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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Sérgio Mendonça mentiu: governo reapresenta proposta salarial a servidores públicos federais!


Contradizendo a si mesmo e ao Secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, que em agosto afirmou que havia encerrado as negociações com as categorias em greve, o governo federal reapresentou na última sexta-feira para várias categorias de pelo menos 11 órgãos proposta de reajuste salarial pra os próximos três anos, em geral entorno de 15%.

Trata-se da mesma proposta já rejeitada por milhares de servidores durante a última greve das categorias. Estariam no rol as duas carreiras de servidores do Incra, e ainda Dnit, DNPM e servidores das agências reguladoras que já rejeitaram a proposta novamente.

Saiba mais na página da Condsef

Nas últimas semanas, o governo vem contabilizando na conta dos servidores da Advocacia Geral da União e aos Agentes da Polícia Federal parte da origem do desgaste político gerado pelo escândalo da compra de pareceres. A reapresentação da proposta tentaria assim conter outros focos de insatisfação que toma conta da administração pública. 

Servidores do Incra decidem até esta quarta-feira, 12 de dezembro, se aceitam ou rejeitam novamente a proposta de aumentos escalonados até 2015.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Frases


"Conforme conversamos, envio o meu currículo para as articulações políticas necessárias.
Tenho preferência pelos seguintes cargos:

1) Superintendente da Superintendência Regional do Dnit nos Estados do Pará e Amapá [...]
2) Superintendente da Superintendencia Regional do INCRA no Estado do Amapá [...]
3) Secretário da Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades [...]
4) Secretário Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento [...]
5) Secretário Executivo do Ministério do Turismo [...]
6) Superintendente da FUNASA no Estado do Amapá [...]
7) Superintendente do IBAMA no Estado do Amapá [...]"

Trecho de email de autoria de Evandro Gama, interceptado pela Polícia Federal e originalmente destinado a Paulo Rodrigues Vieira, acusado de chefiar um esquema de corrupção e fraudes em pareceres técnicos. Vieira ocupava o cargo de diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA) do qual foi exonerado após sua prisão.
Á imprensa, Evandro Gama declarou que não cometeu irregularidade e disse que pedir favores é uma prática comum em Brasília. Segundo ele, em Brasília não basta ter qualificação técnica para o cargo - é preciso ter indicação política.

Saiba mais no G1

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Servidores expulsos do Incra somam 48 nos últimos 8 anos


Uso do cargo para proveito pessoal ou de outrem, aplicação irregular de recursos públicos, ausência do emprego sem anuência da chefia imediata, abandono de emprego, conduta incompatível com a moralidade pública, recebimento de propina, corrupção... Os motivos são os mais variados, mas as consequências foram as mesmas: expulsão de 48 servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária entre os anos de 2005 a 2012.

Levantamento feito pelo blog “Língua Ferina” a partir dos recentes dados divulgados pela Controladoria Geral da União por meio do  Portal Transparência detalha as principais irregularidades e crimes que levaram servidores da autarquia à demissão, bem como a distribuição dos expulsos por cargo e estado.

O "Cadastro de Expulsões da Administração Federal" informa os nomes de servidores federais desligados por conta de demissão, cassação de aposentadoria e destituição de cargo em comissão ou função comissionada e foi desenvolvimento em cumprimento à Lei de Acesso à Informação. O banco de dados contém os nomes, cargos que ocupavam, ano e fundamento dos processos administrativos que levaram os servidores à expulsão e até a o ato de expulsão publicado no Diário Oficial da União.

A relação inicial, com dados até 30 de agosto último, contém 3.027 expulsões aplicadas a 2.552 servidores em todo o  Executivo. Segundo a CGU, o cadastro será atualizado mensalmente.

No Incra, foram 48 servidores retirados da administração pública entre os anos de 2005 a 2012, o que corresponde a 1,88% do total de servidores expulsos, incluindo servidores ativos, inativos, civis e militares.  5 deles foram demitidos ou destituídos mais de uma vez, respondendo cada um deles a dois processos administrativos que geraram estas punições, o que totaliza 53 processos com punições.

O Incra apresenta um número de expulsões superior a órgãos como Advocacia Geral da União (21);  Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (26);  Departamento Nacional de Produção Mineral (18);  Delegacia Regional do Trabalho (37) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (08). Ficou num patamar próximo à Fundação Nacional do Índio (43) e ao Ministério da Agricultura (51). 


Os “recordistas”, ou seja, os órgãos, autarquias e ministérios com maior número de expulsões foram: Ministério da Saúde (106); Secretaria da Receita Federal (118); Polícia Federal (124); Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (160); Fundação Nacional de Saúde (169); Ministério da Fazenda (196); Polícia Rodoviária Federal (245) e  Instituto Nacional de Seguridade Social (814).

Perfis dos punidos do Incra
O detalhamento dos dados dos servidores do Incra foi realizado utilizando as informações por servidor punido e não por processo administrativo. No caso dos servidores com mais de uma punição (mais de um processo), contabilizou-se apenas uma demissão e sempre no ano mais recente, evitando-se também a dupla contabilização de vínculo empregatício e cargos. 

A cada ano, o Incra expulsa em média 6 servidores (efetivos e comissionados), sendo o ano de 2011, um recordista, com 14 expulsões.


Como pode ser evidenciada pelos dois gráficos a seguir, a maior parte dos servidores expulsos do quadro da autarquia por meio de punições administrativas foi de servidores efetivos, ou seja, aqueles admitidos por meio de concursos públicos ou que adquiriram estabilidade após a Constituição de 1988. Os servidores punidos durante o exercício de cargos de confiança foram 12, sendo que 4 deles eram também servidores efetivos.


A demissão foi a principal forma de punição de exclusão e atingiu exclusivamente os servidores estáveis. A destituição corresponde à exclusão dos servidores com cargos comissionados (DAS). Há também (1) um caso de cassação de aposentadoria.


Os estados com maior número de expulsões são pela ordem: Distrito Federal (8); Pará (7);  Rondônia (6) e Amapá (5). No que pese haver expulsões em todas as regiões, a região Norte respondeu sozinha por 52% das expulsões. Nesta região, há grupos de processados oriundos de denúncias famosas que atingiram, por exemplo, a Superintedência do Amapá e a  Operação Faroeste, no Pará.


Os cargos ocupados pelos servidores no momento da expulsão são também bastante diversificados, embora se destaquem 6 Técnicos de Cadastro; 6 Técnicos Agrícolas ou Agropecuários, 5 Assistentes de Administração e 4 Engenheiros Agrônomos, todos do quadro de servidores efetivos. Há ainda, 4 Superintendentes Regionais, 2 Chefes de Divisão e 2 Chefes de Unidades Avançadas destituídos do cargo que ocupavam. 

  
As punições se basearam na  Lei 8.112 de 11 de dezembro de 1990 que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais e na  Lei 8.429 de 02 de junho de 1992 que dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional.

Em praticamente todos os casos, os expulsos responderam a um conjunto de acusações, a exceção de dois casos de abandono de emprego. Há servidores que foram punidos com base no mesmo fundamento legal mais de uma vez.

Foram 46 acusações de uso do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da função pública (Artigo 132, item IX da Lei 8.112); 35 acusações de improbidade administrativa (Artigo 132, item IX da Lei 8.112) e 21 casos em que houve crime contra a administração pública (Artigo 132, item I da Lei 8.112).

As denúncias de não exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo atingiram 21 casos; não observância das normais legais e regulares em 24 casos; falta de lealdade para com a instituição em 25 casos. Estes e outros artigos da Lei 8.112 geralmente não aparecem isolados e sim sempre vinculados a outras denúncias. 

Em relação à Lei 8.429, as principais acusações levantadas no banco de dados da CGU em relação aos servidores expulsos do Incra foram:
a)  Facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades (13 casos);
b)  Receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou presente de quem tenha interesse direto ou indireto, que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público (12 casos);
c)  Praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência (11 casos);
d)  Permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades (8 casos).

Outras acusações chamam atenção não pela quantidade de ocorrências, mas por elas em si: 03 casos de ausência do trabalho sem anuência do chefe; 04 casos de punições por não cumprimento de ordens superiores; 04 casos por não levar ao conhecimento de autoridades superiores irregularidades que teve ciência em razão do cargo; 04 casos de uso de pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares; 05 casos de exercício de atividades incompatíveis com o exercício do cargo ou função no horário do trabalho; 07 casos de retardamento ou deixar de praticar ato de ofício.

Verificaram-se ainda casos que extrapolam a esfera administrativa e que certamente resultaram ou deveriam resultar em processos criminais: 05 casos de lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional; 7 casos de recebimento de propina, comissões, presentes ou vantagens;  8 casos de aplicação irregular de dinheiro público e  8 casos de corrupção. 

domingo, 13 de novembro de 2011

TCU vê deficiências no trabalho do Ibama


Rafael Bitencourt*

O Tribunal de Contas da União (TCU) informou ontem [10/11] que identificou deficiências no acompanhamento de licenciamentos realizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).  Ao analisar procedimentos adotados no licenciamento ambiental, o tribunal observou a ausência de "avaliação da efetividade" das exigências previstas em licenciamentos de obras de infraestrutura.

Segundo o Tribunal, foi constatada que a "atuação federal [está] mais voltada para a emissão de licenças, em detrimento da avaliação dos efeitos ambientais resultantes de ações empreendedoras".  A atuação do Ibama, segundo o órgão de controle, possibilita a ocorrência de impactos ambientais "adversos".

As conclusões partiram de levantamentos feitos em obras na BR-101, no trecho Florianópolis-Osório (RS), e da Ferrovia Transnordestina, entre Salgueiro (PE) e Missão Velha (CE).  "O objetivo do levantamento foi, a partir dessas amostras, identificar pontos que pudessem ser aperfeiçoados em todo o processo", justificou o tribunal por meio de nota.

O relator do processo, ministro-substituto André Luís de Carvalho, disse que se o acompanhamento "não for confiável e periódico o licenciamento poderá ser comprometido como um todo".  A sessão de julgamento do acórdão foi realizada no mês passado.

Na decisão, o TCU recomendou ao Ibama que avalie sistematicamente os relatórios de acompanhamento enviados pelos empreendedores para examinar os resultados apresentados.  Outra ponderação se refere à elaboração de parecer técnico final das obras, avaliando a eficácia dos programas ambientais implantados, além de exigir contratação de supervisão em empreendimentos de "grande potencial poluidor".

O tribunal também fez recomendação ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) para que se prepare um documento com a avaliação dos resultados.  O objetivo é comparar o que está previsto no licenciamento ao que efetivamente foi realizado pelos empreendedores.

Fonte: Valor Econômico 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Pará: Após negociação tensa, índios liberam BR-163


A pedido da presidente da República Dilma Rousseff, que estava preocupada com o bloqueio da rodovia desde segunda-feira, o general Jorge Ernesto Pinto Fraxe, diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura e Tranportes (Dnit), conseguiu negociar com os índios Kayapós a liberação da Santarém-Cuiabá (BR-163) no trecho que corta o município de Novo Progresso, no oeste do Pará.

A estrada está sendo asfaltada com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas os índios cobram promessas feitas pelo governo federal de compensar os impactos ambientais da obra com benefícios nas áreas de saúde, educação e melhorias dos ramais de acesso às suas aldeias.  Como nenhuma promessa até agora foi cumprida, os Kayapós paralisaram a obra, apreenderam as máquinas e chegaram a incendiar uma ponte há quatro dias.

A liberação da estrada ocorreu após uma tensa reunião que durou mais de três horas.  O general Jorge Fraxe chegou a Novo Progresso em um helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB) acompanhado do presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Curt Trennepohl e do diretor da Fundação Nacional do Índio (Funai), Aloysio Guapindaia.  Antes do começo da reunião com as autoridades de Brasília, os caciques pediram que os enviados do governo se apresentassem, informando seus nomes e cargos que exercem.

Mal começou a falar, o general Fraxe foi interrompido por um líder Kayapó, que explicou o motivo do bloqueio.  Aos gritos, ele chamou o governo federal de mentiroso e ameaçou que se as autoridades presentes não firmassem um compromisso de atender as reivindicações dos índios ninguém sairia.  “Ficam todos aqui nesta sala até resolver o nosso problema.  O Ibama liberou Belo Monte para o branco, então agora libera a licença para o índio ter estrada”, afirmou guerreiro Kayapó com arma na mão.

MENTIRA
À certa altura da reunião, uma índia aproximou-se com um facão da mesa onde estavam as autoridades e, irritada, exigiu respeito.  O general e o presidente do Ibama olhavam meio desconfiados para a índia, mas sem encará-la, para não parecer que a estavam desafiando.
Na sua vez de falar, o general Fraxe foi categórico: “tudo o que o Dnit já acordou com os irmãos Kayapós eu vim aqui para cumprir, e a empreiteira JM, que aqui está, vai dar inicio na estrada amanhã”.  Para ele, as promessas feitas aos índios pelo ex-diretor demitido Luiz Alberto Pagot eram “coisas do passado”.

Trennepohl afirmou que o Ibama não será empecilho para que a estrada que leva à aldeia dos índios seja asfaltada, embora não exista no órgão nenhum projeto.  “Vou designar uma equipe de técnicos do Ibama para junto com os caiapós fazerem este trabalho”, prometeu.

Fonte: Diário do Pará 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Índios Caiapós tomam a BR-163


Revoltados com as promessas não cumpridas pelo ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, demitido pela presidente Dilma Rousseff por suspeitas de irregularidades no órgão, os índios caiapós decidiram radicalizar um protesto que começou na segunda-feira com a apreensão de caminhões e máquinas que trabalham na pavimentação de vários trechos da BR-163 (Santarém-Cuiabá).  Ontem, os índios resolveram atear fogo em trechos da ponte localizada sobre o rio Disparada, próximo da cidade de Novo Progresso.

Os índios afirmam que só deixarão a estrada quando autoridades federais forem à região para tratar das promessas feitas por Pagot, que antes de cair esteve com os índios garantindo que, além de melhorias nos acessos às estradas que levam às aldeias Baú e Mekranotire, os caiapós receberiam benefícios nas área de saúde.  Nada disso foi feito até agora.  “Se o homem branco não tem memória e esquece facilmente as promessas que ouve das autoridades, os índios têm a memória muito boa para cobrar as coisas que são ditas e prometidas”, disse o índio João Mekranotire.

A prefeita de Novo Progresso, Madalena Hoffmann, esteve reunida com a diretoria-geral do Dnit em busca de uma solução para o problema.  Pagot disse para os índios que os ramais de acesso à área Mekranotire receberiam cuidados do órgão, que também concluiria os ramais até a aldeia Baú.  A estrada vicinal que leva à aldeia está em péssimas condições.  Ela começa às margens do rio Curuá e desemboca na BR-163, próximo ao distrito de Alvorada da Amazônia.

Para os caiapós, a presença do diretor da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, e do secretário de saúde indígena, Antonio Alves, para tratar de questões ligadas à saúde dos índios, evitaria tantos transtornos.  Hoje, para buscar atendimento médico, os caiapós precisam se deslocar até Itaituba, num percurso de mais de 400 quilômetros.  O problema também atinge os índios das aldeias Pukanu, Baú Pungraity e Kawatum.

Na segunda-feira, centenas de caiapós, armados com flechas, espingardas e revólveres atacaram os operadores de máquina, tomando as chaves dos veículos das mãos dos homens que trabalhavam no asfaltamento da rodovia, paralisando totalmente a obra.  Eles enviaram uma carta à direção do Dnit reivindicando construção da casa da saúde, casa do artesanato, casa cultural e a compra de dois veículos.  E avisaram: se nada for feito, começarão a incendiar as máquinas. 

Fonte: Diário do Pará 

sábado, 16 de julho de 2011

Tapajós: recursos naturais da Amazônia valem quatrilhões de dólares

Telma Monteiro


A bacia hidrográfica do rio Tapajós é uma das principais sub-bacias da bacia amazônica e tem cerca de 493.000 quilômetros quadrados onde vivem 820.000[1] pessoas (Censo Demográfico 2000, IBGE[2]). O rio Tapajós é formado a partir do encontro dos rios Juruena e Teles Pires, na divisa dos estados de Mato Grosso, Amazonas e Pará e desse ponto ele avança 825 quilômetros para desaguar na margem direita do rio Amazonas. Os rios Jamanxim e Arapiuns, ambos totalmente no estado do Pará, são os maiores tributários do rio Tapajós.


Um estudo do coordenador de sustentabilidade ambiental do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), José Aroudo Mota , divulgado hoje (13), aponta que os recursos naturais da Amazônia valem alguns quatrilhões de dólares.O governo brasileiro pretende usar esses recursos naturais para transformar o Brasil na quinta maior economia do mundo. Para chegar lá, o modal hidroviário, baseado na experiência holandesa, é considerado o principal meio. Seminário em Brasília, organizado pelo DNIT, apresentou um conjunto de propostas com a finalidade de orientar políticas públicas de aplicação de tecnologias e de métodos de planejamento. O governo federal quer aproveitar o modelo que levou a Holanda a desenvolver uma estratégia logística para manter seu poder comercial na Europa. Quem estudou história sabe que os holandeses são mercadores por tradição.

 O seminário, também teve como objetivo trazer para o Brasil uma leitura moderna – como se isso fosse possível - dos 450 anos de transporte hidroviário holandês para aplicá-lo como modelo a ser seguido na Amazônia. O primeiro Termo de Cooperação entre Brasil e Holanda é de 2008, assinado em Haia; depois, em 2009, foi assinado um Protocolo de Cooperação em Brasília; e finalmente em abril de 2010 foi assinado um Plano de Trabalho que levaria os representantes das instituições brasileiras à Holanda, visando o acompanhamento do Plano Hidroviário Estratégico (PHE) e o Curso de Capacitação em Navegação Interior na Holanda.

Veja-se que a pretensão vai muito além de aumentar a nossa capacidade logística emperrada há anos pela corrupção no Ministério dos Transportes. Na verdade esses planos mirabolantes para transformar a Amazônia num grande corpo de artérias navegáveis, à semelhança de países como Holanda e Bélgica, estão centrados em um modelo medieval que levou à ocupação industrial das margens dos rios junto com a destruição da vida que havia neles.  

A Holanda enxerga o Brasil em números: 5ª maior superfície mundial (205 x Holanda); 4ª maior população mundial e, portanto, importante mercado interno (Brasil 190 milhões, Mercosul 240 milhões); principal mercado emergente na América do Sul; diversas oportunidades regionais; diversas oportunidades setoriais[3] .

Contrastes: a Holanda tem 41.864 km² e 16 milhões de habitantes. A bacia Amazônica abrange uma área de sete milhões de km² dos quais 3,8 milhões de km² encontram-se no Brasil. Com o potencial logístico esgotado na Holanda, as grandes empresas holandesas estão buscando a alternativa de expansão no emaranhado de rios brasileiros na Amazônia.  O planejamento das cidades holandesas se deu exclusivamente com a implantação de atividades industriais nas  margens dos rios e canais. É exatamente isso que estão querendo fazer com a Amazônia!

Como é o Complexo Tapajós?

Na esteira dos planos para construção de mega-empreendimentos hidrelétricos na Amazônia foi elaborado o “Estudo de Inventário Hidrelétrico do rio Tapajós e Jamanxim” que identificou o potencial de sete aproveitamentos hidrelétricos com potencial de 14.245 megawatts (MW) de capacidade instalada[4].

Os estudos indicaram um conjunto de aproveitamentos em cascata, no rio Tapajós e no seu principal tributário, o rio Jamanxim. O Ministério de Minas e Energia (MME) considerou que é estratégico para o Brasil explorar esse potencial de energia. Mas não explicou o porquê. O projeto hidrelétrico de São Luiz de Tapajós, o maior aproveitamento da bacia do Tapajos está previsto no Plano Decenal de Energia (PDE) 2020.  

Em 2010, depois de realizado o inventário para identificar os aproveitamentos hidrelétricos na bacia hidrográfica do Tapajós, foram apresentados também os estudos da Avaliação Ambiental Integrada (AAI) do rio Teles Pires e do rio Juruena, os dois rios que se juntam e formam o Tapajós. Esse parece ser apenas o início de um grande processo de apropriação e privatização dos recursos da Amazônia, incentivado pelo governo, em parceria com grandes empresas nacionais e internacionais e financiamento do BNDES. Projetos de lei estão tramitando[5] céleres no Congresso para viabilizar a construção de eclusas – para transposição de desníveis - simultaneamente à construção de barragens em rios navegáveis e não-navegáveis. Entre os projetos que estão sendo priorizados está o da Hidrovia Tapajós – Juruena -Teles Pires[6].

O governo brasileiro anunciou que o Complexo Tapajós, que está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), seria leiloado em 2010, o leilão foi transferido para 2011. E já há previsão de que a primeira usina comece a operar em 2016. Os estudos de inventário foram entregues à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) deverá emitir em breve o Termo de Referência para a primeira usina, São Luiz do Tapajós, para a elaboração dos Estudos de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA).

Uma medida provisória a ser editada ainda este mês (julho) promoverá a redução do Parque Nacional da Amazônia e das florestas nacionais de Itaituba 1 e 2, para evitar conflitos no processo de licenciamento ambiental das usinas do Tapajós. Duas das usinas do complexo afetarão diretamente as unidades de conservação. Pelas notícias essa redução está se dando a pedido da Eletronorte e sem os estudos necessários. Mais uma vez o Ibama sofre as pressões políticas impostas pelas necessidades inexplicáveis das empresas estatais. Eletrobras, uma Petrobrás da energia? Ridículo.

Com a hidrovia Tapajós-Teles Pires-Juruena, o governo brasileiro quer criar uma nova estrutura organizacional calcada em modelo internacional, em especial no holandês, para viabilizar a implantação de cerca de 20 mil quilômetros de malha hidroviária navegável só na Amazônia.  As hidrovias passaram a ocupar um papel importante nas diretrizes do governo brasileiro, do Ministério dos Transportes em especial, com a desculpa de reduzir os custos internos de transporte de commodities e dar competitividade às exportações.  Custos internos?

Enquanto isso as estradas que tanto mal causaram e que já rasgaram a Amazônia, induziram à ocupação predatória, grilagem, pressionaram o desmatamento e o comércio de madeira ilegal, continuam se desmanchando sem os recursos que sabidamente escoaram para o ralo da corrupção.


[1] Municípios paraenses da Bacia do rio Tapajós têm 531.515 habitantes  (IBGE, 2010)
[2] Ainda não há atualização do Censo de 2010 para bacias hidrográficas
[3] Chamada para o Seminário: “A visão holandesa sobre o Brasil e sobre a cooperação bilateral”
[4]  Estudos de Inventário Hidrelétrico das Bacias dos Rios Tapajós e Jamanxim - Centrais Elétricas do Norte do Brasil S. A. – Eletronorte e Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. – CCCC - 2008
[6] Projeto Norte Competitivo – Macrologística, disponível em http://www.macrologistica.com.br/9512.html  acessado em 18 de janeiro de 2011

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

E a gente morre, na BR-163

Por Edilberto Sena*

Parodiando o cantor, - a gente morre na Br.163... Mas por que a rodovia Br 163 mata tanta gente e causa tantos acidentes? Quem alerta é a experiente Polícia Rodoviária Federal. O alerta é para que os motoristas dirijam com mais cuidado agora, por causa dos buracos. Mas por que esse alerta, se ainda anteontem o Departamento Nacional de Transportes, o DNIT anunciou que de Santarém a Rurópolis, dois terços da rodovia já estavam asfaltados e que outros trechos já estão em obras, um entre Miritituba e Campo Verde, no Km 30, outro, entre Campo Verde e Trairão e assim por diante, um aqui outro ali e nos grandes intervalos, a piçarra e os buracos.

Como é então que a Polícia Rodoviária avisa que a estrada pode causar acidentes? Só uma explicação justificável – é que esse trabalho é feito a conta gotas. A cada ano as máquinas operam em um pequeno trecho de 20, ou 30 quilômetros e logo acaba o recurso financeiro. Passado mais um ano surge novo asfaltamento lá adiante, em outro trecho, em geral próximo de aglomerados urbanos, quando o asfalto anterior começa a se deteriorar. O melhor exemplo disso é o trecho entre Santarém e Belterra, quantas vezes já foi remendado e reasfaltado?

As autoridades podem até se desculpar, alegando que a buraqueira seja porque chove muito na Amazônia. O que é verdade, mas não justifica a deteriorização tão rápida de uma rodovia que nem é tão utilizada como outras lá do sul do país. Portanto, pode ser por outras causas, como asfaltamento mal feito, falta de manutenção constante, mas certamente por falta de compromisso do DNIT, Ministério dos Transportes e governo federal, pela rodovia que já teve inúmeras promessas de total asfaltamento.

Em qualquer dessas hipóteses, uma certeza, é que os moradores que vivem ao longo e vizinhos da rodovia Br. 163 não são levados em conta pelos vários governos centrais. Para eles o que conta é o crescimento econômico, o PAC, que em governos anteriores recebia outro nome, com o mesmo objetivo. E para o PAC, seguramente, o asfaltamento da rodovia não é ainda prioridade, por isso, segue a passos de jaboti. O chefe do DNIT vem, dá uma volta pela sofrida estrada, aponta os trabalhos sendo realizados aqui e mais ali e garante que a rodovia será sim totalmente asfaltada.

Mas todos já sabem que o atual governo termina dentro de mais 10 meses. Poderá ou não ter prosseguimento o asfaltamento a conta gotas. Nessa viagem, em carro com tração nas 4 rodas e ar condicionado, ele tenta impressionar os moradores de Morais Almeida, Novo Progresso, Trairão, Campo Verde, Rurópolis e demais aglomerados urbanos por onde passa. Provavelmente os colonos olham a comitiva e xingam algum impropério, ou expressam olhar frio de quem já sabe que de tempos em tempos passa uma figura de governo para tentar impressionar, mas a rodovia continua fonte de sofrimentos e muitos acidentes ou até outros morrem na Br. 163, como expressa o cantor. É que a Br. 163 está no centro da Amazônia, que continua sendo colônia, não mais só de portugueses, mas de transnacionais e exploradores do sul do país.


*Padre diocesano e Coordenador da Rádio Rural AM de Santarém. Editorial 10.02.2010

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

IBAMA x DNIT

Diretor do Dnit diz que Ibama trava o licenciamento de rodovias no Pará

O diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura em Transportes (Dnit), Luís Antonio Pagot, parece que faz parte de um órgão à parte do governo.

Na última quinta-feira, 11, em Santarém, declarou que as dificuldades de se obter licenciamento ambiental são o principal entrave às obras de pavimentação de rodovias federais no estado do Pará. Em reunião com empresários, ele criticou a lentidão do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e conclamou as lideranças políticas do Pará a pressionar o órgão para que acelere as licenças necessárias às obras, principalmente nas rodovias Transamazônica (BR-230) e Santarém-Cuiabá (BR-163).

"Postergar por motivos ideológicos diversos o licenciamento ambiental destas rodovias é causar um grande prejuízo ao Pará. Não é possível que a toda hora criem novas condicionantes", disse Pagot, garantindo que a pavimentação das rodovias causará impactos ambientais positivos, evitando problemas de erosão e depósito de materiais nos leitos dos rios a igarapés.

O Diretor atacou a ainda a criação de unidades de conservação na região pois segundo o mesmo as reservas "usurparam" a faixa de domínio do Dnit, que compreendia 80 metros de cada lado da estrada.

Com informações do Jornal de Santarém.