quinta-feira, 28 de março de 2013

PDS Esperança: Agricultor é assassinado em assentamento de Anapu

Enival Soares Matias foi morto nesta quarta-feira, 27, no PDS Esperança.
Polícia ainda não sabe se crime foi motivado por disputa de terra.


A Polícia Civil do Pará investiga a morte de um trabalhador rural no assentamento PDS Esperança, localizado a 60km do município de Anapu, sudoeste do estado. De acordo com os policiais, Enival Soares Matias foi morto por volta de 13h desta quarta-feira (27).

A vítima estava assentada há seis anos na área. O crime aconteceu enquanto ele andava de moto pela estrada principal do PDS, quando teria sido abordado por dois homens, também em uma motociclieta, que atiraram contra o agricultor. Uma jovem teria testemunhado o crime, e deve ser ouvida pela polícia ainda nesta quinta-feira (28).

Segundo o delegado Melquiesedeque Ribeiro, a vítima já havia sido alvo de violência na região. "A casa dele foi queimada aproximadamente um ano atrás, e ele também foi vítima de uma tentativa de assalto. Ele era muito temeroso com esses assaltantes", disse o delegado.


Veja a notícia da destruição da casa de Enival Soares Matias AQUI.

Segundo informações da polícia, o corpo da vítima foi levado para o IML de Altamira. Ainda não se sabe se o crime ocorreu por conta de disputas de terras, comuns na região: em 2005, a missionária Dorothy Stang foi assassinada no mesmo assentamento por defender a permanência de trabalhadores rurais em terras que eram disputadas por fazendeiros e madeireiros do sudoeste do Pará.

Fonte: G1 PA

quarta-feira, 27 de março de 2013

"Nós, povo Munduruku, repudiamos essa maneira ditadora da presidenta que governa o País."


Tropas da Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional de Segurança Pública  estão posicionadas em Itaituba preparadas para a execução da Operação Tapajós. Conforme informações dos indígenas, os soldados e agentes deverão desembarcar em aldeia Munduruku nesta quinta-feira, 28, para garantir realização dos estudos de impacto do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, no Pará.
A denúncia foi feita pela Associação Indígena Pusuru, em carta divulgada nesta quarta-feira, 27. Os indígenas relatam que foram informados, em reunião com a Fundação Nacional do Índio (Funai), em Itaituba, que um grupo de 60 homens da Força Nacional irá para a aldeia Sawre Muybu, também em Itaituba.
No documento, os Munduruku denunciam o governo, que  ”vem mandando seu exército assassino para nos ameaçar e invadir nossas aldeias” e temem um novo massacre, “porque há 4 meses atrás numa operação chamada Eldorado foi morto um parente e vários ficaram feridos inclusive crianças, jovens e idosos”.
Cerca de 250 homens fortemente armados estão posicionados em Itaituba para a realização da Operação Tapajós. Agentes da Polícia Federal, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal e Força Aérea foi deslocado para as proximidades da Terra Indígena Munduruku com o objetivo de realizar – à força – o estudo integrado de impactos ambientais para a construção do chamado Complexo Hidrelétrico do Tapajós.
O Ministério Público Federal pediu à Justiça Federal em Santarém que impedisse a realização de uma operação policial do governo federal, porque o licenciamento ambiental da usina está suspenso pela mesma Justiça por falta das consultas prévias aos índios. Porém, o juiz Federal indeferiu o pedido. Valendo-se do feriado prolongado da Semana Santa, tradicionalmente maior para o Poder Judiciário, o governo federal desenvolve a operação de guerra.
Leia carta na íntegra:
CARTA DO POVO MUNDURUKU
Nós! Caciques, lideranças e guerreiros do povo Munduruku sempre lutamos e continuaremos lutando em defesa de nossas florestas, nossos rios, e de nosso território pois é de nossa mãe natureza que tiramos tudo que precisamos para sobreviver, mas o governo que devia nos proteger, vem mandando seu exército assassino para nos ameaçar e invadir nossas aldeias, ultimamente nosso povo vem sendo desrespeitado, vem sendo ameaçado por um  governo  ditador que vem ameaçando e  matando nosso povo, usando suas forças armadas como se os povos indígenas fossem terroristas ou bandidos.
Nós, povo Munduruku, repudiamos essa maneira ditadora da presidenta que governa o País. Não aceitamos que policias entrem em nossas terras sem a nossa autorização para qualquer tipo de operação. É um povo especial! Um povo que já existia muito antes deles chegarem aqui, nessa terra onde chamam de Brasil. Brasil é a nossa terra! Somos nós os verdadeiros brasileiros.
Essa semana o governo brasileiro mandou 250 policiais para garantir a força os estudos das hidrelétricas nas nossas terras.
Hoje pela manhã foi decidido na sede da FUNAI em ITAITUBA que 60 homens da Força Nacional irão para a Aldeia sawre muybu, cumprir o decreto expedido pela Presidenta da Republica do dia 12 de março; é uma Aldeia com 132 Indígenas. Estamos muitos preocupados porque há 4 meses atrás numa operação chamada Eldorado foi morto um parente e vários ficaram feridos inclusive crianças, jovens e idosos, na Aldeia Teles Pires.
O governo marcou uma reunião para dia 10 de abril para falar dessa operação. Mas uma vez esse governo está quebrando acordo com o povo Munduruku, por isso não queremos mais reunir com esse governo até que ele pare com essa ação contra a decisão do nosso povo. Pedimos a ajuda do Ministério Publico Federal, para nos ajudar a resolver esses problemas sem que haja mais mortes. Pois não ficaremos de braços cruzados vendo tamanho desrespeito com nosso povo e nosso território.
Povo Munduruku
Jacareacanga, 27 de março de 2013
Fonte: Cimi


Versão em inglês*
We! Caciques, leaders and warriors of the Munduruku people have always struggled and will continue to struggle in defense of our forests, our rivers and our territories, because everything that we need to survive we get from Mother Nature. But the government, who should protect us, is sending its army of assassins to threaten us and to invade our villages, recently our people have been disrespected, threatened by a dictatorial government who has been threatening and killing our people, using armed force against us as if we indigenous people were terrorists or bandits.

We the Munduruku people repudiate the dictatorial manner of this country’s president. We do not accept that police enter, unauthorized, onto our lands for whatever operation they want to carry out. We are a special people! a people who existed long before they arrived in this land that they call Brazil. Brazil is our land! We are the true Brazilians.

This week the Brazilian government sent 250 police to enforce the implementation of studies to build hydroelectric dams on our lands.

This morning at the FUNAI headquarters in ITAITUBA, it was decided that 60 men from the National Force would go to the Sawre Muybu indigenous village to comply with the decree expedited by the President of the Republic on March 12; Sawre Muybu is a village of 132 indigenous people. We are very concerned because four months ago during another one of their operations called Eldorado one of our relatives was killed and many others were injured, including children, young people, and elderly people in the village of Teles Piras. 

The government scheduled a meeting for April 10th to speak about this operation. Once again, the government is breaking its agreement with the Munduruku people, so we do not want to meet with this government until it stops this action against the will of our people. We are asking the Federal Public Ministry to help us resolve these problems without further deaths. Because we will not remain with our arms crossed watching disrespect of this magnitude of our people and our territory. 

Jacareacanga, 27 de março de 2013
*Tradução feita pela leitora Brenda

Hidrelétricas: “Tropa de Choque” da AGU consegue na justiça entrada de tropas federais em terras mundurukus


A Advocacia-Geral da União (AGU) assegurou, na Justiça, a entrada de cerca de 80 pesquisadores, entre biólogos, engenheiros florestais e técnicos de apoio em terras indígenas para a realização de estudos ambientais para a viabilização da Usina Hidrelétrica São Luiz dos Tapajós no estado do Pará.  A notícia foi dada pela própria AGU em seu sítio, matéria posteriormente retirada do ar mas que já havia sido reproduzida AQUI.
Atuaram no caso a Procuradoria-Geral Federal, a Procuradoria Geral da União, a Procuradoria Federal Especializada junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, a Procuradoria Federal junto a Agência Nacional de Energia Elétrica, a Procuradoria Regional Federal da 1ª Região, , a Consultoria Jurídica do Ministério de Minas e Energia e a Procuradoria Federal no Estado do Pará.
Em relação ao envio de tropas federais da Força Nacional de Segurança, Polícia Federal e outras forças de repressão, “a tropa de choque da AGU” afirma que o objetivo é acompanhar os técnicos, devidamente autorizado por meio da Portaria nº 1.035/, de 22 de março de 2013 do Ministério da Justiça, a pedido do Ministério de Minas e Energia.
“O acompanhamento da Força Nacional espelha a preocupação dos órgãos do Estado brasileiro para que não haja qualquer incidente grave entre membros da equipe e, também, as pessoas das comunidades locais, segundo apresentado pela AGU, não devendo ser interpretado como ato arbitrário, mas sim como prestação de segurança, que é dever do Estado”, afirma matéria da AGU.
Ao analisar o caso, a 2ª Vara da Subseção Judiciária de Santarém no Pará acolheu os argumentos apresentados pela AGU e concordou com a continuidade dos estudos realizados no local. De acordo com a decisão, "quanto ao ingresso de agentes do Poder Público em Terra Indígena, esclareço que a decisão não impõe qualquer proibição nesse sentido".
O pedido de suspensão da ação havia sido feito pelo Ministério Público Federal, Procuradoria em Santarém. De acordo com a AGU, a pesquisa não viola a decisão liminar obtida pelo MPF, que condiciona a concessão de licença ambiental prévia e a conclusão do Estudo de Viabilidade, à consulta das comunidades indígenas sobre o aproveitamento. 

Projetos para construção de hidrelétricas no rio Tapajós intensificam violações de direitos no Oeste do Pará


Falsas e antigas promessas de desenvolvimento têm sido argumento para convencer a população a aceitar a construção do Complexo Hidrelétrico Tapajós. O projeto ameaça pelo menos 32 comunidades, além e dois mil quilômetros de território indígena.

Na região Oeste do Pará, povos, territórios, etnias e culturas diferentes enfrentam um problema em comum: o projeto do Complexo Hidrelétrico Tapajós. Os planos para construção de sete usinas hidrelétricas, a partir de barragens no rio Tapajós e Jamanxim, ameaçam pelo menos 32 comunidades, além e dois mil quilômetros de território indígena, principalmente da etnia munduruku.

Para debater acerca das diversas violações de direitos causadas pelo avanço do projeto de construção das hidrelétricas, além da expansão do agronegócio e da exploração mineral na Amazônia, mais de 20 organizações, vindas de 10 diferentes municípios do Oeste do Pará, se reuniram no seminário regional “Desenvolvimento e Direitos Humanos na Amazônia”. A atividade foi realizada nos dias 22 e 23 de março, no município de Itaituba/PA, pela Terra de Direitos, em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB e Comissão Pastoral da Terra – CPT.
Falsas e antigas promessas de desenvolvimento, oportunidades de trabalho e melhorias nas condições de vida têm sido utilizadas como argumento para convencer a população a aceitar a construção das hidrelétricas. “A barragem é anunciada como um processo de desenvolvimento e como a redenção dos problemas enfrentados pelas comunidades. As empresas se aproveitam da ausência de políticas públicas, utilizam isso como instrumento a seu favor”, afirma o integrante da coordenação nacional do MAB no Pará, Iury Paulino. Os responsáveis pelo projeto são Eletrobrás – Centrais Elétricas Brasileiras S/A, Construções e Comércio Camargo Côrrea S/A , Eletronorte – Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A, e EDF Consultoria em Projetos de Geração de Energia Ltda.
Os ribeirinhos da comunidade Pimental não aceitam o discurso de enaltecimento dos benefícios trazidos pelas hidrelétricas. Eles vivem na região onde se pretende cravar o canteiro de obras da São Luiz do Tapajós, a primeira das sete usinas previstas no complexo, e que já está em fase de estudos ambientais. Com potência prevista em 6.133 MW e 39 metros de altura, a usina formará um reservatório de 722,25 km2. “Não tem dinheiro que pague a convivência na nossa comunidade. O desenvolvimento que nós precisamos é energia, melhorias na saúde , na educação, mas não é preciso hidrelétrica no Tapajós para termos tudo isso”, garante Luiz Matos de Lima, liderança comunitária de Pimental.

Para a assessora jurídica da Terra de Direitos em Santarém/PA, Érina Gomes, um dos principais desafios da resistência à construção do complexo hidrelétrico é romper com a histórica prática da “troca do espelhinho”, que restringe os direitos da população a benesses do estado e das empresas. Segundo a advogada, a falta de diálogo e de informações concretas sobre as consequências das barragens às comunidades têm intensificado os conflitos. “Apesar de todo mundo saber que o governo e as empresas pretendem construir a barragem, que o licenciamento ambiental já está sendo feito, o espaço de diálogo e que proporcione a participação da comunidade não existe de uma forma democrática”.
A falta da consulta prévia e informada, direito previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, está entre as violações cometidas pelas empresas e pelo governo federal no processo de pesquisa para construção da usina São Luiz do Tapajós. Em novembro de 2012, a Justiça Federal proibiu a continuidade das pesquisas em território dos indígenas da etnia munduruku, do Alto Tapajós, pela falta de consulta prévia à população. Apesar da decisão, lideranças munduruku relatam a continuidade dos estudos na área.
Para além da garantia do direito à consulta prévia, as comunidades frisam a necessidade de que a opinião dos moradores seja respeitada, inclusive na posição de que as hidrelétricas não devem ser construídas. Outra reivindicação é sobre a ampliação das comunidades a serem consultadas. A decisão atual do governo brasileiro é de consultar apenas povos indígenas e quilombolas, excluindo os demais atingidos pelos projetos, como ribeirinhos, pescadores artesanais e pequenos agricultores.
João Tapajós, do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns – CITA, afirma a necessidade de que as consultas não sejam utilizadas como oportunidade de convencimento da população. “Nós temos que transformar todos os processos de consulta em espaço de mobilização. Precisamos utilizar a consulta como momento de luta.”.
Fortalecimento e articulação das lutas 
Compartilhar a realidade local e debater sobre os problemas e possíveis ações comuns contribuiu para o processo de articulação entre as diversas comunidades que margeiam o rio Tapajós. Como resultado das reflexões, os movimentos e entidades presentes firmaram o compromisso de avançar na articulação de ações conjuntas e no esforço em mobilizar mais pessoas para defender o território onde vivem. “Todos nós temos que colocar os pés no chão e caminhar nessa luta. Nós somos agentes multiplicadores, é uma luta nossa, é do povo”, ressalta o pescador artesanal José Carlos Mota Feitosa, do município de Aveiro.
Também ficou encaminhada a construção de um documento para denunciar as violações de direitos humanos sofridas pelas comunidades em decorrência do projeto hidrelétrico para a região, especialmente sobre o descumprimento da decisão da Justiça Federal de suspender as pesquisas nas terras indígenas Munduruku.
Fonte: Terra de Direitos Fotos: Ramon Santos e Ednubia Ghisi

Oficializada a repressão armada no Tapajós

Por Edilberto Sena*

Uma notícia vinda de Itaituba confirma que ditadura está implantada na Amazônia, com disfarce de proteção ao meio ambiente. Um avião Hércules da Força aérea brasileira desembarcou domingo passado 200 soldados da Força Nacional no aeroporto de Itaituba.

Na segunda-feira mais outro contingente de 50 militares chegou à cidade. Por que tantos militares em Itaituba e também em Altamira, onde está sendo construída a hidroelétrica de Belo Monte? Lá, o governo federal está violando a Constituição e tem tido resistência das comunidades prejudicadas.

No Tapajós o governo quer destruir o rio e os moradores da região, inclusive os índios Munduruku para construir sete grandes barragens. Como os ribeirinhos e indígenas não concordam com a destruição, a sua expulsão e violação de seus direitos, agora o governo federal chega com ameaças de repressão armada.

Há poucas semanas a Polícia Federal chegou armada em Teles Pires, assassinou um Munduruku, e até agora não foi punida a equipe de policiais assassinos. O pretexto era acabar com o garimpo clandestino na área, mas a razão velada era manter os índios conformados com três barragens em construção no rio Teles Pires, inclusive destruindo sua cachoeira sagrada.

Agora a repressão armada chega a Itaituba, o pretexto é proteger o meio ambiente, mas razão velada é garantir a violação da Constituição e os direitos dos povos habitantes das áreas a serem destruídos pelas sete barragens.

Como proteger o meio ambiente, se as barragens vão alagar milhares de quilômetros de floresta? Como cuidar do meio ambiente se grandes empresas estão explorando ouro e destruindo o ambiente? Como cuidar do meio ambiente se vão interromper a dinâmica normal do rio? A ditadura voltou a se instalar no Tapajós e a sociedade prejudicada não pode calar.

O urgente que o clamor dos habitantes agredidos em sua dignidade, seja levantado e chegar à justiça, às autoridades e aos órgãos de direitos humanos internacionais. Quem se humilha paga um preço caro. A diferença entre a ditadura dos militares de 1964 e a do governo de hoje é que aquela era explícita e assumida e esta é disfarçada e cínica.

*Pároco diocesano, militante do Movimento Tapajós Vivo e Coordenador da Rádio Rural AM de Santarém, Pará. Editorial de 27 de março de 2013.

Governo federal monta nova operação de guerra contra o povo Munduruku

Adenilson Kirixi assassinado pela Polícia Federal em novembro
Depois de sofrer ataque da Polícia Federal em novembro de 2012, durante a Operação Eldorado, que resultou no assassinato do indígena Adenilson Kirixi e na destruição da aldeia Teles Pires, o povo Munduruku, que vive na divisa do Pará com o Mato Grosso, está prestes a sofrer mais um violento ataque policial e militar. De acordo com informações de observadores locais, cerca de 250 homens fortemente armados estão posicionados em Itaituba (PA) para a realização da agora denominada Operação Tapajós.
Após receber sinal verde da presidenta Dilma Rousseff, um contingente com agentes da PF, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal e Força Aérea foi deslocado para as proximidades da Terra Indígena Munduruku com o objetivo de realizar - à força - o estudo integrado de impactos ambientais para a construção do chamado Complexo Hidrelétrico do Tapajós.
Há alguns anos o povo Munduruku vem se posicionando firmemente contra qualquer empreendimento envolvendo o referido Complexo Hidrelétrico em suas terras já demarcadas ou tradicionalmente ocupadas. Os procuradores da República que denunciaram à Justiça Federal de Santarém a flagrante ilegalidade da Operação Tapajós são os mesmos que investigam os danos da Operação Eldorado; dizem temer por uma repetição do deplorável episódio. Afirmam os procuradores que o clima é de tensão.    
Entre os dias 18 e 23 de fevereiro, 20 lideranças Munduruku estiveram em Brasília para cobrar reparações dos danos causados pela Operação Eldorado e, apesar da insistência do governo, se negaram a discutir a construção de usinas hidrelétricas. Na ocasião, o ministro Gilberto Carvalho afirmou que a negativa dos indígenas era ruim para o governo, mas ficaria ruim também para eles, Munduruku. No dia 12 de março, a presidenta Dilma Rousseff baixou o decreto nº 7.957 – que cria o Gabinete Permanente de Gestão Integrada para a Proteção do Meio Ambiente, regulamenta a atuação das Forças Armadas na proteção ambiental e altera o Decreto nº 5.289, de 29 de novembro de 2004.
Com esse decreto, “de caráter preventivo ou repressivo”, foi criada a Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional de Segurança Pública, tendo como uma de suas atribuições “prestar auxílio à realização de levantamentos e laudos técnicos sobre impactos ambientais negativos”. Na prática isso significa a criação de instrumento estatal para reprimir toda e qualquer ação de comunidades tradicionais, povos indígenas e outros segmentos populacionais que se posicionem contra empreendimentos que impactem seus territórios.
Com essas medidas, o governo federal demonstra claramente que não está disposto a ouvir as populações afetadas pelos grandes projetos, a exemplo das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Substitui os instrumentos legais de escuta às comunidades - como a consulta prévia assegurada pela Convenção 169 da OIT - pela força repressora do Estado e transforma os conflitos socioambientais em casos de intervenção militar. Dessa forma, os direitos dos povos passam a ser tratados como crimes contra a ”ordem pública”, caminhando para um Estado de Exceção.
Essas ações do governo brasileiro confirmam a tese apresentada pelo sociólogo Boaventura de Sousa Santos quando afirma que atualmente vivemos em sociedades politicamente democráticas, mas socialmente fascistas, onde toda dissidência é criminalizada.
Em plena Semana Santa, Cristo segue seu calvário e é crucificado junto com os Munduruku e os demais povos indígenas no Brasil.
Fonte: Conselho Indigenista Missionário

Guerrilha do Araguaia : O mistério do carro enterrado


Por Merces Castro*

Em julho de 2010, o GTT (grupo governamental criado para cumprir a sentença da 1ª. Vara Federal, ou seja, localizar, recolher e entregar os restos mortais dos “desaparecidos” na guerrilha do Araguaia) foi fazer uma escavação na antiga base militar da Bacaba, na Transamazônica, onde uma pessoa, que havia ali trabalhado, me apontara dois lugares onde possivelmente tinha corpos enterrados. 

No primeiro local foram encontrados grandes blocos de concreto que formavam uma imensa caixa e onde no passado era depositado lixo hospitalar. Ali nada foi encontrado. No segundo ponto, o detector indicou a presença de grande quantidade de metal. A exploração mostrou que era um carro enterrado décadas antes.

Pedi para tirarem o carro inteiro, mas por questões que desconheço fizeram o trabalho como visto no vídeo. Junto aos destroços do carro encontrou-se o pé de uma sandália infantil, o que me levou a questionar: O que realmente havia por trás daquele carro? Porquê estava tão bem escondido?

Em novembro passado fui contatada por um pastor de uma igreja protestante de uma denominação qualquer situada em Belém. Alegando arrependimento, disse que soubera que o carro da Bacaba fora encontrado e por isso faria contato com uma pessoa que poderia me falar mais sobre o episódio.

O encontro com essa pessoa ocorreu semana passada em Santarém. Antonio, o nome dele, era o dono do carro. Tem marcas de tiros no rosto, no abdome e nas pernas, tantos que destruíram partes de seus pés. Lembrou-me o Quasímodo. Sabe apenas que é de São José de Ribamar, cidade vizinha a São Luís/MA e na adolescência foi para Osasco onde fez família e progrediu.

Certo dia, no final de 1973, colocou no carro a sogra, a esposa e a filha de dois anos e meio, ambas Maria Helena, das quais não lembra as suas fisionomias e seguiram para o norte conhecer o eldorado.

Antonio nada sabia de guerrilha, por isso saiu da Belém-Brasília e entrou na Transamazônica ao entardecer. Pretendia dormir em Marabá. A estrada de piçarra estava boa e seu carro desenvolvia certa velocidade.

Absorto em seus pensamentos, apenas ele estava acordado. Mas ainda não eram oito da noite. Um barulho intenso de lata sendo rasgada e vidros estilhaçados indo de encontro ao seu rosto o fizeram perder o controle do veículo. O carro fora metralhado.

Antonio lembra que acordou num leito de hospital totalmente desmemoriado. Não lembrava nem do próprio nome. Enquanto se recuperava era submetido a constante interrogatório disfarçado de ajuda social e foi “visitado” pelo piloto de helicóptero que o socorrera.

Ao recuperar-se fisicamente, Antonio foi submetido a uma “lavagem cerebral”. Entregaram-lhe documentos com os quais se identifica até hoje, disseram-lhe que era originário de Santarém e funcionário do serviço público federal, pelo qual está aposentado. Em Santarém foi levado para “sua” casa onde ainda mora.

Lembro a todos que a cerca de dois meses liguei para um dos coordenadores do GTA pedindo que alguém fosse mandado a Santarém. Sugeri até o nome de uma das historiadoras contratadas, mas foram palavras ao vento. A moça estaria ocupada e ficou por isso mesmo.

Por ter conversado com Antonio por telefone, antes de ir a Santarém, peticionei à 1ª. Vara Federal e OEA pedindo urgentes e definitivas informações acerca de eventuais perícias efetuadas nos restos do carro encontrado na Bacaba.

E o pastor? O piloto de helicóptero que levara Antonio a Belém, foi para a reserva como Tenente-Coronel e converteu-se ao protestantismo. Ia com frequência a Santarém e numa dessas idas encontraram-se. Os contatos frequentes trouxeram parte da memória de Antonio de volta.

Apesar de ainda não lembrar o nome da família, tem sonhado com a filha que lhe trás a mensagem de que logo, logo, estarão juntos. Imagina que sua vida está no fim e por isso prefere não buscar a verdade total sobre sua vida. Talvez essa busca não valha a pena. 
Voltei dilacerada e me perguntando se esse poço tem fundo.

*Merces Castro é advogada, militante e irmã do desaparecido Antônio Teodoro de Castro.

Santarém: Cacique Crisomar da Terra Indígena Maró é encontrado morto


Por Fabio Pena*

O cacique Manoel Crisomar dos Santos Costa, 60 anos, da Aldeia São José 3 na região da Gleba Nova Olinda, no Rio Maró, em Santarém/ PA foi encontrado morto hoje, dia 26/03 em igarapé nas proximidades de sua aldeia. Ele estava desaparecido desde o último sábado, dia 23, quando, segundo familiares, saiu para visitar parentes que moravam em outro lado do lago da comunidade.

Com a demora em sua volta, seus parentes iniciaram as buscas para encontrá-lo. Após horas percorrendo a região da comunidade, a canoa que ele usava habitualmente foi avistada, e um pouco mais à frente, estava o corpo do cacique.
Popularmente conhecido como Tracajá, Manoel Crisomar foi uma liderança forte que lutava pela união da comunidade, pela preservação de suas tradições e da floresta em que vivia. Foi lutador incansável pela criação da Terra Indígena Maró, que já passou pelo processo de identificação (reconhecimento da etnia Arapium) e delimitação da área a ser demarcada, na região conhecida como Gleba Nova Olinda.

Em função da luta das comunidades pela criação da terra indígena, a região vive momentos de tensão e conflitos que envolvem lideranças comunitárias e empresas interessados na exploração da madeira na região. Algumas lideranças foram ameaçadas, como Odair Borari, da Aldeia Novo Lugar, que anda com escolta policial.

Não se sabe as causas da morte, mas por se tratar de uma região conflituosa, e por envolver um liderança indígena, o Ministério Público Federal solicitou que a Polícia Federal investigasse as causas da morte. Uma equipe da PF e do Instituto Médico Legal deve seguir amanhã para a comunidade para apurar os fatos.

Uma equipe do Projeto Saúde & Alegria e outras organizações sociais de Santarém também segue amanhã para São José para prestar solidariedade à família e à comunidade e acompanhar a apuração.

Frases


“Estão querendo reprimir qualquer manifestação de luta por nossos direitos. A Força Nacional já estava aqui há algum tempo para, junto com as forças policiais estaduais, reprimir nossas manifestações. Isso é um escândalo. É digno de uma ditadura virar as costas às manifestações populares das comunidades indígenas e ribeirinhas cujos direitos não vêm sendo atendidos e reprimi-las com o uso da força”, disse a coordenadora do Movimento Xingu Vivo, Antônia Melo à Agência Brasil, sobre o envio de tropas federais para “garantir incolumidade das pessoas, do patrimônio e a manutenção da ordem pública nos locais em que se desenvolvem as obras [da hidrelétrica de Belo Monte], demarcações, serviços e demais atividades atinentes ao Ministério de Minas e Energia”, segundo Portaria assinada pelo Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso.

terça-feira, 26 de março de 2013

Justiça federal acata denúncia de exploração sexual na Usina de Belo Monte


Por Alex Rodrigues* 

A Justiça Federal em Altamira (PA) decidiu acatar denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra seis pessoas acusadas de envolvimento com suposto esquema de exploração sexual de mulheres e adolescentes na região das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, estado do Pará.
O procedimento para apurar as denúncias decorrentes de duas operações policiais contra a exploração sexual, deflagradas no dia 13 de fevereiro, foi instaurada na última sexta-feira (22), a pedido do MPF. A denúncia foi recebida pelo juiz federal Marcelo Honorato.
Segundo a denúncia do MPF, Claci de Fátima Morais da Silva, Adão Rodrigues, Solide Fátima Triques, Moacir Chaves, Carlos Fabrício Pinheiro e Adriano Cansan tinham ligações com a Boate Xingu, que funcionava próxima a um dos três canteiros de obras da usina. Ainda de acordo com o MPF, Claci era a dona de uma boate em Santa Catarina onde, com o apoio de Moacir Chaves, aliciava mulheres com a promessa de que elas ganhariam até R$ 1 mil por dia trabalhando na barragem.
As vítimas do esquema eram então levadas de van para Altamira, uma viagem de cerca de 4 mil quilômetros. Ao chegarem na Boate Xingu, eram recebidas pelo acusado Adão Rodrigues, que é apontado na denúncia como proprietário do estabelecimento e mentor do grupo criminoso, e pela mulher dele, Solide Fátima Triques. As jovens eram então acomodadas em quartos precários, alguns com trancas do lado de fora. Pinheiro, gerente da boate, e Cansan, que atuava como garçom e segurança, eram os responsáveis por vigiá-las e impedir que deixassem o local.
Durante as duas operações policiais, 15 mulheres e uma travesti provenientes de outros estados foram encontradas em condições que indicavam serem vítimas de exploração sexual. A ação policial teve início depois que uma menor de idade conseguiu fugir de uma boate da região e denunciou que vinha sendo mantida em cárcere privado e obrigada a se prostituir. A garota foi incluída no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte.
“Ela [a menor] relatou que era mantida presa e que veio do Rio Grande do Sul com a promessa de trabalho bem remunerado. Após chegar à cidade, foi ameaçada, agredida e obrigada a se prostituir”, informou, na ocasião, o coordenador da operação, delegado Cristiano Nascimento, revelando a Agência Brasil que as 12 mulheres libertadas durante a segunda operação confirmaram ser obrigadas a se prostituir por pessoas armadas que as vigiavam.
O caso chegou a ser conduzido pela Justiça paraense, mas o juiz estadual responsável declinou da competência, ou seja, abriu mão de julgar o assunto já que as acusações envolvem indícios de trabalho escravo, crime que compete à Justiça federal julgar. O MPF instaurou uma investigação separada para apurar a denúncia de que a exploração sexual ocorria dentro da área declarada de utilidade pública pelo governo federal para a construção da usina hidrelétrica.
*Fonte: Agência Brasil – EBC - Edição: Denise Griesinger

Em Castelo dos Sonhos, uma avenida e muita violência

O roteiro de quem cruza pela BR-163 a partir do Pará não está restrito aos perigos próprios da rodovia. Grilagem de terras, garimpos clandestinos e extração ilegal de madeira ainda contam a história de boa parte dos municípios do sul do Estado, uma região que, 40 anos atrás, foi promessa de fortuna e vida boa para quem se dispusesse a desbravá-la e, claro, derrubar suas árvores. As fortunas vieram, mas para poucos.

Do eldorado prometido pelo governo militar, sobraram vilarejos abandonados à própria sorte, como o de Castelo dos Sonhos, distrito que pertence ao município de Altamira (PA). Castelo, que ostenta uma paisagem de faroeste em sua única avenida, é o distrito brasileiro mais distante de sua sede. Está a 950 km de Altamira. Cercado de beleza natural, o vilarejo transformou-se em terra de pistoleiros, onde fazendeiros são constantemente acusados de encomendar a morte de pessoas por mixarias como R$ 100, R$ 200.

Com 15 mil habitantes, Castelo dos Sonhos ainda não conseguiu sua emancipação. Dada a sua distância de Altamira, está muito mais ligado a Novo Progresso (PA) e Guarantã do Norte (MT).

“Castelo mudou. Não é mais violento como era. A coisa só complica mesmo se você procurar as bocas de inferno. Lá, ninguém respeita ninguém e sua vida não vale um tostão”, diz “seu” Dirceu, dono da Pousada Paraíso Verde. Ele se refere a um punhado de botecos da avenida, onde mulheres ficam sentadas ao lado de aparelhos de som, à espera de interessados.

O povo de Castelo dos Sonhos anda indignado com a violência da cidade, diz Dirceu. No mês passado, a população decidiu fazer justiça, depois de ser acordada por um homem ensandecido. Ele chegou em sua casa e começou a matar seus animais. A esposa, apavorada, fugiu e deixou o filho dormindo. O homem matou seu próprio filho. Foi preso.

Revoltado, um grupo de pessoas foi até a cadeia e pediu que soltassem o assassino, para que fosse linchado. O delegado resistiu. A população, fora de controle, começou a quebrar as paredes do presídio. O homem foi encontrado. “Ele foi levado para fora. Foi surrado e esquartejado. Depois, atearam fogo nos seus pedaços”, diz Dirceu. “Aqui você tem que ficar na sua casa, sossegado. Não vai sair por aí, porque senão arruma confusão. Castelo dos Sonhos é um lugar muito bom para se viver.”


Fonte: Valor Econômico parte da matéria “Lama da BR-163 é alternativa ao caos de Santos”

Revista organiza mapa do trabalho escravo no Brasil


A revista GALILEU organizou, com auxílio do geografo Eduardo Girardi e informações da Repórter Brasil, da Comissão Pastoral da Terra e do Ministério do Trabalho e Emprego, dois mapas sobre a incidência de trabalho escravo no Brasil. O trabalho tem como base dados relativos a libertações de trabalhadores em condições análogas às de escravos ocorridas de 1995, ano em que os Grupos Móveis de Combate ao Trabalho Escravo foram instituídos, até novembro de 2012. O levantamento resultou em um infográfico na edição impressa da revista e um infográfico digital interativo no site, trabalho de André Moscatelli e Tiago Mali.

A apresentação dos dados reforça a relação entre trabalho escravo e desmatamento. Boa parte dos resgates ocorreu, conforme é possível visualizar nos mapas, nas bordas da Amazônia Legal, em áreas de abertura de fronteira agrícola, com a superexploração ocorrendo em atividades normalmente relacionadas com a pecuária, como abertura de pastos. Clique nas imagens para ver os mapas ampliados diretamente no site da revista.



Terra Yanomami: MPF dá 30 dias para que Funai retire fazendeiros da região de Ajarani


O Ministério Público Federal em Roraima (MPF/RR) recomendou ao administrador regional da Fundação Nacional do Índio em Roraima (Funai), André Vasconcelos, e ao diretor de proteção territorial da Funai, Aluísio Ladeira Azanha, para que procedam à imediata confecção de plano de retirada de ocupantes e bens das fazendas localizadas na região do Ajarani, dentro da Terra Indígena Yanomami. Além disso, o MPF quer que o órgão proceda ao cumprimento do plano de retirada, ultimando a desintrusão da área.
De acordo com o procurador da República Fernando Machiavelli Pacheco, autor da recomendação, a Funai já realizou vistorias de avaliação na região, encerrando os trabalhos relativos à Sindicância em relação às áreas invadidas, além de já ter promovido as ações de consignação em pagamento para a indenização das benfeitorias de boa fé construídas nas respectivas fazendas, no valor de quase 1,5 milhão de reais.
Conforme o MPF cabe à Funai promover a proteção territorial e a regularização fundiária das terras indígenas, adotando medidas administrativas para tanto, no exercício de seu poder de polícia. As Fazendas onde deverão ser feitas as retiradas são Nova Esperança, São Raimundo, Gaúcha, Lajeado, Nossa Senhora de Aparecida, Repartimento, Retiro do Repartimento, Três Barras, Pouso Alegre, Miguelão, Paludo, Dois Irmãos, Duas Flechas, Rancho Fundo, Boa Sorte e São Francisco todas situadas em áreas dentro da Terra Indígena Yanomami, na região do Ajarani.
O MPF concedeu o prazo de 10 dias para que a Funai apresente o plano de retirada administrativa de ocupantes e bens das Fazendas e o prazo de 30 dias para dar cumprimento ao plano de desintrusão da área.
Ibama
Na sexta-feira (22), o MPF encaminhou recomendação ao Ibama para que o órgão iniciasse a fiscalização e vistoria in loco das fazendas situadas nessa região com o objetivo de possibilitar a autuação de todos os crimes ambientais e infrações administrativas constatadas, em virtude das invasões ilegais, bem como, aferição do dano ambiental na área fiscalizada, para posterior reparação pelos responsáveis.
O objetivo da recomendação enviada ao Ibama, é evitar que os responsáveis pela invasão da Terra Indígena Yanomami, sejam retirados da área, antes da identificação dos crimes ambientais cometidos dentro da região. “A Funai está na iminência de adotar medidas administrativas para a devida retirada dos invasores da Terra Indígena Yanomami, o que impõe a pronta identificação dos responsáveis pelos ilícitos ambientais e o respectivo dano”, alertou Fernando Pacheco.
Fonte: MPF-RR

PA: MPF pede que Justiça suspenda operação da PF em reserva indígena Munduruku

Operação Tapajós tem o objetivo de garantir a realização de estudos de impacto da construção de usina; para MPF, há risco de conflito
Foto: Blog RPI

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça que impeça a realização de uma operação policial nas proximidades da Terra Indígena Munduruku, no interior do Pará, onde está planejada a construção da usina hidrelétrica São Luís do Tapajós. Segundo o MPF, a chamada Operação Tapajós, a ser desencadeada nesta semana pela Polícia Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai), é uma "patente violação à decisão da Justiça", já que o licenciamento ambiental da usina está suspenso pela falta de consultas prévias aos indígenas.

De acordo com o MPF, o contingente armado que se dirigiu na sexta-feira à região seria de 60 agentes da PF, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Força Aérea Brasileira, com o objetivo de garantir a realização dos estudos de impacto da usina. A preocupação maior do MPF é com o clima de conflito na região. "Há perigo de dano irreparável com a realização da operação ora noticiada, seja porque impera na região muita desinformação (até mesmo pela ausência da consulta prévia), seja porque a referida operação apresenta um potencial lesivo desproporcional", diz o documento enviado ao juiz federal de Santarém (PA) José Airton Portela.

Os procuradores da República Felipe Bogado, Fernando Antônio de Oliveira Júnior e Luiz Antonio Amorim temem, com a operação, "a repetição de lamentáveis incidentes históricos como o ocorrido na Operação Eldorado, que culminou com a morte de um indígena, além de inúmeros feridos entre indígenas e agentes públicos".

segunda-feira, 25 de março de 2013

Operação prende mais 34 garimpeiros na Terra Indígena Yanomami


Ozieli Ferreira*

Até as 20h de ontem, 34 garimpeiros encontrados em Palimiú, região Yanomami, haviam sido autuados pela Polícia Federal acusados de vários crimes. O número deve aumentar, pois nem todos foram trazidos para Boa Vista. A prisão foi desencadeada pela Operação Curaretina I, que iniciou na madrugada sexta-feira, 22, pelo Exército Brasileiro, Polícia Federal (PF), Fundação Nacional do Índio (Funai) e Ministério Público Federal (MPF). 

Os presos começaram a ser transferidos para Boa Vista ainda na sexta-feira. Após prestarem depoimentos na sede da Superintendência da PF, eles foram encaminhados para a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo. Todos os garimpeiros foram autuados por formação de quadrilha armada, garimpo ilegal e usurpação de matéria-prima da União. Outros foram enquadrados ainda nos crimes de tráfico de drogas, porte e posse de armas e munições e de atividade nociva à saúde pelo uso do mercúrio, que contamina os rios.

A Operação Curaretina I, que ocorre nas imediações do rio Uraricoera com o objetivo de coibir o garimpo fluvial em áreas indígenas, foi desencadeada a pedido do MPF, que solicitou a destruição das balsas localizadas na calha do rio Uraricoera. Mais de 70 agentes foram envolvidos no trabalho. Do Exército, foi disponibilizado um pelotão de fuzileiros com 36 homens. A ação e o balanço completo só serão divulgados após o encerramento, segundo informou o Exército.

Conforme o coordenador regional da Funai, André Vasconcelos, as equipes se concentram nas regiões do Uraricoera, Palimiú e Waikae. Segundo ele, quinze balsas foram afundadas. Além disso, foram apreendidas armas, motores, barcos de nove metros, motoserra, combustível, ouro e um equipamento detector de metal de alta precisão, utilizado para identificar onde tem minério. Os equipamentos estariam avaliados em pelo menos R$ 150 mil. 

O Ministério Público Federal informou que vem atuando para coibir o garimpo ilegal de todas as formas. O órgão disse que vem articulando com outras instituições para buscar impedir essa prática. Desde o final do ano passado, o MPF vem coordenando reuniões com o intuito de articular uma operação que pudesse atingir a via fluvial para a área de garimpo.

Durante a investigação foi constatado que havia a necessidade de coibir o garimpo pela via fluvial, uma vez que não foi atingido pela Operação Xawara, realizada em 2012. Outro objetivo da operação é possibilitar a construção de uma base de proteção etno ambiental e evitar que o garimpo continue nesses lugares, além de disponibilizar de forma permanente, a atuação de policiais federais e integrantes da Funai.

De acordo com o procurador da República Fernando Machiavelli Pacheco, depois da Operação Xawara, que desarticulou em 2012 uma quadrilha formada por aviadores e empresários ligados ao ramo de joalheria, o garimpo pela via fluvial ficou fortalecido, uma vez que não foi atingido pela operação Xawara. 

“O Ministério Público Federal tem articulado com outros órgãos para coibir o garimpo ilegal. Nós convocamos a Funai, Exército, Polícia Federal e Ibama para que, de forma conjunta, realizássemos a operação. Desta forma, estamos buscando medidas mais eficientes de permanência de policiais federais e servidores da Fundação Nacional do Índio para que haja o controle efetivo para coibir essa prática”, disse. Esta foi a primeira vez que garimpeiros foram levados para a penitenciária.

Muita fé...

1. A ida da presidente Dilma Rousseff e sua grande comitiva para acompanhar a primeira missa do Papa Francisco teria custado R$ 324 mil segundo o Itamaraty, incluindo a hospedagem em um hotel de luxo no Centro de Roma;

2. Presente também na missa de sétimo dia das vítimas da chuva em Petrópolis, no Rio de Janeiro,  Dilma rezou, mas não repetiu a infeliz frase dita na semana passada em Roma: "vão ter de ser tomadas medidas um pouco mais drásticas para que as pessoas não fiquem nas regiões que não podem ficar".

3. Enquanto isso, para o Judiciário Federal, o feriadão da Semana Santa começa na quarta-feira. 

MPF e Incra vão estabelecer metas de redução do desmatamento na Amazônia


Incra e MPF vão assinar um termo de cooperação que busca a regularização ambiental nos assentamentos de reforma agrária na Amazônia
O Ministério Público Federal (MPF) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) estão fazendo os ajustes finais para assinatura de termo de cooperação que busca a regularização ambiental nos assentamentos de reforma agrária na Amazônia. O objetivo é que dentro de 30 dias seja assinado o documento, com metas para a recuperação dos danos ambientais existentes e para impedir novos desmates ilegais.
Em contrapartida, o MPF deve pedir a suspensão das ações civis públicas que ajuizou contra o Incra em diversos Estados da Amazônia em defesa da reforma agrária com assistência técnica, proteção à agricultura familiar e respeito ao meio ambiente.
Um protocolo de intenções entre as duas instituições foi assinado em Belém (PA), na última sexta-feira (22), pelo presidente do Incra, Carlos Mário Guedes de Guedes, e pelo coordenador do grupo de trabalho Amazônia Legal, vinculado à 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, o procurador da República Daniel César Azeredo Avelino.
Pelo protocolo, o Incra reafirmou as diretrizes do seu plano de prevenção, combate e alternativas ao desmatamento ilegal em assentamentos da Amazônia Legal, denominado programa Assentamentos Verdes. Tendo como foco a redução do desmatamento nos assentamentos, associada às estratégias do programa Bolsa Verde, inserido no Plano Brasil Sem Miséria, a meta é atender 980 projetos de assentamentos, em 199 municípios e alcançar mais de 190 mil famílias até 2019.
A autarquia também se comprometeu a realizar a regularização ambiental e fundiária, implantando o Cadastro Ambiental Rural, juntamente com o instrumento de titulação nos assentamentos. As irregularidades ambientais serão combatidas por meio de visitas a campo e ações exemplares de retomada de lotes da reforma agrária.
Em contrapartida, o MPF comprometeu-se a atuar para garantir a proteção e defesa dos interesses sociais e difusos, especificamente a tutela do meio ambiente, visando a ampla prevenção e reparação dos danos eventualmente causados.
Em julho de 2012, o MPF ajuizou ações em seis Estados da Amazônia – Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima, Acre e Mato Grosso – que apontavam o Incra como o maior desmatador individual da região. De acordo com investigação que contou com dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), até 2010 o Incra foi responsável por 133 mil quilômetros quadrados de desmatamento dentro dos 2,1 mil projetos de assentamento que existem na região amazônica. O prejuízo econômico é calculado em R$ 38,5 bilhões.
No Mato Grosso e Pará, a Justiça obrigou o Incra a realizar a regularização ambiental dos assentamentos e a só criar novos assentamentos com as licenças ambientais necessárias.
Municípios Verdes – Além do protocolo de intenções com o MPF, o Incra assinou termo de compromisso com o programa Municípios Verdes, do governo do Estado. O Municípios Verdes busca a parceria entre setores público e privado para garantir a regularidade da produção rural, a geração de investimentos e para banir do mercado itens produzidos a partir do desmatamento ilegal, utilização de trabalho escravo, grilagem ou outros crimes.
“É possível sim gerar renda nos assentamentos valorizando os passivos ambientais e recompondo aquilo que foi degradado”, afirmou o presidente do Incra, que anunciou o aumento em 50% dos recursos para assistência técnica nos assentamentos este ano. Guedes também registrou que os assentamentos passarão a ser beneficiados com o programa Minha Casa Minha Vida.
Fonte: MPF

PDS Milton Santos: TRF mantém decisão favorável ao assentamento


Na sexta-feira (22/3), o Tribunal Regional Federal da 3ª Região manteve a decisão favorável ao assentamento Milton Santos, que reconhece a área como um assentamento da Reforma Agrária e suspende a reintegração de posse. A decisão agora vai para julgamento definitivo por Turma. Ainda não há data marcada para este julgamento. 

De acordo com Nilcio Costa, militante e advogado do MST, a situação jurídica do Milton Santos mudou positivamente após a suspensão da reintegração de posse. “A reintegração fez com que o Judiciário reconhecesse a legitimidade do assentamento”. 

Nilcio também afirma que agora existe uma alternativa de resolver o imbróglio jurídico do assentamento além da desapropriação por interesse social, medida que o governo evita a todo custo tomar.

“Caso a posse da área seja confirmada como sendo da família Abdalla, existe a possibilidade de converter a posse em perdas e danos, indenizando o proprietário com dinheiro”, diz Nilcio. 

Fonte: MST