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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Montadoras lucram mais no Brasil que em outros países


Preço de veículo no país é até 106% superior a outros mercados

Um levantamento feito em cinco países comprovou o que muitos metalúrgicos já estão cansados de saber: as montadoras instaladas no Brasil lucram muito mais que em qualquer outro lugar. A pesquisa mostra ainda que os carros aqui produzidos têm o preço mais alto que em outros países.

O levantamento feito pelo jornal O Globo e pela consultoria IHS Automotive verificou os preços dos automóveis no Brasil, Argentina, Estados Unidos, França e Japão. O resultado aponta uma diferença nos preços de até 106%, como no caso do Honda Fit, que é vendido no Brasil por R$ 57.480, enquanto na França o modelo equivalente sai por R$ 27.898.

Outra diferença expressiva é do Nissan Frontier, que no Brasil custa R$ 121.390, 91,31% a mais que o preço equivalente no mercado norte-americano (R$ 63.450,06).

O motivo de tamanha diferença é a margem de lucro das montadoras. Enquanto no Brasil o ganho é de 10% sobre o preço do veículo, nos EUA esse percentual não passa de 3%, e em outros países chega a 5%. Ou seja, aqui, lucram três vezes mais que em outros países.

Redução do IPI e vendas em alta – A pesquisa constatou ainda que o imposto, muitas vezes apontado como vilão, não é o principal culpado pela alta dos preços. Mesmo descontadas as alíquotas, os consumidores nacionais são os que pagam mais caro pelo bem.

Se descontássemos todos os impostos do Nissan Frontier, por exemplo, seu preço cairia de R$ 121.390 para R$ 81.209,91. Ainda assim, continuaria mais que França e EUA com impostos.

Com lucros em alta e IPI reduzido, as montadoras não têm motivos para reclamar. Graças à expectativa de fim do desconto do imposto, as vendas em agosto bateram todos os recordes. Pela primeira vez na história, mais de 400 mil veículos podem ser licenciados em um mês. O recorde anterior era de dezembro de 2010, com 361,2 mil licenciamentos.

Com tantos dados positivos, não há motivos para demissões no setor. Mesmo assim, a GM de São José continua ameaçando tirar o emprego de mais de 1.840 pais de família.

Fonte: SindmetalSJC

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Classe trabalhadora reage a um ataque histórico

Por Osvaldo Coggiola*
Na greve do funcionalismo público federal (Andes, Fasubra, Sinasefe, principalmente) se concentram todas as contradições da política brasileira. Em inícios de agosto, até os servidores (funcionários) da Polícia Federal votaram sua entrada em greve. A oferta de “reajustes” salariais do governo Dilma não cobre sequer as perdas dos anos em que os salários permaneceram congelados, sem falar na destruição da carreira funcional. Uma vez descontada a inflação, mesmo usando índices modestos e otimistas, os reajustes médios propostos pelo governo até 2015 variam entre 0,36% e 5,52% negativos. A “economia de caixa” que o governo pretende com o arrocho salarial federal está a serviço de uma política de subsídios ao grande capital. Não se trata apenas do pagamento da dívida pública, que compromete cerca de 50% do orçamento da União, mas também, entre outras coisas, da utilização do endividamento público para repasse direto de recursos a empresas privadas, subsidiadas pelo BNDES (que acaba de comemorar o destino do montante de R$ 342 milhões a um dos maiores conglomerados industriais do mundo - a Volkswagen).
Leia todo o artigo publicado originalmente na revista Caros Amigos clicando AQUI.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Contra demissões, operários da GM fecham Via Dutra


Trabalhadores querem intervenção do governo Dilma para manter empregos 


Em protesto contra a ameaça de demissões, os metalúrgicos da General Motors de São José dos Campos bloquearam o tráfego na Rodovia Presidente Dutra por 1h10, nos dois sentidos, na manhã desta quinta-feira, dia 2. Após a ocupação da rodovia, os operários pararam a produção e só voltam ao trabalho na sexta-feira. 

A manifestação foi uma forma de chamar a atenção da presidente Dilma Rousseff para que intervenha contra a demissão de até 2 mil trabalhadores, medida que está sendo preparada pela GM.

A ocupação da Via Dutra, principal rodovia do país, começou às 6h20 e só terminou às 7h30, na altura do Km 141. O congestionamento, segundo a concessionária Nova Dutra, foi de 13 km na pista sentido Rio – SP e 9 km no sentido São Paulo. O bloqueio da estrada foi feito por cerca de 2 mil trabalhadores do setor MVA, ameaçado de fechamento.

Após a manifestação, os metalúrgicos seguiram para o pátio da montadora, realizaram assembleia e decidiram só retomar a produção amanhã. Os funcionários do setor da S10 também realizaram uma mobilização e permaneceram parados em frente à fábrica.

A pedido do próprio Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a empresa concedeu licença remunerada, por hoje, para todos os 7.200 trabalhadores da planta. 

Esta foi uma das mais fortes mobilizações da categoria metalúrgica de São José dos Campos dos últimos anos. O principal objetivo da manifestação foi exigir da presidente Dilma que receba os trabalhadores e intervenha para impedir a demissão em massa que a montadora está prestes a concretizar.

Faixas e pneus queimados foram utilizados pelos manifestantes para parar o trânsito. Uma das faixas dizia: “Dilma, cala a boca do [ministro Guido] Mantega e proíba as demissões”, em referência ao ministro da Fazenda, que afirmou que não iria interferir na decisão da GM e que os empregos na montadora estariam com “saldo positivo”.

O ministro desconsiderou os números do próprio Caged/Ministério do Trabalho. Segundo dados do Dieese – Subseção Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, que usa o Caged como fonte, a General Motors fechou, no período de um ano (julho de 2011 a junho de 2012), 1.189 postos de trabalho no país. Nesse número não estão incluídas as 356 demissões feitas por meio de PDV. 

Se for considerado o período do Plano Brasil Maior (agosto de 2011 a junho de 2012), pacote do Governo Federal de incentivos à indústria, o número de postos de trabalho fechados é de 1.212. 

Carta à presidente Dilma Rousseff
A postura do ministro Mantega vai na contramão da declaração dada pela presidente Dilma Rousseff, no dia 27 de junho, em Londres. Na ocasião, Dilma afirmou que retiraria os benefícios fiscais das montadoras que demitissem. 

O Sindicato dos Metalúrgicos já enviou pedido de agendamento de reunião com a presidente, e hoje enviou uma carta relatando toda a realidade vivida pelos trabalhadores da fábrica. 

“É inaceitável que os dois mil pais e mães de família que correm o risco de serem demitidos sejam tratados pelo ministro como números frios de uma estatística”, diz um trecho da carta (clique aqui para ler a íntegra da carta). 

Produção reduzida
A General Motors já reduziu drasticamente a produção do Classic, único modelo que continua sendo produzido no setor MVA. A partir de amanhã, o volume de produção cai de 375 para 80 veículos por dia. A empresa pretende acabar definitivamente com a produção do Classic em São José dos Campos, passando a importar, da Argentina, seis mil unidades por mês.

Desde ontem, a GM começou a esvaziar o MVA. O segundo turno da Injetora e Funilaria já foi completamente esvaziado. 

O esvaziamento das linhas confirma as denúncias do Sindicato, de que a empresa vai desativar por completo o setor MVA e demitir até 2 mil trabalhadores a qualquer momento.

“Com essa manifestação, queremos dar um recado para a presidente Dilma, de que nós não vamos aceitar as demissões. Continuamos de pé em nossa luta, não vamos nos curvar perante os ataques da empresa e à irresponsabilidade do ministro Mantega, que prefere defender os interesses da GM e menosprezar a demissão de dois mil trabalhadores”, afirma o presidente do Sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá. 
 
Fonte: Sindmental

Sorria! Seu emprego não morreu. Apenas está num lugar melhor



Por Leonardo Sakamoto*

Tenho ouvido comentaristas de economia reclamando dos protestos de trabalhadores contra o fechamento de vagas na fábrica da General Motors, em São José dos Campos, interior de São Paulo. Uma justificativa que tem sido usada para explicar a situação é de que a empresa não vai fechar vagas, mas sim mudá-las de lugar. Citam a atuação do sindicato local, que não aceita negociar determinados pontos com a empresa, enquanto representações de outros lugares são mais “flexíveis”.

Tente usar essa justificativa para as pessoas que ficarão sem emprego, de que a vaga não desapareceu, apenas mudou de lugar. Para elas, é indiferente se o emprego migrou para São Caetano do Sul ou Xangai. Se tratamos pessoas como números, tanto faz. Mas ao considerarmos pessoas como gente,  o negócio muda.
Isso não é novidade. Ao longo da história, o capital sempre buscou lugares onde a mão de obra contasse com menos direitos, visando a um custo mais baixo para a produção. Já nos “beneficiamos” disso e hoje assistimos a empregos daqui migrarem para o outro lado do mundo pelo mesmo processo, que não para.
Afinal de contas, quando pessoas se encontram diariamente em locais de trabalho, acabam por reconhecer uma condição comum e se organizarem em busca de direitos. Aos poucos, mudanças vão acontecendo, garantindo padrões mínimos de condições de trabalho e remuneração, “forçando” o capital a encontrar fontes mais baratas e sem tantas reivindicações de força de trabalho.
Vá até a China e veja de perto o que está acontecendo, sem preconceito, sob uma ótica histórica. Em muitos locais, os direitos dos trabalhadores ainda são bem precários. Mas mudanças ocorrem com o desenvolvimento econômico e social do país. O setor têxtil, por exemplo, tem procurado lugares com custo mais baixo para terceirizar etapas da produção, como o Sudeste Asiático.
Mas, apesar disso fazer parte da natureza do capital, não pode ser encarado como favas contadas ou como o direito inalienável do dinheiro ser livre. Há direitos fundamentais mais importantes que outros – dignidade, por exemplo.
A partir do momento em que se instala em determinado lugar, uma empresa passa a ter responsabilidades com a comunidade que a cerca, que vai prover sua força de trabalho ou as matérias-primas das quais precisa e sofrer o impacto social e ambiental de sua instalação – ou seja, perder um pouco da qualidade de vida em detrimento aos ganhos econômicos que receberá com o empreendimento. Uma empresa instalada gera um sistema complexo em torno de si e, por conta disso, não pode simplesmente sair para outro local quando este lhe parece mais apetitoso do ponto de vista econômico como uma nuvem de gafanhotos. Caso contrário, é a barbárie vencendo.
Pega mal. Ainda mais a General Motors, que não possui uma política eficaz de redução de impactos sociais e ambientais, como desmatamentos ilegais e trabalho escravo contemporâneo, causados por sua cadeia produtiva.
“Ah, mas isso é o capitalismo,  japonês. Está querendo cortar a liberdade econômica agora?” Não, mas por isso mesmo, já passou da hora do governo deixar de ser reativo e considerar ações mais duras contar esse setor. “Há problemas localizados em São José dos Campos. Não cabe ao governo entrar nos detalhes, é da organização interna da empresa”, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, após receber explicações por parte do diretor de Relações Institucionais da GM, Luiz Moan, sobre as demissões nessa unidade.
Mantega parece que se deu por satisfeito quando a empresa mostrou que gerou empregos (de 1.848, em 2008, para 2.063 em 2012) desde que foi abençoada com a redução de IPI e que demissões se devem a “reposicionamento de investimentos”. Diz que o governo não considera prorrogar o corte de imposto, mas também não impôs nada quanto à planta de São José dos Campos.
Não importa que, no total, a empresa tenha gerado empregos desde o último pacotão de mãe do governo federal. Só força de trabalho gera riqueza, ou seja, ela ganhou com essas vagas criadas, não foi um favor que fez para a sociedade – apesar de muitos comentaristas encararem dessa forma. A empresa não pode cortar vagas por conta de todo o processo que já citei. Esse capitalismo de periferia, que cresce feliz por aqui, me dá desgosto. Vem a nós, mas vosso reino nada.
De acordo com o sindicato dos metalúrgicos em São José dos Campos, a GM cortou 1.189 vagas entre julho de 2011 e junho de 2012 – só na unidade de São José dos Campos foram eliminados 1.044 postos (excluindo quem aderiu ao programa de demissão voluntária).
Vale lembrar que durante o pico da crise de 2008, a General Motors demitiu 744 trabalhadores de sua fábrica em São José dos Campos (SP) sob a justificativa de “diminuição da atividade industrial”. Mesmo após ter recebido apoio dos governos da União e do Estado de São Paulo no sentido de facilitar a compra de seus produtos por consumidores.
Carpideiras do mercado disseram e escreveram, na época, sindicatos faziam uma chiadeira irracional, pedindo contrapartidas à cessão de linhas de crédito ou corte de impostos. Atestaram que empresas não podem operar esquecendo que estão inseridas em uma economia de mercado, buscando a taxa de lucro média para continuar sendo viável. Em outras palavras, defendiam que não dá para esperar que o capital seja dilapidado da mesma forma que o trabalho em uma crise. Triste.
*Publicado originalmente no blog do Sakamoto

terça-feira, 24 de julho de 2012

Alegando temer protestos contra demissões, GM fecha fábrica em São José dos Campos


A General Motors do Brasil fechou desde a madrugada desta terça, 24 de julho, a sua fábrica em São José dos Campos, interior de São Paulo.  As 3h da manhã, os trabalhadores do terceiro turno foram dispensados e a fábrica foi cercada por seguranças e policias. Os trabalhadores do turno da manhã que se dirigiam para o trabalho receberam pelos ônibus da empresa um comunicado avisando também da dispensa, mas mesmo assim, pelo menos 300 se dirigiram para o local.
A GM informa que a unidade em São José teria sido fechada para evitar possíveis mobilizações no interior da fábrica devido a ameaça de demissão de mais de 1.500 operários da linha de montagem de veículos automotores.
A paralisação acontece no dia em que havia sido programado um ato de sindicalistas contra as demissões e às vésperas de reuniões entre a GM, sindicato de metalúrgicos e o governo federal.
Em comunicado em seu sítio na internet, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região diz que não há razões para demissão já que “as vendas estão em alta e os fabricantes de carros são o setor mais beneficiado pelas isenções fiscais do governo federal”.
A entidade diz que “os governos federal, estadual e municipal precisam se somar à luta em defesa dos empregos” e que a "montadora precisa assumir seu compromisso social”.

sábado, 24 de março de 2012

São José dos Campos: Trabalhador morre em acidente na General Motors

Funcionário estava fazendo hora extra quando foi atingido por equipamento de 24 toneladas

Um trabalhador da General Motors, em São José dos Campos, morreu neste sábado, dia 24, vítima de um acidente ocorrido dentro da fábrica. Ele foi prensado ao ser atingido por uma ferramenta de 24 toneladas. Este é o segundo acidente fatal ocorrido na fábrica em apenas três anos.

Antonio Teodoro Pereira Filho, 60 anos, trabalhava há 32 anos na montadora e morava em Jacareí. No momento do acidente, ele estava realizando hora extra no setor Prensa – linha A. O trabalhador foi encontrado, já desacordado, por volta das 9h, por companheiros de linha e levado pelo resgate ao Pronto Socorro da Vila Industrial  e morreu após sofrer três paradas cardíacas.

Apesar da gravidade do acidente, a GM não acionou a perícia técnica nem a CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), contrariando as normas de segurança do trabalho. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos está acompanhando o caso e aguarda a perícia para registrar Boletim de Ocorrência no 1. Distrito Policial, nas próximas horas.

De acordo com relato de trabalhadores que encontraram Antonio Teodoro, ele estaria operando uma ponte móvel, por meio de controle remoto. Uma ferramenta de 24,1 toneladas “balançou”, atingiu Antonio e o lançou contra uma mesa de ferramentas. Com isso, ele teve o corpo esmagado. 

A GM vem adotando um sistema regular de hora extra para compensar as demissões ocorridas nos últimos meses. Com esta prática, a montadora reduz os custos com a mão de obra e aumenta a produtividade. 

Em 2009, o trabalhador Aparecido Constantino morreu em acidente na GM também enquanto realizava hora extra. 

“Mais uma vez a GM foi negligente. O ritmo de produção acelerado tem submetido os funcionários a situações que colocam em risco a segurança dos trabalhadores. Vamos exigir que a GM responda por mais esta tragédia”, afirma o presidente do Sindicato, Vivaldo Moreira Araújo.


Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos


Atualizando a notícia: Em protesto contra morte na fábrica, trabalhadores da General Motors atrasam produção em duas horas 26/03/2012

terça-feira, 16 de março de 2010

GM quer impedir doação de operários aos trabalhadores do Haiti

Apesar do forte espírito de solidariedade dos operários da base do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP) para com os haitianos vitimados pelo terremoto de janeiro e pelas intervenções estrangeiras nos últimos anos, a campanha de arrecadação de ajuda está enfrentando um grande empecilho.

Em cada assembleia realizada pela campanha, os operários responderam com entusiasmo o chamado a favor da solidariedade de classe e da mobilização pelo fim da ocupação militar no país. Em São José dos Campos, mais de 10 mil metalúrgicos da região aprovaram o desconto de 1% de seus salários aos trabalhadores haitianos. Houve forte adesão nas fábricas da GM, Hitachi, Bundy, Gerdau, Heatcraft, Trelleborg, Sobraer, Sopeçaero, Dovale, Pesola, Gomy e outras.

Contudo, os dirigentes da montadora General Motors (GM) informaram ao sindicato que não realizarão o desconto em folha de 1% dos salários dos trabalhadores da fábrica. A atitude da empresa entra em choque com a resolução aprovada pelos trabalhadores em assembleia. O Sindicato dos Metalúrgicos estima que, somente na GM, o desconto representaria uma ajuda de R$ 300 mil aos trabalhadores do Haiti. O dinheiro seria enviado para a organização operária e popular do Haiti Batay Ouvriye (Batalha Operária). A campanha é organizada pela Conlutas em todo o país e já arrecadou mais de R$ 160 mil.


O sindicato iniciou uma ampla campanha de denúncia da retaliação da GM. Segundo Vivaldo, serão feitas manifestações dentro da fábrica, além de denúncias internacionais. “Nesta quarta-feira [dia 17] vamos a Brasília em uma audiência com a OIT [Organização Internacional do Trabalho] denunciar o fato de a empresa não ter cumprido uma determinação aprovada em uma assembleia de trabalhadores. A posição da GM atenta contra a autonomia da organização sindical”, disse o dirigente. Além disso, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também será procurada pelo sindicato.

Fonte: PSTU

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Goodbye, GM...


O blog Molotov publicou a tradução do texto Goodbye, GM do cineasta Michael Moore dos premiados documentários Roger e Eu! (1989); Tiros em Columbine (2002) e Fahrenheit 11 de setembro (2004).
O texto, é sobre a recente concordata e estatitazação da maior parte da General Motors pelo governo dos Estados Unidos (apesar da mídia achar que estatização é coisa só da Venezuela).
Moore é de Flint, cidade berço da GM.
Segue o texto:
Escrevi isso na manhã do fim da antes poderosa General Motors. Por volta do meio-dia, o presidente dos Estados Unidos tornaria oficial: a GM, tal como a conhecemos, teve perda total.

Enquanto estou aqui sentado no berço da GM, em Flint, Estado de Michigan, estou cercado de amigos e famílias cheios de ansiedade pelo que acontecerá com eles e com sua cidade. Quarenta por cento das casas e negócios da cidade foram abandonados. Imaginem como seria viver numa cidade em que quase metade das casas está vazia. Qual seria seu estado de espírito? É uma triste ironia que a companhia que inventou a “obsolescência planejada” - a decisão de construir carros que se desmantelariam após alguns anos para que o consumidor tivesse de comprar um novo - agora se tornou obsoleta.

Ela se recusou a fabricar automóveis que o público queria, carros mais econômicos, que fossem tão seguros quando poderiam, e fossem expressivamente confortáveis de dirigir. Oh… e que não começariam a se desmanchar depois de dois anos. A GM teimosamente combateu regulamentos ambientais de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os carros japoneses e alemães “inferiores”, carros que se tornariam o padrão ouro para compradores de automóveis. E ela foi determinada em punir sua força de trabalho sindicalizada, cortando milhares de empregos por nenhuma boa razão além de “melhorar” os resultados financeiros de curto prazo da corporação.

A partir dos anos 80, quando a GM registrou lucros recordes, ela deslocou incontáveis empregos para o México e outros lugares, destruindo assim as vidas de dezenas de milhares de americanos que trabalhavam duro. A flagrante estupidez dessa política foi que, quando eles eliminaram a renda de tantas famílias de classe média, quem vocês acham que seria capaz de comprar seus carros? A história registrará essa trapalhada da mesma maneira como escreve hoje sobre a construção francesa da Linha Maginot ou de como os romanos envenenaram inadvertidamente seu próprio sistema de água com chumbo letal em seus canos.

Então, aqui estamos ao pé do leito de morte da GM. O corpo da companhia ainda não esfriou, e eu me vejo cheio de - ousaria dizê-lo - alegria. Não é a alegria da vingança contra uma corporação que arruinou minha cidade natal e trouxe miséria, divórcio, alcoolismo, sem-teto, debilitação física e mental, e vício em drogas para as pessoas com as quais cresci. Eu não tenho, obviamente, nenhuma alegria em saber que mais 21 mil trabalhadores da GM serão informados de que também eles estão sem trabalho.

Mas os Estados Unidos agora possuem uma empresa automobilística! Eu sei, eu sei… quem, na terra, quer gerir uma montadora de carros? Quem de nós quer 50 bilhões de nossos dólares atirados no buraco sem fundo para tentar ainda salvar a GM? Salvar a nossa preciosa infraestrutura industrial, porém, é outra questão e deve ser uma alta prioridade. Se permitirmos o fechamento e desmantelamento de nossas plantas automotivas, nós dolorosamente desejaremos ainda as possuir quando percebermos que essas fábricas poderiam ter construído os sistemas de energia alternativa de que hoje desesperadamente precisamos. E quando percebermos que a melhor maneira de nos fazer transportar é em trens-bala e de superfície e ônibus mais limpos, como faremos isso se tivermos permitido que nossa capacidade industrial e sua força de trabalho especializada desapareçam?
Tal como fez o presidente Roosevelt após o ataque a Pearl Harbor, o presidente Obama precisa dizer à nação que estamos em guerra e precisamos imediatamente converter nossas fábricas de automóveis em fábricas que produzam veículos de transporte de massa e dispositivos de energia alternativa. Em poucos meses de 1942, em Flint, a GM paralisou toda a produção de carros e usou imediatamente as linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. A conversão não tomou nenhum tempo. Todos se empenharam. Os fascistas foram destruídos.

Estamos agora num tipo diferente de guerra - uma guerra que foi conduzida contra os ecossistemas e foi movida por nossos líderes corporativos. Essa guerra atual tem duas frentes. Uma tem seu quartel-general em Detroit. Os produtos construídos nas fábricas de GM, Ford e Chrysler estão entre as maiores armas de destruição em massa responsáveis pelo aquecimento global e o derretimento de nossas calotas polares. As coisas a que chamamos “carros” podiam ser divertidas de guiar, mas são como um milhão de adagas no coração da mãe natureza”.

Persistir na sua fabricação só levará à ruína de nossa espécie e de boa parte do planeta.

A outra frente nessa guerra está sendo travada pelas companhias de petróleo contra você e eu. Elas estão empenhadas em nos depenar sempre que puderem, e têm sido as gerentes implacáveis da quantidade finita de petróleo que está localizado sob a superfície da terra. Elas sabem que o estão sugando até o bagaço. E como os magnatas da madeira no início do século 20, que não davam a mínima para futuras gerações quando derrubaram as florestas, esses barões do petróleo não estão dizendo ao público o que eles sabem que é verdade - que existem apenas algumas poucas décadas de petróleo aproveitável. E à medida que os últimos dias do petróleo se aproximam, nos preparar para algumas pessoas muito desesperadas dispostas a matar e ser mortas apenas para pôr as mãos num galão de gasolina.
Há 100 anos, os fundadores da GM convenceram o mundo a desistir de seus cavalos, selas e carruagens para tentar uma nova forma de transporte. Agora chegou a hora de nós dizermos adeus ao motor de combustão interna. Ele pareceu nos servir tão bem por tanto tempo. Nós gostávamos de fazer malabarismos com os carros, tanto sentados no banco da frente como no de trás. Assistíamos filmes em grandes telas ao ar livre, íamos as corridas da Nascar por todo o país. E víamos o Oceano Pacífico pela primeira vez através da janela na Highway 1.
E agora isso acabou.
Este é um novo dia e um novo século.