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sexta-feira, 16 de março de 2012

Aziz Ab'Sáber, muito mais que um decano


Faleceu nesta sexta-feira, 16 de março, aos 87 anos, o professor Aziz Nacib Ab'Sáber, pesquisador da USP e um dos maiores cientistas do país. Embora fosse um geógrafo do meio físico, acabou se tornando uma referência em estudos também sobre biodiversidade, planejamento territorial, impactos ambientais, arqueologia, fitogeografia e biologia.

“Nosso querido Aziz, dedicou sua vida acadêmica a desvendar a geomorfologia, a paleoecologia, a biogeografia, a ecologia urbana com trabalhos essenciais para subsidiar estratégias para proteção dos biomas e da biodiversidade brasileira, mas, essencialmente, dedicou todo o seu tempo em ser Humano, em pensar em como aliviar o sofrimento das pessoas que vivem excluídas da nossa sociedade” informou a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência , instituição que Ab'Sáber presidiu de 1993 a 1995 e da qual era presidente de honra e conselheiro.

Embora já estivesse aposentado, Ab'Sáber continuava publicando livros e sendo um observador arguto das controvérsias políticas envolvendo a questão ambiental.  Defendeu um papel mais ativo dos cientistas numa ciência aplicada e colocada a serviço dos movimentos sociais. Esse ideal o levou a ser consultor ambiental do Partido dos Trabalhadores e de Lula durante um longo período, participando inclusive do chamado “governo paralelo”, logo após as eleições de 1989.

Com a chegada de Lula à Presidência da República em 2003, distanciou-se do governo devido à sua política ambiental, a qual classificou como a maior frustração na história do movimento ambientalista brasileiro. Entre as críticas de Ab’Saber esteve o  intenso apoio governamental ao agronegócio, a Transposição do Rio São Francisco e as concessões florestais na Amazônia promovidas a partir de 2006 pela então ministra do meio ambiente, Marina Silva.

Recentemente, criticava os ataques ao Código Florestal e defendia um novo código, baseado na biodiversidade. Homenageado do ano pela reunião do SBPC de 2010, proferiu pesadas críticas as mudanças no Código Florestal  colocando-o no contexto de desmonte da política ambiental brasileira. 

Recebeu diversos prêmios científicos em diversas áreas do saber tanto no Brasil, como internacionalmente, entre os quais o título de Doutor Honoris Causa de várias universidades, de instituições de pesquisa de várias áreas do saber, além de várias obras científicas e livros premiados.


Leia as postagens sobre o professor Aziz Ab'Saber aqui no BLOG!

sábado, 12 de novembro de 2011

Divisão do Pará com ciência


A revista eletrônica “ComCiência” da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) traz uma série de documentos sobre a divisão do Pará. O Dossiê contem dados básicos sobre a estrutura federativa brasileira, reportagens e análises dos possíveis impactos da divisão do estado, que realizará um plebiscito no dia 10 de novembro sobre a criação ou não dos estados do Tapajós (oeste) e do Carajás (Sudeste).

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ameaças de Miriam Belchior que deveriam abalar o país

Em evento promovido pela revista Carta Capital nesta segunda, 22, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, desqualificou os oponentes de Belo Monte como ignorantes. Miriam, que participou do seminário “Hidrelétricas: as necessidades do país e o respeito à sustentabilidade”, alegou que os que consideram os aspectos técnicos do empreendimento se convencerão da sustentabilidade do projeto.

A ministra, que tem mestrado em administração mas nenhuma especialização em hidrelétricas, nem em Amazônia, nem em meio ambiente, nem em populações tradicionais, do alto de seu desconhecimento, ingenuidade ou empáfia, desqualificou não apenas os 37 pesquisadores e acadêmicos que compõem o Painel de Especialistas – que redigiu um extenso, minucioso e técnico documento sobre a inviabilidade social e ambiental de Belo Monte -, como outras instituições de pesquisa e representação acadêmica que criticam a usina, à frente a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Miriam, que, segundo a imprensa, afirmou que  “Belo Monte para nós será o nosso grande parâmetro de inovar; não só de inovar na obra de infraestrutura, mas na forma de implantação desse novo investimento”, proferiu com isso uma tenebrosa ameaça contra a Nação: se Belo Monte é referência dos projetos governamentais, com suas 12 ações na justiça por ilegalidades, questionamentos de órgãos multilaterais e entidades internacionais de Direitos Humanos, recordes absolutos de desmatamentos na região, espancamentos e despejos de sem-teto expulsos de suas casas em Altamira, e violações de direitos indígenas, faz-se necessário um questionamento urgente, sob aspectos legais, éticos e dos direitos humanos, da concepção de Estado Democrático de Direito do governo.

Faz-se necessário também avaliar, em conjunto com a Comunidade Internacional, quais as credenciais do Brasil - que discute flexibilizar a legislação e perdoar criminosos ambientais nos debates sobre alterações do Código Florestal, que permite assassinatos e ameaças de morte a lideranças sociais que lutam pela proteção das matas, e que diminui Unidades de Conservação para construir grandes usinas -, de hospedar um evento internacional da envergadura da Rio + 20, um dos principais fóruns de discussão sobre meio ambiente das Nações Unidas, a se realizar em 2012.


quarta-feira, 13 de julho de 2011

SBPC apela para que Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado analise novo Código Florestal

Gilberto Costa

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) tornou público o apelo que fez ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para que o projeto de lei (PL) que modifica o Código Florestal também seja apreciado na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). “Ela pode trazer equilíbrio”, disse a presidente da SBPC, a bioquímica Helena Nader, ao se referir à disputa entre ambientalistas e ruralistas.

Desde 25 de abril, a SBPC tem alertado os parlamentares e a opinião pública que a proposta contida no relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB–SP) pode ser danosa ao meio ambiente e à agricultura, porque não contempla estudos aprofundados sobre o impacto das alterações nem aproveita a tecnologia disponível para a análise. “Não incluir a CCT é fechar os olhos para os avanços que o país tem alcançado”, disse Nader, na 63ª Reunião Anual da SBPC, em Goiânia.

“A ciência pediu mais tempo”, disse o engenheiro agrônomo José Antonio Aleixo da Silva, coordenador do grupo de trabalho que elaborou o estudo da SBPC e da Academia Brasileira de Ciências (ABC), que aponta a possibilidade de usar margeamento de satélite para saber a extensão das áreas de proteção permanente, por exemplo. A SBPC participou de audiências públicas sobre o novo Código Florestal, na semana passada nas comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle e de Agricultura e Reforma Agrária do Senado.

Além da legislação ambiental, outro projeto em tramitação no Congresso chama a atenção da SBPC: o PL nº 220/2010, apresentado na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, que propõe o fim da exigência de pós-graduação para docentes do ensino superior. “Isso seria um retrocesso”, disse Helena Nader. O projeto já foi aprovado na Comissão de Educação do Senado e está pronto para ser votado no plenário da Casa.

Na Câmara dos Deputados, a SBPC acompanha as discussões sobre revalidação de diplomas. Na última quinta-feira, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara fez audiência pública sobre os processos de revalidação do diploma. A estimativa é que 2 mil estudantes estejam aguardando a revalidação dos títulos de pós-graduação. Helena Nader é contra qualquer medida que tire da universidades a tarefa de revalidação. “Queremos ter certeza de quem estamos formando”.

Edição: João Carlos Rodrigues