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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Relações entre Incra de Marabá e fazendeiros trava Reforma Agrária no PA

Por Marcio Zonta*

Um levantamento realizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Marabá, junto à Justiça federal de Belém no Pará, aponta que tramitam 33 ações penais envolvendo terras públicas federais ocupadas por sem-terras no sul e sudeste paraense que poderiam ter desapropriação imediata.

Aproximadamente 5.500 famílias poderiam ser assentadas em mais de 242.809 mil hectares de terras. Porém, vários desses processos, conforme revela a CPT, sofrem com a morosidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) por mais de cinco anos. Um dos principais entraves revelados pela pesquisa seria as relações políticas entre o Incra regional de Marabá e os fazendeiros da região.

“O Incra sofre muita pressão para desapropriar essas áreas por parte dos fazendeiros que exerce um poderio econômico e político muito grande sobre o órgão”, diz José Batista Afonso, advogado da CPT, que acompanha a maioria dos casos em litígio. Um dos mais poderosos, o grupo Santa Barbara do banqueiro Daniel Dantas estranhamente não consta na lista das fazendas envolvidas judicialmente.

Sem vistoria
Essas são apenas as áreas vistoriadas pelo Incra e verificadas com diversas irregularidades, entre elas, a grilagem de terra.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) denuncia que outro montante de terras, sobretudo numa extensão que liga Curionópolis a Parauapebas, pela PA 250, teriam sido apropriadas indevidamente pelos fazendeiros. “Já pedimos a vistoria nessas terras às margens da rodovia em agosto de 2011, mas até agora a entidade não nos apresentou resultado nenhum”, reclama Tito Moura da coordenação estadual do MST-Pará.

Para José Batista, o Incra sabe perfeitamente da situação, mas não tem interesse de atender a demanda das famílias por terra. “O instituto sabe que no sudeste e sul do Pará tem terras públicas griladas, improdutivas, com trabalho escravo, com crime ambiental, aptas juridicamente para fins de reforma agrária, mas não faz a vistoria para não comprar briga com os latifundiários”, protesta.

O caso emblemático
Um dos casos mais exemplares da conivência do poder legislativo do Pará, Incra e fazendeiros é a Fazenda Fazendinha. Desde agosto de 2010, 200 famílias ocupam 350 hectares da área com o acampamento Frei Henri. “Essas terras da Fazenda Fazendinha era umas dessas áreas griladas, que tivemos que ocupar para ter alguma reação dos órgãos públicos competentes e chamar atenção da opinião pública sobre a questão”, conta Tito Moura.

Assim, como já relatou o Brasil de Fato em edições anteriores, os acampados sofrem há pouco mais de um ano com as repetidas investidas violentas de pistoleiros a mando do fazendeiro Darlam Lopes, grileiro da terra.

Com duas vitórias na Justiça contra o latifundiário, as famílias não entendem porque o juiz não dá o veredito fi nal. “Já ganhamos a terra, mas a Justiça parece demorar de propósito”, percebe o senhor Baiano, acampado no acampamento Frei Henri.

O juiz responsável pelo processo é Ricardo Beckeraeh da Silva Leitão da 1ª Vara Agrária Federal de Marabá. A reportagem do Brasil de Fato não conseguiu encontrá-lo até o fechamento dessa edição. A primeira ação penal vencida pelos acampados foi contra o despejo e a segunda foi a decisão do programa Terra Legal que negou a regularização da área a pedido de Darlam Lopes, sendo destinada para fi ns de reforma agrária.

“O juiz Ricardo somente teria que juntar todas as partes das ações penais favoráveis aos sem terra e dar a sentença final desapropriando parte da fazenda”, explica Batista. Tito Moura acusa o Incra de ter virado “um grande balcão de negócios para os grupos empresariais nacionais e internacionais que grilam terras no Pará”.

Alta produção de orgânicos
Se a reforma agrária é benéfica às famílias necessitadas de áreas agrícolas para viver, na atual conjuntura onde o Brasil é o maior consumidor de venenos do mundo, a distribuição de terras também poderia sanar tal problemática.

É o que já ocorre no acampamento Frei Henri. “Hoje somos os únicos produtores de hortaliças orgânicas do mercado de Parauapebas, numa terra que há dois anos não produzia nada. Então por que não dar a terra para gente, que estamos dando uma função social para ela?”, indaga seu Baiano, um dos produtores.

O potencial de produção de produtos orgânicos no acampamento já abastece as grandes redes de supermercado da cidade. São 500 mil kits vendidos de cebolinha, cheiro-verde, além de a mesma quantidade ser escoada para a cidade de alface, maxixe, pimentão e jiló. Ainda, feijão, milho e macaxeira garantem na mesma proporção, em dadas épocas próprias para o plantio, o abastecimento do mercado de Parauapebas.

“Tudo orgânico e sem cobrança adicional por conta disso, como muitos produtores já fazem nas grandes feiras e supermercados”, chama atenção o acampado Alberto Costa. As roças do Frei Henri são organizadas de maneira comunitária. Dessa forma, todas as famílias precisam produzir e consequentemente tiram o seu sustento da atividade agrícola.

*Fonte: Brasil de Fato

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Acusado pelo assassinato de Welbert se entrega à polícia

Por Guilherme Zocchio*

Divo Ferreira, principal acusado de ter realizado o disparo que matou o trabalhador rural Welbert Cabral Costa, foi preso na noite dessa segunda-feira, dia 2, após se entregar à delegacia da Polícia Civil em São Félix do Xingu, no sul do Pará (PA). Acompanhado de um advogado, o suspeito se apresentou às autoridades com um revólver calibre .38, mesma arma que teria sido usada para assassinar a vítima na portaria da Fazenda Vale do Triunfo, situada na zona rural da região. A área é de propriedade da Agropecuária Santa Bárbara, empresa ligada ao Grupo Opportunity, que tem entre os acionistas o banqueiro Daniel Dantas.
Para o delegado Lenildo Mendes dos Santos, responsável por investigar o caso, Divo Ferreira se entregou após as buscas e as investigações terem se intensificado. “Após perceber o cerco da Polícia Civil se fechando, o foragido não aguentou a pressão e se apresentou com o advogado”, afirma. O cúmplice do acusado de ter feito o disparo, Maciel Nascimento, porém, continua foragido. A expectativa dos policiais é de que ele seja detido nos próximos dias. Assim como Welbert, ambos os suspeitos eram funcionários da Agropecuária Santa Bárbara. Os dois tinham mandado de prisão expedido pela Justiça. Os policiais suspeitam ainda da possibilidade de envolvimento no assassinato do trabalhador rural de funcionários de alto escalão da Agropecuária Santa Bárbara. No início das investigações, o delegado Lenildo referendou a hipótese. “Imaginamos que os mandantes podem ser pessoas de alto escalão”, disse.
Welbert Cabral Costa estava desaparecido desde o dia 24 de julho, quando teria sido assassinado depois de reclamar direitos trabalhistas em frente à Fazenda Vale do Triunfo, onde trabalhara. Ele havia se afastado do serviço devido a um acidente, e, segundo o depoimento de familiares da vítima à polícia, não teria recebido um valor de R$ 18 mil referente a indenizações trabalhistas. O trabalhador rural, naquele dia, teria ido à propriedade da Agropecuária Santa Bárbara para cobrar esse dinheiro. Com a entrada barrada na porteira da área, após uma longa discussão, Divo Ferreira teria aparecido na companhia de Maciel Nascimento, executado o trabalhador com um tiro na nuca e, depois, tentado esconder o cadáver em meio ao matagal da região. Segundo a empresa, Welbert estaria com contrato suspenso e recebendo a remuneração pelo INSS, bem como já teria tido integralmente quitada qualquer pendência financeira.

*Leia tudo na página da Repórter Brasil.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Pará: Polícia encontra corpo de Welbert Cabral Costa em fazenda de grupo ligado a Daniel Dantas

O corpo do tratorista Welbert Cabral Costa, desaparecido desde o dia 24 de julho, foi encontrado na tarde desta quinta-feira, 22 de agosto, no interior da Fazenda Vale do Triunfo, localizada na zona rural de São Félix do Xingu, no sul do Pará (PA). A área é de propriedade da Agropecuária Santa Bárbara, empresa ligada ao Grupo Opportunity, que tem entre os acionistas o banqueiro Daniel Dantas. Segundo a Polícia Civil paraense, após denúncia anônima, a equipe coordenada pelo delegado Lenildo Mendes dos Santos, responsável por investigar o caso, conseguiu localizar os restos mortais da vítima a cerca de 20 km da guarita de entrada da propriedade, onde há quase um mês o trabalhador rural teria sido assassinado por reclamar direitos trabalhistas

De acordo com o advogado Rivelino Zarpellon, que acompanha as investigações pela Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), a vítima fora identificada pelo irmão do tratorista. O familiar teria reconhecido as roupas que vestiam o cadáver, dadas de presente pela mãe, bem como uma falha característica na boca, que acompanhava uma prótese dentária. O corpo de Welbert fora encontrado amarrado, fato que levanta as suspeitas de que ele teria sido deslocado do local original para não ser encontrado, desde que o caso ganhou repercussão, conforme informações do integrante da SDDH à Repórter Brasil.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Crônica de um assassinato no campo

Depoimentos de familiares e testemunhas à polícia reconstroem momentos anteriores ao assassinato e desaparecimento do trabalhador rural Welbert Cabral Costa no Pará

Por Guilherme Zocchio
Retrato de Welbert Cabral Costa
(Foto: arquivo pessoal)
Havia acabado de tomar o ônibus em direção a São Félix do Xingu, município vizinho a Xinguara, no sul do Pará (PA). O relógio marcava 7h45 da manhã. A lembrança vinha-lhe com insistência à cabeça, enquanto seguia o percurso da viagem que lhe tomaria pelo menos três horas. “Não se mete na minha vida”, repetia para si mesmo a frase que dirigira, em tom ríspido, ao irmão, César*. Inutilmente, ainda na rodoviária ele tentara lhe convencer a não retornar para a Fazenda Vale do Triunfo, onde Welbert Cabral Costa trabalhava como tratorista e aonde agora voltava para reclamar uma quantia em torno de R$ 18 mil, valor referente a direitos trabalhistas não remunerados enquanto esteve de licença por conta de um acidente.

De zombaria, os colegas de serviço chamavam-lhe de “Beliche”, desde que havia caído do segundo andar da cama do alojamento do trabalho. Estava no emprego há pouco tempo: começara em maio. Com o braço machucado, teve de se afastar. Agora que estava de retorno, mal sabia o trabalhador rural, porém, que deveria dar crédito às suspeitas do irmão. Welbert seria assassinado na noite daquele mesmo dia, 24 de julho de 2013, na porteira de entrada da fazenda. Receberia um único e frio tiro na nuca, aos mesmos moldes de uma execução, após ser impedido de ingressar no local. Até esta quarta-feira, dia 14, seu corpo continua desaparecido.

Embora pudesse não saber, lidava com gente poderosa. A Agropecuária Santa Bárbara Xinguara — dona da Fazenda Vale do Triunfo — tem entre seus acionistas o Grupo Opportunity, ligado ao banqueiro Daniel Dantas. A empresa é uma das maiores criadoras de gado para corte do Brasil e já foi acusada por crimes ambientais, grilagem de terras e trabalho escravo. Possui hoje mais de meio milhão de cabeças de gado, distribuídas entre seus 500 mil hectares de terra, uma área equivalente a três vezes o município de São Paulo. Tanto o Opportunity quanto Dantas aparecem, entre outros episódios, na Operação Satiagraha, deflagrada no começo de 2004 para investigar um grande esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas. Além disso, a região, no sul do Pará, é conhecida pela pistolagem e frequentes ameaças e assassinatos de camponeses

No entanto, soubesse qualquer coisa sobre o momento de morte, talvez o ser humano desistisse da vida. Na última vez em que Welbert esteve com a família, pai, mãe, tio, irmãos, esposa e seus três filhos, o maior com apenas cinco anos de idade, o irmão já havia lhe avisado, antes de partir em viagem, sobre os cuidados com uma estranha proposta que recebera. Um gerente da fazenda informara ao tratorista que negociaria um acordo referente ao dinheiro por receber na sede da propriedade, situada na zona rural de São Félix do Xingu (PA). “Ninguém faz acordo no meio do mato”, alertara César, depois de afirmar que um acerto do tipo deveria ocorrer no escritório da empresa, logrado em Redenção (PA), município das redondezas, e não em algum canto escuro de um latifúndio qualquer.
No ônibus para São Félix, o celular toca. Dessa vez, era a sua irmã Janaína* quem falava. Insistia no mesmo ponto do irmão, a pedido da mãe. Seus familiares queriam convencê-lo de desistir da ideia. “Isso tudo tá muito estranho”, dizia. Sem sucesso. Welbert estava determinado a seguir em frente. Não haveria por que desistir, afinal, já estava perto; chegava a São Félix e agora só precisaria providenciar um meio de transporte até a fazenda. “Prometo voltar amanhã [dia 25 de julho]”, respondeu-lhe. Encerrou afirmando que poderia ser encontrado em um número de telefone qualquer e desligou.

Por R$ 100 alugou o veículo de um moto-táxi local. Devolveria a motocicleta ao proprietário assim que voltasse da fazenda com as pendências trabalhistas resolvidas. Seria, entretanto, a última vez que pegaria a estrada vivo. Mais cinco horas de viagem e outras tantas de discussão à porta da fazenda separavam o tratorista do disparo que colocaria, contra a própria vontade, um ponto final na reivindicação de direitos trabalhistas.

Chegou à portaria de entrada da Fazenda Vale do Triunfo às 17h30. “O senhor não pode entrar. Deram-me ordem para não te deixar passar”, disse um segurança local, barrando-lhe o acesso. Irritou-se. Viera de Xinguara (PA) somente para tratar disso. Não poderia ser tão difícil. Só precisava cobrar o que lhe deviam na sede da propriedade, pegar a moto para voltar à cidade, devolver o veículo emprestado e então comprar na rodoviária as passagens de volta para casa. Nada mais, nada menos. Deveria ser simples. Exaltado, insistiu que tinha de resolver a situação; que a empresa lhe devia dinheiro; que um gerente da Santa Bárbara havia lhe chamado até lá para resolver isso; que não era pouca coisa; que o valor girava em torno de R$ 18 mil; que precisava entrar; e que não sairia de lá… Em vão. Enquanto Welbert repetia os motivos, o guarda requisitava apoio pelo rádio.

Um carro surge, e então dois homens descem de uma camionete S-10 branca. Eram Maciel Nascimento e Divo Ferreira. Este parecia carregar algo protuberante no bolso. Dizia-se na região que costumava andar armado. Eles continuaram a impedir a entrada de Welbert, e o primeiro segurança que lhe havia impedido de entrar vai embora. O tratorista volta a argumentar. O tempo passa. Nada se resolve. A discussão continua. Ele tinha de resolver a situação. Lembrou à dupla que a empresa lhe devia dinheiro; que um gerente da Santa Bárbara havia lhe chamado até lá para resolver as coisas; que não era pouca coisa; que o valor girava em torno de R$ 18 mil; que precisava entrar; que não sairia de lá… Anoitecera. Já era 19h, e Welbert então é rendido no escuro. Sua última lembrança seria um frio pedaço de ferro encostado à nuca.
Testemunha e investigação
A certa distância da portaria da Fazenda Vale do Triunfo, uma testemunha ouvia algo semelhante ao disparo de uma arma de fogo. Ao longe, viu Divo Ferreira baixando o braço com algo em punho e Welbert caído ao chão. Junto ao homem, outra pessoa colocava o Welbert na caçamba da S-10 branca. Os dois entram na camionete e vão embora pela estrada escura. O desaparecimento do tratorista teria se desenrolado nesses moldes, de acordo com os depoimentos — obtidos pela reportagem — de testemunhas e pessoas ligadas ao trabalhador rural cedidos à Polícia Civil do Pará, que segue investigando o caso. Os relatos levantam a hipótese de que o corpo de Welbert teria sido jogado em alguma vala no caminho que liga a cidade ao lugar na zona rural por onde a fazenda se estende.

Nos últimos dias 10 e 11, os policiais realizaram uma diligência nas imediações da propriedade para procurar pelo cadáver da vítima e provas do crime. Segundo o delegado à frente das investigações, Lenildo Mendes dos Santos, pelo menos duas armas de fogo e cartuchos dos mais variados calibres foram apreendidos no local. A presença de outras munições levantou a suspeita da presença de ainda mais armamentos ilegais nas imediações da propriedade. Divo Ferreira e Maciel Nascimento, acusados de terem executado o assassinato, estão foragidos. Autoridades pediram prisão preventiva dos dois. Lenildo acredita no envolvimento de dirigentes da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara no caso. “Imaginamos que os mandantes podem ser pessoas de alto escalão”, afirma.
Fonte: Repórter Brasil -  Com colaboração de Stefano Wrobleski

*nomes fictícios para preservar as identidades

sábado, 10 de agosto de 2013

São Félix do Xingu: Trabalhador rural é assassinado em fazenda do Grupo Santa Bárbara, denunciam entidades.

A Comissão Pastoral da Terra-PA, a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos e a Comissão de Direitos Humanos da OAB/PA denunciam o assassinato de Welbert Cabral Costa, no interior da Fazenda Vale do Triunfo, do Grupo Santa Bárbara, no Município de São Félix do Xingu. Embora a Polícia ainda não tenha encontrado o corpo, há uma testemunha ocular, que presenciou o funcionário da fazenda, Divo Ferreira, disparar um tiro na nuca de Welbert.

O assassinato frio e covarde se deu por um desentendimento relacionado a direitos trabalhistas e informações de moradores da região e funcionários dão conta de que este não é o primeiro homicídio pela mesma motivação e com as mesmas características.

A presença do Grupo Santa Bárbara na região, maior agropecuária do Brasil e segunda do mundo, possuidora 500 mil hectares de terra e 550 mil cabeças de gado, tem sido alvo de frequentes denúncias da CPT em conflitos agrários. Recentemente, a CPT de Marabá e a Fetragri/Sudeste denunciaram que a Fazenda Castanhal, também do Grupo Santa Bárbara, localizada no Município de Piçarra, usava jovens delinquentes para fazer a segurança da fazenda com armas pesadas; foi instaurado inquérito, porém sem qualquer conclusão ainda.

Welbert tinha 26 anos e deixou esposa e quatro filhos pequenos. Seu corpo ainda não foi encontrado e as investigações iniciais foram feitas pela própria família, até que o Delegado Lenildo Mendes dos Santos assumiu o caso e esclareceu os fatos, porém não está recebendo o apoio da Polícia Civil para encontrar o corpo e realizar outras diligências necessárias para a conclusão das investigações.

A família de Welbert, desesperada, reclama o corpo. A testemunha ocular do crime está amedrontada e sente-se ameaçada já que sabe que crimes com estas características são comuns naquela fazenda. O próprio Welbert já havia relatado para a família que presenciou um operador de trator ser assassinado com as mesmas nuances a que viria a ser vítima, motivo pelo qual, acredita-se, existir um cemitério clandestino dentro da Fazenda Vale do Trinfo, onde o corpo de Welbert fora ocultado.

As entidades abaixo assinado:
- denunciam o assassinato do trabalhador rural Welbert Cabral Costa, na fazenda Vale do Triunfo, do Grupo Santa Bárbara
- exigem, do Delegado Geral da Policia da Policia Civil e do Secretaria da Segurança Publica do Para imediatamente e com a máxima urgência que sejam feitas buscas no interior da referida fazenda para encontrar o corpo de Welbert, para que as investigações sejam concluídas. 

Xinguara, 9 de agosto de 2013

Comissão Pastoral da Terra-PA
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos 
Comissão de Direitos Humanos da OAB/PA 
Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Pará – Fetagri
Movimento dos Sem Terra-MST-PA


Leia no sítio da Repórter Brasil: Onde está Welbert?

terça-feira, 14 de maio de 2013

Daniel Dantas: mais um grileiro da Amazônia, acusa CPT


O departamento jurídico da Comissão Pastoral da Terra - CPT da Diocese de Marabá, acaba de concluir um estudo, realizado em 04 (quatro) das mais de 50 fazendas pertencentes ao Grupo Santa Bárbara, o qual aponta que 71,81 % da área que compõe os quatro imóveis é composta por terras públicas federais e estaduais. O estudo foi feito nas fazendas: Cedro e Itacaiúnas (localizadas no município de Marabá), Castanhais e Ceita Corê (localizadas nos municípios de Sapucaia e Xinguara). Os quatro imóveis juntos, possuem uma área total de 35.512 hectares e de acordo com o levantamento feito, desse total, 25.504 hectares não há qualquer comprovação documental de que tenha havido o regular destaque do patrimônio público para o particular, ou seja, mais de 2/3 da área é constituída de terras públicas federais e estaduais.

Em relação à Fazenda Cedro, se apurou que o imóvel de 8.300ha é formado por seis áreas distintas: área 01 com 1.014,82 ha; área 02 com 4.430,42ha; área 03 com 1.15,25ha; área 04 com 791,40ha; área 05 com 520,40ha e área 06 com 528ha. Das seis áreas que compõe o complexo, há documentação legítima apenas das área 3 e 4, totalizando 1.543,25 hectares ou seja 22,8% do imóvel. O restante, 78,02% trata-se de terras públicas do Estado do Pará. O ITERPA e a Ouvidoria Agrária Nacional já foram informados da situação e um processo foi instaurado para apurar o caso.

Sobre a Fazenda Itacaiúnas a situação não é diferente. O imóvel de 9.995ha é composto por 05 (cinco) áreas distintas: área 01 com 3.612ha; área 02 com 2.169ha; área 03 com 2.084ha; área 04 com 1.585ha e área 05 com 489ha. Das cinco áreas que compõe o complexo, há documentação legítima apenas das áreas 2 e 3, totalizando 4.253 ha ou seja 42,55% do imóvel. O restante, 58,45% trata-se de terras públicas federais. Essa parte do estudo já foi encaminhada ao Juiz da Vara Agrária onde tramita o processo da Fazenda Itacaiunas.

Já em relação às Fazendas Castanhais e Ceita Corê que juntas totalizam 17.224 hectares, a fraude para se apropriar da terra pública foi ainda mais escandalosa. Utilizando apenas um título com área de 4.356 ha, expedido pelo Estado do Pará em 1962, se forjou matrículas de outros 12.868 ha que formaram a maior parte das duas fazendas citadas. Ou seja, 74,71% do total da área das duas fazendas é composta de terras públicas federais, ilegalmente ocupadas pelo Grupo Santa Bárbara. O Ministério Público Federal será acionado para adotar as medidas legais que o caso requer.

O Grupo Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas, nos últimos anos comprou mais de 50 fazendas na região com área superior a 500 mil hectares. Grande parte dessas áreas são constituídas de terras públicas federais e estaduais. Contudo, nem o INCRA e nem o ITERPA tem adotado qualquer medida legal para arrecadar as terras e destiná-las ao assentamento de famílias de trabalhadores rurais sem terra, conforme determina o artigo 188 da Constituição Federal, pois seus supostos [e falsos] proprietários são apenas meros detentores dos imóveis, haja vista a proibição constitucional de posse de particulares sobre bens públicos. Há seis anos que cerca de 650 famílias ligadas ao MST e a FETAGRI estão acampadas em quatro fazendas do grupo Santa Bárbara (Cedro, Itacaiúnas, Maria Bonita e Castanhais), esperando serem assentadas. Os 25.504 hectares de terras públicas ocupados ilegalmente pelo Grupo dariam para assentar cerca de 600 famílias.

Nos últimos 5 anos, seguranças e pistoleiros do Grupo Santa Bárbara, já assassinaram um trabalhador sem terra e feriram à bala outros 33, nas ocupações em suas fazendas. O Grupo tem sido também, frequentemente, denunciado por despejo ilegal, uso de veneno pulverizado por avião, contratação de pistoleiros e uso ilegal de armas de fogo, com o objetivo de expulsar as famílias que ocupam 5 de suas mais de 50 fazendas na região.

Fonte: Comissão Pastoral da Terra - CPT da diocese de Marabá

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Trabalhadores ocupam fazenda paraense ligada a grupo do banqueiro Daniel Dantas


Por: Alex Rodrigues

Cerca de 400 integrantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) no Pará ocupam, desde domingo  (9), a Fazenda Itacaiúnas, da Agro Santa Bárbara, pertencente ao Grupo Opportunitty, do qual o banqueiro Daniel Dantas é um dos principais acionistas.

Segundo a assessoria do grupo agropecuário, os manifestantes chegaram à tarde e controlaram toda a propriedade, de cerca de 10 mil hectares – 1 hectare equivale às medidas de um campo de futebol oficial –, não permitindo que os funcionários entrassem na fazenda ou saíssem de lá. Nesta manhã (10), o grupo deu um ultimato para que todos os funcionários deixassem suas casas até o meio-dia. Ainda de acordo com a assessoria da Agro Santa Bárbara, o grupo ameaçou destruir as moradias, elevando a tensão. A polícia foi chamada.

De acordo com o secretário-geral da Fetagri no estado, Francisco de Assis Soledade, a ocupação foi coordenada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marabá, que é ligado à federação. O objetivo do grupo é forçar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a desapropriar a área para fins de assentamento rural.

“As famílias estão esperando há mais de um ano que o Incra cumpra o compromisso assumido pelo seu presidente, que esteve na região, reuniu-se com o grupo e prometeu que, até julho de 2011, a fazenda seria desapropriada e um projeto de assentamento instalado. Na ocasião, todos achamos que o acordo seria cumprido, mas, desde então, nada foi feito”, disse Soledade à Agência Brasil.

Localizada a cerca de 40 quilômetros do centro de Marabá, no sudeste paraense, a Fazenda Itacaiúnas é uma das várias propriedades do grupo alvo da ação de movimentos sociais, que reivindicam a desapropriação das áreas para reforma agrária. Em 2009, a Justiça chegou a determinar o confisco de 27 fazendas de Dantas, em decorrência da Operação Satiagraha, deflagrada pela Polícia Federal em 2008. A decisão, contudo, foi anulada em janeiro deste ano.

No último dia 21, ao menos 12 pessoas ficaram feridas durante um confronto entre trabalhadores e homens contratados pela empresa para cuidar da segurança da Fazenda Cedro, localizada a cerca de 50 quilômetros de Marabá. Desde 2009, cerca de 300 famílias sem terra permanecem acampadas em uma parcela do complexo, cuja sede é a própria Cedro, que reúne outras áreas, totalizando, segundo a assessoria do grupo, cerca de 14 mil hectares.

Em seu site, a Agro Santa Bárbara diz ter começado a atuar no estado em 2005, por ter encontrado ali as condições climáticas e geográficas ideais para o desenvolvimento do rebanho, atualmente distribuído por cinco unidades de produção que, juntas, somam mais de 500 mil hectares de terra, cada qual com capacidade para criar acima de 100 mil animais.

Fonte: Agência Brasil – EBC - Edição: Nádia Franco

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Marabá, Pará: Capangas baleiam 20 militantes do MST


20 pessoas estão feridas a bala na fazenda Cedro, em Marabá, sudeste do Pará.  Militantes acusam os capangas da fazenda pelo ataque. O clima no lugar é tenso. O indicativo é resistir. Uma bala atingiu a cabeça de uma criança de colo e uma mulher. 

A fazenda foi ocupada por 240 famílias ligadas ao MST. A área é objeto de imbróglio jurídico que envolve o estado, a família Mutran e o grupo Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas, imortalizado pela sua esperteza no mundo dos negócios do mercado financeiro e investigação da Polícia Federal.

Fonte: Rogério Almeida, do blog Furo.


Leia: Nota do MST-Pará e CPT sobre o conflito

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Pará: Fazenda com escravos é controlada por família de Daniel Dantas




A irmã do banqueiro Daniel Dantas, Verônica Dantas, seu ex-cunhado, Carlos Bernardo Torres Rodenburg, e o ex-diretor do Grupo Opportunity, Rodrigo Otávio de Paula, são os responsáveis pela fazenda onde foram libertadas 5 pessoas em situação análoga à de escravos no Pará. Entre os resgatados estava um adolescente de 16 anos que construía cercas manuseando instrumentos cortantes, tarefa que consta na lista de piores formas de trabalho infantil da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A libertação foi realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Polícia Rodoviária Federal em fevereiro deste ano. A participação dos três na direção da Agropecuária Santa Bárbara, empresa que administra terras na região, foi confirmada em documento protocolado por advogados do grupo no Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, em 28 de março, após exigência da Justiça.

Leia mais na matéria de Daniel Santini para a Repórter Brasil 

quinta-feira, 29 de março de 2012

Governo do Pará é acusado de tentar regularizar terras para o banqueiro Daniel Dantas


O governo do Pará está negociando áreas públicas por preço abaixo do valor de mercado. As terras, correspondentes às fazendas Espírito Santo e Mundo Novo, foram repassadas à família Mutran, na década de 1950, em forma de concessão, o que impedia que as áreas fossem transferidas para o patrimônio privado.

Contudo, as áreas foram transferidas por meio de contratos de promessa de compra e venda dos imóveis com as empresas Alcoçaba Participações Ltda e Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A, esta última pertencente ao grupo Opportunity, que tem como um de seus sócios o banqueiro Daniel Dantas.

Como as áreas atualmente estão com matrículas bloqueadas a partir de ação judicial, o governo do Estado estaria tomando medidas visando “regularizar” os imóveis. Confira abaixo na nota da Comissão Pastoral da Terra.


COMISSÃO PASTORAL DA TERRA - CPT


Rua Pau Brasil, 40 Caixa Postal 57 CEP 68 555-340 - Xinguara–PA
Tel. (094) 3426 1790 Telefax (094) 3426 1395 –
 E-mail : cptxgapa@terra.com.br


O ESTADO DO PARÁ ESTÁ DILAPIDANDO PATRIMONIO PÚBLICO
O Estado do Para está fazendo acordo com a família Mutran e o grupo Santa Bárbara, de Daniel Dantas, para vender ilegalmente terras públicas a preço de “banana”

O Estado do Pará, que deveria reaver e retomar as áreas públicas, correspondente às fazendas Espírito Santo e Mundo Novo, localizadas no Sul do Para, que foram ilegalmente destacadas do Estado, está vendendo essas terras a preço de irrisório, bem abaixo do valor de mercado, dilapidando o próprio patrimônio.

Em 09 de junho 2010, o Estado do Pará ingressou com Ações Civis Públicas perante a Vara Agrária de Redenção, para reaver essas terras do Estado, contra Benedito Mutran Filho, Cláudia Dacier Lobato Prantera Mutran, Alcobaça Participações Ltda e Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A, esta pertencente ao grupo Opportunity, que tem como um de seus sócios o banqueiro Daniel Dantas. Em razão dessas ações, essas áreas estão com os suas matriculas bloqueadas no cartório de registro de imóveis de Xinguara.

Essas terras foram concedidas no final da década de 50 à família Mutran, por aforamento, isto é, para coleta de castanha-do-Pará, onde o Estado permitia a exploração da castanha, sem contudo transferi-la do patrimônio público ao privado.

Entretanto, esta atividade original do aforamento, a extração de castanha-do-pará, foi deixada de lado, sem a autorização do Estado, para a atividade pecuária, inclusive com desmatamento de grande parte das áreas e exploração de madeira.

Benedito Mutran Filho, antes mesmo de obter o ato de alienação definitiva dessas fazendas, o que supostamente ocorreu no dia 28 de dezembro de 2006, fez contratos de promessa de compra e venda dos imóveis em 09 de setembro de 2005 às empresas Santa Bárbara e Alcobaça. Na época, o ato de alienação concedido pelo Iterpa em favor de Benedito Mutran Filho foi realizado sem qualquer autorização do chefe do Poder Executivo, o Governador, o que caracteriza a sua nulidade.

O que é muito mais grave é que, apesar de ter sido o próprio Estado do Pará quem ingressou com as ações para reaver essas terras públicas, este mesmo Estado firmou acordo com Benedito Mutran nos processos, para vender as mesmas a um valor muito abaixo do valor de mercado, a preço de “banana”, chegando a ser até mais de 13 vezes menor que o valor que elas realmente valiam. Por exemplo, a fazenda Mundo Novo que o Estado do Pará vendeu no acordo a Benedito Mutran pelo valor aproximado de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais), foi vendida pelo mesmo Mutran ao Grupo Santa Bárbara por mais de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais). Valor esse que chega a ser 13 vezes maior do que o Estado do Pará vendeu.

Não bastassem essas gravíssimas ilegalidades e irregularidades, os Procuradores do Estado do Pará estão prevendo no acordo, honorários de R$ 100.000,00 (cem mil reais) para sua Associação particular, portanto se beneficiando pessoalmente com o acordo.

O que o Estado do Pará ganha em vender suas terras a preço tão irrisório?

O acordo já foi celebrado, faltando apenas o juiz da Vara Agrária de Redenção homologar.

Diante disso, para preservar o interesse e o patrimônio público exige-se:

1. A não homologação do acordo pelo poder judiciário, vez que assim o fazendo, o judiciário estaria sendo conivente com as ilegalidades e irregularidades dos processos.

2. A atuação do Ministério Público Estadual e Federal que deve agir de maneira exemplar para zelar pelo patrimônio público e investigar e denunciar as ilegalidades do processo.
Xinguara, 26 de março de 2012.

Comissão Pastoral da Terra de Xinguara, Sul do Pará

Comissão Pastoral da Terra de Marabá, Sudeste do Pará

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Enquanto isto: Justiça devolve 27 fazendas de Daniel Dantas


A Justiça Federal suspendeu o sequestro das 27 fazendas e 450 mil cabeças de gado do banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity. As fazendas estão espalhadas em quatro estados: 23 no Pará, duas em Mato Grosso, uma em Minas e uma em São Paulo. O patrimônio estava sob regime de arresto desde julho de 2009, no âmbito da operação Satiagraha – investigação sobre supostos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A Satiagraha foi declarada nula em 2011 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e todas as provas colhidas pela Polícia Federal foram arquivadas. A ordem para a devolução dos pastos e do rebanho foi do juiz Douglas Camarinha Gonzales, da 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo, que afirmou que decisão judicial não se discute, cumpre-se. 

As informações do Jornal “O Estado de São Paulo”

sexta-feira, 4 de março de 2011

O falante Greenhalgh: Lula como refém de Dilma e Heloísa Helena controlando o MST

Os últimos documentos revelados pelo Wikileaks mostram a facilidade com a qual os membros das embaixadas americanas têm acesso aos membros do governo, líderes de partidos e importantes figuras do meio empresarial e político do Brasil.

Um deles é o advogado e ex-deputado petista, Eduardo Greenhalgh que ficou conhecido ao atuar na defesa de vários presos políticos durante o regime militar (inclusive de Lula) e mais recentemente, como advogado do banqueiro Daniel Dantas, inclusive com denúncias de lobby junto ao governo do Pará, feito pela então governadora Ana Júlia Carepa (Veja em Carta Capital que trás "denúncias" de Ana Júlia).

O blog da jornalista Natalia Viana publicou esta semana que documentos de conversas em 2006 de Greenhalgh com representantes do governo dos EUA no Brasil.  

Chama atenção, além da desenvoltura do petista com os americanos, as teorias do mesmo em relação ao papel de Dilma junto ao governo Lula durante a crise do mensalão;  uma suposta influência do PSOL nos atos mais radicalizados do MST; a banalização do caixa dois nas eleições e a tese do crime comum no caso Celso Daniel.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

É a treva...

Depois de tantas bobagens e preconceitos com temas como aborto e nordestinos durante as eleições vem agora a decisão da condenação do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, eleito deputado federal pelo PCdoB de São Paulo.

Veja em Protógenes é condenado a três anos de prisão por crimes na Operação Satiagraha

O crime de Protógenes: ter prendido o banqueiro Daniel Dantas por estelionato (desculpem a redundância). O Brasil realmente está de ponta a cabeça!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O INCRA está com medo de vistoriar as 52 fazendas do Dantas?

O Blog Conversa Afiada recebeu do amigo navegante João o seguinte e-mail:

Essas informações foram obtidas de forma reservada da própria procuradoria do Incra. E olha que o tal “fazendeiro” tem apenas 56 Fazendas compradas na região nos ultimos três anos.E três delas estão ocupadas por diversos movimentos sociais na região: MST, Fetraf e STR.

ÁREAS DE DANIEL DANTAS
1 – Aproveitando-se da ocasião em que tramita o processo na Justiça Federal de São Paulo contra o banqueiro Dantas, a Procuradoria do Incra pediu, formalmente, para vistoriar as áreas dele nos Estados de MT, SP e PA, e o pedido foi deferido pelo Juiz Fausto De Sanctis;

2 – Com a autorização judicial para vistoriar, o Incra tentou se mover nessa direção, porém, houve todo um contra ataque do Dantas, representado por seu advogado Diamantino. A chefe da Procuradoria da Superintendencia Regional de Marabá (aonde estão localizadas as Fazendas ) enfrentou os advogados de Dantas em audiência na Vara Agrária de Marabá, citando-os para a vistoria, conforme exige o procedimento. Após, essa audiencia, estranhamente um ministro do Supremo – quem seria ? – ligou para o Ministro do Ministério do Desenvolvimento Agrário, reclamando da Procuradora. Este falou para o Presidente do Incra que então repassou a pressão para a Procuradoria do Incra.

3 – Existe a decisão judicial que autoriza o Incra a vistoriar as áreas. Se não o fizer logo, podem derrubar a decisão. O problema é que a Sup. Regional do Incra de Marabá de três uma, ou as três juntas: ou não tem competência, ou não tem força política, ou não tem vontade de fazer.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sem Terra ocupam Incra em Marabá por Reforma Agrária

Mais de 1300 famílias de trabalhadores e trabalhadoras ocupam a sede da superintendência do Incra, em Marabá, no Pará, desde a manhã de hoje.

Os trabalhadores reivindicam o assentamento imediato das fazendas famílias que vivem em fazendas ocupadas.

Em duas delas, os Sem Terra estão há mais de cinco anos.

Até o momento, o Incra não cumpriu com a sua obrigação de vistoria e desapropriação.

As fazendas reivindicadas pelas famílias organizadas pelo MST são Cedro, Maria Bonita e Espírito Santo, de controle da Agropecuária Santa Barbara, do Grupo Oportunity.

Além dessas áreas, os trabalhadores reivindicam a Fazenda Rio Vermelho, Vera Cruz, Nossa Senhora de Fátima e Colorado do Grupo Quagliato, e Peruana, do Evandro Mutran, e São Luis, área em conflito com a companhia mineradora Vale.

Todas essas fazendas são áreas publicas da União, que devem ser retomadas e destinadas para a Reforma Agrária, como determina a Constituição.

As famílias denunciam também a prática de violência em todas as fazendas por pistoleiros e seguranças armados.

Na fazenda Piratininga, madeireiros criam conflitos com as famílias acampadas e, depois de denúncias, nenhuma autoridade se manifestou para a resolução do problema.

As famílias acampadas exigem a presença imediata do presidente nacional do Incra e do presidente do Iterpa para iniciar as negociações.

Fonte: MST

sábado, 15 de maio de 2010

Vale ler e baixar: “Pororoca pequena: marolinhas sobre a (s) Amazônia (s) de cá”


No endereço http://www.ecodebate.com.br/pdf/livro.pdf e na barra lateral do blog está disponível para leitura e para baixar (em pdf.) o livro “Pororoca pequena: marolinhas sobre a (s) Amazônia (s) de cá”, do jornalista e professor Rogério Almeida, do blog Furo

O livro traz uma excelente e atual abordagem sobre os grandes projetos na região Amazônica, no período de 2003 a 2009.

O prefácio do professor Jean Hébette dar uma tônica do livro:

Em “Pororoca pequena marolinha sobre a(s) Amazônia(s) de cá”, o jornalista Rogério Almeida, bem conhecido entre nós por sua militância junto aos movimentos sociais no campo pinta uma paisagem das contradições sociais e políticas que nos afetam, à nós, moradores da imensa Amazônia irrigada por uma igualmente imensa bacia hidrográfica. Tão imensa e diversificada do ponto de vista físico, econômico, social, político e, principalmente, cultural, que autores – notadamente geógrafos, como Ariovaldo de Oliveira – a desdobram, como Rogério Almeida prefere desdobrá-la - o que lhe permite não esconder sua particular simpatia pela Amazônia dos rios Tocantins e Araguaia, como se estes dois afluentes do Amazonas, já por só imensos, oferecessem uma espécie de síntese de todas elas. (...)’.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Frases

"A Operação Satiagraha surpreendeu o país. Nem tanto pelos crimes (corrupção, lavagem de dinheiro e outros), velhos conhecidos de todos, mas sim pelas manifestações de autoridades e de instituições públicas e privadas em defesa dos investigados. Nunca se viu tamanho massacre contra os responsáveis pela investigação e julgamento do caso. Em vez do apoio à rigorosa apuração e punição, buscou-se desacreditar e desqualificar a investigação criminal colocando em xeque, com ataques vis e informações orquestradas e falaciosas, o sério trabalho conjunto do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, bem como a atuação da Justiça Federal.", diz parte do artigo da Procuradora da República Janice Agostinho Barreto Ascari intitulado "A Justiça na UTI" publicado nesta quinta-feira. Leia tudo em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2412200909.htm

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Solicitação de apoio do MST do Pará

Companheiras e companheiros, entidades, instituições, amigas e amigos do MST/PA,
Este ano de 2010 que se inicia já traz a marca de quanto precisamos nos organizar e lutar para combater as injustiças, enfrentar o latifúndio e o agronegócio na região Amazônica e garantir a dignidade do povo paraense e Amazônida.


A Jornada de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, organizada pelo MST-PA, em novembro de 2009, teve o objetivo de denunciar as milícias armadas que continuam ameaçando as famílias acampadas no estado. Estas mesmas milícias que balearam mais de 18 trabalhadores somente em 2009.

Denunciamos também a grilagem e roubo de terras pelos banqueiros e utilizando lavagem de dinheiro, como as terras ‘ditas’ do Grupo Agropecuária Santa Bárbara, ligadas ao Banco Opportunity e ao banqueiro Daniel Dantas e ainda pressionar o governo para que realize a Reforma Agrária neste estado, que consiste em assentar as famílias que estão acampadas e garantir as políticas públicas nos assentamentos.

O setor reacionário do estado, juntamente com o próprio governo perseguiu e criminalizou o MST. Por isso, iniciamos o ano com quatro lideranças do MST/PA com mandado de prisão preventiva. Moisés Jorge Costa da Silva e Márcio Borges, acampados que estavam na Jornada de lutas do MST; Charles Trocate e Maria Raimunda César cujo mandado de prisão foi decretado pelo juiz da Comarca de Curionópolis, porém com pedido público da governadora do Estado do Pará Ana Júlia Carepa. Iniciamos o ano ainda com ameaças de lideranças indígenas, sindicais e de outras organizações que não tem medo de ousar e lutar por um novo estado, por uma nova sociedade.

O MST PA se solidariza com as companheiras e os companheiros que continuam carregando o legado e seguindo a trajetória de luta e organização da classe trabalhadora, bem como vem agora, pedir solidariedade a vocês que compartilham destas idéias e também das práticas revolucionárias do nosso tempo a fim de transformar radicalmente a sociedade.
Continuamos nos organizando, organizando o povo Sem Terra e nos preparando para este período que virá.

Repudiamos a perseguição política do governo do Estado do Pará aos Movimentos Sociais e às suas lideranças.

Também repudiamos as práticas do poder judiciário e da imprensa burguesa, que têm se unido para agir contra a organização dos trabalhadores e trabalhadoras.

Pedimos que as companheiras e os companheiros, as entidades, as instituições, os coletivos organizados, as amigas e os amigos do MST - PA escrevam cartas, mensagens e notas de repúdio à governadora do Estado do Pará Ana Júlia Carepa, bem como carta (em anexo) à Desembargadora que está com o processo de Maria Raimunda e Charles:

Governadora do Estado do Pará:
anajuliacarepa@ gmail.com
Ao Chefe da Casa Civil:
cputy@yahoo. com
Ao Núcleo de Relações com a Sociedade Civil, da Casa Civil:
nrsc.palacio@ yahoo.com. br
Desembargadora Albanira Lobato Bemerguy
Tribunal de Justiça do Estado do Pará
Secretaria das Câmaras Criminais Reunidas
Av. Almirante Barroso nº 3089 - Bairro: Souza
CEP: 66613-710 - Belém - PA
Belém-PA

Agradecemos pela constante solidariedade de vocês!
Continuamos na luta,

Direção Estadual do MST - PA