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Na segunda parte deste capítulo, interessa-nos analisar o papel que deve cumprir o agrônomo, sem nenhuma dicotomia entre o técnico e o cultural, no processo da reforma agrária.
O agrônomo não pode, em termos concretos, reduzir o seu quefazer a esta neutralidade inexistente: a do técnico que estivesse isolado do universo mais amplo em que se encontra como homem.
Assim é que, desde o momento em que passa a participar do sistema de relações homem-natureza, seu trabalho assume este aspecto amplo em que a capacitação técnica dos camponeses se encontra solidária com outras dimensões que vão mais além da técnica mesma.
Esta indeclinável responsabilidade do agrônomo, que o situa como um verdadeiro educador, faz com que ele seja um (entre outros) dos agentes de mudança.
Daí que sua participação no sistema de relações camponeses-natureza-cultura não possa ser reduzida a um ‘estar diante’, ou a um ‘estar sobre’, ou a um ‘estar para’ os camponeses, pois que deve ser um ‘estar com eles’, como sujeitos da mudança também.
Esta responsabilidade não é exclusiva do agrônomo-educador nem dos educadores em geral, mas sim de todos quantos, de uma ou de outra maneira, estão dando sua contribuição ao esforço da reforma agrária.
Trecho do clássico livro “Extensão ou Comunicação” de Paulo Freire, disponível em http://www.bonato.kit.net/Extensao_ou_Comunicacao.pdf e na barra lateral do blog.