17 de abril de 2008
Primeira prisão do cacique Babau, acusado de liderar manifestação da comunidade
contra o desvio de verbas federais destinadas a saúde. O cacique estava em
Salvador no momento dos fatos.
23 de outubro de 2008
Ataque da PF na aldeia da Serra do Padeiro, com mais de 130 agentes, 2
helicópteros e 30 viaturas – para cumprimento de mandados judiciais suspensos
no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região e contra orientação do
Ministério da Justiça, resultando em 22 indígenas feridos a bala de borracha e
intoxicação por bombas a gás, destruição de casas, veículos comunitários,
alimentos e equipamento escolar.
27 de maio de 2009
Prisão preventiva do irmão do cacique Babau, por dirigir carro da Funasa
carregando mantimentos. O Desembargador Cândido Ribeiro, do TRF da 1ª Região,
não encontrou justificativa na ordem de prisão, da Justiça Federal de Ilhéus.
2 de junho de 2009
Cinco pessoas foram capturadas e torturadas por agentes da PF – spray de
pimenta, socos, chutes, tapas, xingamentos e choque elétrico. Os laudos do
IML/DF comprovaram a tortura, mas o inquérito concluiu o contrário.
10 de março de 2010
Cacique Babau é preso, durante a madrugada, em invasão da PF em sua casa,
embora a versão dos agentes – comprovadamente falsa – informe que a prisão
teria acontecido no horário permitido pela lei.
20 de março de 2010
Prisão do irmão do cacique Babau, por agentes da PF em plena via pública,
enquanto levava um veículo de uso comunitário da aldeia para reparo.
16 de abril de 2010
Babau e seu irmão são transferidos para a penitenciária de segurança máxima em
Mossoró (RN), por receio da PF de ver manifestações diante de sua carceragem em
Salvador pela passagem do “Dia do Índio”, em desrespeito ao Estatuto do Índio.
3 de junho de 2010
A irmã de Babau e seu bebê de dois meses são presos na pista do aeroporto de
Ilhéus pela PF, ao voltar de audiência com o presidente Lula, na Comissão
Nacional de Política Indigenista, por decisão do juiz da comarca de Buerarema.
Permanecem presos em Jequié por dois meses, até o próprio juiz resolver revogar
a ordem de prisão.
5 de abril de 2011
Estanislau Luiz Cunha e Nerivaldo Nascimento Silva foram presos numa situação
de “flagrante preparado” – prática considerada ilegal – num areal explorado por
empresas, de dentro da Terra Indígena Tupinambá. Acusados de “extorsão” pela
PF, Estanislau – que toma remédios controlados – e Nerivaldo – que teve a perna
direita amputada, após ser baleado por agente da PF – respondem ainda por
“tentativa de homicídio” contra policiais federais. Coincidentemente, a ação
foi feita na véspera da chegada do Secretário de Justiça do estado da Bahia, à
região. Após dois meses e meio presos, o TRF da 1ª Região lhes concedeu a
liberdade por 3 x0 em julgamento de habeas corpus, em 20 de junho.
3 de fevereiro de 2011
Prisão da Cacique Maria Valdelice, após depor na Delegacia da Polícia Federal
em Ilhéus, em cumprimento ao Mandado de Prisão expedido pelo Juiz Federal Pedro
Alberto Calmon Holliday, acusada de “esbulho possessório”, “formação de
quadrilha ou bando” e “exercício arbitrário das próprias razões”. A cacique foi
libertada no final do mês de junho, após cumprir quatro meses em prisão
domiciliar.
14 de abril de 2011
Por volta das 5h da manhã, fortemente armados e com mandado de busca e
apreensão, vários agentes da PF vasculham a residência da cacique Valdelice,
assustando toda a família – principalmente os muitos netos da cacique. Em
Salvador, chegava para reuniões com autoridades locais a “Comissão Tupinambá”
do CDDPH.
15 de abril de 2011
Fortemente armada, a PF acompanha oficiais de justiça em cumprimento de mandado
de reintegração de posse. Indígenas e Funai não haviam sido previamente
intimados do ato, que foi presenciado pelos membros do CDDPH, que testemunharam
o despreparo de agentes e a presença de supostos fazendeiros que incitavam as
autoridades contra os indígenas.
28 de abril de 2011
A Polícia Federal instaura o inquérito, intimando o procurador federal da AGU e
os servidores da Funai a prestar depoimento sobre denúncia de “coação” contra a
empresária Linda Souza, responsável pela exploração de um areal, situado na
terra Tupinambá.
29 de abril de 2011
Prisão do cacique Gildo Amaral, Mauricio Souza Borges e Rubenildo Santos Souza,
três dias antes da delegação composta por deputados federais da CDHM e membros
do CDDPH/SDH visitarem novamente os povos indígenas da região por causa das
violências que continuam a ser denunciadas.
5 de julho de 2011
Cinco Tupinambá são presos pela PF sob as acusações de “obstrução da justiça” e
“exercício arbitrário das próprias razões”, “formação de quadrilha” e “esbulho
possessório”.
18 de outubro de 2012
No Fórum de Itabuna (BA), cinco Tupinambá, vítimas de tortura cometidas por
policias federais, prestaram depoimento ao juiz Federal em parte do
procedimento da Ação Civil Pública por Dano Moral Coletivo e Individual movida
pelo Ministério Público Federal (MPF) da Bahia contra a União. Os procuradores
abriram inquérito também para apurar os responsáveis pela tortura, atestada e
comprovada por laudos do Instituto Médico Legal (IML).
14 de agosto de 2013
Estudantes da Escola Estadual Indígena Tupinambá da Serra do Padeiro foram
vitimas de emboscada na estrada que liga Buerarema a Vila Brasil. O atentado
ocorreu quando o caminhão (foto acima) que transportava os alunos do turno da
noite para as suas localidades foi surpreendido por diversos tiros oriundos de
um homem que se encontrava em cima de um barranco. Os tiros foram direcionados
para a cabine do veículo, numa clara tentativa de atingir o motorista, que com
certeza o atirador achava ser Gil, irmão do cacique Babau, pois o carro é
de sua propriedade. Quem conduzia o carro era Luciano Tupinambá.
26 de agosto de 2013
No município de Buerarema, contíguo ao território tradicional Tupinambá, atos
violentos promovidos por grupos ligados aos invasores da terra indígena.
Indígenas foram roubados enquanto se dirigiam à feira e 28 casas foram
queimadas até o início de 2014. O atendimento à saúde indígena foi suspenso e
um carro da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) foi queimado.
8 de novembro de 2013
Aurino Santos Calazans, 31 anos, Agenor de Souza Júnior, 30 anos, e Ademilson
Vieira dos Santos, 36 anos, foram executados em emboscada quando regressavam da
comunidade Cajueiro, por volta das 18 horas, na porção sul do território
Tupinambá, quando foram emboscados por seis homens. Disparos de arma de fogo
foram feitos contra os indígenas. Na sequência os assassinos praticaram
torturas, dilaceraram os corpos com facões e com o que é chamado na região de
“chicote de rabo de arraia”. Procuradores federais apontam assassinatos como
parte do conflito pela terra.
28 de janeiro de 2014
Após realizar a reintegração de posse de duas fazendas localizadas na Serra do
Padeiro, no município de Ilhéus, na Bahia, policiais federais e da Força
Nacional montaram uma base policial na sede da fazenda Sempre Viva. Ataques com
granadas contra os Tupinambá refugiados na mata.
2 de fevereiro de 2014
Durante invasão da Polícia Federal em aldeia Tupinambá da Serra do Padeiro,
M.S.M, de 2 anos, em fuga para a mata, se desgarrou dos pais e acabou nas mãos
dos policiais. O delegado Severino Moreira da Silva, depois da criança ter sido
levada para Ilhéus pelos federais, a encaminhou para o Conselho Tutelar que,
por sua vez, transferiu o menor para uma creche, onde ele segue longe dos pais
e isolado por determinação da Vara da Infância e Juventude.
7 de abril de 2016
Reintegração de posse violenta contra a aldeia Gravatá termina com a prisão do
cacique Babau Tupinambá e seu irmão Teity.