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domingo, 14 de junho de 2015

Ajuste fiscal pode pôr em risco preservação de áreas protegidas, alerta Philip Fearnside

A onda de cortes em gastos previstos no Orçamento deste ano, que deve ultrapassar a R$ 70 bilhões, pode colocar em risco a manutenção de áreas protegidas no Brasil.
O ajuste fiscal promovido pela equipe econômica da presidente Dilma Rousseff poderá atingir em cheio a sobrevivência de unidades de conservação (UCs). Esta tem sido a grande preocupação do biólogo americano Philip Fearnside radicado no Brasil há quatro décadas.
“Sabemos que o meio ambiente não é prioridade para o governo. E os cortes vão agravar essa situação”, alerta o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Membro da Academia Brasileira de Ciências, ele estuda questões ambientais na Amazônia brasileira desde a década de 70 e foi um dos cientistas que ganharam o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) em 2007.
De Manaus onde vive, Fearnside conversou com o Blog do Observatório de Ucs e falou de suas grandes preocupações para preservar as áreas protegidas no país.
Na sua opinião, as Ucs não estão apenas diminuindo de tamanho como também em ritmo de criação, pois desde 2008, há uma paralisação no processo de definição de novas áreas.
Uma vez consideradas prioritárias para projetos de infraestrutura aos olhos do governo, as áreas protegidas ficam à mercê de Medidas Provisórias que redefinem seus limites sem nem mesmo consultar previamente as comunidades locais ou ainda obter o parecer do órgão ambiental sobre os impactos das obras.
Atualmente, o caso mais preocupante é a construção de 43 barragens na bacia do rio Tapajós, no Pará, que têm previsão de iniciar suas operações depois de 2020.
Eis a entrevista.
O que está acontecendo no rio Tapajós, na sua opinião, reflete a situação que vivem muitas áreas protegidas no Brasil?
A questão é que as unidades de conservação estão diminuindo. O exemplo mais preocupante é o rio Tapajós, no Pará, pois as áreas de proteção foram tiradas para abrir espaço para a construção de hidrelétricas. Estão planejadas 43 barragens [com potência superior a 30 MW com conclusão prevista para até 2022] na bacia do Tapajós. Algumas delas estão em áreas protegidas e em terras indígenas. Todo o processo de licenciamento é uma farsa, passa por cima do ICMBio que é responsável pelas Ucs. É muito grave, significa que as áreas protegidas não têm proteção frente à prioridade do governo. Só no Tapajós foi editada uma Medida Provisória em 2012 [MP nº 558, 6 de janeiro de 2012 e depois promulgada a lei 12.678/2012], isso ocorreu muito antes de se concluírem os estudos de impacto ambiental e de viabilidade das barragens.
Há quanto tempo o Brasil não cria novas Ucs?
Desde 2008 teve início esse processo de não criar mais áreas protegidas. Foi uma parada bruta. Além de desfazerem as áreas protegidas, também estão paralisando e não fazendo mais nenhuma. Simplesmente bloquearam a criação de novas unidades de conservação. Isso se vê tanto a nível federal quanto estadual.
Não basta apenas criar uma área protegida, o desafio é mantê-la frente a muitas ameaças?
Não são apenas barragens e hidrelétricas, há outras ameaças como obras para construir rodovias que geram o perigo de ocasionar invasões nas Ucs. Isso modifica toda a geografia do desmatamento e deixa as áreas protegidas expostas sem proteção. Para desestimular as invasões, precisa se fazer presente nessas áreas.
Outra ameaça às Ucs são os cortes fiscais e restrições que o governo está planejando. Sabemos que o meio ambiente não é prioridade para o governo. A proteção das Ucs ainda está só no papel. E os cortes vão agravar essa situação.
Depois do assassinato da irmã Dorothy Stang, em 2005, estava prevista a criação de duas bases de fiscalização na Terra do Meio e até hoje não foram feitas. Não há presença de guardas que afastam o perigo da invasão. [Com mais de 3 milhões de hectares, a Terra do Meio é um dos territórios menos explorados na porção leste da Amazônia. Rica em biodiversidade, é habitada por comunidades extrativistas que vivem da pesca, agricultura de subsistência e coleta de castanha do Pará. Sua área é delimitada pelo rio Iriri a oeste e pelo rio Xingu a leste. Comunidades tradicionais têm sido expulsas, terras públicas griladas e a floresta convertida ilegalmente em pastagens. A criação da Unidade de Proteção Integral - UPI na Terra do Meio era uma das principais metas de Marina Silva quando esteve à frente da pasta do Meio Ambiente entre 2003 e 2008].
Quais são os tipos de unidades de conservação mais ameaçadas?
Cada tipo de UC tem problemas com pressões diferentes. No caso de reservas extrativistas como a Resex Chico Mendes, no Acre, há problemas com a criação de gado. Nas florestas nacionais, as Flonas, é a ação não sustentável de madeireiras. Mas as Flonas têm melhores perspectivas de projetos de manejo florestal em comparação com as propriedades privadas. Já as áreas de proteção ambiental, as APAs, a grande questão é a fiscalização real. No mapa, aparece que há muitas áreas protegidas em APAs, mas a verdade não é assim. É muito enganador, pensa-se que elas estão protegidas, mas cidades inteiras estão dentro de APAs. Há a possibilidade de mudar os regulamentos e conseguir fazer com que essas áreas ganhem mais valor em termos de conservação.
As maiores pressões estão na Amazônia?
As ameaças são grandes em Ucs de todos os biomas. No caso da Amazônia, a grande questão é a criação de novas áreas protegidas, se não, em mais alguns anos essas áreas serão invadidas por grileiros. Depois que são invadidas, fica quase impossível torná-las uma área protegida de verdade. Especialmente porque não haverá dinheiro para desapropriar, além do desgaste político para remover as famílias.
Na Mata Atlântica, existe uma situação que precisa parar o desmatamento por completo, pois se desmatou quase tudo e o que resta sofre de muitos problemas. É importante manter as áreas protegidas já existentes.
Mesmo após serem criadas, as unidades de conservação ainda correm o risco de serem eliminadas com facilidade?
Foi o que aconteceu com o caso da bacia do Tapajós. Quando é prioridade para o governo, simplesmente vai atropelando e faz sem nenhum tempo de consulta às comunidades e sem consultar o próprio órgão ambiental. O clássico foi o Parque Nacional das Sete Quedas para a construção da hidrelétrica de Itaipu em 1982. [A maior cachoeira do mundo em volume de água desapareceu com a formação do lago da Usina de Itaipu]. Foi o exemplo de algo que era uma joia em termos de parque e simplesmente acabou.

Fonte: Observatório de Unidades de Conservação

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Frases

"Trata-se de uma honra para todos os árabes, muçulmanos e mulheres. Eu dedico este prêmio a todos os ativistas da Primavera Árabe", disse a jornalista iemenita Tawakkol Karman à rede de televisão árabe Al-Arabiya, sediada em Dubai, comentando o anúncio do prêmio Nobel da Paz. Karman é uma das figuras dos protestos populares no Iêmen contra o regime do ditador Ali Abdullah Saleh.

"Não esperava receber este prêmio e nem sequer sabia que minha candidatura havia sido apresentada", acrescentou.

Tawakkul Karman, 32, é mãe de três filhos e lidera o grupo de direitos humanos Women Journalists without Chains ("Mulheres Jornalistas Sem Correntes"). Além dela, foram premidadas a presidente da Libéria, Elle Johnson Sirleaf (que já foi vice-presidência do Citibank na África) e a também liberiana, Leymah Gbowee.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Dom Erwin Kraeutler recebe Prêmio Nobel Alternativo

Um dos símbolos da luta contra a hidrelétrica de Belo Monte, o bispo da Prelazia do Xingu, Dom Erwin Kraeutler recebeu hoje (junto à outras três pessoas da Nigéria, do Israel e do Nepal) o Prêmio Nobel Alternativo de 2010 Right Livelyhood Award.

Leia:
Dom Erwin Kräutler recebe prêmio nobel alternativo
Cimi

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Falhas de medição invalidam tese do aquecimento global, diz cientista

Para pesquisador, condições locais prejudicam leitura global dos dados

Um cientista entre os chamados "céticos do aquecimento global" defende que boa parte dos dados que apontam o aumento da temperatura do planeta devem ser ignorados porque milhares de estações de medição espalhadas pelo mundo estão sendo afetadas por condições que distorcem os seus resultados.

O meteorologista Anthony Watts afirma em um novo relatório que "os dados sobre a temperatura global estão seriamente comprometidos porque mais de três quartos das 6 mil estações de medição que existiam no passado não estão mais em funcionamento".

Watts acrescenta que existe uma "grave propensão a remover estações rurais e de altitudes e latitudes mais altas (que tendem a ser mais frias), levando a um exagero ainda maior e mais sério do aquecimento".

O relatório intitulado Surface Temperature Records: Policy Driven Deception? (algo como "Os Registros das Temperaturas da Superfície: Mentira com Motivação Política?", em tradução livre) foi publicado de forma independente, e não em revistas científicas - nas quais os artigos de um autor passam pelo crivo da análise de colegas.

Mas outros pesquisadores apoiam a análise de Watts, incluindo o professor de ciências atmosféricas John Christy, da Universidade do Alabama, que já esteve entre os principais autores do IPCC - o painel da ONU sobre mudanças climáticas.

Evidências
Entre as evidências citadas por Watts para defender sua tese está uma foto que mostra como a estação de medição no aeroporto de Fiumicino, em Roma, está posicionada atrás da pista de decolagem, recebendo os gases aquecidos emitidos pelas aeronaves.

Outra estação de medição está instalada dentro de um estacionamento de concreto na cidade de Tucson, no Arizona.

Essas são situações que, segundo o cientista, afetam o uso dos solos e a paisagem urbana ao redor da estação, refletindo muito mais as mudanças nas condições locais do que na tendência global da Terra.

Na América do Sul, o pesquisador afirma que as estações que medem a temperatura nas altas altitudes deixaram de ser consideradas, levando os cientistas a avaliar a mudança climática nos Andes por meio de uma leitura dos dados na costa do Peru e do Chile e da selva amazônica.

Para o pesquisador, estas falhas tornam "inútil" a leitura dessas medições colhidas em solo. Watts sustenta que o monitoramento via satélite é mais exato e deveria ser o único adotado.

Homem e meio ambiente
O debate provocado pelo professor é lenha no fogo da discussão que opõe cientistas para quem o aquecimento global, se existe, é um fenômeno natural - e tem precedentes na história da humanidade - e cientistas para quem o efeito é causado pelo homem e acentuado pelas emissões de gases que causam o efeito estufa.

Nos últimos anos, os cientistas que alertam para as causas humanas por trás do aquecimento conseguiram fazer prevalecer sua visão, sobretudo no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) da ONU, que recebeu inclusive um prêmio Nobel da Paz.

Em uma espécie de "contra-ataque dos céticos do aquecimento", o órgão da ONU foi obrigado no início deste ano a admitir que se equivocou em um dado que apontaria para a possibilidade de as geleiras do Himalaia derreterem até 2035.

No fim de semana, o cientista por trás deste equívoco, Phil Jones, disse à BBC que seus dados estavam mal organizados, mas que nunca teve intenção de induzir ninguém ao erro.

Jones, que é diretor da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia, disse estar "100% confiante" de que o planeta está se aquecendo e de que este fenômeno é causado pelo homem.

O cientista afirmou ainda que as disputas entre os pesquisadores – a "mentalidade de trincheiras", como ele se referiu – só prejudicam a discussão objetiva da questão.

Fonte: BBC

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A paz de Obama


No blog Defesa do Trabalhador, Advocacia, Cultura e Socialismo do companheiro Adriano Espíndola, especificamente na postagem INVENTÁRIO DAS INVASÕES ESTADUNIENES NO MUNDO há uma lista organizada pelo professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Alberto da Silva Jones, da maioria das invasões dos Estados Unidos ao logo dos séculos XIX, XX e XXI.

A lista me fez lembrar que um dos momentos altos do documentário Fahrenheit 9/11 do cineasta Michel Moore foi quando ele trouxe algumas, só algumas, das barbaridades cometidas nos últimos 60 anos ao som de Louis Armstrong (“A Wonderful World”).

Veja essa parte do documentário em US Agression Chronology - Fahrenheit 9/11 ]

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Já vai tarde!

Morreu o engenheiro agrônomo e cientista Norman Borlaug, conhecido como o pai da Revolução Verde na agricultura, no estado americano do Texas aos 95 anos de idade.Ele recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1970 por inovações agrícolas e o desenvolvimento de plantações de alta produtividade com o discurso de combate a fome nos países pobres.

Na prática, a “revolução verde” realmente representou o aumento na produção de alimentos no mundo, ao mesmo tempo em que a fome aumentou em várias partes do globo. A adoção de sementes melhoradas e adaptadas ao clima tropical representou a perda de enorme variabilidade genética de cultivos tradicionais e redução na dieta alimentar de grandes contingentes populacionais, além do processo de degradação ambiental, expulsão das populações rurais e formação das enormes e caóticas áreas urbanas.


A modernização conservadora do campo pela agroindustrialização e o discurso da falta da necessidade de reforma agrária hoje tem na "revolução verde" a sua base ideológica.

Leia ainda:
Número de famintos ultrapassa o bilhão

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Agora vai (de novo): Banda Calypso é indicada ao Nobel da PAZ

A banda paraense Calypso foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz de 2009 pelo Comitê da Paz, vencedores do prêmio em 1988, “por seu relevante trabalho humanitário em prol dos carentes da região Norte”, segundo a nota oficial do Comitê. O resultado será conhecido em outubro.

Para comemorar a indicação, no dia 15 de fevereiro, será realizado o “Show e Copa da Paz”, um jogo de futebol e uma apresentação beneficente da banda Calypso, no Mangueirão. O valor do ingresso ainda não foi divulgado.

A escolha do vencedor do Nobel da Paz não é um processo rápido. A jornada inicia-se em setembro e termina em dezembro do ano seguinte. No mês de setembro, o comitê do Nobel envia cartas a todos os qualificados que devem fazer suas as nomeações, entre eles estão chefes de estados, reitores de universidades, membros do comitê norueguês do Nobel, conselheiros do Nobel Foundation e vencedores do Nobel da Paz de anos anteriores.

O prazo final para envido dos votos termina em fevereiro. Segundo o comitê, em média, 140 pessoas e organizações são indicadas todos os anos. A partir daí, uma comissão prepara uma lista de nomes, os quais serão enviados para análise e investigação de especialistas na área.

Fonte: Diário do Pará.