56”


Faleceu nesta sexta-feira, 03 de maio, o histórico militante de lutas operárias, José Ibrahin. 

Iniciou a militância ainda como estudante secundarista. De família de origem árabe, atuou ativamente desde o ano de 1967 na militância em fábricas no município de Osasco, em São Paulo. 
Em 1968, no auge das mobilizações estudantis, liderou aos 21 anos, a famosa grande greve dos metalúrgicos de Osasco, a primeira grande mobilização operária contra o regime militar, sendo a cidade ocupada por forças militares e greve duramente reprimida, com centenas de presos.

Ibrahin foi preso e torturado. Em 1969, foi incluindo na lista dos presos que foram trocados pelo embaixador dos EUA, Charles Elbrick, sequestrado pelas organizações guerrilheiras MR-8 e Aliança Libertadora Nacional, uma dissidência do PCB na qual Ibrahin também militava. Único operário entre os presos, foi levado para o México no avião Hércules 56 na companhia, entre outros, de Gregório Bezerra e dos então líderes estudantis, José Dirceu e Luis Travassos.


Viveu no exílio em Cuba, no Chile, Panamá e na Bélgica, só voltando ao Brasil no final dos anos setenta, no período de reorganização do movimento sindical, das lutas operárias do ABC Paulista e da lenta abertura política.

Em 1979, integrou o núcleo de novos dirigentes sindicais que daria origem ao Partido dos Trabalhadores (PT), partido do qual se afastou para entrar no PDT.

Atualmente ocupava a Secretaria de Formação Política da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e vinha contribuindo intensamente nas atividades de resgate da luta contra a ditadura militar através do Projeto Memória da OSM/SP, da Comissão Nacional da Verdade, do GT – Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Nota: Diretor da “Caros Amigos” demite equipe da redação em greve


O diretor-geral da revista Caros Amigos, Wagner Nabuco, chamou hoje (11/03/2013) a equipe de redação e anunciou que a empresa está demitindo todos os trabalhadores que se encontravam em greve desde sexta-feira, dia 08/03, alegando "quebra de confiança".

Nós, integrantes da equipe de redação da revista Caros Amigos - responsáveis diretos pela publicação da edição mensal, o site Caros Amigos, as edições especiais e encartes da Editora Casa Amarela - lamentamos a decisão da Direção. Consideramos a precarização do trabalho e a atitude unilateral como passos para trás no fortalecimento do projeto editorial da revista, que sempre se colocou como uma publicação independente, de jornalismo crítico e de qualidade, apoiando por diversas vezes, inclusive, a luta de trabalhadores de outras áreas contra a precarização no mercado de trabalho.

A greve é um instrumento legal, previsto na Constituição brasileira e direito de todos os trabalhadores. Foi adotada como medida para tentar melhorar as condições de trabalho na revista e foi precedida por uma série de incansáveis diálogos por parte desta equipe, desde que ela começou a ser montada em 2009. As tentativas foram sempre no sentido de atingir o piso salarial para todos os profissionais, encerrar os atrasos no pagamento dos salários e direitos como férias e 13º, que nos atingiram por mais de uma vez, de conquistar o registro dos funcionários fixos e uma melhor relação com colaboradores freelancers, que também convivem e conviveram com baixas remunerações e atrasos nos pagamentos.

Diante de alegações por parte da direção sobre dificuldades financeiras vividas pela empresa por se tratar de uma publicação alternativa, convivemos com salários mais baixos que os pisos e os praticados pelo mercado, e também com a inexistência de muitos direitos trabalhistas. Aceitamos negociar gradativamente a correção desses problemas de forma a fazer com que a Caros Amigos, "a primeira à esquerda", não se tornasse agente de exploração de seus funcionários e avançasse nessa frente conforme suas possibilidades. Trabalhamos para ampliar a receita da empresa, seja pelo prestígio do trabalho realizado, muitas vezes premiado, seja pelo aumento do trabalho em forma de outras publicações como especiais e encartes.

Em todos os anos entre 2009 e 2013, mantivemos o diálogo salutar com a Direção, buscando negociar melhores condições para desenvolvermos o trabalho com o qual estávamos comprometidos. Isso foi feito por meio de cartas de toda a redação à direção, conversas de comissões da redação com a direção e inúmeras negociações entre o editor-chefe e diretor-geral.

Apesar de todos nossos esforços em construir uma boa relação interna, fomos pegos de surpresa com o anúncio de corte da folha salarial em 50%, com a demissão de boa parte da equipe ou redução do salário dos 11 funcionários de 32 mil pra 16 mil ao todo, conforme relatado em nota divulgada na data de anúncio da greve e que segue novamente ao final desta.

O anúncio de medida drástica que atinge diretamente os trabalhadores foi feito em forma de comunicado pelo diretor-geral, sem margem para negociação. Ainda buscamos pelo diálogo reverter o problema junto à direção por uma semana. Sem margem para conversa, recorremos à paralisação como forma de ampliarmos nossas vozes, mas fomos surpreendidos mais uma vez com o comunicado da demissão coletiva.

Nossa luta não é - e nunca foi - contra a revista Caros Amigos. Pelo contrario, reforçamos a importância de publicações contra-hegemônicas e críticas em um cenário difícil para a democratização da comunicação no Brasil, que cerceia a variedade de vozes. Nossa luta é, portanto, para o fortalecimento e a coerência de um veículo fundamental do qual sempre tivemos o maior orgulho de participar.

Vimos a público lamentar profundamente que essa crise provocada pela direção venha causar sérios prejuízos ao projeto editorial da Caros Amigos, que contou por todos esses anos com nossa dedicação.

Saímos desse espaço de forma digna diante de uma situação que tornou a greve inevitável, na esperança que nossos apelos sirvam de acúmulo para o futuro da Caros Amigos de modo que ela se torne exemplo não só no campo editorial, mas nas relações que mantém com seus funcionários e colaboradores. Esperamos que o compromisso assumido com colaboradores durante a gestão dessa equipe seja louvado e que eles recebam seus pagamentos sem atrasos. Também que sejam honrados nossos diretos trabalhistas.

Agradecemos todos que se solidarizaram com nossa situação e os que seguirão nos apoiando nessa nova etapa. Esperamos que esta experiência sirva de acúmulo e motivo de debate sobre a precarização, o achatamento de salários, a piora nas condições de trabalho e atitudes patronais - que existem tanto em empresas da grande imprensa quanto nas da contra-hegemônica - no sentido de buscarmos melhores condições para todos exercerem suas profissões. Por fim, esperamos que o exemplo comece pela imprensa contra-hegemônica com a correção de práticas como esta.

São Paulo, 11 de março de 2013.

01 - Alexandre Bazzan
02 - Caio Zinet
03 - Cecília Luedemann
04 - Débora Prado
05 - Eliane Parmezani
06 - Gabriela Moncau
07 - Gilberto Breyne
08 - Hamilton Octavio de Souza
09 - Otávio Nagoya
10 – Paula Salati
11 - Ricardo Palamartchuk

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Cursos sobre as obras de Marx e Engels


Com o objetivo de renovar o interesse pela leitura e pelo estudo da obra de Karl Marx e Friedrich Engels, a Boitempo Editorial, em parceria com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e Centro de Pesquisas 28 de Agosto, promoveu a terceira edição do Curso Livre Marx e Engels.

Ocorrido entre os dias 18 de agosto e 22 de setembro de 2012, o curso contou com aulas abertas e gratuitas sobre 15 obras dos filósofos, cada uma delas ministrada por um importante intelectual marxista brasileiro.

Abaixo, a sequência das aulas que foram recentemente disponibilizadas no You Tube (clique nos títulos das obras para ir até os vídeos). 

-  A ideologia alemã, por Emir Sader




-  A sagrada Família, por Antonio Rago Filho

-  Grundrisse, por Mario Duayer


- A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, por Paulo Barsotti*

- Lutas de classes na Alemanha e Lutas de classes na França, por Michael Löwy


*Ainda não encontrei o vídeo desta aula.