quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

No Pará, mais provas de que não somos um país sério

Por Leonardo Sakamoto*

Não foi o general De Gaulle que disse a famosa frase, mas ela é perfeita: o Brasil não é um país sério. Recebo diariamente notícias do interior dizendo que algum trabalhador rural foi espancado, um indígena foi morto, um sindicalista levou um tiro, uma família de posseiros ameaçada. Se você não respira fundo e tenta reiniciar a CPU no final de cada dia, corre o risco de entrar em uma espiral de banalização de violência. O horror de ontem passa a ser nada diante da bizarrice de hoje, retroalimentado pela impunidade. Afinal, há mais chances de eu ser atingido na rua por um meteoro em chamas do que o Brasil garantir que os violadores de direitos humanos sejam sistematicamente responsabilizados e punidos.

Há alguns dias veio à tona a notícia de que Roniery Bezerra Lopes, convocado como testemunha de acusação do caso Dorothy Stang foi baleado no Pará. Levou seis tiros nas costas, pernas, cabeça, boca. Ele era empregado de Reginaldo Pereira Galvão, o Taradão, acusado de ser o mandante do assassinato da missionário norte-americana morta em 2005. Dou um doce para quem descobrir por que ele foi alvejado e quem mandou puxar o gatilho…

Sem aguardar pela investigação policial, não erra quem diz que o responsável por esse atentado não deve cumprir pena. Até agora os mandantes do assassinato da irmã Dorothy estão livres para grilar terras e criar gado.
Afinal, não somos um país sério, por que se espantar?

*Publicado originalmente no blog do Sakamoto
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